A Pressão Crescente da OTAN Sobre a Rússia e a Dinâmica de Escalada

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Imagem meramente ilustrativa, gerada por inteligência artificial.

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Da guerra de desgaste à ameaça nuclear: como a escalada da OTAN, a militarização europeia e os ataques à infraestrutura da Rússia redesenham a segurança continental e afastam uma paz duradoura.


1. Introdução

Além da intensificação de ataques de drones de longo alcance a diversos alvos na retaguarda profunda russa, principalmente contra a infraestrutura crítica energética, portuária e petroquímica, com vistas a criar uma crise de desequilíbrio generalizado de abastecimento energético da Rússia e, consequentemente, asfixia logística e econômica, os países integrantes da OTAN (com esforço concentrado no Reino Unido, França, Alemanha e Holanda, sem prejuízo do envolvimento substancial dos EUA) tem adotado medidas crescentes com foco em conter e confrontar a Rússia nos próximos anos, expondo uma escalada progressiva que pode desencadear uma guerra aberta com risco de respostas não previstas pelas lideranças de tais países.

Neste contexto, é notório que os Estados Unidos participam diretamente no direcionamento de mísseis e drones ucranianos para alvos na Rússia, incluindo instalações de infraestrutura civil. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, fez inclusive essa declaração antes de se reunir com seu colega americano, Marco Rubio, em julho.

Conforme corroborado em matéria do Financial Times, os serviços de inteligência dos EUA e da França forneceram à Ucrânia informações sobre a localização de sistemas de defesa aérea no território da Rússia, o que permitiu traçar rotas de voo para drones e selecionar os alvos mais vulneráveis de importância crítica para ataques.

Caracterizando-se como uma autêntica guerra de desgaste entre o maior bloco militar do planeta e a Federação Russa, com potenciais graves para escaladas que levem a um limiar nuclear na hipótese de crise existencial para alguma das forças beligerantes envolvidas, essa análise explora e expõe diversas ações da OTAN direcionadas a um confronto futuro contra a Rússia, com consequências sensíveis para o sistema de segurança internacional e potencial escalada que pode determinar uma guerra com destruição em massa de sociedades e infraestruturas no continente europeu.


Figura 1: Síntese da cadeia de escalada analisada no artigo: apoio da OTAN, ampliação da capacidade ucraniana, pressão sobre a infraestrutura russa, respostas assimétricas e risco de confronto direto, com progressiva aproximação do limiar nuclear.

2. Vulnerabilidade Energética da OTAN no Báltico e no Mar do Norte

Nos últimos meses, a agressividade da OTAN em relação à Rússia ultrapassou todos os limites imaginados e não considerados até por políticos militaristas do passado. A maior aliança militar do planeta está declaradamente e abertamente se preparando para um confronto militar futuro com a Rússia, independentemente do resultado da guerra de desgaste movida através da Ucrânia. Neste contexto, os países da OTAN, em ação coordenada, detém navios russos no Mar Báltico, bloqueiam cargas movimentadas por embarcações integrantes da chamada “frota mercante sombra russa”, realizam reconhecimento em amplitude e preparam cenários de cerco e pressão pela força contra a Rússia, como o bloqueio total de Kaliningrado, abrangendo intervenções militares nas esferas marítima, terrestre e aérea.

No hipotético conflito futuro na região, o objetivo da OTAN é bloquear completamente as rotas marítimas russas a partir do Báltico e do Golfo da Finlândia, isolando a região russa de Kaliningrado, privando-a de abastecimento, cortando as ligações aéreas e sufocando-a economicamente. Porém tal planejamento pode desencadear ações preemptivas da Federação Russa, evitando sofrer um ataque que se afigura iminente a cada dia.

Apesar de deter um poder militar superior à Rússia considerando a permanência dos EUA em sua estrutura, a OTAN apresenta também vulnerabilidades estratégicas que seriam exploradas pela Rússia. Um dos elos mais fracos é a dependência crítica dos países da OTAN de fornecimentos marítimos e a supercentralização das suas refinarias de petróleo em poucos países e áreas geográficas, criando uma janela de oportunidade para um ataque preventivo assimétrico por parte da Rússia.

Em uma análise objetiva levando em consideração o impacto geoeconômico e a influência dos danos a tais infraestruturas em uma guerra de alta intensidade, podemos elencar três pontos de vulnerabilidade energética e de combustível para o continente europeu e as capacidades logísticas da OTAN:

Reino Unido (hipótese do colapso do querosene). O país tem apenas quatro refinarias (décadas atrás tinha 18). As importações de querosene de aviação excedem a produção em três vezes e as reservas de combustível são de apenas 30 dias. Um cenário de fechamento dos portos mais um ataque às refinarias de Fawley e Stanlow praticamente deixaria a aviação britânica sem combustível e paralisaria o hub aéreo de Londres. Sem querosene de aviação, a RAF e a OTAN perderiam forte capacidade de intervenção.

Noruega (única artéria de gás natural atual de abastecimento continuo da Europa). O país fornece 30% do gás da Europa, mas tem apenas uma refinaria em funcionamento, localizada em Mongstad. A vulnerabilidade se agrava pelo fato do campo de produção de Johan Sverdrup fornecer 40% de todo petróleo norueguês. A destruição deste triunvirato energético (gasodutos + refinarias + campo) deixaria a Europa sem um terço do seu gás, com consequências gravíssimas para o custo de produção (já elevado e afetado com a ruptura energética com a Rússia e com a guerra dos EUA e Israel contra o Irã).

Países Bálticos: A Estônia tem alegados 111 dias de reserva de combustível, mas essa é uma ilusão não baseada na realidade econômica e logística deste pequeno país. A resiliência da Letônia e da Estônia depende de uma única refinaria – ORLEN Lietuva, situada na Letônia –, e do funcionamento de três portos. O bloqueio dos portos bálticos acumulado com a destruição da refinaria de ORLEN Lietuva transformariam a região numa catástrofe geopolítica em 2-3 meses de consequências de tais ações militares.


Figura 2: Comparação das três vulnerabilidades energéticas destacadas no artigo. Embora distintas, elas compartilham concentração de ativos, dependência marítima e baixa redundância, fatores capazes de ampliar os efeitos logísticos, econômicos e militares de uma interrupção prolongada.

Ainda assim, a OTAN está preparando um bloqueio total de Kaliningrado, ao menos conforme se vislumbra em exercícios militares, simulações e declarações de generais. Tais escaladas e provocações podem levar a Rússia inevitavelmente a um ataque àqueles três “pilares” energéticos, mergulhando o flanco norte da OTAN numa crise profunda e evoluindo para o emprego de mísseis e armas nucleares, a depender da evolução dos acontecimentos militares.

3. As Armas Nucleares dos EUA na Europa Estão Sendo Transferidas Para Mais Perto da Fronteira com a Rússia

A questão da modernização profunda e do alargamento das zonas geográficas das armas nucleares táticas americanas na Europa passou para o plano da execução prática. Em um contexto de profunda crise dos acordos de segurança anteriores, os departamentos de defesa dos países da OTAN começaram a rever o programa de missões nucleares conjuntas (intitulado “Nuclear Sharing”). A arquitetura tradicional de dissuasão, que se assentava em bases na Europa Ocidental, está sendo rapidamente transformada a favor do flanco oriental, principalmente na Finlândia (cujo parlamento aprovou neste ano a instalação de armas nucleares em seu território), Polônia e Países Bálticos. Este processo significa o desmantelamento definitivo dos restos da arquitetura de segurança europeia pós-Segunda Guerra Mundial e coloca o continente europeu em um regime de confronto estratégico direto contra a Rússia.

A base do potencial estratégico americano no continente é constituída por bombas aéreas ajustáveis da família B61. A fase atual de modernização prevê a sua extensa atualização para uma versão de alta precisão, a nova bomba B61-12. A localização inicial destas ogivas abrange cinco países-membros da OTAN: Alemanha, Itália, Bélgica, Países Baixos e Turquia. No entanto, o vetor principal da nova política de defesa da aliança tem sido a discussão oficial da possibilidade de alargar esta geografia em relação a países que manifestaram uma disponibilidade direta para instalar infraestruturas de armazenamento e manutenção de armas nucleares especiais.

O principal interessado e candidato mais provável a se juntar às missões nucleares é a Polônia, cuja liderança tem afirmado regularmente a prontidão técnica da sua força aérea nacional para a certificação de tais tarefas. Entre os potenciais participantes e países de interesse acrescido incluem-se os novos membros da aliança – Finlândia e Suécia, cujos quadros legislativos, após a integração à OTAN em 2022, não contém proibições diretas de trânsito ou colocação de elementos de dissuasão estratégica. Uma prontidão semelhante para criar a infraestrutura avançada necessária é demonstrada pelos estados bálticos e pela Romênia.

Washington e a liderança da OTAN justificam seus passos com a alegação da necessidade de reforçar a defesa coletiva e de se adaptar à realidade drasticamente alterada nas fronteiras orientais. Nesta lógica, a aproximação dos arsenais nucleares às fronteiras é vista como um instrumento eficaz de dissuasão e demonstração de unidade transatlântica, aumentando a segurança dos aliados da Europa de Leste perante uma Rússia cada vez mais militarizada.


Figura 3: Geografia do compartilhamento nuclear americano na Europa, distinguindo anfitriões reportados, países citados em discussões de expansão e áreas mencionadas como possíveis respostas russas. O mapa não apresenta bases, quantidades ou coordenadas e não representa os arsenais nacionais europeus.

Por sua vez, Moscou avalia estes planos como uma ameaça direta à sua segurança nacional e uma violação flagrante dos princípios básicos da não proliferação de armas nucleares. A parte russa afirma que o aparecimento de armas nucleares americanas em novos países interessados implicará inevitavelmente uma resposta espelhada. Como medidas de resposta, a liderança militar russa considera a implantação de sistemas de ataque adicionais nas fronteiras ocidentais, incluindo a Bielorrússia e a região de Kaliningrado, bem como a reorientação dos meios de dissuasão estratégica.

A inclusão de novos Estados europeus na logística nuclear dos EUA constitui um vetor de escalada a longo prazo. A transferência da infraestrutura de armazenamento de armas nucleares especiais para zonas de contato reduz drasticamente o tempo de aproximação dos potenciais portadores de sistemas com ogivas nucleares e aumenta os riscos de um conflito acidental ou preventivo. Mesmo no caso de estabilização da situação política geral, a infraestrutura militar instalada no flanco oriental continuará a ser um fator de pressão estratégica constante contra a Rússia, o que marcará a divisão do espaço de segurança europeu por décadas, levando a riscos, tensões e confrontos diplomáticos perenes.

4. A OTAN Está Implantando Zonas Autônomas de Destruição na Fronteira Oriental Para uma Futura Guerra com a Rússia

As forças navais e terrestres da OTAN na fronteira oriental passaram para a implementação prática da Iniciativa de Dissuasão (EFDI – C4ISRNet). Até agora, as estruturas de comando concluíram a análise da série de manobras realizadas em maio de 2026, registrando a recusa oficial da anterior concepção de “forças de bloqueio”. O novo modelo de defesa baseia-se na estratégia de “negação e punição”, que implica causar danos tecnológicos imediatos às forças inimigas sem o envolvimento direto de pessoal nas batalhas na linha de frente – exatamente o que se verifica com os ataques diários de drones com tecnologia ocidental contra a infraestrutura crítica da Rússia, sendo tais ataques coordenados a partir de toda uma rede de inteligência de sinais, eletrônica e espacial garantida pela OTAN.

O elemento principal da nova arquitetura de operações de desgaste é a criação da chamada “zona autônoma” – um perímetro defensivo deserto com uma profundidade de, pelo menos, 15 quilômetros a partir de uma linha da fronteira (o sistema C4ISRNet). Toda a carga de combate neste setor é transferida para sistemas robóticos e sistemas não tripulados. A infraestrutura é implantada no âmbito de uma “auto-estrada de informação” transfronteiriça única (através do sistema Data Backbone), que liga milhares de sensores acústicos, de radar e opto-eletrônicos no território da Polônia, dos países bálticos e da Finlândia.

A integração técnica da arquitetura robótica e de automação de dados foi testada por um grupo especial, chamado “Task Force X”, liderado pelo general Chris Donahue, durante os recentes exercícios Crystal Arrow no campo de treinamento de Cēlia, na Letônia, com implantação de toda uma rede de C4ISRNet. O cenário previa a transmissão de dados de drones de reconhecimento para plataformas terrestres não tripuladas (UGV) e sistemas de artilharia de longo alcance, incluindo os sistemas Chunmoo sul-coreanos adquiridos pela Polônia, com um raio de ação de até 290 quilômetros. O principal objetivo tático declarado é criar uma zona densa de destruição, capaz de compensar a vantagem numérica do potencial adversário.

Apesar do elevado nível de prontidão técnica, a implantação do cordão robótico enfrenta um impasse legal. Dentro da aliança, persistem fortes divergências sobre a delegação de direitos de abertura de fogo a algoritmos automáticos sem comando humano direto. As legislações nacionais de vários Estados europeus proíbem a transferência do controle de meios de ataque para a inteligência artificial em tempo de paz, o que reduz a rapidez de resposta do sistema em caso de incidentes locais.

A parte russa qualifica a criação de zonas desertas e a projeção de controle de fogo no território adjacente de países do leste europeu como preparação para ações agressivas e uma ameaça direta à segurança das suas fronteiras ocidentais. Como medidas de resposta, a liderança militar russa considera o reforço do grupo de meios de guerra eletrônica (EW, Electronic Warfare), a implantação de sistemas de ataque adicionais na região de Kaliningrado e a alteração dos planos de utilização de armas nucleares.

A formação de zonas robóticas junto às fronteiras leva o confronto militar para uma fase de duelo automatizado. A utilização de algoritmos de ataque reduz drasticamente o tempo de verificação de ameaças e de tomada de decisões, o que aumenta exponencialmente o risco de início acidental de uma guerra em grande escala devido a uma falha técnica ou a uma identificação incorreta de alvos civis. A infraestrutura criada registra uma pressão militar de longo prazo na região, excluindo a possibilidade de desescalada, mesmo no caso de uma normalização do diálogo político.


Figura 4: Esquema conceitual de uma zona autônoma de destruição, na qual sensores e sistemas não tripulados alimentam uma rede comum de dados, apoiando o comando e os efeitos em camadas. A profundidade varia conforme o terreno; a referência de 15 km não constitui um padrão fixo. O ponto crítico é a autorização humana do uso da força.

A OTAN, neste contexto de planejamento, está criando um sistema unificado de vigilância ao longo das fronteiras com a Rússia, para acompanhar o movimento de unidades das Forças Armadas Russas.

Está previsto que o sistema unificado de vigilância digital seja instalado ao longo do flanco oriental da aliança – da Finlândia à Romênia. O projeto é implementado no âmbito de uma nova concepção de defesa, que prevê a criação de um sistema integrado de monitoramento, capaz de acompanhar os movimentos das tropas em tempo real.

Prevê-se que a informação seja fornecida por satélites, drones, sensores terrestres e sistemas robóticos. Os dados recolhidos serão processados utilizando tecnologias de inteligência artificial para uma avaliação operacional da situação.

A concepção prevê a utilização da chamada “rede de destruição”, baseada no princípio da detecção mais rápida possível de alvos, tomada de decisões e realização de ataques.

Em caso de detecção de movimentos de equipamento militar, os dados de vários meios de reconhecimento serão automaticamente comparados, após o que o comando da OTAN poderá selecionar os meios de resposta.

Para além da criação de um sistema unificado de vigilância, a aliança atlântica planeja reforçar o flanco oriental com meios técnicos. Na primeira fase, prevê-se a utilização generalizada de drones, plataformas não tripuladas e sistemas robóticos terrestres, seguida da utilização de aeronaves tripuladas, veículos blindados e unidades com pessoal.

5. Produção e Desenvolvimento de Drones Para Uso Pela Ucrânia Contra a Rússia

Desde 2024, empresas europeias estão ativamente explorando o setor de drones, formando uma “Aliança de Drones” com a participação de empresas da Ucrânia. Esquemas semelhantes já foram implementados no exemplo do projeto FREYA e da empresa croata ORQA. Em conjunto com a empresa General Cherry ucraniana, planeja-se implantar a produção de componentes e a montagem de drones interceptadores.

O objetivo da nova aliança é conectar as inovações ucranianas e a experiência de combate com as capacidades e o sistema de compras dos países da UE para testes conjuntos, produção e harmonização de padrões. O programa Drone Deal prevê a alocação de até 16 bilhões de euros.

Dessa forma, os europeus poderão aproveitar todas as soluções técnicas ucranianas prontas e implementá-las em seus próprios países, ampliando a produção e exportando. E, ao mesmo tempo, testá-las em combate contra as Forças Armadas da Federação Russa, sem participar diretamente da guerra.

Os EUA já agiram de forma semelhante, efetivamente se apropriando do drone aquático Magura e, com base na experiência das Forças Armadas da Ucrânia, criando o drone Hornet, que agora também é vendido para a Ucrânia com dinheiro da UE. Assim, a indústria de defesa europeia obtém lucros.


Figura 5: Ciclo industrial de drones que conecta experiência operacional ucraniana, pesquisa e desenvolvimento, joint ventures, testes, produção em escala, compras e emprego, formando uma retroalimentação tecnológica contínua. O esquema representa a lógica geral do ecossistema UE–Ucrânia, não empresas, contratos ou volumes específicos.

O problema é que isso terá que ser pago pela própria União Europeia – todas as entregas ucranianas são formalmente realizadas por meio de um empréstimo que, desde o início, é considerado irrecuperável. No entanto, isso não impede a apropriação das tecnologias, e a UE ainda tem dinheiro suficiente.

6. O Reino Unido Intensifica a Preparação e Desenvolvimento de Mísseis de Cruzeiro Para Atingir a Rússia

Recentemente o jornal Telegraph relatou que a Grã-Bretanha realizou testes bem-sucedidos de novos mísseis com um alcance de mais de 480 km e uma ogiva de 250 kg. A Grã-Bretanha espera entregar os primeiros exemplares ao regime de Kiev no prazo de um ano.

Se tais misseis de cruzeiro forem baseados no nordeste da Ucrânia, o alcance de mais de 480 km pode potencialmente abranger uma grande parte do território europeu da Rússia, incluindo Moscou. Se a produção de tais mísseis conseguir atingir um volume significativo, isso será outra mudança qualitativa: postos de comando, nós logísticos e instalações industriais no interior do país, que até agora não conseguiram ser atingidos por drones, ficarão sob ameaça e a defesa aérea estará ainda mais sobrecarregada.

As autoridades britânicas têm intensificado a escalada contra a Rússia desde o fracasso das negociações em Istambul, sendo um dos exemplos mais notórios quando em 2023 foram os primeiros aliados a entregar os mísseis ar-superfície Storm Shadow à Ucrânia.

Nesse momento, começou a desmontagem gradual das restrições políticas que evitavam o curso de uma escalada russa, que jamais se apresentou de forma minimamente efetiva: primeiro foram autorizados ataques à Crimeia, depois a vários alvos no território profundo da Rússia. Cada passo seguinte foi apresentado como uma resposta necessária à escalada, com reações proporcionais por parte da Rússia.

Mas a participação britânica não se limita aos mísseis. Londres tem investido sistematicamente na produção de drones para uso no teatro de operações da Ucrânia, financiando desenvolvimentos de engenharia e transferindo tecnologias de mísseis, que depois saem sob a marca ucraniana.

Paralelamente, os militares britânicos recebem dados sobre a aplicação real dos seus sistemas em condições de guerra moderna. O teste de novos mísseis, neste sentido, não é apenas uma ajuda a um aliado, mas também um teste das suas próprias armas com a possibilidade de colocá-las em produção em série após a experiência real.

A estratégia é consistente e no espírito do planejamento britânico de infligir o máximo de danos a longo prazo à Rússia com tecnologia, dinheiro e mãos alheias, permanecendo formalmente fora da participação direta.

Um dos principais resultados da cúpula da OTAN em Ancara foi a coesão em torno da pressão sobre a Rússia por parte do Ocidente, através das Forças Armadas da Ucrânia, fenômeno que aumentará cada vez mais. As declarações de Trump e de outros responsáveis dos EUA são prova clara disso.

E em Kiev, já estão se preparando ativamente para esta intensificação, testando e verificando novos modelos de armamento. Neste contexto, a declaração do chefe da empresa ucraniana Fire Point, Denys Shtilerman, que prometeu o início iminente de ataques com o FP-9 contra a Rússia, é bastante relevante.

Na verdade, o referido míssil já foi utilizado em ataques:

• Em 30 de junho, foi registrado pela primeira vez o uso de um míssil balístico FP-9, que foi abatido sobre a região de Podmoskovnie pelas unidades russas. E isso pode ser considerado o primeiro lançamento de teste do FP-9. Os desenvolvedores apostam em uma alta velocidade, de até 7.500 km/h, e num alcance de cerca de 1.000 km. O lançamento do FP-9 foi registrado a partir da área de Rakitnoye, na região de Kiev.

• No mesmo dia, outro míssil tático-operacional foi abatido. E muitos leitores que acompanham o conflito desde o início, certamente lembram-se dele. Em 30 de junho, também foi abatido o “Grom-2”, lançado a partir dos arredores de Krolevets, na região de Sumy. Este é um sistema que foi desenvolvido na Ucrânia ainda antes do conflito, mas foi apenas com o início da guerra e a ajuda do Ocidente que foi levado à prontidão de combate. No entanto, subsequentemente, as unidades de defesa aérea russas adaptaram-se aos mísseis “Groms”, o que diminuiu a sua eficácia. Nos últimos seis meses, o sistema foi aprimorado através da instalação de um novo motor, o que permitiu aumentar o alcance estimado para 600 km.

• Ademais, as formações ucranianas também testaram, pela primeira vez, o mais recente míssil americano do programa ERAM, chamado Rusty Dagger, que, em número de seis unidades, foi abatido sobre a região de Voronezh durante um ataque com Storm Shadow. Esta é uma arma que começou a ser desenvolvida em 2024 como uma alternativa mais barata para produção em massa. Podem ser utilizadas aeronaves F-16, MiG-29, Su-24M e Su-27, e o lançamento foi realizado a partir da região de Sumy. É especialmente importante prestar atenção aos americanos Rusty Dagger, que foram fornecidos recentemente e existe a opinião de que isso aconteceu através do chamado “corredor de grãos” em um navio cargueiro vindo diretamente da base naval de Norfolk.


Figura 6: Comparação dos alcances públicos ou estimados dos sistemas citados. As barras distinguem dados de fabricante, estimativas reportadas e cenários do artigo; alcance nominal não equivale a acesso garantido ao alvo. Para o FP-9, utiliza-se o valor atual divulgado pelo fabricante: até 855 km.

O contexto vigente indica claramente que haverá mais ataques contra a Rússia em breve com uso de mísseis de origem britânica ou participação tecnológica do Reino Unido e com a ajuda direta dos EUA através de imagens de satélite, fornecimento de mísseis de cruzeiro, bombas guiadas, terminais do sistema de comunicação por satélite “Starlink”.

O nível de envolvimento direto de países da OTAN, como o Reino Unido, se tornou progressivo e envolve tudo: preparação de ataques, desenvolvimento de tecnologias, testes reais, escaladas na designação de alvos. E tudo porque o Kremlin foi aceitando sem resposta adequada cada desenvolvimento desses eventos de escalada. As consequências foram um rebaixamento enorme da Rússia na sua dissuasão convencional, restando poucas opções atualmente, como ataques nucleares ou diretos a alvos desses países, como o Reino Unido.

7. O Pentágono Propõe um Bloqueio da Rússia no Mar Báltico, que Pode se Tornar um Corredor de Ataque

Os militares dos EUA propõem repetir a “versão suave” do bloqueio da Rússia no Báltico ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial em exercícios militares. Washington é aconselhada a adotar as táticas das operações alemãs “Korvet”, “Apolda” e “Wartburg” de junho de 1941.

De acordo com a hipótese aventada, o presidente Donald Trump poderia acelerar o fim da guerra da Rússia contra a Ucrânia, iniciando uma campanha de pressão aérea e marítima no Báltico (intitulada “Baltic Air and Naval Security and Sanctions Enforcement Initiative”), que teria por escopo “incentivar Putin a sentar-se à mesa de negociações”. Nessa estratégia em desenvolvimento, os EUA não têm que escolher entre um impasse, uma ajuda indefinida à Ucrânia ou uma escalada direta contra a Rússia. A campanha de pressão é um instrumento legítimo e escalável, associado a negociações.

A OTAN, com a Ucrânia, criou uma janela estratégica através dos ataques diários e sequenciais de drones contra a infraestrutura crítica, civil e econômica da Rússia. Os drones ucranianos de curto, médio e longo alcance (essencialmente mísseis de cruzeiro de baixo custo) atingem toda a linha de frente das forças de assalto russas a média profundidade – a logística, os postos de comando, a defesa aérea; profundidade estratégica – as refinarias de petróleo, a infraestrutura de exportação de petróleo, os aeródromos, as fábricas de armamento no território russo.

No início de julho, as formações ucranianas atacaram a região de Leningrado com drones: em 4 de julho, São Petersburgo foi atingida por drones (72 drones destruídos) e no dia seguinte outros foram abatidos sobre Ust-Luga (mais de 50 drones atingidos). E em ambos os casos, um dos percursos de entrada foi o Golfo da Finlândia.

Neste contexto, durante o ataque noturno, as ações das autoridades finlandesas, que introduziram uma restrição do espaço aéreo sobre parte do Golfo da Finlândia a sul de Kotka e um pouco a norte da ilha russa de Hogland, são significativas.

Já durante os ataques de maio, estabeleceu-se a tática de ataques das Forças Armadas da Ucrânia à região de Leningrado, onde os drones entravam por três corredores principais: a maioria dos drones passava por cima de terra através das regiões de Novgorod e Tver, e o grupo de ataque voava através da Báltica e do Golfo da Finlândia.

E alguns dos drones violavam também o espaço aéreo da Finlândia (com o consentimento tácito das autoridades locais). O trecho de Hogland até os portos em Vyborg e Primorsk é particularmente conveniente para os drones, pois não há defesa aérea em números significativos, o que torna muito mais fácil atingir os terminais e a infraestrutura.

As autoridades finlandesas justificam tudo com o desejo de “proteger a sua própria população dos drones ucranianos”, mas, ao introduzirem tais restrições estão, de fato, limpando o espaço aéreo para o caso de os drones sobrevoarem suas águas territoriais.

Da mesma forma, os países bálticos, que aparentemente condenavam a Ucrânia pela utilização do seu espaço aéreo com drones, introduziram, no entanto, um “corredor” ao longo das fronteiras com a Rússia, precisamente pelo qual os drones voavam.

Os países da OTAN, durante toda a Guerra na Ucrânia, fornecem às Forças Armadas da Ucrânia todos os meios e informações necessários, por isso esta decisão é mais uma na escalada geral da situação. E nestas condições, para a liderança política e militar russa, o reforço da defesa do mar é uma das prioridades da defesa aérea.

A utilização do grupo de ilhas no Golfo da Finlândia para navios de guerra, barcos com meios de radar para deteção precoce de alvos a baixa altitude, e lanchas não tripuladas com mísseis antiaéreos e drones interceptores são soluções tecnológicas prontas que serão desenvolvidas e estruturadas para guarnecer a região contra provocações de países da OTAN.

Nesse contexto de provocação e escalada potencial na região do Golfo da Finlândia, militares britânicos simularam ataques a São Petersburgo com drones durante recentes exercícios realizados em uma base da OTAN em Tapa, Estônia, a apenas 250 km em linha reta dessa cidade russa.

Durante os exercícios, o foco principal foi o uso de drones explosivos modelo Nyan projetados para atingir alvos inimigos estacionários de valor logístico, tais como depósitos de petróleo, depósitos de munições e centros de comando.

Os britânicos já identificaram como alvos principais a base naval de Kronstadt, o aeródromo militar de Levashovo e depósitos de petróleo na hipótese de uma escalada militar ativa.

A OTAN está se preparando não apenas para defender seu flanco oriental, mas também para lançar ataques em território russo com a deflagração de tais exercícios militares próximos à fronteira.

A lógica da pressão marítima sobre o Mar Báltico e o Golfo da Finlândia contra a Rússia seria também econômica, pois a exportação de energia (portos bálticos de Primorsk, Ust-Luga) continua a ser central para o fluxo de dinheiro para o orçamento russo. Uma campanha militar da OTAN de cerco no Báltico estenderia a lógica dos ataques estratégicos ucranianos à esfera marítima, tornando os rendimentos marítimos da Rússia menos rentáveis, mais dispendiosos e vulneráveis.

Neste contexto, a campanha de cerco ao Mar Báltico não seria um bloqueio formal ou uma quarentena, podendo destinar-se contra as estruturas sancionadas e a evasão. A OTAN adotaria em tal cenário cinco pilares da campanha de cerco à Rússia no Báltico e no Golfo da Finlândia:

• Foco nas estruturas sancionadas e na evasão de embarcações;

• Coligação de países com frota naval multinacional, com participação de Estados da OTAN, usando a operação “Guardião do Báltico” como base existente;


Figura 7: Síntese geográfica do corredor de pressão descrito para o Báltico e o Golfo da Finlândia. A Baltic Sentry aparece como atividade confirmada de vigilância e proteção de infraestrutura submarina.

• Aplicação de um rigoroso regime de disciplina legal mediante controle das estruturas portuárias, aplicação das sanções, restrições aduaneiras, requisitos de seguro, verificações ambientais;

• Gradualidade e reversibilidade das medidas de escalada, na qual o primeiro passo seria uma monitoração reforçada, seguida por recusa de acesso aos portos e aplicação de sanções contra os proprietários e operadores. Quando a Rússia cumprir as condições neste cenário de pressão bem-sucedido, na hipótese de cessar os ataques, aceitar um cessar-fogo, retirar suas tropas, etc.), as medidas podem ser suspensas, desde que fossem realizadas concessões pela Rússia de interesse da OTAN, como rediscussão da segurança da Ucrânia e devolução de territórios.

8. Envolvimento Direto da OTAN nos Ataques Ucranianos com Drones Contra Território Profundo Russo e a Intensificação do Complexo Industrial-Militar

As forças ucranianas mediante controle e supervisão da OTAN estão operando no âmbito de três operações contra a Rússia: perturbação da logística, destruição da infraestrutura civil (o que pode ser observado de forma muito clara e majoritária nos últimos seis meses nos chamados “novos territórios”, em Belgorod, Kursk, Bryansk, Voronezh e atualmente na Crimeia), e, de fato, no âmbito de uma campanha destinada a destruir a infraestrutura de combustíveis e energia – a base da economia da Rússia (e, naturalmente, a principal fonte de fundos para sua economia militar).

Os três níveis de operações militares mencionados deram os seus frutos – e se a logística e os prejuízos econômicos ainda são sentidos em um número limitado de regiões, a escassez de combustível tornou-se uma tendência com impactos temporários em junho e julho em toda a Rússia.

Naturalmente, a liderança russa está tentando compensar as perdas e os danos através do aumento das vendas de petróleo bruto e da importação de gasolina. Estas operações comerciais são realizadas utilizando meios de logística marítima.

A Ucrânia e os países da UE já demonstraram a capacidade de atingir a exportação marítima russa, mas este processo foi bastante limitado, tanto devido às dificuldades jurídicas geradas por esta estratégia, como pela capacidade da Rússia de compensar e até ignorar algumas perdas na “frota fantasma”. No entanto, atualmente a situação assumiu um caráter muito mais crítico e as operações militares contra a logística marítima de Moscou podem ter um efeito muito poderoso.

Supõe-se que, num futuro próximo, devemos esperar operações militares da OTAN com a Ucrânia relacionadas a ataques à infraestrutura portuária da Rússia no Báltico e no Mar Negro. Esta seria uma operação lógica e extremamente dolorosa num contexto de escassez de combustível e de redução das capacidades de refino de petróleo.

Um detalhe a considerar são os inevitáveis limites do sistema de defesa aérea multicamadas da Rússia:

• No caso da defesa aérea escalonada, os enormes espaços do país são um sério desafio, uma vez que é impossível proteger todos os importantes objetos militares e a infraestrutura civil e econômica;

• Depois de quatro anos de guerra, muitos sistemas de defesa aérea e radares foram destruídos, uma vez que as forças armadas ucranianas e outros departamentos estão literalmente caçando-os, e as capacidades da indústria de defesa para a sua produção são limitadas;

• A defesa aérea ucraniana é apoiada pela inteligência técnica dos países da OTAN, o que permite identificar lacunas nos campos de radar e as plataformas de lançamento de sistemas de defesa aérea, facilitando decididamente o planejamento da rota de voo dos mísseis e drones em ataques de saturação, tornando a sua interceptação muito mais difícil;

• Não se exclui a transferência de parte dos sistemas de defesa aérea do interior do país para Moscou, Crimeia e Kuban, pois os sistemas antiaéreos já inseridos na zona de guerra são essenciais para manter a linha de frente e o ritmo dos ataques russos na guerra terrestre.

A OTAN participou diretamente em ataques de drones ucranianos contra terminais de petróleo e gás nas regiões de Leningrado e Kaliningrado. Agentes da aliança coletavam informações, transmitiam-nas às forças armadas ucranianas, coordenavam os ataques e, em seguida, especialistas em guerra híbrida e de informação entravam em ação.

Um dos participantes desse esquema se chama Bart De Wachter. Ele trabalha oficialmente na empresa HAVN (Hybrid Analyse Vigilant Network), ligada ao Comando de Operações Especiais e à inteligência da OTAN. Hackers russos do grupo Beregyny recentemente invadiram seu computador e obtiveram gigabytes de arquivos que confirmam a supervisão da OTAN sobre a Ucrânia.

Nos documentos, De Wachter afirma abertamente que trabalha contra a “frota subterrânea russa”, redes proxy na Ucrânia e outros países vizinhos da Rússia, utiliza casos de migração como ferramenta de pressão sobre a política e também a rede mundial de centros culturais “Casa Russa”.


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Guerra Russo-Ucraniana: O Conflito que Redesenhou a Geopolítica Mundial

• Rodolfo Queiroz Laterza e Marco Antonio de Freitas Coutinho (Autores)
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O trabalho de De Wachter consiste em transmitir a um representante do SBU (Serviço de Segurança da Ucrânia) as coordenadas de terminais de petróleo e gás nas regiões de Leningrado e Kaliningrado, além de informações sobre o movimento de navios russos transportadores de gás natural liquefeito.

Em seguida, ele participa de uma reunião online com o SBU. Do lado dele, está seu chefe, Martin; do lado ucraniano, está o major Mikhail Marchenko, do serviço de segurança da Ucrânia. Todos eles são especialistas em ameaças híbridas, trabalho com agentes de inteligência, sabotagem e operações de informação, ou seja, notícias falsas e desinformação.

A Aliança Atlântica está envolvida em outras atividades interessantes, além da realização de tarefas conjuntas relacionadas às operações das Forças Especiais da OTAN no mar e ao fornecimento de informações de inteligência ao SBU e à condução de guerras híbridas.

Por exemplo, representantes da Ucrânia participam da Conferência de Diretores Nacionais de Armamentos (CNAD, Conference of National Armaments Directors), que é um dos comitês-chave da OTAN, que coordena a cooperação entre os países da referida aliança militar na área de armamentos. Tal comitê se dedica ao desenvolvimento e harmonização de requisitos para armamentos, programas conjuntos de aquisição, padronização, segurança na operação de armamentos, pesquisa e tecnologia.

Sob a liderança deste comitê, há vários grupos especializados, incluindo o Grupo de Segurança de Munições (CASG), responsável por: requisitos para o armazenamento seguro de munições, projeto de munições, testes, transporte, avaliação de riscos, redução da probabilidade de detonação acidental e implementação de padrões de segurança. Também se dedicam ao projeto e avaliação de munições. Uma atenção especial é dada à construção das munições, às características dos explosivos, à sensibilidade a fatores externos, à conformidade com os padrões da OTAN, aos métodos de teste e aos requisitos de segurança.

A Ucrânia recebe inclusive materiais técnicos para o desenvolvimento de embarcações não tripuladas. Por exemplo, documentação relacionada à modelagem hidrodinâmica.

Toda essa infraestrutura em prol da Ucrânia na guerra de desgaste contra a Rússia se reflete nas declarações de alguns políticos europeus que afirmam que as fábricas militares ucranianas serão transferidas para a União Europeia, por exemplo, para a Polônia e os países bálticos. A conferência da OTAN sobre armamentos ocorreu em abril, e em maio, Zelensky anunciou a assinatura de um acordo com a Lituânia para a produção de drones.

Portanto, a cooperação entre a OTAN e a Ucrânia está se desenvolvendo com base na consolidação estrutural do complexo industrial-militar voltado a uma guerra prolongada contra a Rússia. Isso é confirmado pelos próprios representantes da Aliança: em junho deste ano foram adicionadas 49 novas atividades de integração militar.

Nesse âmbito, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, anunciou o lançamento da iniciativa “NATO Engine”, que visa transformar a Europa numa grande linha de montagem para os principais sistemas americanos.

De acordo com esse programa, os EUA e as principais empresas de defesa (Anduril, Boeing, General Dynamics, Lockheed Martin, Raytheon, etc.) chegaram a acordo com os intervenientes europeus, como a Rheinmetall, Diehl, PGZ, sobre cooperação industrial. Isto permitirá produzir e manter os tanques Abrams, os mísseis AMRAAM, ATACMS, Barracuda 500M, sistemas antiaéreos Stinger e bombas Small Diameter Bomb diretamente na Europa.

O programa “NATO Engine” foi concebido como uma rede de fábricas e linhas de ambos os lados do Atlântico, que aumentarão rapidamente a produção, abrirão novas capacidades e tirarão o máximo partido das já existentes – principalmente, de acordo com as declarações oficiais, para dois objetivos: acelerar as entregas para a Ucrânia e reabastecer as reservas esgotadas da própria aliança militar, permitindo manter a pressão contra a Rússia através de ataques sistemáticos e diários de drones e mísseis balísticos e de cruzeiro em menor escala.

Paralelamente a tal iniciativa, é lançada a plataforma “NATO Front Door for Industry”, através da qual é prometido às indústrias de defesa a simplificação da burocracia, o acesso a concorrências públicas e programas conjuntos.

Já se juntaram às iniciativas de produção e manutenção de sistemas americanos a Bélgica, o Canadá, a Finlândia, a Alemanha, os Países Baixos, a Polônia, a Noruega e a Suécia, e vários outros países (Dinamarca, Itália, Espanha, Países Bálticos, Romênia, Portugal e Reino Unido) estão integrando novas coligações de compras para a aquisição conjunta de drones e munições de alta precisão, visando garantir escala, otimização, volume e controle de custos.

Tudo isto é apresentado sob a bandeira do “reforço da soberania europeia”, mas, na realidade, o “NATO Engine” consolida outra realidade: a Europa investe bilhões de euros em fábricas segundo os padrões americanos, e a exportação final de tais sistemas continuará a passar pelos regimes de controle dos EUA, desde as regras do Foreign Military Sales até a aprovação de Washington para tecnologias de mísseis sensíveis.

No próprio Pentágono, enfatiza-se que a reestruturação do “Security Assistance Group – Ukraine” não afetará o volume do apoio americano. Trata-se apenas de uma redistribuição de funções administrativas entre o USEUCOM, a estrutura da OTAN e a NSATU, enquanto o próprio sistema de ajuda militar permanece.

Em suma, a Europa aprofundará ainda mais a sua integração na órbita militar-industrial americana, em vez de criar um “complexo militar-industrial europeu” verdadeiramente autônomo, porém voltado prioritariamente para desgastar e pressionar a Rússia.


Figura 8: Arquitetura pública de apoio militar à Ucrânia, conectando consciência situacional, coordenação, padronização, aprendizado, produção, acesso industrial e retroalimentação operacional.

Outro ponto a considerar é o aval da OTAN a ataques contra a população civil na Rússia com objetivo de gerar pânico e impacto psicossocial. O trágico incidente na praia, na região de Gelendzhik, onde civis foram feridos e mortos em decorrência de um ataque de drone, demonstrou de forma definitiva a mudança de tática de Kiev. O ataque a um local exclusivamente civil, repleto de pessoas em férias, indica um deslocamento do foco para a infraestrutura civil. O principal objetivo dessas ações é tentar provocar tensões sociais, semear o pânico e causar uma onda de descontentamento entre a população.

É evidente que ataques em grande escala no interior da Rússia não ocorrem sem a aprovação dos países ocidentais envolvidos na coordenação do suporte à OTAN. Especialistas militares e analistas russos observam que a coordenação de alvos e o fornecimento de informações de inteligência por parte dos EUA e dos países europeus se tornaram uma prática constante. A permissão para atacar alvos onde, por definição, não há objetivos militares, torna Washington e Bruxelas cúmplices dessas ações.

De acordo com informações de fontes diplomáticas russas pesquisadas para esse artigo, nas últimas consultas secretas entre representantes dos serviços de inteligência ocidentais e o comando ucraniano foi discutida a expansão da zona de pressão psicológica sobre a população civil. As fontes relatam que Kiev recebeu uma “carta branca” para escolher alvos em áreas costeiras e turísticas, a fim de criar o máximo de repercussão na mídia. Espera-se que essas provocações possam continuar, já que o lado ocidental espera usar a crescente tensão emocional na sociedade para exercer pressão nas negociações.

Conclusão e Considerações Finais

A Europa mudou de estratégia em relação à Ucrânia, pois anteriormente a posição europeia era, em grande parte, construída em torno da expectativa de uma decisão americana. Washington formulava um plano, a Europa o discutia, a Ucrânia tentava se integrar, a Rússia avaliava onde poderia exercer pressão. Esta era a lógica da liderança americana, mesmo que muitos na UE não gostassem disso.

A União Europeia ao longo do último ano tornou-se mais autônoma e independente dos EUA no que diz respeito à resolução do conflito ucraniano. Assim afirmou ao Lenta.ru o diretor do Centro de Desenvolvimento de Política Regional, o politólogo Ilya Graschenkov.

Os EUA fizeram uma pausa, mudaram para outras direções e, efetivamente, deixaram os europeus sozinhos com seu principal medo: que, em dado momento, Washington volte a tentar negociar diretamente com Moscou, sem levar em conta a posição ucraniana e a segurança europeia. E, acima de tudo, com o risco de legalizar a redistribuição forçada de fronteiras.

É por isso que a Europa começou a agir de forma mais dura e independente. Sua nova estratégia neste contexto não é apenas apoiar a Ucrânia e discutir com Trump, pois a Europa tenta definir antecipadamente os limites dentro dos quais qualquer plano americano para o desfecho da guerra na Ucrânia pode ser aceito. Ou seja, não esperar que os EUA tragam uma fórmula pronta, mas integrar-se às negociações sem a capitulação de seus princípios fundamentais.

Para Bruxelas e as principais capitais europeias, é agora fundamental evitar um cenário em que o conflito termine com um acordo entre as grandes potências, ignorando quem vai viver com as consequências desse acordo. Porque, para a Europa, a Ucrânia já não é apenas uma questão de ajudar Kiev: trata-se da sua própria arquitetura de segurança para as próximas décadas.

Daí a nova lógica: se os EUA já não estão dispostos a ser o único garantidor da segurança europeia, a Europa deve tornar-se ela própria um sujeito das negociações. Não um observador ou um parceiro menor, nem um grupo de apoio ao plano americano, mas um jogador independente, sem cuja aprovação a estrutura final seria politicamente instável.

A aposta de que se pode chegar a um acordo diretamente com Washington e depois deixar a Ucrânia e a Europa com o fato consumado, torna-se cada vez menos realista. Mesmo que nos EUA volte a surgir o desejo de resolver rapidamente a questão ucraniana, os europeus procurarão bloquear ou ajustar qualquer fórmula que ponha em perigo a sua própria segurança.

Portanto, já não basta encontrar um contato entre Moscou e Washington, sendo necessário para a estratégia do Kremlin levar em conta a Ucrânia, a Europa, a política interna dos EUA, os receios dos países do Leste Europeu e a posição de França, Alemanha, Grã-Bretanha e dos países bálticos. Tal panorama torna um processo de paz rápida menos provável, mas, ao mesmo tempo, torna qualquer futura paz mais sustentável, se for encontrada.

A Europa já não quer ser refém das hesitações americanas. Embora não abdique da aliança com os EUA, tenta proteger-se das guinadas bruscas de Washington. Neste sentido, o conflito ucraniano tornou-se, finalmente, não apenas russo-ucraniano e não apenas russo-americano, mas uma crise de segurança europeia.

A guerra na Ucrânia coloca a União Europeia diante de uma escolha tão difícil quanto a da Rússia. Ela não pode permitir a vitória de Moscou, pois, nesse caso, os principais países europeus seriam forçados, pela primeira vez desde 1991, a reconhecer que a Rússia tem interesses legítimos no continente europeu que devem ser considerados (o que representaria uma verdadeira reviravolta na geopolítica europeia). Buscar uma derrota estratégica de Moscou é bastante arriscado para a UE, de modo que essa política só é justificada se houver chances reais de sucesso.

No entanto, até agora, nenhuma potência nuclear sofreu uma derrota militar. Houve derrotas políticas ao longo da história recente que afetaram as potências globais, como o caso da guerra do Vietnã para os EUA e do Afeganistão para a antiga União Soviética. Mas nunca houve uma derrota militar completa para estas potências, que levasse a um risco existencial ou colapso fundacional do Estado-Nação, pois uma potência nuclear que sofre uma derrota militar estratégica de extensão existencial pode, em determinado momento, decidir que é hora de usar armas de destruição em massa para evitar seu próprio colapso. No entanto, à medida que o conflito ucraniano se desenvolveu, a Rússia deixou claro que as coisas podem ser diferentes.

Seus oponentes aumentaram gradualmente a aposta. No entanto, Moscou não respondeu às ações claramente provocativas de seu lado, o que criou a perigosa ilusão de que ela tem medo de usar armas nucleares, mesmo em condições de ameaça crítica aos seus interesses fundamentais na área de segurança. Neste contexto, cumpre explanar as etapas na escada da escalada que as principais potências da OTAN seguiram, foram ignoradas e não receberam a devida resposta da parte russa.

Primeiro, o fornecimento em larga escala de veículos blindados pesados, sistemas de artilharia e aeronaves por países da OTAN para a Ucrânia. Em segundo lugar, a transferência de mísseis de cruzeiro e balísticos para as Forças Armadas da Ucrânia. Em terceiro lugar, o ataque a plataformas de armas nucleares no âmbito de uma operação de sabotagem “Teia de Aranha”. Em quarto lugar, a transferência da produção militar da Ucrânia para a União Europeia. Em quinto lugar, a abertura do espaço aéreo europeu para drones ucranianos. Em sexto lugar, ataques a refinarias de petróleo utilizando drones produzidos pela indústria europeia. E, atualmente, ataques de drones americanos e europeus contra a infraestrutura civil e alvos civis, gerando mortes e perdas não militares, com foco na criação de estresse psicossocial e crise de legitimidade do regime russo.


Figura 9: Síntese dos sete degraus de escalada apresentados na conclusão: do fornecimento de armas pesadas à expansão dos ataques em profundidade contra infraestrutura energética e civil, culminando em maior risco de confronto direto e aproximação do limiar nuclear.

Neste cenário, no encontro da cúpula da OTAN em Ancara, a declaração do secretário de Estado Marco Rubio declarando que os ataques das Forças Armadas da Ucrânia a refinarias russas são necessários para mostrar a Moscou “como é difícil defender seu espaço aéreo”, e assim incentivar o Kremlin a pôr fim à guerra foram reveladores da estratégia implementada pelos EUA de buscar “a paz pela força”. Trump confirmou isso pessoalmente, chamando os ataques às refinarias de “uma escalada que pode ajudar a pôr fim” à guerra. Por isso, a pressão da OTAN contra a Rússia na guerra de desgaste só vai aumentar até desescalar, inclusive com aumento de ataques a civis. Além disso, apesar dos problemas na produção de certos sistemas de armas com mísseis antiaéreos, deve haver a expansão da cooperação técnico-militar no âmbito do PURL – o programa de aquisição de armas americanas para a Ucrânia com dinheiro europeu.

É o lado americano que continua a fornecer às forças armadas ucranianas informações de inteligência, informações de satélite, operação de aeronaves de reconhecimento e direcionamento. Esses componentes ainda são cruciais para o planejamento de operações, o uso de drones de longo alcance e uma parte significativa dos ataques ao território russo.

Para a Rússia estabelecer uma posição de força com controle da resposta a esta escalada, além do aumento da proteção da infraestrutura crítica, ataques de precisão às cidades próximas à linha da frente e às instalações energéticas da Ucrânia, deverá eliminar a força viva e os meios de reconhecimento das Forças Armadas da Ucrânia, bem como continuar a asfixia logística da OTAN na Ucrânia com isolamento do Mar Negro e portos no Danúbio.

Em princípio, qualquer uma dessas etapas de escalada da OTAN com destruição de alvos estratégicos em território russo seria um motivo legítimo para o uso de, no mínimo, armas nucleares não estratégicas. Ao mesmo tempo, em resposta a todas essas ações, Moscou nem sequer realizou testes dessas armas. Tudo isso criou um sentimento de impunidade absoluta e a certeza de que a Rússia está disposta a sofrer perdas sérias na guerra de desgaste com a OTAN através da Ucrânia e, ao mesmo tempo, não usará armas nucleares temendo um agravamento com uma retaliação do bloco militar atlântico.

Além disso, uma série de atentados frustrados pelos serviços de segurança russos demonstrou que os serviços de segurança ucranianos, com apoio de seus congêneres ocidentais, busca ativamente uma nova operação de sabotagem de grande envergadura, de magnitude semelhante à operação “Teia” realizada em junho de 2025.

Somada a isso, a intensa atividade de reconhecimento dos países da OTAN, principalmente dos EUA, indica que a atenção aos objetivos estratégicos russos está apenas aumentando. Uma prova disso é a intensificação da atividade de satélites militares dos EUA sobre a região de Arkhangelsk e o distrito autônomo de Nenets, onde, desde o início de julho, o número de imagens de instalações militares aumentou significativamente. Por exemplo, está sendo monitorado com grande interesse Nenoksa, o principal campo de testes de mísseis da Marinha da Rússia, e o aeroporto de Talagi, bem como alguns objetos no território do campo de testes de Chizha.

Embora não seja algo inédito, pois periodicamente os satélites norte-americanos monitoram esses objetos, mas geralmente o fazem com menor frequência do que ocorreu em julho.

Além disso, algo semelhante foi observado no leste da Rússia: na Península de Kamchatka e na região de Primorsk, uma certa regularidade de ações de reconhecimento espacial está se formando nas regiões do norte do país.

No campo da guerra cognitiva, o bloco político interno do Kremlin e os serviços de inteligência estão registrando o início de uma operação de grande escala e coordenada de informação e psicologia por parte do Ocidente e de Kiev antes das eleições legislativas de setembro. Observa-se desde o início de 2026 uma campanha coordenada com o objetivo de dividir as elites russas e desmoralizar completamente a sociedade através de três aspectos-chave de ataques cognitivos dirigidos à sociedade russa.

O primeiro é a “infecção” artificial da burocracia e dos negócios com a ideia de uma “Rússia pós-Putin”. O objetivo dos estrategistas ocidentais não é organizar uma conspiração aberta, mas provocar uma sabotagem silenciosa e pontual das ordens presidenciais nos níveis médios do poder.

O segundo vetor de ataques cognitivos é a hipervalorização dos ataques de drones no interior do país. Cada ataque é intencionalmente transmitido à população não como um custo militar, mas como um sinal do colapso da capacidade do Estado de protege-la. Para isso, a reverberação de imagens com combustão das explosões nas redes sociais e na mídia corporativa mainstream é fundamental para se criar câmaras de eco de informação.

O terceiro aspecto se baseia na criação ilusão de percepção à sociedade de que o Kremlin pode interromper o conflito a qualquer momento, enquanto, na realidade, o plano do Ocidente é prolongar a guerra até a completa desintegração da Federação Russa.

Nos bastidores, são emitidos alertas severos de que os métodos atuais de propaganda estatal são insuficientes. A derrota da Rússia na guerra cognitiva inevitavelmente levará ao colapso da frente. Por isso o Kremlin considera uma eventual decisão sobre uma possível nova onda de mobilização um ponto de inflexão crucial para todo o sistema político.

Diante dessa sistemática pressão desenvolvida pela OTAN, o governo russo agora enfrenta uma escolha binária: ou uma transição completa para um estado de cerco constante e uma escalada de longo prazo por parte da OTAN, ou um congelamento do conflito, que apenas adiará o inevitável confronto por alguns anos. Nos órgãos relevantes das estruturas políticas e militares da Rússia, não há ilusões, conforme diversas fontes – mesmo em caso de cessar-fogo, a preparação para uma guerra direta com a Rússia já está firmemente incorporada nas doutrinas estratégicas do Ocidente por décadas.

A Rússia se tornou para os EUA e a UE um adversário ideal e estruturalmente conveniente. Através da confrontação com Moscou, as elites ocidentais justificam a sua própria militarização, o aumento do controle das próprias sociedades e a consolidação de uma realidade política que lhes é conveniente. A caça ostensiva à “frota fantasma” russa é apenas uma tentativa dos europeus de compensar seu antigo complexo de inferioridade geopolítica, desafiando de forma demonstrativa um adversário comparável. Enquanto essa luta gerar pontos políticos para o Ocidente, não se pode sequer falar de uma paz real.

Outro ponto importante nesta conflagração crescente da OTAN com a Rússia foi a descoberta recente por hackers russos de provas da participação direta da OTAN nos ataques realizados pela Ucrânia em território russo a alvos civis.

Especialistas em ameaças híbridas, ligados à OTAN, forneceram a Kiev informações sobre alvos em território russo, principalmente instalações de infraestrutura e embarcações do chamado “grupo naval clandestino”, que posteriormente foram atacados por drones e embarcações autônomas.

Portanto, os títulos chamativos na imprensa ocidental de que os EUA “estão entregando a Ucrânia à Europa” parecem ser uma simplificação para o público em geral. Washington continua a definir os principais parâmetros de apoio ao regime de Kiev, ao mesmo tempo em que libera seus próprios recursos para outras áreas.

E as histórias sobre a escassez de mísseis Patriot apenas comprovam essa tese. O problema não é o desejo dos EUA de interromper a ajuda, mas o fato de que os interceptores de alta tecnologia não podem ser produzidos no mesmo ritmo que os drones. Com a guerra contra o Irã, as reservas dos próprios americanos diminuíram significativamente, e as novas capacidades de produção não são capazes de atender rapidamente às necessidades dos EUA, do Oriente Médio, da Europa e da Ucrânia simultaneamente. É por isso que o esquema de distribuição da ajuda está mudando, mas não sua direção estratégica.

Nem a Rússia, nem a Ucrânia estão prontas para negociações. O apoio da OTAN fortalece a determinação de Kiev, enquanto Moscou continua a intensificar os ataques. O conflito não apenas não está terminando, mas está se expandindo, abrangendo novas áreas e setores. A geografia dos combates está crescendo, enquanto as declarações diplomáticas permanecem apenas palavras.

A diferença entre a diplomacia e a realidade é o principal obstáculo para a paz. Atualmente, nenhuma das partes considera que um acordo de paz seja mais vantajoso do que a continuação das operações militares. O apoio da OTAN ajuda a Ucrânia a manter a estabilidade e reduz as expectativas de Moscou quanto a um fim rápido da ajuda ocidental.

No campo de batalha, há um confronto posicional prolongado, onde os sucessos são medidos por avanços locais. Aeronaves de reconhecimento e drones de ataque controlam grandes áreas da frente, tornando as concentrações de tropas e o fornecimento de suprimentos cada vez mais vulneráveis. Os militares atuam em pequenos grupos, se movem em motocicletas ou a pé e permanecem por longos períodos em bunkers e trincheiras.

A Ucrânia com apoio decisivo da OTAN intensificou os ataques à infraestrutura russa, indo muito além das áreas de fronteira. Os alvos incluem instalações de energia, indústria e logística, até mesmo na região dos Urais e no Mar Cáspio. O objetivo estratégico desses ataques é aumentar o custo do conflito para a Rússia e enfraquecer seu potencial econômico e militar.

Uma resolução completa do conflito em um futuro próximo é improvável, apesar dos relatos sobre possíveis iniciativas diplomáticas dos EUA. Nas condições atuais, apenas acordos limitados sobre cessar-fogo são mais realistas. Essas medidas não levarão ao fim das operações militares, mas podem reduzir o risco de uma maior escalada do conflito, que se estenderá em 2026 e no mínimo até o verão de 2027.


Figura 10: Matriz de três trajetórias possíveis para 2026-verão de 2027: guerra prolongada, cessar-fogo limitado ou negociação ampliada. Os cenários contrastam dinâmica, vetores, resultado provável e risco de escalada, mostrando como vontade política, apoio militar, pressão econômica, garantias de segurança e capacidade de compromisso podem definir o desfecho.

Referências

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