
Da resistência que derrotou grandes potências à diplomacia do bambu, o Vietnã transforma história, pragmatismo e recursos estratégicos em soberania tecnológica, e oferece ao Brasil lições para atrair indústria, negociar com autonomia e converter riquezas em desenvolvimento.
Neste artigo, buscamos compreender o atual estágio de desenvolvimento do Vietnã nas áreas espacial, nuclear e de terras raras. Para isso, faz-se necessário analisar sua trajetória histórica e a evolução de sua resiliência diante das potências que enfrentou – primeiro o Japão, depois a França e, por fim, os Estados Unidos –, avaliar a complexidade de suas relações com a China e a Rússia e extrair duas lições estratégicas para o Brasil.
Preâmbulo
Em caráter preliminar, cabe explicar a origem do nome Vietnã (Việt Nam), tradicionalmente interpretado como “povo do sul” ou “os Viet do Sul”. O termo Việt (越) refere-se aos antigos povos Baiyue (ou Bách Việt, que significa “cem Yue”), um conjunto de povos que habitavam o sul da China e o norte do atual Vietnã antes da expansão chinesa.
Já Nam (南) é uma palavra sino-vietnamita que significa “sul”. A ordem Nam Việt (南越), associada a um antigo reino da região, remonta ao século II a.C. Após unificar o território, em 1802, o imperador Gia Long, fundador da dinastia Nguyễn, propôs esse nome para o país. Em 1804, após negociações com a dinastia Qing, que governava a China à época, foi adotada a forma invertida Việt Nam, que passou a designar o Estado unificado.
1. Introdução
“Foi uma luta longa e difícil, e perdemos. […] Aqueles que não aprendem com a história são forçados a repeti-la. Esperemos que não tenhamos outra experiência como a do Vietnã e que tenhamos aprendido a lição. Saigon, encerrando a transmissão.” – Thomas Polgar, chefe da estação da CIA em Saigon, mensagem final, abril de 1975. (Tradução nossa.)
A geopolítica estuda como a geografia, a economia e a política influenciam as relações de poder entre os Estados e o cenário internacional. Seu foco está na relação entre poder e território, ao analisar como o controle de áreas, fronteiras e posições estratégicas afeta as nações; nos recursos estratégicos, ao examinar disputas por petróleo, água, minerais raros e rotas comerciais; e nas dinâmicas globais, ao interpretar guerras, acordos diplomáticos, alianças e conflitos armados.
O Vietnã1 contemporâneo consolida-se como um dos atores mais estratégicos do Sudeste Asiático ao combinar a herança histórica de resiliência militar com reformas econômicas pragmáticas. Sua singularidade cultural e hábil condução da política externa permitem ao país se relacionar com autonomia entre as superpotências globais.
Diante disso, o presente artigo propõe-se a analisar, por meio de pesquisa bibliográfica, aspectos históricos do Vietnã, sua estrutura político-administrativa e suas ambições tecnológicas, que oferecem perspectivas valiosas sobre o desenvolvimento soberano e a inserção geopolítica no século XXI. Considerando a relevância do tema para a geopolítica mundial, busca também extrair duas lições para o Brasil.
O referencial bibliográfico escolhido é o livro Vitória a Qualquer Custo (Victory at Any Cost: The Genius of Viet Nam’s Gen. Vo Nguyen Giap), escrito pelo historiador e coronel americano Cecil B. Currey. Trata-se da biografia definitiva do general vietnamita Võ Nguyên Giáp. A obra detalha como um professor de história autodidata em assuntos militares organizou um exército popular a partir do zero para derrotar três potências globais: Japão, França e Estados Unidos.
A rigor, na historiografia2 militar mundial, o livro moldou a perspectiva eurocêntrica e puramente tecnológica da guerra ao demonstrar que a vontade política, a mobilização de massas e o fator tempo podem subjugar a supremacia material ocidental. A obra consolida, na literatura do Ocidente, o estudo da guerra assimétrica moderna, alterando permanentemente os manuais das academias militares mundiais sobre doutrinas de contrainsurgência e conflitos de terceira geração.
Para compreender a profundidade desse impacto, a obra articula conceitos divididos em bases teóricas e aplicações empíricas, como veremos a seguir.
Exemplos Teóricos
1. Guerra Popular em Três Estágios: Adaptação da teoria de Mao Zedong que divide o conflito em fases estritas: Defensiva Estratégica, Equilíbrio de Forças e Contra-Ofensiva Geral.
2. Primazia do Político sobre o Militar: O conceito de que a vitória não se mede pela contagem de corpos (body count), mas pelo colapso da vontade política e psicológica do governo e da opinião pública inimiga.
3. Logística de Massa Descentralizada: Formulação teórica de que redes rudimentares de transporte operadas por civis em massa podem ser mais resilientes do que redes logísticas industriais e mecanizadas, e
4. Simbiose entre população e exército: princípio segundo o qual o combatente revolucionário deve viver integrado à comunidade local e tratá-la com respeito, a fim de garantir a sustentação do movimento a longo prazo.
Como exemplos empíricos temos ainda:
1. Criação do Exército de 34 Homens: O início prático do Exército Popular em dezembro de 1944, armado apenas com facas e fuzis velhos nas cavernas do norte do país.
2. Logística Humana em Điện Biên Phủ (1954): O transporte manual de peças de artilharia pesada desmembrada através de montanhas íngremes, camufladas perfeitamente para cercar e destruir a base colonial francesa.
3. A Trilha Ho Chi Minh: A engenharia prática de milhares de caminhos móveis e camuflados pelas selvas do Laos e do Camboja, que mantiveram o fluxo de suprimentos sob intenso bombardeio dos EUA.
4. A Ofensiva do Tet (1968): O ataque simultâneo a dezenas de cidades no Vietnã do Sul que, apesar de ter gerado um revés militar tático a Giáp, quebrou em definitivo o apoio público americano à guerra no plano doméstico.
2. Cultura
Assim, a cultura do Vietnã é uma das mais fascinantes e resilientes da Ásia. Moldada por séculos de resistência à dominação estrangeira e por uma geografia que funciona como uma ponte entre a Ásia Oriental e o Sudeste Asiático, a identidade vietnamita equilibra uma base filosófica confucionista a uma leveza e adaptabilidade tipicamente tropicais.
3. Geopolítica
A geopolítica3 do Vietnã4 é guiada pela chamada “Diplomacia do Bambu”, uma estratégia de política externa flexível, mas de bases firmes, focada em manter a neutralidade e o equilíbrio pragmático entre as superpotências globais. Com isso o país evita alianças militares formais sob a política dos “Três Nãos” (não a alianças, não a bases estrangeiras e não a depender de um país contra outro).
4. Relações Internacionais
Embora o Vietnã faça parte da Esfera Cultural da Ásia Oriental (países historicamente moldados pelo Confucionismo, Budismo Mahayana e escrita de caracteres chineses), ele se distancia do bloco “China-Coreia-Japão” em pontos fundamentais, vejamos.
O Fator Sudeste Asiático (Cultura Austronésia/Mon-Khmer)
Antes da influência chinesa, o Vietnã já possuía uma cultura nativa rica baseada no cultivo de arroz úmido e em estruturas sociais próprias. Isso se reflete na língua (o vietnamita é uma língua tonal austro-asiática, totalmente diferente do chinês, coreano ou japonês) e em costumes mais descontraídos e adaptáveis.
Influência Ocidental Indochinesa
O Vietnã passou por quase um século de colonização francesa. Isso gerou uma fusão cultural única que não ocorreu da mesma forma no restante do Leste Asiático. É visível na arquitetura colonial de Hanói, no consumo massivo de café (o Vietnã é o segundo maior produtor mundial) e na gastronomia (o famoso sanduíche Bánh mì utiliza a baguete francesa).
Alfabeto Latino (Chữ Quốc Ngữ)
Ao contrário de chineses (caracteres), japoneses (kanji/kana) e coreanos (hangul), o Vietnã adotou o alfabeto latino modificado no início do século XX. Isso facilitou a alfabetização em massa e criou uma ruptura visual imediata com o resto da esfera confucionista.
Relações com a China: Cooperação Econômica vs. Atrito Marítimo
A relação com a China é a mais complexa e vital para Hanói, operando sob uma dualidade constante.
Aliança Ideológica e Econômica: Sendo ambos Estados socialistas governados por Partidos Comunistas, os laços políticos são estreitos. A China é o maior parceiro comercial do Vietnã e um investidor maciço em infraestrutura ferroviária e logística. O Vietnã também se beneficia da estratégia de corporações globais conhecida como “China Plus One”, absorvendo fábricas que saem do território chinês.
Disputas Territoriais: O principal ponto de fricção ocorre no Mar da China Meridional (conhecido em Hanói como Mar do Leste). O Vietnã contesta as reivindicações expansivas de Pequim sobre as Ilhas Spratly e Paracel. Para mitigar riscos e conter a assertividade chinesa na região, o Vietnã assinou parcerias estratégicas abrangentes com potências ocidentais rivais da China, incluindo os Estados Unidos e a França.
Relações com a Rússia: Parceria Histórica e Defesa
A Rússia (sucessora da União Soviética) continua sendo um pilar histórico de confiança política e segurança para o Vietnã5.
Defesa e Energia: Moscou historicamente funciona como o principal fornecedor de equipamentos militares e tecnologia de defesa para as Forças Armadas vietnamitas. Além disso, corporações russas e vietnamitas operam em conjunto na exploração de petróleo e gás na plataforma continental do Vietnã.
Corredores Multilaterais: O Vietnã atua como uma ponte econômica fundamental para a estratégia russa de “pivô para a Ásia”, servindo de conexão entre a União Econômica Eurasiática (UEE) e os mercados do Sudeste Asiático. Os dois países cooperam na expansão de cadeias logísticas terrestres e ferroviárias trilaterais que cruzam a própria China.
O Vietnã e as Organizações do Leste Asiático / Indo-Pacífico
O Vietnã utiliza as organizações multilaterais para diluir a influência direta das grandes potências e consolidar sua segurança jurídica regional.

O Vietnã equilibra6 as tensões territoriais com a China por meio de interdependência econômica e acordos bilaterais, mantém laços profundos de segurança com a Rússia e se projeta nas organizações multilaterais da Ásia como um ator dinâmico focado no desenvolvimento econômico e na neutralidade geopolítica.
5. As Idiossincrasias da Cultura Vietnamita
Para entender o povo vietnamita, é preciso olhar para seus traços culturais7 mais marcantes.
Culto aos antepassados acima de tudo: Mais do que uma religião institucional, a verdadeira fé vietnamita é o respeito aos mortos. Praticamente toda a casa, loja ou escritório possui um altar para os antepassados. O calendário é ditado por datas de falecimento, onde a família se reúne para banquetes em memória dos que partiram.
O Conceito de “Tình” (Sentimento/Conexão): É uma profunda afeição, lealdade e empatia mútua que dita as relações interpessoais. O vietnamita valoriza muito a harmonia coletiva e evita confrontos diretos para poupar a “face” (reputação) do outro.
6. Vida e obra do general Võ Nguyên Giáp
Võ Nguyên Giáp teve papel central nas lutas que levaram à independência e à reunificação do Vietnã. Após a rendição japonesa, o Viet Minh aproveitou o vácuo de poder para assumir o controle do país; nas guerras contra a França e os Estados Unidos, Giáp adaptou a estratégia militar às vulnerabilidades de cada adversário, com base no conceito de Guerra Popular. Sua abordagem consistia em integrar a população às forças revolucionárias, usar o tempo como arma e alternar entre a guerrilha e o combate convencional conforme as circunstâncias.
A aplicação militar conduzida por Giáp e pelas forças do Vietnã do Norte é considerada um dos maiores exemplos práticos de adaptação doutrinária da história moderna.
7. Princípios da “Arte da Guerra” Aplicados por Giáp
Giáp foi profundamente influenciado pelo filósofo militar chinês Sun Tzu e pela doutrina de Mao Zedong, mas adaptou esses conceitos à sua própria realidade na obra Guerra Popular, Exército Popular (1961). Seus princípios centrais eram:
a. Unidade entre povo e exército (Guerra Popular): O exército não era uma entidade isolada, mas o próprio povo em armas. Giáp dizia que “o povo é para o exército o que a água é para o peixe”. Camponeses atuavam como informantes, carregadores e soldados ao mesmo tempo.
b. Guerra prolongada (ofator tempo): Transformar o tempo em aliado estratégico. Giáp sabia que potências ocidentais (França e EUA) operavam sob a pressão do tempo político interno e das eleições. Prolongar o conflito ao máximo destruía a vontade política do inimigo de continuar lutando.
c. Flexibilidade absoluta e guerra híbrida: Alternar constantemente entre guerrilha dispersa (atritos, sabotagens) e guerra convencional de manobras (grandes ofensivas), dependendo de quem detinha a vantagem no momento.
d. Ataque à vontade política (estratégia assimétrica): O foco principal não era aniquilar o exército inimigo no papel, mas sim minar a moral psicológica e a opinião pública dos países invasores (como na Ofensiva do Tet em 1968).
8. Papel da Geografia do Vietnã

A vertente climática do Vietnã, com vales, montanhas e manguezais costeiros, possui um clima tropical de monções, caracterizado por altas temperaturas, elevada umidade e uma divisão marcante entre as estações seca e chuvosa. Por ser uma região quente e úmida, o país enfrenta desafios severos de saúde pública com perfil epidemiológico de doenças tropicais transmitidas por vetores, como dengue, zika vírus, malária e encefalite japonesa.
Embora compartilhe semelhanças ecológicas com a Floresta Amazônica, o ecossistema vietnamita difere drasticamente em extensão, padrões climáticos e histórico de degradação ambiental. Com efeito, a geografia do Vietnã não foi apenas um cenário de fundo, mas uma das armas mais poderosas de Giáp. A seguir temos alguns exemplos.

Terreno acidentado e selva tropical: As densas florestas e as cadeias de montanhas do norte (como a base de Việt Bắc) serviram de santuários naturais onde as forças vietnamitas se escondiam, anulando o monitoramento aéreo e os radares ocidentais.
Linha de fronteira internacional: As fronteiras com o Laos e o Camboja foram magistralmente usadas para desenhar a Trilha Ho Chi Minh. Como esses países eram teoricamente neutros, os EUA tinham restrições políticas para invadi-los por terra, permitindo ao Norte manter uma linha de suprimentos contínua.
Guerra subterrânea: O solo argiloso do Vietnã do Sul permitiu a escavação de milhares de quilômetros de labirintos, como os Túneis de Củ Chi. Eles abrigavam hospitais, cozinhas e depósitos de armas a até 20 metros de profundidade, permitindo que as tropas sobrevivessem aos bombardeios maciços dos B-52 e surgissem na retaguarda inimiga.
9. Os Principais Generais sob o Comando de Giáp
Embora Giáp fosse o comandante-supremo e ministro da Defesa, ele contou com generais de campo brilhantes.
Văn Tiến Dũng: Braço direito de Giáp. Foi quem planejou e comandou diretamente a Ofensiva da Primavera de 1975, que resultou na queda de Saigon e na vitória final sobre o Vietnã do Sul. Ele sucedeu Giáp como ministro da Defesa.
Nguyễn Chí Thanh: Estrategista-chefe das forças do Vietnã do Norte no Sul (Vietcong) até sua morte em 1967. Foi o criador da tática de combate ultra-próximo (“agarrar o inimigo pelo colarinho”) para repelir o poder de fogo americano.
Chu Văn Tấn: Líder guerrilheiro de minorias étnicas que ajudou Giáp a fundar as primeiras unidades do exército na década de 1940. Ele foi fundamental no domínio tático das montanhas do norte.

10. A Disciplina Militar
A disciplina imposta por Giáp combinava o rigor militar clássico com a doutrinação ideológica profunda.
a. Consciência política: Antes de aprender a atirar, o soldado passava por longas sessões de educação política. Eles lutavam pela “libertação nacional” e unificação, o que gerava um senso de propósito muito superior ao dos soldados conscritos americanos ou do exército do Sul.
b. Código de conduta com os civis: O exército seguia regras rígidas de respeito absoluto aos camponeses. Roubar comida ou abusar de civis era punido severamente. Isso garantia que a população local protegesse e alimentasse as tropas.
c. Abnegação e resiliência extrema: Os soldados aceitavam marchar por meses a fio sob bombardeios na Trilha Ho Chi Minh, racionando comida e enfrentando a malária. O sacrifício individual em prol do coletivo era a base moral da tropa.
11. Quantidade de Tropas
O crescimento do Exército Popular do Vietnã reflete a transição de uma força de guerrilha para um exército convencional moderno.

Origem (1944): O exército começou com apenas 34 soldados organizados por Giáp nas montanhas.
Contra a França (1954): Na Batalha de Điện Biên Phủ, Giáp comandou de 50.000 a 60.000 combatentes regulares, apoiados por mais de 100.000 carregadores civis.
Contra os EUA (anos 1970): O Exército do Vietnã do Norte (com as forças regulares) somado aos guerrilheiros do Vietcong no Sul contava com quase um milhão de combatentes ativos. Foi essa massa de manobra que permitiu realizar as grandes ofensivas mecanizadas com tanques em 1972 e 1975.
As principais diferenças nas táticas e estratégias aplicadas contra cada uma dessas potências são detalhadas a seguir.
Contra o Japão (Segunda Guerra Mundial: 1941-1945)
Destaque-se a atuação contra as forças de ocupação japonesas, que focou em estabelecer as bases do movimento revolucionário e garantir a sobrevivência.
Estratégia: Guerra de propaganda armada e sobrevivência. O Vietnã estava ocupado e sofria com a Grande Fome de 1944-1945. A prioridade de Giáp foi criar pequenas unidades secretas (o embrião do Exército Popular) para conquistar o apoio da população rural.
Tática: Emboscadas pontuais e oportunismo político. Giáp evitou grandes confrontos diretos com as experientes tropas japonesas. Ele focou em saquear armazéns de grãos para redistribuir aos camponeses famintos. Quando o Japão se rendeu em 1945, Giáp aproveitou o vácuo de poder para ocupar Hanói imediatamente (Revolução de Agosto).
Contra a França (Primeira Guerra da Indochina: 1946-1954)
A seu turno, o desafio contra os franceses era enfrentar uma potência colonial tradicional que buscava retomar o controle de suas antigas cidades e portos.
Estratégia: Guerra prolongada e transição em três estágios (defensiva, equilíbrio e contraofensiva). Giáp cedeu o controle das grandes cidades no início para se fortalecer no interior e nas montanhas (base de Việt Bắc). O objetivo era cansar a opinião pública e a economia da França ao longo dos anos.
Tática: Logística de massa e cerco de artilharia na selva. A maior demonstração tática ocorreu na Batalha de Điện Biên Phủ (1954). Os franceses se encastelaram em um vale, acreditando que Giáp não conseguiria levar artilharia pesada pelas montanhas. Giáp mobilizou dezenas de milhares de camponeses para desmontar, carregar a pé e camuflar canhões no topo dos morros, destruindo a pista de pouso francesa e forçando a rendição do inimigo.
Contra os Estados Unidos (Guerra do Vietnã: 1955-1975)
Em princípio, cabe destacar que os Estados Unidos se envolveram na Guerra do Vietnã principalmente para conter a expansão do comunismo na Ásia, no contexto da Guerra Fria. Uma das principais justificativas geopolíticas norte-americanas foi a “Teoria do Dominó”, associada ao presidente Dwight D. Eisenhower e formulada na década de 1950. Segundo essa teoria, se um país de determinada região sucumbisse ao comunismo, os países vizinhos poderiam seguir o mesmo caminho, como peças de dominó. No Sudeste Asiático, temia-se que a vitória do Vietnã do Norte provocasse a expansão do comunismo para o Laos, o Camboja, a Tailândia e outros países da região.
Apesar de sua superioridade militar, os Estados Unidos lançaram sobre o Vietnã mais de oito milhões de toneladas de bombas entre 1965 e 1973 e empregaram agentes químicos, como os chamados “Agente Laranja” e “Agente Azul”, além de napalm e bombas de fragmentação conhecidas como “bombas abacaxi”, que continham cerca de 250 esferas metálicas destinadas a se dispersar como estilhaços.
Ho Chi Minh e o general Võ Nguyên Giáp8 tiveram papéis centrais, respectivamente, na liderança política e militar da luta vietnamita pela independência e pela unificação do país. Essa trajetória incluiu a derrota do domínio colonial francês, a consolidação do Vietnã do Norte e, posteriormente, uma estratégia de desgaste contra os Estados Unidos.
Um dos primeiros grandes ataques convencionais do Exército Popular do Vietnã (PAVN, sigla em inglês para People’s Army of Vietnam) ocorreu durante a Ofensiva de Páscoa, em 1972. Entre os confrontos mais importantes dessa campanha esteve a Batalha de An Lộc, no sul do país. A ofensiva foi seguida, em escala decisiva, pela Ofensiva da Primavera de 1975, que culminou na queda de Saigon.
Até a Ofensiva do Tet, em 1968, as forças do Vietnã do Norte empregavam majoritariamente táticas de guerrilha. A transformação do exército norte-vietnamita em uma força mecanizada e blindada, capaz de avançar sobre Saigon, dependeu também da divisão de tarefas e do apoio em larga escala da União Soviética (URSS) e da China.
A União Soviética forneceu tanques T-54 e T-55, além de tanques leves anfíbios PT-76. Em 1975, um tanque T-54 derrubou os portões do Palácio da Independência, em Saigon.
A China, por sua vez, enviou mais de 320 mil militares de apoio ao Vietnã do Norte, incluindo engenheiros, equipes de construção e artilheiros antiaéreos. Eles ajudaram a reparar ferrovias, pontes e estradas danificadas pelos bombardeios norte-americanos, contribuindo para manter abertas as linhas de abastecimento vindas da China.
Liderança política: Ho Chi Minh foi a principal liderança política e ideológica do movimento nacionalista e comunista vietnamita, além de um importante agente da unificação do país.
Braço militar: Giáp atuou como comandante militar, estrategista e um dos principais arquitetos das vitórias vietnamitas em campo. Ho Chi Minh confiou a ele a organização e o comando do Exército Popular do Vietnã. Mesmo após a morte de Ho Chi Minh, Giáp continuou a exercer papel de destaque na condução militar até a queda de Saigon.
Os Estados Unidos dispunham de capacidade tecnológica, mobilidade aérea e poder de fogo muito superiores aos da França. Giáp precisou desenvolver estratégias para reduzir essa vantagem.
Estratégia de desgaste político e psicológico: Giáp compreendeu que não precisava derrotar os Estados Unidos em uma batalha convencional. Seu objetivo era prolongar o conflito e desgastar a disposição política para continuá-lo, até que a opinião pública norte-americana e o Congresso pressionassem pela retirada das tropas.
Tática de combate de proximidade e Trilha Ho Chi Minh: Para reduzir o risco de serem atingidas pela aviação e pela artilharia norte-americanas, as tropas vietnamitas procuravam aproximar-se o máximo possível das forças adversárias. Essa tática, descrita pela expressão “agarrar o inimigo pelo colarinho”, dificultava o uso do apoio aéreo sem o risco de atingir as próprias tropas. O emprego de extensas redes de túneis subterrâneos, como os de Củ Chi, também favorecia a sobrevivência das tropas e a realização de ataques surpresa.
A Trilha Ho Chi Minh, uma complexa rede de estradas e caminhos camuflados que atravessava o Laos e o Camboja para abastecer as forças no sul, permitiu manter o fluxo de suprimentos apesar dos intensos bombardeios norte-americanos.
Ofensiva do Tet: A fase inicial começou entre 30 e 31 de janeiro de 1968, durante o Tết, o Ano-Novo Lunar vietnamita. Os ataques coordenados atingiram dezenas de localidades, incluindo Saigon e a embaixada dos Estados Unidos. Embora a ofensiva tenha causado pesadas baixas às forças do Norte e sido repelida militarmente, seu impacto psicológico contribuiu para enfraquecer o apoio da sociedade norte-americana à guerra e para ampliar a percepção de que a guerra não podia ser vencida.
O argumento de que houve violação do cessar fogo não procede, pois o lado que violava todas as regras do direito internacional era o dos EUA e do Vietnã do Sul, com ataques a mulheres, crianças, meio ambiente, fontes de água e comida, uso de produtos químicos e incendiários etc. Assim, jamais seria de se esperar que os vietnamitas mantivessem a trégua após tantos anos de sofrimento.
Resumo Comparativo das Diferenças

12. Atual Estado Tecnológico e a Corrida Pelas Terras Raras
O Vietnã deixou de ser uma economia puramente agrária para se transformar em um hub global de alta tecnologia. O país adotou uma estratégia agressiva de industrialização, tornando-se a principal alternativa de manufatura para empresas que buscam descentralizar suas operações fora da China (o movimento China+1). Companhias como Samsung, Apple, Intel e Foxconn possuem fábricas gigantescas no país.
No entanto, o maior trunfo tecnológico do Vietnã está no subsolo.
Segundo maior depósito de terras raras do mundo: O Vietnã possui reservas estimadas em 22 milhões de toneladas de minerais de terras raras (essenciais para chips, smartphones, baterias de carros elétricos e turbinas eólicas), atrás apenas da China.
Alvo de cobiça internacional: O país tornou-se peça-chave na tentativa do Ocidente (liderado pelos EUA) e do Leste Asiático (Japão e Coreia do Sul) de quebrar o monopólio de refino de terras raras da China. O governo vietnamita tem leiloado concessões de mineração e buscado parcerias internacionais para desenvolver capacidades próprias de processamento desses minerais em seu território.
13. Cenário Geopolítico com o Leste Asiático
A geopolítica do Vietnã, como referido na introdução, é guiada pela chamada “Diplomacia do Bambu”: firme nas raízes (identidade e soberania), mas flexível nos galhos (adaptável nas relações diplomáticas). O Vietnã consegue a proeza de ser um parceiro estratégico próximo tanto dos Estados Unidos quanto da China, seus dois antigos inimigos de guerra9.
Suas relações com o Leste Asiático dividem-se em dois eixos, como veremos a seguir.
Com a China (Tensão e Dependência)
É a relação mais complexa10 do Vietnã. Ideologicamente, ambos são Estados unipartidários governados por partidos comunistas e possuem forte intercâmbio comercial. No entanto, há uma profunda desconfiança histórica. O principal ponto de atrito são as disputas territoriais no Mar do Sul da China (Ilhas Paracel e Spratly), onde o Vietnã rejeita firmemente as reivindicações marítimas de Pequim e moderniza suas forças armadas para se defender de eventuais agressões.
Com o Japão e a Coreia do Sul (Grandes Investidores)
A Coreia do Sul e o Japão são dois dos maiores investidores estrangeiros diretos no Vietnã. A Coreia do Sul, em particular, possui uma relação quase simbiótica com o país (a Samsung sozinha responde por uma fatia maciça das exportações vietnamitas). Além disso, Japão e Vietnã compartilham o mesmo receio quanto ao expansionismo marítimo chinês, o que levou a uma forte aproximação na cooperação de segurança e defesa nos últimos anos.
14. Estrutura Político-Administrativa e Indicadores
Vale destacar a tese de doutorado de Natalia Mello para Universidade de São Paulo (FFLECH) em 2017, que analisa o impacto político e intelectual da Guerra do Vietnã nos Estados Unidos a partir do surgimento e dos primeiros anos da revista Foreign Policy (1970-77). O conflito desestruturou o consenso em torno das doutrinas da Guerra Fria e abalou a confiança no establishment de política externa, criando um cenário de questionamento institucional e polarização. Nesse contexto, a Foreign Policy foi fundada por intelectuais e ex-consultores governamentais com o intuito de rever a atuação internacional norte-americana e formular novos paradigmas para as relações internacionais, voltados para a interdependência econômica e questões sociais globais.
Estrutura Política
O Vietnã11 é um Estado unipartidário governado pelo Partido Comunista do Vietnã (PCV), que se organiza segundo o princípio do centralismo democrático. Atualmente, o cargo político mais poderoso do país é o de secretário-geral do PCV, ocupado por Tô Lâm, que também exerce a presidência da república (chefe de Estado). O governo é liderado pelo primeiro-ministro Lê Minh Hưng.
População
O país12 possui mais de 102 milhões de habitantes, figurando entre os mais densamente povoados do Sudeste Asiático. Há 54 grupos étnicos oficialmente reconhecidos no Vietnã que formam a base da identidade cultural do país e desempenham um papel crucial em sua geopolítica interna.
Embora o povo Kinh (Viet) constitua a grande maioria da população, os 53 grupos étnicos minoritários restantes ocupam regiões fronteiriças, terras altas e áreas ricas em recursos naturais de importância estratégica. Gerir o equilíbrio entre a unidade nacional e a diversidade étnica é um dos desafios de governança mais persistentes de Hanói.
Território e Divisão Local
Com uma área de aproximadamente 331.689 km², o território tem formato de “S” e costa estratégica para o Mar do Sul da China. É dividido administrativamente em 58 províncias e cinco grandes municipalidades diretamente controladas pelo governo central (Hanói, Cidade de Ho Chi Minh, Hai Phong, Da Nang e Can Tho).
Economia
Classificado como economia de mercado de orientação socialista, o PIB (por Paridade de Poder de Compra) do Vietnã ultrapassa os US$ 2 trilhões. O país cresce fortemente impulsionado pela manufatura de alta tecnologia (Apple, Samsung, Intel) e exportações maciças de eletrônicos, têxteis e commodities agrícolas (café, arroz e pimenta).
Defesa, Aeroespacial e Tecnologias Estratégicas
Forças Armadas
O Exército Popular do Vietnã conta com cerca de 450 mil militares ativos e uma imensa força de reserva. A prioridade atual é a modernização da força naval e de mísseis costeiros para dissuasão marítima nas disputas pelas Ilhas Spratly e Paracel contra o expansionismo de Pequim.
Capacidades Aeroespaciais
O país vive um salto histórico. O Centro Espacial Nacional do Vietnã (VNSC) inaugurou um gigantesco complexo tecnológico de US$ 266 milhões em Hoa Lac. A engenharia aeroespacial vietnamita, em forte parceria de transferência tecnológica com o Japão, já opera pequenos satélites (como o NanoDragon) e concluiu o satélite de radar de alta resolução LotusSat-1 para monitoramento soberano e ambiental.
Capacidade e Projetos Nucleares
Após engavetar os planos em 2016 por custos, o Vietnã reativou oficialmente seu programa de energia nuclear com caráter de prioridade nacional absoluta após a sanção da nova Lei de Energia Atômica. O parlamento vietnamita aprovou os projetos das usinas Ninh Thuan 1 e 2, em cooperação com a corporação estatal russa Rosatom (reatores VVER-1200), visando garantir a segurança energética para sua indústria de semicondutores13 e cumprir metas de emissão zero até 2050. O país não possui e não busca armas nucleares, mantendo o foco pacífico de uso civil.
15. Duas Lições Estratégicas Para o Brasil
1. Aceleração Industrial via Política “China + 1” e Atração de Cadeias Globais
O Vietnã implementou reformas que o transformaram no porto seguro de empresas globais de tecnologia que buscam descentralizar linhas de montagem fora do território chinês. Enquanto o Brasil patina em longos debates de desindustrialização, o Vietnã combinou segurança jurídica para investimento externo, acordos agressivos de livre comércio e forte investimento técnico na base escolar.
• A lição: O Brasil precisa aproveitar sua posição geográfica neutra e sua matriz energética limpa para se posicionar ativamente como o hub de “near shoring” (produção próxima aos mercados consumidores ou aliados) para as Américas, atraindo a manufatura de semicondutores e componentes que hoje fogem da Ásia.
2. Execução da “Diplomacia do Bambu” e Soberania de Recursos Críticos
Mesmo vizinho e comercialmente dependente de uma superpotência agressiva (China), e mantendo laços estreitos com o antigo rival (EUA), o Vietnã joga o xadrez geopolítico com maestria: curva-se conforme o vento para não quebrar, mas mantém as raízes firmes. O país usa suas imensas reservas de terras raras como moeda de troca política para atrair laboratórios de refino tecnológico do Ocidente, sem romper com o bloco asiático.
• A lição: O Brasil, detentor de vastas reservas de nióbio, lítio e terras raras, deve abandonar a postura de mero exportador de minério bruto. O país precisa aprender com o pragmatismo vietnamita a barganhar seus recursos naturais estratégicos, exigindo transferência real de tecnologia e instalação de indústrias de ponta (como baterias e aeroespacial) em solo nacional como condição para o acesso às nossas riquezas.

16. Conclusão
À luz da breve análise histórica apresentada ao longo deste artigo, é plausível concluir que a trajetória do Vietnã, que, após a rendição japonesa, afirmou sua independência e, posteriormente, derrotou a França e os Estados Unidos, potências com capacidades militares superiores, foi marcada por fatores como a geografia favorável, a persistência de suas lideranças nacionais e o emprego de estratégias e táticas associadas à Guerra Popular e a princípios da Arte da Guerra de Sun Tzu. Somada à análise contemporânea da Diplomacia do Bambu e das relações pragmáticas do país com a China, a Rússia e os Estados Unidos, essa trajetória permite concluir que a modernização tecnológica, o avanço aeroespacial e a retomada do programa nuclear civil são pilares importantes para sustentar o crescimento industrial do Vietnã.
Embora algumas perspectivas sejam polêmicas, não parece coincidência que, à época, tenham ocorrido as mortes de Martin Luther King e Bobby Kennedy, que se posicionavam publicamente contra a guerra e poderiam convencer multidões, enquanto a polícia de Chicago agia violentamente contra manifestantes em Lincoln Park, prática que os EUA sempre criticaram em outros países, como a China e a Rússia.
Para nações em desenvolvimento, como o Brasil, o modelo vietnamita deixa lições claras sobre a importância de adotar uma postura pragmática e assertiva diante de potências nucleares e de converter recursos estratégicos em poder de barganha internacional para fazer avançar nossos programas nas áreas nuclear e espacial, sem sofrer qualquer ingerência, retaliação por meio de lawfare ou cerceamento tecnológico. Em suma, o já conhecido pragmatismo político e a atração de cadeias globais de valor provam que é possível garantir a soberania nacional sem isolamento econômico.
Referências
GIÁP, Võ Nguyên. Guerra Popular, Exército Popular. Rio de Janeiro: Record, 1961.
HOANG, Phuong. Vietnam’s atomic energy law and the path to nuclear power revival. Journal of East Asian Energy Studies, Hanói, v. 14, n. 2, p. 45-62, mar. 2026.
MELLO, Natália Nóbrega de. Os Intelectuais Saem da Guerra: a intervenção no Vietnã, a Foreign Policy Magazine e a construção político-intelectual de novos paradigmas e estratégias. 2017. Tese (Doutorado em Ciência Política). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2017. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-07022018-090456/publico/2017_NataliaNobregaDeMello_VCorr.pdf.
NGUYEN, Minh. The Bamboo Diplomacy: Vietnam’s geopolitical maneuvering between China and the United States. Southeast Asian Affairs, Singapura, v. 2025, n. 1, p. 112-135, jan. 2025.
KNAPPENBERGER, Brian (Direção). Ponto de Virada: A Guerra do Vietnã. Netflix, 2025. Cinco episódios (~60 min. cada), Disponível em: https://www.netflix.com/title/81756795.
Khải, Trần Quang; Ngọc, Nguyễn Bích. Vietnam’s Bamboo Diplomacy amidst the U.S-China Technological rivalry. Conference: The Third International Conference on the Issues of Social Sciences and Humanities at: University of Social Sciences and Humanity, Vietnam National University, Hanoi. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/398274990_Vietnam’s_Bamboo_Diplomacy_amidst_the_US_-_China_Technological_rivalry/link/692ff4790e91876082c0cb71/download.
VIETNAM NATIONAL SPACE CENTER (VNSC). Hoa Lac Space Center development report and LotusSat-1 mission capabilities. Disponível em: https://vnsc.org.vn/en/.
Notas
1 Veja mais: https://velhogeneral.com.br/2023/08/01/guerra-do-vietna-operacao-linebacker-i/; https://velhogeneral.com.br/2020/08/06/poder-aereo-na-guerra-do-vietna-visao-geral/.
2 Entendo que a melhor forma de entender um conflito é pela perspectiva também de quem foi vítima, isto é, dos próprios vietnamitas. Ver o documentário com tradução: https://www.youtube.com/watch?v=obApoxH9dZM.
3 Vale a pena assistir ao documentário do canal Arte da Guerra sobre os 50 anos da guerra: https://www.youtube.com/watch?v=OSoaIHD8hUk&t=231s.
4 O Canal Arte da Guerra tem um dos maiores registros em vídeo sobre o tema “Guerra do Vietnã”, ver em: https://www.youtube.com/@ARTEDAGUERRA/search?query=vietn%C3%A3.
5 Vale conferir reportagem recente da RIA NOVOSTI: “Putin e To Lam emitiram uma declaração sobre o fortalecimento das relações” em https://ria.ru/20260909/putin-2116649806.html.
6 Vale a pena conferir “O Vietnã e a incômoda vizinhança com a China” na Revista Relações Exteriores: https://relacoesexteriores.com.br/vietna-e-a-incomodo-vizinhanca-com-china/.
7 Veja mais em: https://vietnamtoday.vtv.vn/ethnic-cultures-attract-holiday-visitors-100260901054102941.htm.
8 Veja mais em: https://www.britannica.com/biography/Vo-Nguyen-Giap.
9 Vale a pena a assistir a live do Canal Arte da Guerra com o comandante Farinazzo, Albert Caballé e o coronel Paulo Filho: https://www.youtube.com/watch?v=XsMCokM1Hpo.
10 Ver mais especialistas chineses: “A cooperação China-Vietnã está atingindo um nível mais elevado”, de 20 abril de 2026 em https://cn.nhandan.vn/article-post152608.html.
11 Ver mais em: https://www.vietnameseembassy.org/travel+guides.html e https://www.trade.gov/knowledge-product/exporting-vietnam-market-overview.
12 Cf. https://www.gov.br/siscomex/pt-br/acordos-comerciais/mercosul-vietna.
13 Ver mais em: https://vtv.vn/nganh-ban-dan-buoc-vao-cuoc-dua-mo-rong-nguon-cung-100260905115216414.htm.









