Perfil: Donald Rumsfeld, o “Falcão do Pentágono”

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Donald Rumsfeld durante uma coletiva de imprensa no Pentágono em 23 de dezembro de 2003 (Foto: Alex Wong/Getty Images).

Donald Rumsfeld gesticula durante uma coletiva de imprensa no Pentágono em 23 de dezembro de 2003 (Foto: Alex Wong/Getty Images).

Sempre pronto para uma briga, Donald Rumsfeld ganhou muitas batalhas durante sua vida, até que a invasão do Iraque marcou negativamente o final de sua carreira quando era secretário de Defesa dos Estados Unidos. Faleceu na última terça-feira, aos 88 anos.


Considerado inteligente e combativo, patriótico e politicamente astuto, Donald Rumsfeld fez carreira nos governos de quatro presidentes americanos e atuou por quase 25 anos no mundo corporativo. Depois de se aposentar em 2008, chefiou a Fundação Rumsfeld que trabalha com instituições que prestam serviços e apoio para famílias de veteranos e militares americanos feridos.

Rumsfeld morreu na terça-feira, 29 de junho, aos 88 anos de idade. “Rummy”, ou “DR”, como era conhecido pelos mais próximos, era ambicioso, espirituoso, envolvente e capaz de grande cordialidade pessoal; no entanto, irritava muitos devido ao seu estilo confrontativo. Ainda assim, construiu uma rede de pessoas leais que o admiravam.

Foi a única pessoa a servir duas vezes como secretário de Defesa dos Estados Unidos. Na primeira vez, em 1975-77, sob o presidente Gerald Ford, foi o mais jovem de todos os tempos. No período seguinte, em 2001-06, com o presidente George W. Bush, foi o mais velho.

Ele teve uma breve indicação presidencial pelo Partido Republicano em 1988, um fracasso que ele descreveu como humilhante para um homem acostumado a ter sucesso nos mais altos escalões do governo, incluindo cargos como chefe de gabinete da Casa Branca, embaixador dos EUA e congressista. No entanto, apesar de suas conquistas, os reveses sofridos no Iraque marcaram o final de sua carreira.

Quando chegou ao Pentágono em janeiro de 2001, em seu segundo período como secretário de Defesa, os Estados Unidos e o mundo estavam em transição da era da Guerra Fria para um período dominado por conflitos nos Bálcãs, crises no Chifre da África e terrorismo; entre as demais preocupações, estavam o início da escalada militar da China e as ambições nucleares do Irã e da Coreia do Norte.

A invasão do Iraque, em março de 2003, teve aval do Congresso americano, mas não uma autorização do Conselho de Segurança da ONU. Bagdá caiu rapidamente, mas as forças dos EUA foram envolvidas por uma violenta onda de insurgência.

Críticos culparam Rumsfeld por rejeitar a avaliação do general Eric Shinseki, Chefe de Estado-Maior do Exército americano, sobre os efetivos para a operação. Testemunhando perante o Comitê de Serviços Armados do Senado, Shinseki disse que “várias centenas de milhares de soldados” americanos e aliados seriam necessários para remover Saddam Hussein e assegurar o Iraque.


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Rumsfeld achava que o número poderia ser muito menor e tentou desacreditar Shinseki. Sempre ácido, Rumsfeld foi muito enfático na defesa do esforço de guerra e tornou-se uma espécie de para-raios das críticas dos democratas.

Em 2004, ofereceu a renúncia de seu cargo duas vezes a George W. Bush, em meio às revelações dos abusos cometidos pelas tropas americanas contra os detidos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Bush recusou ambas as vezes. Mais tarde, Rumsfeld diria que aquele foi seu pior momento como secretário de Defesa.

Com o aumento de baixas no Iraque e sem uma clara estratégia de saída tanto do Iraque como do Afeganistão, os críticos de Rumsfeld o acusaram de ir longe demais. Em novembro de 2006, depois que os democratas obtiveram o controle do Congresso, Bush decidiu que chegara o momento de Rumsfeld finalmente deixar o cargo, o que ocorreu em dezembro, quando ele foi substituído por Robert Gates, outro republicano. “Pode ser reconfortante para alguns considerar saídas graciosas das agonias e, de fato, da feiura do combate. Mas o inimigo pensa de forma diferente”, disse ele em sua cerimônia de despedida.

Em suas memórias, Known and Unknown: A Memoir (Conhecidos e desconhecidos: uma memória, sem tradução para o português), ele não deu indícios de arrependimento sobre o Iraque: “Embora a estrada nem sempre pareça mais tranquila, a fria realidade do regime de Hussein em Bagdá provavelmente significaria um Oriente Médio muito mais perigoso do que é hoje”, escreveu ele.

Ele tampouco se convenceu de que o fracasso em encontrar armas de destruição em massa esvaziasse a justificativa para a invasão do Iraque: “Nosso fracasso em confrontar o Iraque teria enviado uma mensagem a outras nações de que nem os Estados Unidos nem qualquer outra nação estavam dispostos a se opor a seu apoio ao terrorismo e à busca de armas de destruição em massa.”

Donald Henry Rumsfeld nasceu em Chicago, em 9 de julho de 1932, como o segundo filho do casal George e Jeannette Rumsfeld. Em suas memórias, ele conta que, como o pai, ele torcia pelo time de futebol americano Chicago Bears, e se lembrava de uma manhã de domingo em casa, ouvindo um jogo dos Bears pelo rádio, quando o locutor interrompeu a transmissão para anunciar que os japoneses haviam lançado um ataque aéreo de surpresa a Pearl Harbor, no Havaí. Era o dia 7 de dezembro de 1941, e Rumsfeld tinha nove anos.

Depois de Pearl Harbor, o pai de Rumsfeld, então com 38 anos, ingressou na Marinha americana, e a família mudou-se com bastante frequência para ficar perto dele na Costa Oeste americana.


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Rumsfeld conheceu a esposa, Joyce Pierson, no colégio. Entrou em Princeton com uma bolsa de estudos parcial, e ingressou em um programa da US Navy para cobrir as demais despesas. Em junho de 1954, se formou e foi comissionado como ensign (seria algo aproximadamente equivalente a segundo-tenente). Seis meses depois, casou-se com Joyce. Deixou o serviço ativo na Marinha em 1957.

Foi eleito para o congresso em 1962 pelo estado de Illinois, cumprindo quatro mandatos. Foi embaixador dos EUA na OTAN, liderou a equipe de transição de Richard Nixon para Gerald Ford, foi chefe de gabinete de Ford e, em novembro de 1975, tornou-se seu secretário de Defesa. Em 1977, iniciou uma carreira de sucesso no setor privado.

Em novembro de 1983, foi enviado especial do presidente Ronald Reagan para o Oriente Médio. Era a época da guerra Irã-Iraque, e, segundo Robin Wright, do Washington Post, os Estados Unidos forneceram aos iraquianos inteligência e imagens de satélite das movimentações de tropas iranianas.

Rumsfeld viajou ao Iraque em dezembro daquele ano, encontrando-se com o vice-primeiro-ministro Tariq Aziz e com o presidente Saddam Hussein. No encontro, disse a eles que a política dos EUA na região era conter o Irã e a disseminação do fundamentalismo islâmico.

Ele também prometeu a Saddam que os EUA pediriam a seus aliados para pararem de vender armas ao Irã. Rumsfeld renunciaria ao cargo de enviado especial ao Oriente Médio em maio de 1984.

Àquela altura, Rumsfeld não teria como saber, mas apenas alguns meses depois de sua promessa, funcionários do governo americano planejaram um esquema de venda de armas ao Irã, usando os lucros para financiar os Contras na Nicarágua, no que ficaria conhecido como o caso Irã-Contras.

Vinte anos depois, novamente como secretário da Defesa, ele supervisionou a invasão que finalmente derrubou Saddam Hussein e, ironicamente, acabou levando à sua própria queda.

Rumsfeld deixou a esposa, Joyce, três filhos, sete netos e três bisnetos. A família não informou a causa da morte.

Referências

RUMSFELD FOUNDATION. American Statesman, 13th and 21st Secretary of Defense, Donald Rumsfeld Dies. Rumsfeld Foundation, 30 de junho de 2021. Disponível em: https://www.rumsfeldfoundation.org/blog/detail/american-statesman-13th-and-21st-secretary-of-defense-donald-rumsfeld-dies.

BURNS, ROBERT. Former Defense Secretary Donald Rumsfeld dies at 88. Military Times, 30 de junho de 2021. Disponível em: https://www.militarytimes.com/news/pentagon-congress/2021/06/30/former-defense-secretary-donald-rumsfeld-dies-at-88/.

FRONTLINE. Timeline: The Life & Times of Donald Rumsfeld. Frontline, 26 de outubro de 2004. Disponível em: https://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/pentagon/etc/cronfeld.html.

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