EUA bombardeiam instalações na Síria

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O Secretário de Defesa americano, general Lloyd Austin, em foto de 2015, quando chefiava o Comando Central dos EUA (Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP).

Na primeira ação militar do governo de Joe Biden, aeronaves americanas atacaram alvos na Síria, atingindo infraestruturas que seriam utilizadas por milícias apoiadas pelo Irã. A operação é uma retaliação aos ataques com foguetes por milícias iraquianas contra pessoal americano em meados de fevereiro em Irbil, no Iraque.


O Pentágono informou que caças norte-americanos lançaram sete bombas guiadas de precisão JDAM (Joint Direct Attack Munition) de 500 libras atingindo alvos na Síria próximo à fronteira com o Iraque. O ataque foi dirigido contra instalações alegadamente usadas por grupos milicianos apoiados pelo Irã.

De acordo com um comunicado do porta-voz do Pentágono, John Kirby, “Sob a orientação do presidente Biden, as forças militares dos EUA no início desta noite realizaram ataques aéreos contra a infraestrutura utilizada por grupos militantes apoiados pelo Irã no leste da Síria”. Os ataques foram autorizados “em resposta aos recentes ataques contra pessoal americano e da coalizão no Iraque, e às contínuas ameaças a esse pessoal”, em referência ao ataque de foguetes no Iraque dia 15 deste mês próximo de Irbil, na região semiautônoma administrada por curdos, que matou um empreiteiro civil e feriu um militar dos EUA.

De acordo com o comunicado, os ataques destruíram várias instalações em um ponto de controle de fronteira usado por grupos militantes apoiados pelo Irã, entre eles o Kata’ib Hezbollah (KH) e o Kata’ib Sayyid al-Shuhada (KSS). No passado, os EUA já responsabilizaram o Kata’ib Hezbollah por ataques contra pessoal americano.

O porta-voz Kirby disse que a operação foi uma “resposta militar proporcional”, tomada em conjunto com medidas diplomáticas, acrescentando que os parceiros da coalizão foram consultados. Segundo ele, “A operação envia uma mensagem inequívoca: o presidente Biden agirá para proteger o pessoal americano e da coalizão”. Ele disse ainda que a ação teve objetivo de “acalmar a situação geral no leste da Síria e no Iraque.”


Ataque desta madrugada seria uma retaliação às ações de 15 de fevereiro.

O SOHR (Syrian Observatory for Human Rights, Observatório Sírio de Direitos Humanos) disse que mais de uma dúzia de combatentes pró-Irã foram mortos. Falando à AFP, Rami Abdul Rahman, diretor do SOHR, disse que os ataques destruíram três caminhões com munições. Segundo ele, houve muitas vítimas. “As indicações preliminares são de que pelo menos 17 combatentes foram mortos, todos membros das Forças de Mobilização Popular.” Todos os mortos seriam do Hashed al-Shaabi, uma organização guarda-chuva que inclui o KH e o KSS.

O Secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, disse a repórteres que está confiante no alvo, afirmando que “sabemos o que acertamos”. Ele acrescentou que está confiante de que “aquele alvo estava sendo usado pelos mesmos militantes xiitas que conduziram os ataques”, referindo-se às ações de 15 de fevereiro.

Austin disse ainda que recomendou o ataque a Joe Biden. Esta foi a primeira ação militar dos Estados Unidos no governo Biden, empreendida no início do segundo mês de sua administração.

Já Mary Ellen O’Connell, professora da Notre Dame Law School, fez críticas ao ataque, classificando-o como uma violação ao direito internacional. Segundo ela, “A Carta das Nações Unidas deixa absolutamente claro que o uso de força militar em território de um estado soberano estrangeiro é legal apenas em resposta a um ataque armado ao estado defensor pelo qual o estado alvo é responsável”, acrescentando que nenhum desses elementos está presente no ataque realizado esta madrugada.


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Segundo a agência AP, funcionários do governo Biden não identificados que haviam condenado o ataque de 15 de fevereiro, esta semana sugeriram que não tinham certeza sobre quem o executou, mas mencionaram que, no passado, grupos de milícias xiitas apoiados pelo Irã foram responsáveis ​​por inúmeros ataques com foguetes que visavam funcionários ou instalações dos EUA no Iraque.

Na terça-feira o porta-voz Kirby havia dito que o Iraque está investigando o ataque de 15 de fevereiro. Segundo ele, naquele momento, “Não podemos atribuir com certeza quem estava por trás desses ataques, quais grupos, e não vou entrar nos detalhes táticos de cada peça de armamento usado aqui”, acrescentando que mais informações seriam fornecidas quando as investigações estivessem concluídas.

O grupo xiita Saraya Awliya al-Dam (Guardiões da Brigada de Sangue, em árabe), assumiu a responsabilidade pelo ataque de 15 de fevereiro. Uma semana depois, um ataque de foguetes na Zona Verde de Bagdá parecia ter como alvo o complexo da embaixada dos EUA, mas ninguém ficou ferido. Ainda de acordo com a AP, o Irã disse que não tem nenhuma ligação com a Brigada dos Guardiões do Sangue.


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Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia,  disse a repórteres que a Rússia condena resolutamente a ação e afirmou que seu país pede “respeito incondicional pela soberania e integridade territorial da Síria”, acrescentando que reafirma sua rejeição às tentativas de “transformar o território sírio em uma arena para acertar contas geopolíticas”. Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores da Rússia, disse que os EUA alertaram a Rússia sobre os ataques apenas quatro ou cinco minutos antes de eles ocorrerem.

A frequência de ataques de grupos de milícias xiitas contra alvos dos EUA no Iraque tinha diminuído no final do ano passado, antes da posse do presidente Joe Biden. O Irã agora pressiona os EUA para retornar ao acordo nuclear de 2015.

Informações da AP, Financial Times e Aljazeera.

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