O avanço globalista na civilização ocidental

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Imagem: ACM.

As ideias e conceitos do Globalismo vem avançando no Ocidente, entrando em choque com os valores do  Conservadorismo. Este artigo apresenta uma análise através da metodologia Global Business Network para avaliar fatores-chave de ambas as correntes de pensamento, procurando identificar os possíveis cenários que podem surgir a partir deste confronto.


O conceito de Globalismo é, em sua gênese, de difícil definição, dada sua ampla abrangência. Trata-se de uma multifacetária confluência de ideais, com uma hierarquização variável conforme cada um dos diversos grupos por ele amalgamados. No geral, é possível identificar aspirações progressistas cosmopolitas rumo a um mundo globalizado de maneira ordenada, com a paz, a justiça social e a equidade sendo alguns de seus princípios basilares declarados.

Entretanto, há uma pletora de princípios não declarados. “Um mundo novo e mais feliz, uma comunidade mundial, está despertando, dentro do corpo da antiga ordem, para a possibilidade de seu aparecimento” (WELLS; QUINTELA, 2016). Pode-se rastrear o pensamento globalista com certa precisão até o período entre guerras, quando renomados pensadores, horrorizados pela matança da Grande Guerra, devotaram-se a buscar mecanismos que garantissem a paz e prevenissem a repetição de tamanha carnificina. Um dos autores que escreveu mais diretamente sobre a proposição de uma mais estruturada governança global foi H. G. Wells, romancista, crítico político e jornalista, além de membro da notória Sociedade Fabiana, movimento político-social que visava a preparação da classe proletária para assumir o controle dos meios de produção através da gradual infiltração nos diversos organismos de poder.

Na Academia, um dos principais eixos passíveis de encaixe no esforço globalista originou-se na Escola de Frankfurt, provedora das bases do Neomarxismo e da Teoria Crítica, que, por sua vez, proveu as bases para o Pós-modernismo (REUS-SMIT; SNIDAL, 2008), corrente popular nos dias de hoje entre os grupos progressistas e fomentadora de cada vez mais desdobramentos sociais e políticos, notadamente, os estudos de gênero e identitários.

Pode-se identificar, em adição a este arcabouço teórico, o crescente protagonismo das instituições internacionais. A Liga das Nações foi o primeiro germe de tal tendência, tendo sido vista com grande esperança por diversas figuras da época, como Woodrow Wilson e pelo próprio Wells. Para seu desapontamento, a Liga não foi capaz de alcançar seus objetivos, com cada vez mais estados a abandonando a partir da década de 1920, culminando no derradeiro fracasso em 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Em 1945, entretanto, foi fundado o sistema ONU, mais abrangente e estável do que sua predecessora.


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A partir de então, a tendência institucionalista tem ganhado cada vez mais espaço na governança global, com as bem-sucedidas iniciativas do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e União Europeia (REUS-SMIT; SNIDAL, 2008), além de diversas outras instituições supranacionais regionais. Vale ressaltar que esta tendência de integração internacional não se resume ao âmbito estatal, com organismos privados destacando-se similarmente, como a Comissão Trilateral, o Clube de Roma e o Grupo Bilderberg, além dos enormes fundos de investimento privados, todos com um alto nível de interconectividade entre si e os organismos públicos (COSTA, 2015).

Um novo e importante fenômeno ganhou espaço e grande respaldo popular, opondo-se ao avanço globalista, a partir dos anos 2010: a Oposição Conservadora. Resgatando valores nacionalistas, seus políticos e intelectuais basearam-se na cosmovisão conservadora para contrapor o arcabouço de ideias alinhadas ao Globalismo. Tal cosmovisão consiste no resgate e modernização daqueles por eles considerados como os pilares da Civilização Ocidental: a moral judaico-cristã, o direito romano e a filosofia grega clássica (SCRUTON, 2015).

Metodologia

O Método Global Business Network (GBN) será o aplicado neste trabalho. Embora tenha sido formulado para a construção de cenários voltados para as necessidades de empresas, ele pode ser facilmente utilizado em temas externos ao nicho dos negócios. Além disso, a metodologia GBN permite uma melhor análise da concorrência e da competição, aspecto particularmente interessante para o presente trabalho, considerada a oposição entre as forças globalistas e conservadoras. De acordo com o artigo Técnica de construção de cenários e uma aplicação do método GBN, são necessárias as seguintes etapas: Identificar as questões ou decisões principais da organização; Identificar os fatores-chave do ambiente local; Identificar as forças motrizes; Classificar os fatores-chave e forças motrizes em termos de importância e de incerteza; Escolher a lógica dos cenários; Completar os cenários; Concluir quanto as implicações dos cenários; e Selecionar indicadores iniciais e sinais de alerta (ERCOLIN; SACRAMENTO; BRETERNITZ, [s.d.]).

Análise prospectiva

Serão analisados os fatores-chave tanto do Globalismo quanto da Oposição Conservadora, assim como as forças-motriz que englobam a disputa entre ambos, apresentados em ordem de importância. O primeiro fator-chave é a própria concertação multilateral globalista e as ações por ela tomadas. A formação, expansão e consolidação dos consensos baseados no cosmopolitismo, secularismo, tecnicismo e cientificismo através dos diversos países ocidentais é um ponto crucial para as forças globalistas. Estes consensos atuam a partir de ambas as extremidades das hierarquias de poder globais, desde as escolas, universidades, movimentos sociais e produções culturais, até o apoio de empresas multinacionais, governos alinhados e organizações internacionais. Um exemplo é a preocupação com a desigualdade de gênero.


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Pelo outro lado, tem-se o contra-ataque da Oposição Conservadora, com uma visão valorizadora da instituição familiar e da vida religiosa, defendendo modos de vida mais tradicionais e que, em sua visão, são mais estáveis e saudáveis. Pode-se notar, como exemplo, a preocupação conservadora com a infância, tanto numa educação clássica quanto no combate à pedofilia.

O choque entre essas duas amplas frentes gera a primeira força-motriz a ser analisada: a Guerra Cultural. Seus principais campos de batalha são os meios de comunicação, tanto a grande mídia quanto as redes sociais. A esmagadora maioria das grandes redes de comunicação já adotou diversos dos consensos defendidos pelo Globalismo e usam seu alcance para firmá-los. Os conservadores, entretanto, foram capazes de reunir grande apoio popular através das redes sociais, que passaram a servir de meio para a disseminação de sua agenda.

Outros fatores-chave são algumas iniciativas marcadas para os próximos anos, cujo caráter ambicioso as torna interessantes indicadores do avanço globalista na Civilização Ocidental. O primeiro deles, marcado já para 2021, é o chamado “Great Reset”, encabeçado pelo Fórum Econômico Internacional, com o apoio das Nações Unidas e de grandes conglomerados privados, como MasterCard, Grupo Carlyle e bancos chineses, entre muitos outros (“Partners”, [s.d.]). O intento da iniciativa é, resumidamente, aproveitar a atual crise sanitária para implementar profundas mudanças no contrato social. Uma segunda iniciativa é a Agenda 2030 das Nações Unidas, visando diminuir consideravelmente a pobreza, a fome, a desigualdade e a degradação ambiental até o fim da presente década. De acordo com a ONU, isso só pode ser feito através de um “apelo global à ação” (“Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, As Nações Unidas no Brasil”, [s.d.]).

Restam ainda duas outras forças-motriz, sendo a primeira a garantia do direito à liberdade de expressão. Caso ela seja atacada e relativizada por qualquer um dos campos, a discussão das ideias seria fortemente afetada e um lado apenas teria a capacidade de expor seus posicionamentos livremente, o que teria grande impacto nos cenários construídos. Por último, as eleições presidenciais, além de determinar qual dos lados assumirá o poder, serve de indicador acerca de como a população está se posicionando e qual campo da Guerra Cultural está tendo melhor alcance em determinado país.


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Cenários construídos

Serão três os cenários construídos. Os dois primeiros analisarão os rumos tomados por nações alinhadas, no primeiro cenário, com o Globalismo, e no segundo, com a Oposição Conservadora. Estes são subdivididos em dois momentos, um de curto e outro de médio/longo prazos, numa estrutura de crescente polarização e aumento das tensões político-sociais entre as duas frentes. O terceiro cenário apresenta uma situação na qual a polarização seja contida e introduz indicadores de uma possível pacificação. Dada a complexidade do assunto abordado, uma análise prospectiva mais precisa do que esta é inviável.

No Cenário Globalista, pode-se identificar, no curto prazo, uma tendência à imposição dos consensos e à substituição de valores clássicos por pós-modernos, através de novas legislações, políticas públicas e ações privadas, como cotas para minorias adentrarem empresas (Programa de trainee da Magazine Luiza para negros causa polêmica, Correio Braziliense). Uma segunda tendência é a censura à Oposição Conservadora. Na grande mídia e nas produções culturais isto é feito através da exclusão de jornalistas, artistas e escritores mais alinhados ao Conservadorismo ou contrários a algum dos consensos. Nas redes sociais, a censura é obtida através do controle da internet, exercendo pressão sobre as companhias que controlam aquelas (Alexandre aumenta multa para forçar Facebook a bloquear perfis no exterior, Conjur.).

No prisma de médio/longo prazo num cenário globalista de aumento da tensão, medidas autoritárias de regulação tendem a ser implementadas gradualmente, mas de forma persistente. Novas tecnologias podem ser usadas para aumentar a vigilância sobre os cidadãos e garantir sua complacência. A tecnologia 5G abre a possibilidade de implementar um sistema de crédito social, como o existente na China, que, associado ao uso de inteligência artificial e análise de Big Data, permitem uma profunda monitoração das atividades sociais. Uma outra tendência é o maior controle sobre transações financeiras, documentos de identidade e sobre registros médicos como cartões de vacinação, através de suas digitalizações.

No cenário Conservador, tem-se, num primeiro momento, uma forte tendência populista com o avanço de pautas às vezes imprecisas, mas que detêm grande impacto emocional sobre a população. Dois exemplos são o combate à pedofilia e o movimento contrário ao aborto. Conforme a agenda conservadora avançar numa determinada população, nota-se um aumento na importância da religião na vida e no debate público. Nota-se também que os países mais alinhados à Oposição Conservadora são alvos de shaming pelas forças globalistas domésticas e externas, numa forte tentativa de isolá-los do restante do sistema internacional.


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Com um espaçamento temporal alargado, os países conservadores serão obrigados a buscarem uma organização cada vez mais autárquica, uma vez que oportunidades comerciais e diplomáticas lhes serão gradativamente negadas. As tensões internas também tendem a escalar, com grupos domésticos identificados com o Globalismo correndo o risco de radicalização, como o que tem acontecido nos Estados Unidos, onde grupos progressistas, como os Antifas, têm perpetrado revoltas e vandalismo em protestos contra o racismo. Num cenário de aumento da tensão, grupos como este poderiam aumentar a violência contra um estado conservador por eles identificado como opressor. Um aspecto de extrema relevância neste espectro analítico é a tendência destes países à guerra. O impulso nacionalista, somado às pressões globalistas externas, pode levar uma nação conservadora ao conflito mais facilmente do que uma globalista, caso as pressões atinjam um ponto considerado insustentável. Um exemplo seria o discurso globalista de internacionalização da Amazônia, algo intolerável para grandes setores do Brasil (CARLOS BLANCO DE MORAIS, 2019).

Por último, tem-se um cenário sem divisão temporal, no qual a tensão entre os dois polos é diminuída. Este foi batizado como Cenário do Tao, em referência à noção taoísta de ying/yang, na qual dois extremos opostos, porém complementares, entram em harmonia e são capazes de encontrar o “Caminho do Meio”. Para que este cenário ocorra, é necessária uma alteração na forma pela qual a Guerra Cultural tem sido travada, pois esta dinâmica é uma das responsáveis pela tendência à polarização político-social, com grupos formados em bolhas de ressonância em ambos os lados, consumindo somente as informações que corroboram suas crenças ideológicas e negando argumentos vindos do campo contrário. Como resultado, temos um processo no qual os debates entre os campos se tornam muito rasos e hostis, sendo necessária a superação dos preconceitos entre conservadores e progressistas para a instauração de um debate público mais profundo e produtivo.

Para a concretização do terceiro cenário, faz-se essencial o afunilamento das ideias de cada polo, considerada a ampla gama de discursos abrangidos por cada um deles. Portanto, deve-se, tanto do lado conservador quanto do progressista, identificar as pautas inegociáveis e hierarquizar as demais, possibilitando assim concessões naqueles nichos situados mais na base das respectivas hierarquias. Em adição a isto, a tensão pode ser baixada a ponto de permitir as discussões necessárias acerca das pautas inegociáveis e o início de um movimento conciliador que permita alcançar aquele aparentemente tão distante “Caminho do Meio”.

Interpretação dos cenários

Os cenários Globalista e Conservador de curto prazo indicam uma clara tendência ao aumento da polarização. Para que o Cenário do Tao se torne possível, o acirramento das tensões deveria ser capaz de conscientizar um grande número de pessoas para a necessidade de um diálogo construtivo, numa tentativa de impedir a concretização dos cenários de médio/longo prazo, extremamente danosos ao tecido social. Não é interessante que um lado seja capaz de extirpar o outro, primeiro, porque isto iria requerer medidas autoritárias e repressivas; segundo, porque caso um dos polos se encontre inconteste, correria o risco de perder o parâmetro de medição das suas ações, dificultando a identificação de possíveis excessos cometidos.


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Como dito, é possível certa cooperação entre os polos quando um deles abre concessões diante das pautas essenciais do outro. Um exemplo bastante pontual foi a polêmica gerada pelo serviço de streaming Netflix ao adicionar em seu catálogo uma produção francesa acusada de normatização da pedofilia, algo que gera uma forte resposta do lado Conservador. Não surpreendentemente, diversos setores progressistas ecoaram as críticas conservadoras e as ações da companhia sofreram forte queda (Netflix Cancellations Surge ‘Materially’ After ‘Cuties’ Controversy Causes Mass Exodus, Data Shows, 2020).

Conclusão

São raros os momentos históricos nos quais povos divergem tão fundamentalmente sobre as bases nas quais suas sociedades estão sedimentadas. A globalização e a interconectividade características do atual momento aceleram em muito a progressão destas discussões. Ferramentas inéditas como a internet são um coringa neste contexto, afinal, não se pode prever como a possibilidade de comunicação ampla e instantânea afetará um contexto de crise. Elas podem tanto aumentar a polarização e dificultar o apaziguamento quanto prover novos entendimentos e soluções. De qualquer forma, é imperativo que cada cidadão assuma sua responsabilidade e se conscientize, pois no mundo atual, não mais se pode aguardar que uma autoridade global ou um político populista apresentem soluções simplistas para problemas complexos. A responsabilidade é compartilhada entre cada um.


Bibliografia

MORAIS, Carlos Blanco de. “A internacionalização da Amazônia”: uma estratégia neocolonial? Portugal. Publico, 12 de setembro de 2019. Disponível em: http://antigo.itamaraty.gov.br/pt-BR/artigos-de-politica-externa/20840-a-internacionalizacao-da-amazonia-uma-estrategia-neocolonial-publico-portugal-12-de-setembro-de-2019.

Alexandre aumenta multa para forçar Facebook a bloquear perfis no exterior. Conjur, 31 de julho de 2020. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2020-jul-31/moraes-aumenta-multa-forcar-facebook-bloquear-perfis.

COSTA, Alexandre. Introdução à Nova Ordem Mundial. 2ª ed. Campinas: Vide Editorial, 2015.

BRETERNITZ, Vivaldo José; ALMEIDA, Martinho Isnard Ribeiro de; ERCOLIN, Carlos Alberto; SACRAMENTO, José Miguel Noronha. Técnica de construção de cenários e uma aplicação do método GBN. p. 16, [s.d.].

Netflix Cancellations Surge ‘Materially’ After ‘Cuties’ Controversy Causes Mass Exodus, Data Shows. Top Trade Gurus, 20 de setembro de 2020. Disponível em: https://www.toptradeguru.com/news/netflix-cancellations-surge-materially-after-cuties-controversy-causes-mass-exodus-data-shows-amp/.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. As Nações Unidas no Brasil. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs.

Our Partners. World Economic Forum. Disponível em: https://www.weforum.org/partners/.

Programa de trainee da Magazine Luiza para negros causa polêmica. Correio Brasiliense, 19 de setembro de 2020. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2020/09/4876581-magazine-luiza-e-um-dos-assuntos-mais-comentados-no-twitter.html.

REUS-SMIT, Christian; SNIDAL, Duncan. The Oxford handbook of international relations. Oxford; New York: Oxford University Press, 2008.

SCRUTON, Roger. Como ser um conservador. 1ª ed. Rio de Janeiro; São Paulo: Editora Record, 2015.

WELLS, Herbert George. A Conspiração Aberta. Tradução: Flavio Quintela. 1ª ed. Campinas: Vide Editorial, 2016.

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13 comentários

  1. Muito bem articulado. Usando o Alexandre Costa como referência, grande conhecedor do assunto. Aguardando os próximos artigos.

    1. Obrigado Rodolphe. A obra do Alexandre Costa é uma excelente porta de entrada para a “toca do coelho”.

  2. Em um cenário, onde cada vez mais as corporações e o governo abraçam o progressismo e a população vai para direita. Onde, a informação cada vez mais barata e abundante, evita o monopólio da informação e narrativa do establishment. Os conservadores e quem não se identifica com a esquerda, precisa aprender a usar blockchain, bitcoin e tecnologias p2p. Para escapar da censura das forças globalistas, porque o estado cada vez mais tomado pelo socialismo nos vai impedir de falar e vai empurrar o progressismo guela abaixo.
    O cenário do tao, onde conservadores e progressistas vão viver em bolhas de opinião, casa muito com a ideia anarcocapitalista de governança privada. Onde em um cenário onde a informação descentralizada fragmentou a sociedade em bolhas de opinião estanques, irreconciliáveis abriria espaço para se contratar uma agência de governo privado que mais se identifica com seus valores. A esquerda, parece ter percebido isso, hoje eles ja contam com banco esquerdista e grupo de venda só para esquerdista no Facebook. Não estou dizendo que isso vai acontecer, mas o caminho do tao descrito no texto é quase isso que escrevi. De qualquer forma nós conservadores precisamos ao menos no meu ver usar a tecnologia blockchain para não sermos censurados e bitcoin para um governo ou empresa progressita não nos matar de fome.

    1. Pois é Rafael, concordo com você. O cenário está cada vez mais complicado e acho que não está longe o dia em que esse pessoal fará uma bobagem que levará a um conflito mais sério. Obrigado pelo comentário, forte abraço!

      1. Este é o meu medo senhor Caballé, alguém desse grupo fazer uma bobagem com consequências catastróficas. O que os globalistas estão fazendo, pode ser descrito como uma “crise controlada”, de forma que um grupo específico saia dela fortalecido. Neste contexto extremamente complexo, um erro de cálculo ou uma reação inesperada poderiam levar ao desastre.

    2. Obrigado pelo comentário Rafael. De fato é notória a atual tendência à centralização e monopólio. Descentralizar o acesso à informação é crucial, porém, num cenário globalista, esta opção teria prazo de validade. A própria opção do Parler e outras redes independentes já está sofrendo com a censura do Sistema. Mais importante do que isto, na minha opinião, é o fortalecimento das cadeias produtivas e distributivas locais, pois com esta pandemia, estamos vendo o espaço dos pequenos negócios sendo vorazmente dominado pelas grandes corporações.

  3. O globalismo pode também ser entendido como uma transmutação do comunismo, em que numa escala maior os países (em vez do indivíduo no comunismo) deixam de poder ter direito à sua auto-determinação e escolhas próprias, em detrimento de um alegado bem superior comum. O globalismo usa no entanto alguns instrumentos do capitalismo clássico para se ir instalando, nomeadamente as grandes empresas supra-nacionais, que têm obviamente interesse no globalismo. De modo análogo o nacionalismo (chamado de conservadorismo na peça) é uma ampliação do capitalismo no sentido de defender o direito à auto-determinação e vontade dos povos individualmente. Isto é contudo incompatível com os interesses das grandes empresas que são elas mesmas fruto do próprio capitalismo, tal como comentado antes. A luta nacionalismo/globalismo é por isso nascida do capitalismo/comunismo, mas não coincidente. Há atualmente muita confusão entre militantes e até comentadores políticos que ainda não se aperceberam que a noção clássica de esquerda/direita está diluída e dividida nos atuais de nacionalismo/globalismo.

    1. Seu comentário é bastante interessante. De fato o neomarxismo, filhote do socialismo fabiano e da Escola de Frankfurt, está no cerne intelectual do movimento globalista. Entretanto, eu tenho a impressão de que este ímpeto comunista torna-se cada vez mais submisso ao fenômeno do metacapitalismo. O globalismo, basicamente, fundiu o que há de mais eficiente no comunismo e no capitalismo em relação à centralização de poder e controle social, tornando-se uma ideologia extremamente perigosa para a própria noção de direito e liberdade individuais.

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