A polarização bélica e a fabricação e uso de arsenais nucleares pelas grandes potências

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Selo comemorativo do projeto Star Wars de Ronald Reagan, abril de 1983 (Imagem: US Government).

Na segunda parte de sua série sobre a questão nuclear, Alessandro Andrade Lima aborda a polarização entre os EUA e a URSS, o início da corrida armamentista nuclear e, em sua esteira, a corrida espacial, e começa a tocar no tema “dissuasão nuclear”.


A disputa de poder

Ao final da 2ª Guerra Mundial, criaram-se dois principais polos bélicos mundiais, com ideologia política totalmente distinta. A URSS, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, sob comando de Joseph Stalin – que encampava cada vez mais o pensamento marxista e empunhava a espada da revolução bolchevique –, se contrapunha ao capitalismo em franco crescimento da ideologia de liberdade do “sonho americano”.

Assim, ao longo de quarenta e cinco anos, ou seja, do pós-guerra até a queda do muro de Berlim (1946-1991), os Estados Unidos e a União Soviética travaram um conflito de bastidores que representava, ao mesmo tempo, uma disputa de forças pelo poderio político-militar, de modo a influenciar outras nações a aderir a seus pensamentos e manter aquelas que já comungavam da mesma ideologia, bem como manter o equilíbrio militar mundial de modo que ambos se temessem e se respeitassem a fim de não causar a chamada “hecatombe nuclear”.

Segundo relata Maurice Crouzet[1], na obra de Claudio Vicentino:

Desde o fim das operações militares na Europa e na Ásia, as desconfianças se agravaram, os mal-entendidos, as suspeitas, as acusações se acumularam de parte a parte; as oposições entre aliados se aprofundaram e culminaram, em alguns anos, em um conflito que, em todos os domínios – salvo o das armas –, assumiu caráter de uma verdadeira guerra; é a Guerra Fria, acompanhada de uma espetacular dissolução de alianças que caracteriza o mundo pós-guerra; 1947 marca seu começo e 1953 só assiste aos primeiros sintomas de amenização.

O discurso de Harry Truman, presidente americano, em 12 de março de 1947 no Congresso dos EUA, afirmando ser uma meta norte-americana o combate ao comunismo e a proteção às nações que resistissem a ele, praticamente oficializou a Guerra Fria. O lançamento do Plano Marshall, para recuperação dos países europeus no pós-guerra, consolidou a liderança norte-americana e acirrou os ânimos com a URSS.

Ainda em 1947, o mundo testemunhou o episódio da crise grega, em que os partisans, guerrilheiros gregos, iniciaram uma luta armada contra o governo apoiados por países socialistas vizinhos. Porém havia 40 mil soldados ingleses, que ocupavam a Grécia desde o fim da Guerra, que impediram a vitória dos guerrilheiros. Com a crise econômica na Inglaterra as tropas foram retiradas do território grego, ocasião em que, em razão do Plano Marshall, os Estados Unidos intervieram econômica e militarmente na Grécia a fim de evitar a proliferação do comunismo.

Os conflitos do pós-guerra

Com o mundo dividido entre duas ideologias, dois grandes conflitos envolvendo países capitalistas e comunistas, com influência direta de EUA e URSS, passaram aos anais da história como os mais sangrentos do pós-guerra. A Guerra da Coreia (1950-1953) marcou o início do acirramento dos ânimos de entre Estados Unidos e União Soviética e poderia ter desencadeado um conflito nuclear, caso o general Douglas MacArthur resolvesse invadir o território chinês. Sua substituição no comando das forças americanas naquela guerra foi essencial para se a chegar ao armistício.

Já a Guerra do Vietnã (1959-1975) ultrapassou os limites das fronteiras vietnamitas, penetrando nos territórios do Laos e Camboja. Foi a primeira derrota em guerras no século XX sofrida pelos EUA, que nela tiveram participação ativa a partir do ano de 1964, quando deixaram de colaborar com o Vietnã do Sul somente com armamentos e logística e enviaram tropas e armas sofisticadas para o front. Foi durante a guerra do Vietnã que a tecnologia militar deu seu maior salto em termos de comunicação, possibilitando, a partir de 1975, transmissões via satélite.

A importância estratégica da espionagem

A inteligência estratégica progrediu substancialmente com a criação da CIA (Central Intelligence Agency, Agência Central de Inteligência) e KGB (Komitet Gosudarstveno Bezopasnosti, Comitê de Segurança do Estado). A espionagem e contraespionagem, enquanto se revelavam de essencial importância estratégica na produção de informações relevantes para a causa de cada lado, também possibilitou considerável progresso da ciência no campo da eletrônica.

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A espionagem e contraespionagem entre as duas maiores potências (EUA e URSS) também influenciaram na política de várias nações. O episódio que mais se destacou na história da Guerra Fria, referente aos seus principais polos bélicos, foi a denominada “crise dos mísseis de Cuba” em outubro de 1962, que se iniciou com a implantação de uma base de mísseis nucleares na ilha de Cuba pelo governo da URSS a pretexto de defender o território cubano (seu aliado político) em caso de ataque americano, como ocorrera em abril de 1961 (a invasão da Baía dos Porcos).

A disputa de poder entre americanos e soviéticos naquela época era contundente e o mundo assistiu ao que se pode chamar de maior conflito diplomático de todos os tempos, posto que qualquer decisão de ambas as partes, se não produzisse a paz, certamente se traduziria na extinção da humanidade.

O conflito de interesses

Após a utilização da primeira bomba atômica na 2ª Guerra Mundial, houve uma aceleração da indústria bélica no sentido de aperfeiçoar cada vez mais a potência e a dinâmica de lançamento dessas armas. De acordo com a Wikipédia[2], temos um fragmento de parte da história a respeito do início do conflito de interesses na área bélica entre Estados Unidos e União Soviética, vindo este fato a influenciar todo o resto do mundo.

Os Estados Unidos são a única nação que alguma vez usou armas nucleares, tanto em guerra como contra populações civis, tendo lançado duas bombas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945.

Após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos desenvolveram e mantiveram uma força estratégica baseada no bombardeiro B-29, que seria capaz de atacar qualquer potencial agressor, partindo de bases situadas no país. A possibilidade de um ataque nuclear aos EUA era considerada como remota, visto que, nenhuma outra nação possuía tal armamento. Sendo assim, muitos estrategas receavam que um general mal-intencionado pudesse lançar um ataque à União Soviética sem para tal estar superiormente autorizado (como era sugerido no livro Failsafe e no filme de Stanley Kubrick, Dr. Strangelove (Dr. Estranho Amor em Portugal, Dr. Fantástico no Brasil). Para diminuir este medo, os EUA colocaram as armas nucleares sob do controle de uma nova instituição, a United States Atomic Energy Commission (AEC). Na eventualidade de uma guerra, os bombardeiros do Strategic Air Command (SAC), seriam movidos para bases da AEC para serem carregados de bombas, processo que demoraria várias horas.

Durante alguns anos muitos americanos foram se convencendo da invulnerabilidade dos Estados Unidos a um ataque nuclear. De fato, julgava-se que a ameaça nuclear dissuadiria qualquer ataque aos EUA. Simultaneamente, havia também alguma discussão sobre a possibilidade de colocar o arsenal da AEC sob supervisão internacional ou colocar limites ao seu desenvolvimento.

Em 29 de agosto de 1949 a União Soviética testou a sua primeira bomba nuclear em Semipalatinsk, no Cazaquistão. Cientistas do Projeto Manhattan tinham avisado a tempo que a URSS haveria de criar a sua própria bomba nuclear. Mesmo assim, o efeito deste fato no pensamento e planejamento militares nos EUA foi enorme.

A proliferação das armas nucleares aumentou consideravelmente e países como a Inglaterra e a França testaram as suas primeiras bombas atômicas em 1952 e 1960, respectivamente. Refira-se que o arsenal nuclear dos países da Europa Ocidental era insignificante quando comparado com os das superpotências, sendo as armas dos EUA e da URSS as que mais preocupação causariam ao mundo durante o resto do século XX.

Embora os EUA tivessem agora capacidade nuclear, a URSS tinha uma vantagem enorme, em termos de armas. Em caso de qualquer troca de hostilidades, a URSS facilmente lançaria bombas nos EUA, enquanto estes teriam alguma dificuldade em fazer o mesmo.

A introdução maciça do motor a jato, usado para equipar aviões interceptores, alterou este balanço, reduzindo a efetividade da frota de bombardeiros da EUA. Em 1949, Curtis Lemay é colocado no comando do SAC e instituiu um programa de atualização dos bombardeiros para funcionarem a jato. No início da década de 1950, foram introduzidos os B-47 e os B-52, aumentando a capacidade de atacar a URSS mais facilmente.

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Vetores e sistemas de defesa

Baseados nos foguetes V-2 (uma invenção alemã da 2ª Guerra), americanos e soviéticos começaram a desenvolver armas nucleares de curto, médio e longo alcance, transportadas por mísseis balísticos cujas plataformas de lançamento poderiam estar em terra (silos ou plataformas móveis) ou no mar (embarcações militares de grande porte, como destroieres, cruzadores e encouraçados, ou submarinos de propulsão nuclear).

O investimento na fabricação de radares capazes de detectar esses mísseis a longa distância como medida de defesa, bem como o desenvolvimento de sistemas antimísseis, também foram de fundamental importância no decorrer da Guerra Fria.

Os EUA, na década de 1970, criaram um sistema de defesa antimísseis denominado “Safeguard”[3], utilizando mísseis Sprint e Spartan, situado em Dakota do Norte, para proteger seu arsenal. Por sua vez, o governo russo investia em tecnologia para aperfeiçoamento do sistema de defesa “Galosh”[4], com sede em Moscou. Em que pese os Estados Unidos terem desistido do sistema Safeguard na segunda metade da década de 1970, os russos continuaram investindo no Galosh.

Durante o governo Reagan, os EUA dobraram seus investimentos em projetos de armas estratégicas direcionados nas categorias de monitoração de ataque, armamentos de energia direcionada, armamentos de energia cinética, análise de sistemas e programas de apoio.

A partir disso, iniciou-se a utilização de sofisticados sistemas antimísseis projetados em satélites militares dos quais se originou o programa “Guerra nas Estrelas”. Porém, em que pese o fato de estar diretamente ligado ao objeto deste artigo, o desenvolvimento de armas estratégicas diversas das de destruição em massa por fissão ou fusão atômica não será tratado neste artigo.

A dissuasão nuclear

Os conflitos armados do pós-guerra, principalmente as guerras da Coreia e do Vietnã, despertaram em alguns países a suposta necessidade de fabricar armas nucleares como forma de intimidar prováveis e potenciais inimigos. Além dos Estados Unidos e das ex-repúblicas soviéticas, a China, França, Reino Unido e mais tarde Israel, Índia e Paquistão desenvolveram arsenais nucleares. Cada um desses países, a seu modo e por questões distintas, desenvolveu este tipo de arma para se defender ou mesmo atacar, em caso de iminente ameaça armada, países vizinhos ou não, por ideologias de cunho étnico-religioso, territorial, estratégico, econômico e, comum a todos eles, político.

Na obra Estratégias Militares Dominantes, o general Meira Mattos[5] expõe, com precisão, o encadeamento em torno da fabricação e possível uso de armas nucleares.

A humanidade vive, hoje, intensa e dramaticamente, a expectativa da guerra nuclear e da guerra espacial. O aparecimento da bomba atômica como engenho bélico revolucionou completamente o cenário da guerra.

As duas bombas atômicas lançadas pelos norte-americanos sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, em 1945, no final da II Guerra Mundial, deram aos estrategistas a visão clara de que, dali para diante, a guerra adquiria uma extensão e um grau de violência nunca antes imaginados. Surgia uma nova arma de poder mortífero e destruidor jamais concebido pelo homem, e contra a qual não se vislumbrava nenhum recurso de defesa. A ameaça de guerra atômica como que paralisou, por algum tempo, a mente dos estrategistas militares.

A fabricação da bomba, baseada nos avanços no campo da fissão nuclear, exigindo alta tecnologia, foi inicialmente monopólio dos Estados Unidos (de 1945 a 1949). Em 1949 a União Soviética explode sua primeira bomba de fissão, passando a participar e a concorrer com os Estados Unidos desse monopólio. Aí começa a corrida nuclear entre as duas superpotências. Aumenta cada dia a capacidade de fabricação e poder explosivo dos engenhos. Os estrategistas tratam do assunto sob o título de escalada nuclear. Outros países com menor capacidade entram na escalada – Inglaterra, França e China. Ao aumento dos arsenais corresponde o aumento das explosões em campos de prova em regiões afastadas, no Oceano Pacífico e outros. A bomba de fissão é substituída por outra, de poder destruidor muito mais aterrorizante – a bomba de fusão nuclear – também chamada de bomba de hidrogênio. Lança-a, experimentalmente, os Estados Unidos, em 1951, também logo seguido da União Soviética.

A escalada é caracterizada pelo número de bombas e pelo aumento da potência destruidora das mesmas. As bombas de Hiroshima e Nagasaki foram de 20 quilotons de potência (equivalente a 20 toneladas de trinitroglicerina). Hoje já existem nos arsenais ‘duas grandes’ bombas de potência de 20.000 quilotons, mil vezes mais mortíferas e destruidoras que aquelas duas que foram lançadas em 1945 contra as duas cidades japonesas.

A tecnologia da bomba desenvolve-se, paralelamente, à tecnologia do vetor de lançamento. Também, no campo dos mísseis portadores de bomba desenvolveu-se a mais frenética escalada em busca da superioridade em alcance e precisão. As duas primeiras bombas foram lançadas por aviões convencionais, a hélice, bombardeiros do tipo B-29. Pouco a pouco os mísseis foram substituindo os aviões no transporte de bombas. Vieram, no começo, os mísseis de alcance médio; depois os chamados continentais e por fim os intercontinentais, ou balísticos, lançados de silos terrestres ou de submarinos.

Na medida em que progredia a estratégia de lançamento, alterava-se a estratégia de ataque e defesa nuclear. Na época dos mísseis de alcance continental, foram criadas através de alianças internacionais, bases de lançamento circundando os objetivos visados. Com o aumento dos alcances de continentais para intercontinentais, essas bases de lançamento próximo foram se tornando menos importantes. As duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, de seus próprios territórios, atualmente, podem atingir o território do seu adversário, com mísseis intercontinentais portadores de 1 a 10 cabeças nucleares, orientada, cada uma, para objetivos estratégicos diferentes. Submarinos portando dispositivos de projeção têm, também, capacidade de lançamento de mísseis portadores de engenhos nucleares, oferecendo à Estratégia de ataque maior fator de mobilidade e surpresa.

Dos mísseis aos satélites foi um passo. Era o domínio dos espaços siderais além da atmosfera. Nova corrida; chegada do homem à Lua (1969). Lançamento de satélites de reconhecimento, não pilotados, à proximidade de planetas do sistema solar. Lançamentos de satélites com várias finalidades de observação científica e de espionagem. E, por último, a chamada guerra espacial ou guerra nas estrelas, com que os Estados Unidos pretendem criar um escudo defensivo contra ataques nucleares.

Formaram-se os binômios míssil-bomba e satélite-bomba, integrando, ajustando e aperfeiçoando cada vez mais a associação do vetor de lançamento ao engenho explosivo.

Este é o quadro paralisante da guerra nuclear. Paralisante porque as duas superpotências rivais acumularam enormes arsenais e dispõem de inúmeros meios de lançamento intercontinental; tudo aliado a um dispositivo de vigilância recíproca, detecção eletrônica da agressão e da resposta imediata. Criou-se, assim, uma ‘panalisis’, resultado da certeza da destruição mútua.

Cabe, aqui, repetirmos o general Beaufre quando diz: ‘A dissuasão nuclear, paralisando o conflito bélico, deixa uma margem muito estreita para a ação estratégica – aquela que é aproveitada pela estratégia soviética sobre a comunidade mundial: a ação política e econômica, a utilização de movimentos revolucionários e mesmo conflitos locais que procuram escapar à paralisia imposta pela dissuasão nuclear.’

A capacidade de dissuasão tornou-se o fator preponderante para justificar a fabricação e possível utilização de arsenal nuclear pelas principais potências bélicas mundiais, seja contra a primeira nação que as utilizou (os EUA), seja contra qualquer outra que pudesse a vir utilizá-las.


*Alessandro Andrade Lima é advogado graduado em Direito pelas FACES (Faculdades Cathedral de Ensino Superior) e pela UFRR (Universidade Federal de Roraima) e pós-graduado em Direito Militar pelo CESDIM (Centro de Estudos de Direito Militar) em convênio com as Universidades Federal Fluminense, Castelo Branco e Fundação Trompowski. Possui experiência profissional na área judiciária como servidor efetivo dos quadros de pessoal do Tribunal de Justiça de Roraima e Tribunal Regional Federal da 1ª Região. É professor do Curso de Direito da Faculdade Estácio Atual da Amazônia e advogado militante em Pouso Alegre – MG.


Notas

[1] CROUZET, Maurice. In VICENTINO, Cláudio. História geral: Idade média, moderna e contemporânea incluindo pré-história, Grécia e Roma. São Paulo: Ed. Scipione, 1991, p. 286.

[2] Wikipédia. Guerra Nuclear. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_nuclear.

[3] GUNSTON, Bill. Guerra no espaço. São Paulo: ed. Nova Cultural, 1986, pag. 12.

[4] Idem.

[5] MATTOS, Carlos de Meira. Estratégias militares dominantes: sugestões para uma estratégia militar brasileira. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1986, p. 43-45.

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