O ataque ao Hillman Strongpoint: uma fortificação no Dia D

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Albert-VF1 Tradução e adaptação para português por Albert Caballé Marimón*. Artigo de Ross Barnwell, publicado originalmente no War History Online.

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Capa
Marechal-de-campo Erwin Rommel em visita às defesas da Muralha Atlântica próximo ao porto belga de Oostende (Foto: War History Online/Bundesarchiv, Bild 101I-295-1596-12/Kurth/CC-BY-SA 3.0).

Os pesados combates e a forte defesa dos complexos de bunkers estão entre os fatores pelos quais os Aliados não foram capazes de tomar Caen em 6 de junho, como estava previsto inicialmente. A cidade só veio a cair dois meses depois do Dia D, em 6 de agosto.


Périers Ridge, Normandia. Mantido por voluntários e doações, esse elemento fundamental da Muralha Atlântica de Hitler é uma visão contundente do que as forças aliadas enfrentaram durante a invasão da costa francesa.

O litoral da Normandia é palco de vilas e novas construções em constante expansão que se juntam lentamente criando um conjunto completo de residências. Rodovias conectam os portos e cidades às localidades do interior, como Bayeux e Caen, enquanto automóveis e caminhões circulam por eles como uma esteira transportadora interminável.

Depois que você sai do carro, monta uma bicicleta e passeia pelo interior, as imagens e os sons do novo mundo desaparecem rapidamente e você percebe uma Normandia reconhecível; paredes de pedra, celeiros, casas antigas e castelos com moinhos de água. Há também os bunkers de concreto – grandes porções de concreto cinza curvado com hastes de aço retorcidas expostas onde foram atingidos por projéteis de artilharia, granadas ou bombas.

No campo de uma fazenda próxima, foram feitas claras tentativas de explodir uma antiga fortaleza alemã em partes administráveis, sem sucesso. O fazendeiro agora ara a terra contornando as ruínas.

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A fortificação Hillman em Colleville-Montgomery (antes Colleville-sur-Orne). O posto de comando do coronel Krug é o bunker R608 de cúpula blindada (Foto: War History Online/Pimprenel CC BY-SA 4.0).

Esses bunkers fortificados são tudo o que resta da Muralha Atlântica de Hitler. Quando a guerra terminou em 1945, a França disse rapidamente au revoir à parafernália antitanque e antipessoal que congestionava suas praias. O arame farpado foi enrolado e reutilizado pelos agricultores locais para cercar os pastos, enquanto os campos minados foram limpos por equipes especializadas.

O Hillman Strongpoint parece surgir do nada quando você passeia de bicicleta pela antiga Route de Colleville (hoje Rue Suffolk Régiment), a uma milha de Sword Beach. Os bunkers estão tão rentes ao solo e são tão bem encobertos que é somente devido às bandeiras britânicas, francesas e alemãs hasteadas em altos mastros que os passantes percebem que há algo importante ali.

Quando sua construção foi concluída na década de 1940, Hillman se estendia por 600×400 m e abrigava doze posições interconectadas por um sistema de trincheiras e túneis.

Os bunkers de concreto foram cavados profundamente no chão, com as entradas voltadas para o mar e a estrada. Passando pela Route de Caen, tudo o que se vê são as cúpulas enferrujadas, postos de vigia e chaminés.

No Dia D, Hillman abrigava 150 homens do 736º Regimento, incluindo seu comandante, o coronel Ludwig Krug. Os homens dessa fortificação alemã teriam ouvido o desembarque da 3ª Divisão Aliada na Sword Beach nas primeiras horas do dia 6 de junho de 1945 e provavelmente teriam recebido confirmação por telefone.

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Mapa da localização do complexo de bunkers Hillman na Normandia (Imagem: War History Online/Londonclanger CC BY-SA 4.0).

Eles puderam apenas sentar e esperar. Talvez tenham chamado a artilharia usando as conexões telefônicas com Caen de seus postos de observação. Sabiam que, se seus camaradas que defendiam a costa não pudessem deter as forças aliadas, eles em breve teriam que enfrentá-las.

O 1º Batalhão do Regimento Suffolk, comandado pelo tenente-coronel Richard E. Goodwin, desembarcou na Sword Beach por volta das 08h30. Subiram a praia e entraram nas ruas da vila costeira, enfrentando as metralhadoras dos bunkers e soldados alemães nas trincheiras. O 1º Batalhão avançou para o interior, apoiado por tanques do Staffordshire Yeomanry e pelos 13/18º Royal Hussars, morteiros da 76ª Artilharia Real do 246º Royal Engineers e um pelotão de metralhadoras do 2º Regimento de Middlesex.

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O comandante da Companhia “A”, o capitão Geff Ryley, seguiu em frente com uma equipe para reconhecer a fortificação de Hillman. Marcando as coordenadas em seu mapa, ele voltou correndo para dizer à equipe de morteiros e tanques para começar a bombardear os bunkers.

Às 13h05, o ataque começou. Em uma manobra de flanco norte, os Royal Engineers começaram a limpar uma rota através do campo minado e rolos de arame farpado usando torpedos Bangalore. O tenente Mike Russell então liderou a Companhia “A” através da brecha e mergulhou nas trincheiras alemãs. Os atacantes foram quase imediatamente atingidos por ferozes metralhadoras. O capitão Ryley foi morto e a Companhia “A” foi forçada a recuar.

Era necessário um maior poder de fogo antes de tentar outro ataque. Tanques Sherman foram trazidos e começaram a bombardear o local. Enquanto atingiam efetivamente os bunkers e as trincheiras, os projéteis dos tanques ricocheteavam nas cúpulas – um testemunho de seu design.

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Diagrama de Hillman. Legenda: 1: posto de comando (artilharia) / 2: posto de comando (infantaria) / 3: memorial do Regimento Suffolk / 4: poço / 5: tanque de água / 6: posto de guarda sul / 7: plataforma / 8: cozinha / 9: posto de guarda oriental / 10: posto de guarda norte (Imagem: War History Online/Tib124 CC BY-SA 4.0).

Depois de outro bombardeio pesado, o 1º Batalhão lançou outro ataque e começou a tomar os bunkers sistematicamente um por um, abrindo caminho pelas trincheiras e bombardeando-os com granadas. As paredes crivadas de balas no interior dos bunkers ainda é muito visível hoje.

O soldado J. R. Hunter foi agraciado com a Distinguished Conduct Medal (Medalha de Conduta Distinta) por sua bravura ao tomar um dos bunkers externos sem considerar sua própria segurança. Ele rapidamente ganhou o apelido de “Bunker Hunter” (“caçador de bunkers”) dos homens de sua unidade. Uma placa dedicada a ele está exposta acima da entrada do bunker.

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Às 20h15, todos os bunkers, exceto um, estavam nas mãos dos Aliados. Quando o 1º Batalhão capturou o último bunker, no início da manhã de 7 de junho, o batalhão havia perdido dois oficiais e teve 24 feridos.

Batizado em homenagem a um fabricante de automóveis britânico, Hillman foi uma das quatro fortalezas no caminho de Caen, uma das principais cidades da Normandia. Os pesados combates e a forte defesa dos complexos de bunkers são amplamente citados como um fator significativo pelo qual os Aliados não foram capazes de tomar Caen em 6 de junho, como era inicialmente previsto.

A batalha por Caen durou até 6 de agosto de 1944, caracterizada por combates cruéis e custosos às forças britânicas e canadenses.


*Albert Caballé Marimón possui formação superior em marketing. Depois de atuar vários anos em empresas nacionais e multinacionais, tornou-se fotógrafo profissional e editor do blog Velho General. Já atuou na cobertura de eventos como a Feira LAAD, o Exercício CRUZEX e a Operação Acolhida e proferiu palestras na Academia da Força Aérea. É colaborador da revista Tecnologia & Defesa e do Canal Arte da Guerra. Pode ser contatado através do e-mail caballe@gmail.com.

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