Estátuas, Uniformes e a Legião de Honra

Albert-VF1 Por Albert Caballé Marimón*

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Por Andrew Knighton, publicado originalmente em Military History Now em 19/02/2018, traduzido e adaptado para o Velho General por Albert Caballé Marimón.


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Retorno de Napoleão de Elba, pintura a óleo de Charles Auguste Guillaume Steuben. Napoleão anda entre as duas forças e diz que se eles devem matar seu imperador, deveriam fazê-lo agora.


Napoleão Bonaparte foi uma figura inspiradora. Seu maior adversário, o Duque de Wellington, disse uma vez que o imperador francês inspirava tanta confiança que sua mera presença em batalha valia por 40 mil homens. Uma das maneiras pelas quais Napoleão se tornou uma inspiração para suas tropas foi a ênfase que ele deu à bravura e as formas como ele celebrava a coragem do exército francês no campo de batalha.

Estátuas

A veneração a grandes homens e mulheres foi fundamental para a propaganda de Napoleão. Isso se estendia a todas as áreas, do governo às artes, com estátuas e memoriais sendo criados para grandes homens e, mais raramente, mulheres. Numa nação militarizada, os soldados eram as peças centrais desta veneração.

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Foram erguidas estátuas para heróis franceses renomados por sua coragem, como Joana d’Arc. Mas, embora a celebração a grandes soldados fosse, em parte, traçar paralelos com figuras famosas do passado, como Joana d’Arc ou Júlio César, também se referia a homenagear grandes soldados da época.

Jean Lannes foi um grande soldado homenageado numa estátua. Filho de um humilde fazendeiro, e tendo chegado ao posto de marechal, Lannes era famoso por sua coragem. Ele foi ferido várias vezes expondo-se ao perigo ao liderar seus homens. Em 22 de maio de 1809, suas pernas foram esmagadas por uma bala de canhão. Lannes encolheu os ombros como um “não foi nada”, mas morreu nove dias depois em decorrência dos ferimentos. O escultor Cartellier foi contratado para construir uma estátua em homenagem a ele.


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Uniformes

Napoleão queria que seus melhores soldados se destacassem tanto na vida quanto na morte. Ele encorajava seus marechais, homens que ele tinha como modelos de coragem, a usar uniformes elaborados e cobertos de brocado de ouro. Queria que eles fossem um símbolo de inspiração para os homens, como os mais inteligentes e corajosos soldados franceses destacando-se no campo de batalha.

Condecorações

Se Napoleão tivesse homenageado apenas o sucesso dos líderes, não teria servido de grande inspiração para os combatentes comuns, aqueles cuja coragem mais importava. Mas ele também tratou de homenagear suas conquistas, certificando-se de que seus camaradas fossem testemunhas. Ele concedia condecorações quando visitava os homens nos acampamentos. Como exemplos, um oficial podia ser feito barão por sua coragem no campo de batalha, e o soldado mais valente de um regimento podia tornar-se cavaleiro da Legião de Honra.


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A Legião de Honra, que era normalmente usada para honrar a bravura, era mais que apenas um título e uma medalha. Criada por Napoleão em 1802, ara a maior honraria que se poderia conceder. Vinha com um pagamento em dinheiro, tão generoso quanto a condecoração, o que significa que podia fazer uma diferença significativa na vida dos homens.

Discursos de bravura

Mesmo numa conversa informal, quando um imperador fala, as pessoas ouvem, e Napoleão falou muito sobre coragem. Ao conceder condecorações, ele falava sobre como o homenageado era “o bravo oficial” ou “o mais corajoso soldado” de sua unidade. Ele disse que qualquer soldado francês que sobrevivesse à Batalha de Austerlitz seria conhecido como “um homem corajoso”.

Suas falas sobre bravura podem parecer exageradas, discorrendo sobre a glória imortal que seus soldados ganhariam. Mas isso estava de acordo com a retórica de esclarecimento numa época em que os homens começavam a duvidar da imortalidade divina e buscavam fazer com que suas reputações sobrevivessem a eles. A constante retórica sobre coragem de Napoleão celebrava essa virtude e lembrava aos homens que esta podia ser uma maneira de sobreviver à história, como os heróis lendários da antiguidade.

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Apelidos Individuais

Uma medalha trazia prestígio e um prêmio em dinheiro era importante para a vida de um soldado. Mas às vezes pequenas coisas podiam fazer diferença, especialmente quando se tornavam parte do dia-a-dia da vida de um homem.

Napoleão usava apelidos para chamar a atenção para a qualidade dos homens, e não apenas para aqueles com quem ele interagia regularmente, como os marechais. Um soldado recebeu o apelido de “O Esmagador”, título que um recruta usaria com orgulho.

Apelidos de Unidade

Unidades, assim como indivíduos, podiam ganhar apelidos inspiradores. Napoleão rotulou seus granadeiros como “Os Imortais”.

Este apelido tinha por trás uma longa história de heroísmo. Os Imortais eram originalmente uma antiga unidade persa descrita pelo historiador grego Heródoto e conhecida como a elite das forças de combate persas. Os bizantinos reutilizaram este título para seus soldados de elite no século 11, na esperança de reconhecer a grandeza de seus homens e ganhar alguma glória por associação.

Ao chamar assim seus granadeiros, Napoleão deixava implícito que considerava a coragem deles tão grande quanto a dos guerreiros mais famosos da história. E mais, com isso Napoleão criava um elo entre a reputação dos homens e seu discurso de glória imortal – mesmo para alguém não familiarizado com a história clássica, o nome “Imortal” implicava em homens de tal grandeza que sua lenda perduraria para sempre.


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Destacando o potencial de todos os soldados

Napoleão se certificou de que o potencial de coragem, tenacidade e ferocidade de todos os seus soldados fosse reconhecido. Ele fez uma demonstração pública de apoio aos ideais meritocráticos da Revolução Francesa – de que todos os homens, por mais humildes que fossem suas origens, eram capazes de grandeza.

Em termos militares, isso significava mostrar que ele acreditava que cada homem sob seu comando era tão capaz de realizações militares corajosas quanto qualquer outro. Embora seus exércitos fossem liderados por um pequeno grupo de marechais da França muito celebrados, ele espalhou sua glória, afirmando que todo soldado francês tinha um bastão de marechal em sua mochila. Naturalmente, bastões de marechal não foram distribuídos para todos os homens. Mas Napoleão queria que todos os seus soldados sentissem que sua coragem, por mais anônima e despercebida, era reconhecida pelo imperador.

*Albert Caballé Marimón é fotógrafo profissional e editor do Blog Velho General. Atua na cobertura de eventos com experiências tais como a Feira LAAD, o Exercício CRUZEX e a Operação Acolhida em Roraima. É colaborador do Canal Arte da Guerra e da revista Tecnologia & Defesa. E-mail: caballe@gmail.com.


 

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