Nas monarquias árabes, o absolutismo pode estar diminuindo

As oito monarquias do mundo árabe estão entre as últimas monarquias absolutistas remanescentes na Terra. Em alguns aspectos, eles se mostraram surpreendentemente duráveis. Em comparação com as repúblicas árabes, Jordânia, Marrocos e os seis países do GCC (Gulf Cooperation Council, Conselho de Cooperação do Golfo) – Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Qatar, Bahrein e Kuwait – escaparam dos levantes da Primavera Árabe relativamente imperturbáveis. Mas alguns dos reinos árabes também estão enfrentando novos desafios que ameaçam encerrar décadas de governo monárquico.

Um ano intenso no Oriente Médio

O ano de 2020 começou com alto grau de tensão no Oriente Médio, com a morte do general Qassim Suleimani, das IRGC, pelos EUA em janeiro. Entre os vários acontecimentos que se desenvolveram desde então, Israel normalizou relações diplomáticas com diversos países árabes com mediação dos EUA de Donald Trump, surpreendendo a muitos. Israel, Arábia Saudita e Irã estão atentos à nova administração norte-americana, que, prometendo retornar ao JCPA, pode definitivamente aproximar os sauditas dos israelenses contra o Irã. No entanto, no Oriente Médio, surpresas nunca devem realmente surpreender.

Radar Semanal 30/10/2020

Nesta edição, o Radar traz o terrorismo islâmico na França, a tentativa do Irã de mediar um cessar-fogo entre Armênia e Azerbaijão, o apoio da direita colombiana a Donald Trump, a audiência das “Big Techs” no senado americano em meio à corrida eleitoral americana, o risco de terrorismo químico na Bielorrússia e uma análise das relações EUA Rússia.

Saladino

Saladino, nobre guerreiro curdo, foi o mais destacado líder político e militar muçulmano na época das Cruzadas. Responsável pela retomada de Jerusalém, era amado pelos muçulmanos e, apesar de sua firmeza e oposição feroz aos cruzados, era respeitado por seus inimigos devido à forma justa e honrada com que tratava a todos.

Mudanças na geopolítica do Oriente Médio

Os “Acordos de Abraão”, como vem sendo chamados os tratados entre Israel e, até o momento, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, com anuência da Arábia Saudita, indicam uma mudança importante na região. Palestinos, que percebem uma redução do apoio árabe à sua causa, e iranianos, que vem sendo vistos como o principal fator de risco na região, são os maiores insatisfeitos com o contexto que vem se desenhando.

A influência geográfica nos conflitos Árabe-Israelenses

As características geográficas do entorno de Israel, o fato de estar cercado por inimigos reais e potenciais, além de não possuir aliados na região, fizeram com que o país adotasse uma estratégia de uso de “zonas de amortecimento” ou “zonas-tampão”, a exemplo do que ocorre com a Rússia e suas preocupações com o crescimento da OTAN.