
Do século XIX aos campos de batalha digitais: a genialidade tática do Duque de Caxias, aliada à análise preditiva, revela-se indispensável para vencer os desafios da guerra moderna, desde ciberataques até o uso de drones e mísseis de precisão.
Este artigo da ordem-do-dia explora a aplicabilidade das táticas e estratégias do marechal Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, no contexto da guerra moderna, caracterizada pela alta tecnologia.
Realizando de forma inovadora a fusão entre análise histórica e análise preditiva, usando como metodologia de Pesquisa Operacional a Regressão Linear Múltipla (RLM), busca-se prever como os princípios de Caxias: segurança tática, audácia, rapidez de movimentos e manobras flexíveis, seriam adaptados e operariam em conflitos contemporâneos, como os da Ucrânia ou do Oriente Médio.
A pesquisa demonstra que a essência de sua doutrina, focada na supremacia da informação, logística robusta e manobras indiretas, permanece relevante, sendo potencializada por tecnologias como drones, guerra cibernética e mísseis de precisão, por meio de nossas empresas nacionais de defesa, como a AVIBRAS.
Introdução
Caxias é uma figura central na história militar brasileira como Patrono do Exército. Sua atuação em diversos conflitos, desde a Guerra da Independência até a Guerra do Paraguai, consolidou uma doutrina tática e estratégica marcada pela prudência, audácia e uma notável capacidade de adaptação.
No cenário geopolítico atual, onde a tecnologia redefine constantemente os paradigmas bélicos, surge uma questão fundamental como Pergunta de Pesquisa: Como os princípios táticos de um líder militar do século XIX se manifestariam em um ambiente de guerra moderna?
Destarte, este artigo propõe uma análise que transcende a mera retrospectiva histórica, buscando projetar a doutrina de Caxias em conflitos contemporâneos, como os observados na Ucrânia e no Oriente Médio, utilizando a Regressão Linear Múltipla (RLM) como ferramenta de análise preditiva. O objetivo é compreender a resiliência e a adaptabilidade do pensamento estratégico de Caxias frente aos desafios da alta tecnologia militar.

LIVRO RECOMENDADO:
O Pacificador: A História da Vida do Duque de Caxias
• Alcy Cheuiche (Autor)
• Edição em português
• Kindle ou Capa comum
1. Referencial Teórico
Para embasar esta análise, foram consultadas obras que abordam a vida e o legado de Caxias, bem como a aplicação de metodologias de pesquisa operacional no contexto militar:
CASTRO, Celso. Entre Caxias e Osório: a criação do culto ao patrono do Exército brasileiro. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n. 25, 2000 [1].
CASTRO, Celso. A invenção do Exército brasileiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002 [2].
SOUZA, Adriana Barreto de. Biografando o Duque de Caxias: notas de uma pesquisa. Tese de Doutorado, PPGHIS/UFRJ [3].
LAVENÈRE-WANDERLEY, Nelson Freire. Os Balões de Observação na Guerra do Paraguai. INCAER, 1976/2017 [4].
2. Caxias: Um Resumo Biográfico e Tático
Luís Alves de Lima e Silva, nascido em 25 de agosto de 1803 e falecido em 7 de maio de 1880, foi um militar e estadista brasileiro de proeminência. Em 2026, passados 146 anos de sua morte, buscaremos extrair lições para adaptação tecnológica e digitalização do campo de batalha moderno, extraindo lições doutrinárias e tático-operacionais da análise dos conflitos na Ucrânia e Irã, com uso das tecnologias do ocidente (EUA e OTAN) e oriente (Rússia, China e Irã).
Pois bem.
Sua formação na Real Academia Militar, com um currículo que abrangia álgebra, geometria, fortificações, estratégia e reconhecimento de terreno, moldou um comandante com profundo conhecimento técnico e tático. Sua carreira foi marcada pela participação em eventos cruciais da história brasileira, como a Guerra da Independência, a Guerra da Cisplatina e a Regência Trina Provisória, além de ter atuado como Ministro da Guerra em 1855 e sido promovido a marechal-de-exército em 1862 [3].
Caxias era conhecido por seus princípios de segurança tática e estratégica, audácia, rapidez de movimentos e manobras flexíveis. Suas campanhas foram caracterizadas pelo pioneirismo em manobras de cerco, tática indireta e de retaguarda, sempre baseadas em risco calculado e ênfase na surpresa do adversário.

Um exemplo notável foi o uso de balões de observação na Guerra do Paraguai em 1867, inovação que representou o primeiro emprego militar de aeronaves na América do Sul [4]. Esses balões substituíram os precários “mangrulhos” (torres de madeira) e foram cruciais para o reconhecimento do terreno inimigo.
Outras manobras icônicas incluem a Marcha do Chaco, um flanqueamento épico através de pântanos e matas para contornar as fortificações de Humaitá e Curupaiti, e a Manobra de Piquissiri, uma série de batalhas em dezembro de 1868 que culminaram em ataques à retaguarda inimiga.
Vê-se nitidamente que a preocupação de Caxias com a logística e o saneamento das tropas foi fundamental, especialmente após o desastre de Curupaiti em 1866, quando reorganizou o Exército, focando na higiene, alimentação e hospitais de campanha, processo que ficou conhecido como a “Afiação da Espada” [2].

3. Metodologia da Regressão Linear Múltipla no Planejamento Militar
A Regressão Linear Múltipla (RLM) é uma ferramenta estatística amplamente aplicada na pesquisa operacional, inclusive na doutrina e no planejamento militar. Ela permite prever desfechos e otimizar recursos ao analisar como múltiplas variáveis independentes impactam simultaneamente uma variável dependente.
No contexto militar, variáveis independentes podem incluir: clima, terreno, peso de equipamentos, moral das tropas, treinamento, qualidade dos oficiais, capacidade de atualização doutrinária, capacidade industrial-militar, logística e inteligência C5ISR (comando, controle, comunicações, computação e cibernética, monitoramento e reconhecimento) disponível.
A variável dependente, por sua vez, pode ser o consumo de combustível, o tempo de missão, a taxa de sucesso de uma operação ou o número de baixas. A RLM, portanto, oferece um modelo preditivo que auxilia na tomada de decisões estratégicas, permitindo simular cenários e otimizar a alocação de recursos para maximizar a eficácia das operações militares [5].

4. Caxias na Guerra Moderna: Uma Simulação Tática
Ao projetar a doutrina de Caxias no contexto da guerra moderna, é possível observar como seus princípios fundamentais seriam potencializados pela alta tecnologia. A fusão da análise histórica com a capacidade preditiva da RLM permite simular a aplicação de suas táticas em conflitos atuais.
4.1. Guerra de Trincheiras Atual
Caxias, avesso ao desgaste estático, rejeitaria a guerra de trincheiras prolongada. Em um cenário moderno, ele utilizaria drones e inteligência artificial para identificar brechas nas linhas inimigas. Realizaria manobras de flanqueamento cibernético com uso de Inteligência Artificial (IA) e físico em profundidade, desorganizando as defesas adversárias antes de um ataque convencional.
Dito de outro modo, a IA pode ser usada para acelerar, escalar e automatizar ataques cibernéticos militares, permitindo que até militares com menor conhecimento técnico criem e lancem operações em larga escala. Essa tecnologia redefiniu a guerra cibernética nos atuais conflitos modernos como Ucrânia e Irã de lado a lado, ao encurtar o tempo de planejamento e execução de ações, como:
Automação de Vulnerabilidades: Uso de IAs para identificar brechas em infraestruturas críticas e frotas de dispositivos, explorando sistemas de forma rápida e simultânea.
Geração de Malware e Engenharia Social: Agilização na criação de códigos maliciosos, além do uso de IAs generativas para elaborar campanhas de phishing e deepfakes extremamente convincentes.
Velocidade de Processamento: O processamento massivo de dados por IA permite identificar e priorizar alvos estratégicos em segundos, o que mudou drasticamente a lógica de conflitos modernos.
Portanto, a RLM poderia modelar a probabilidade de sucesso de tais manobras, considerando variáveis como a densidade das defesas, a capacidade de resposta inimiga e a eficácia dos ataques cibernéticos e de guerra eletrônica.
4.2. Negação de Acesso (A2/AD)
Diante de sistemas modernos de Anti-Acesso/Negação de Área (A2/AD), que empregam mísseis e defesas aéreas avançadas, Caxias replicaria a lógica da Marcha do Chaco.
Por meio de modelagem por gêmeos digitais (digital twins)1 na simulação de tática militar, que consiste na replicação virtual exata de ativos, terrenos, tropas e sistemas de armas, eles permitem prever o comportamento de cenários de combate, validar doutrinas, otimizar a logística e treinar soldados em ambientes hiper-realistas baseados em dados reais. Com tal ferramenta, pode-se simular que ele empregaria vias logísticas alternativas, dispersão de tropas e guerra eletrônica para burlar as defesas inimigas.
Drones de guerra eletrônica cegariam radares com fintas e ataques exploratórios, enquanto unidades dispersas e móveis evitariam a detecção e o engajamento direto com sistemas A2/AD.
A RLM seria crucial para otimizar as rotas de suprimento e a dispersão das forças, minimizando riscos e maximizando a penetração em áreas contestadas.

4.3. Guerra de Informação
O foco de Caxias no moral das tropas e na população seria transposto para o domínio digital. Ele conduziria uma guerra de informação sofisticada, utilizando contrapropaganda e operações psicológicas (PsyOps) para blindar a mente dos soldados e da população contra a desinformação inimiga. A RLM poderia ser usada para analisar a eficácia de diferentes campanhas de informação, medindo o impacto na moral das tropas e na percepção pública, ajustando as mensagens em tempo real.
4.4. Guerra Assimétrica e Urbana
Em combates em ambientes urbanos e cenários de guerra assimétrica, Caxias priorizaria o cerco econômico, suprimentos e logística, capacidades satelitais e de infraestrutura do oponente, evitando a destruição total para facilitar a estabilização política pós-conflito.
Ele utilizaria inteligência de fontes abertas (OSINT), análise e fusão de dados de inteligência para identificar pontos críticos da infraestrutura inimiga, aplicando pressão seletiva. A RLM auxiliaria na previsão dos impactos de tais cercos, considerando variáveis como a resiliência da infraestrutura, a capacidade de resposta civil e a probabilidade de insurgência.
Isso porque a fusão de dados (data fusion), combinada com diferentes abordagens de inteligência, é uma das maiores tendências tecnológicas atuais. Ela envolve integrar fontes de dados variadas para produzir informações mais precisas e consistentes do que qualquer fonte individual conseguiria gerar.
4.5. Inteligência e Reconhecimento
A inovação de Caxias com os balões de observação seria modernizada para o uso de enxames de drones de inteligência, monitoramento e reconhecimento, com satélites de sensoriamento remoto. Esses ativos forneceriam informações em tempo real sobre as posições inimigas, permitindo mapear o terreno, identificar armadilhas e planejar movimentos com precisão.

A RLM poderia otimizar a alocação de recursos de C5ISR (Command, Control, Communications, Computers, Cyber, Intelligence, Surveillance, and Reconnaissance), determinando a melhor combinação de drones e satélites para obter a máxima cobertura e precisão com o mínimo de risco.
4.6. Ataques Cirúrgicos (Mísseis)
Para quebrar a rigidez de posições defensivas, como fez em Curupaiti e Humaitá, Caxias empregaria mísseis de precisão e drones kamikaze de fabricação nacional por meio de consórcio entre: AVIBRAS Aeroco, Mac Jee, AEL Sistemas, Xmobots e a Stella Tecnologia, inspirada nas tecnologias russas e chinesas.
Drones russos
ZALA Lancet: Drones de ataque de alta precisão desenvolvidos pela ZALA Aero. Possuem câmeras eletro-ópticas e guiam-se diretamente sobre o alvo com transmissão em tempo real, sendo altamente eficazes contra artilharia e veículos blindados.
Geran-2 (Shahed-136): Projetados originalmente pelo Irã e utilizados em larga escala pela Rússia, são drones de longo alcance com design em asa delta, usados para sobrecarregar defesas aéreas e atingir infraestruturas.
Garpiya: Nova linha de drones de longo alcance que, segundo serviços de inteligência europeus, foi desenvolvida domesticamente pela Rússia utilizando tecnologia chinesa.

Mísseis de precisão russos
Iskander: Mísseis balísticos de curto alcance de extrema precisão, utilizados para destruir posições fortificadas.
Kh-101/Kh-102: Mísseis de cruzeiro lançados do ar com capacidade furtiva, projetados para voar baixo e desviar de radares inimigos.
KN-23: Mísseis balísticos táticos fornecidos pela Coreia do Norte, utilizados em ataques massivos devido ao seu alto poder destrutivo.

Drones chineses kamikaze e de combate
CASC CH-901: Munição vagante portátil chinesa projetada para reconhecimento e ataques de precisão, operando como um drone kamikaze para infantaria.
CAIG Wing Loong: Família de drones de média altitude e longa duração utilizados para inteligência e missões de ataque com mísseis e bombas guiadas.
Hongdu GJ-11 (Sharp Sword): Drones de combate a jato com design furtivo “asa voadora” com baias internas projetadas para penetrar defesas inimigas.

Mísseis chineses de precisão e hipersônicos
DF-17: Míssil balístico hipersônico chinês, capaz de manobrar em altas velocidades para escapar de sistemas de defesa antimísseis convencionais.
CM-302: Míssil antinavio supersônico de alta precisão voltado para ataques contra embarcações.
Série CJ (ex: CJ-10): Mísseis de cruzeiro de ataque terrestre de longo alcance, projetados para atingir alvos estratégicos com precisão milimétrica.

Portanto, a simulação de produção e emprego tático desses drones e mísseis 100% nacionais, somado à plena capacidade aeroespacial para ataques cirúrgicos, neutralizariam postos de comando, baterias de artilharia e outras ameaças de alto valor, reduzindo a necessidade de expor a infantaria a fogo cerrado.
A RLM seria fundamental para calcular a probabilidade de acerto, o dano esperado e a otimização da seleção de alvos, considerando variáveis como a distância, a defesa aérea inimiga e o custo-benefício de cada ataque.
4.7. Logística e Linhas de Suprimento
Assim como Caxias dependia da frota fluvial para suas campanhas, na guerra moderna ele protegeria suas rotas de abastecimento com sistemas móveis de defesa antiaérea e drones de guerra eletrônica.
A RLM seria empregada para otimizar a cadeia de suprimentos, prevendo gargalos, identificando rotas alternativas e calculando a vulnerabilidade das linhas de comunicação e transporte.
Logo, a capacidade de prever e mitigar interrupções logísticas seria um diferencial estratégico, refletindo a preocupação de Caxias com a “afiação contínua da espada”.
Conclusão
Respondendo a Pergunta de Pesquisa sobre como os princípios táticos de um líder militar do século XIX se manifestariam em um ambiente de guerra moderna, e após propor a análise por meio de uma linha argumentativa que transcende a mera retrospectiva histórica, buscando projetar a doutrina de Caxias nos conflitos contemporâneos da Ucrânia e Oriente Médio, de forma inovadora por meio da Regressão Linear Múltipla (RLM) como ferramenta de análise preditiva, o objetivo de compreender a resiliência e a adaptabilidade do pensamento estratégico de Caxias frente aos desafios da alta tecnologia militar foi alcançado.
Pode-se asseverar em mal traçadas linhas que a análise da doutrina do Marechal Duque de Caxias, sob a ótica da guerra moderna, revela a atemporalidade de seus princípios estratégicos. Sua ênfase na supremacia da informação, na adaptabilidade tática, na robustez logística e na importância do moral das tropas continua sendo um pilar fundamental para o planejamento militar.
A fusão da análise histórica com ferramentas preditivas como a Regressão Linear Múltipla oferece um arcabouço metodológico valioso para compreender como a genialidade militar de Caxias poderia ser traduzida e amplificada pelas tecnologias contemporâneas.
Em um mundo de conflitos complexos e em constante evolução, a lição de Caxias não é apenas um registro do passado, mas um guia para o futuro da estratégia militar, demonstrando que a inteligência e a adaptabilidade humana permanecem insubstituíveis, mesmo na era da alta tecnologia.
Vimos que a capacidade de desenvolver drones e mísseis capazes de prover soluções táticas à estratégia dissuasória nacional pode ser projetada e desenvolvida, por meio de consórcio nacional entre AVIBRAS, Mac Jee, AEL Sistemas, Xmobots e Stella Tecnologia, inspirada nas tecnologias russas e chinesas, seja por parceria estratégica ou por desafios de nossa capacidade de engenharia nacional e científico-tecnológica.
Nota
1 Gêmeos digitais (digital twins) são réplicas virtuais precisas de objetos, processos ou sistemas físicos. Eles conectam o mundo físico ao digital e, através de sensores e inteligência artificial, recebem dados em tempo real para monitorar, simular comportamentos e prever falhas no equivalente real.
Referências
[1] CASTRO, Celso. Entre Caxias e Osório: a criação do culto ao patrono do Exército brasileiro. Revista Estudos Históricos (FGV), Vol. 14, nº 25, 1º de julho de 2000. https://periodicos.fgv.br/reh/article/view/2112.
[2] CASTRO, Celso. A invenção do Exército brasileiro (Descobrindo o Brasil). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.
[3] SOUZA, Adriana Barreto de. Biografando o Duque de Caxias: Notas de uma pesquisa. Tese de Doutorado, PPGHIS/UFRJ. https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/cfa21/adriana_barreto_de_souza.pdf.
[4] LAVENÈRE-WANDERLEY, Nelson Freire. Os Balões de Observação na Guerra do Paraguai. INCAER, 1976/2017. Disponível em: https://www2.fab.mil.br/incaer/images/eventgallery/instituto/Opusculos/Textos/opusculo_os_baloes.pdf.
[5] OKROMTCHEDLISHVILI, Ivan. Using Linear Regression in the Context of Military Power Enhancement. Ilia State University, Georgia, 2023. https://defenseandscience.eta.edu.ge/index.php/ds/article/view/7408.
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial sem autorização prévia.









