A Ucrânia Terá Permissão Para Usar o Starlink ou o Starshield em Todo o Território da Rússia?

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Imagem meramente ilustrativa, gerada por inteligência artificial.

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A escalada do conflito entre EUA e Rússia ameaça ultrapassar os limites históricos do pós-Segunda Guerra Mundial. O uso do Starlink por Zelensky contra alvos russos pode desencadear uma reação de Putin, arriscando um confronto direto com a OTAN.


O The Atlantic publicou, no final da semana passada, uma reportagem detalhada sobre como Zelensky pediu a Trump um favor de Elon Musk, com um subtítulo informando que “a Ucrânia quer começar a usar o Starlink, de Musk, para atacar lançadores de mísseis balísticos dentro da Rússia”. Zelensky teria compartilhado sua proposta com Trump durante uma reunião na Casa Branca na semana passada, apresentando-a como uma alternativa ao recebimento dos escassos interceptadores de mísseis Patriot, ao atacar a fonte dos “ataques sistemáticos” da Rússia contra a Ucrânia.

Segundo as suas fontes, Musk esnobou Zelensky ao recusar o convite para uma reunião sobre a proposta, enquanto Trump não se comprometeu a pressionar Musk para que ele atendesse ao pedido. O The Atlantic também relatou que “Zelensky sugeriu que, se Musk se recusasse a permitir o uso do Starlink para ataques à Rússia, o Pentágono poderia conceder à Ucrânia acesso à rede Starshield para o mesmo fim”. Trata-se de um sistema correlato, porém “mais caro, mais complexo e mais difícil de integrar aos sistemas [da Ucrânia]”.

Uma das fontes ucranianas demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de Trump concordar com o “Plano B” de Zelensky, argumentando: “Uma coisa é permitir que a Ucrânia faça isso em seu próprio território. Outra, bem diferente, é usar tecnologia americana em território russo para destruir suas defesas aéreas e lançadores de mísseis balísticos. Isso constitui um ato hostil. Não sei como a Rússia poderia reagir a isso.” É uma observação pertinente, visto que a desindustrialização e a desmilitarização da Rússia –, objetivos que o Ocidente busca alcançar por intermédio da Ucrânia –, envolvem riscos extremos.

Esta fase mais recente da “guerra de atrito” que os EUA travam contra a Rússia, desencadeada pela decisão recente de Trump de “escalar para desescalar”, já não tem precedentes na história do pós-Segunda Guerra Mundial. Caso a estratégia consiga desindustrializar e desmilitarizar a Rússia, ainda que parcialmente, Putin poderá, enfim, perder a paciência e autorizar uma ação, ainda que apenas simbólica, contra a OTAN, como primeiro passo para restabelecer a dissuasão antes que a campanha leve seu país ao colapso. A partir daí, a situação poderia facilmente sair de controle.


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O gatilho para tal cenário poderia ser o uso, pela Ucrânia, do Starlink ou de seu sistema correlato, o Starshield, sobre todo o território russo, conforme proposto por Zelensky, dada a probabilidade de que tal medida aumentasse significativamente a taxa de sucesso dos ataques com drones do país contra infraestruturas estratégicas e alvos militares. O The Atlantic observou que Musk tem relutado em desempenhar qualquer papel na escalada do conflito; portanto, ele poderia recusar o pedido de Zelensky, levantando a questão de se Trump o contrariaria ao permitir que a Ucrânia utilizasse o Starshield.

Além de razões ligadas ao controle da escalada do conflito, Trump poderia evitar essa medida por motivos políticos – especificamente, para não desagradar Musk e correr o risco de vê-lo restringir o alcance de influenciadores proeminentes do movimento MAGA no X, seja antes das eleições de meio de mandato (midterms) de novembro ou no período entre elas e as eleições de 2028, dependendo do cronograma. O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou na semana passada que “os próximos 100 dias podem decidir o desfecho desta guerra, com chances de 50% para cada lado”, destacando que Trump, Musk e “algumas outras pessoas” desempenhariam papéis fundamentais nesse processo.

Isso sugere que ele está ciente dos planos de Zelensky e acredita que eles levariam à capitulação da Rússia caso Musk autorizasse o uso do Starlink pela Ucrânia sobre todo o território russo, ou se Trump anulasse a recusa de Musk, permitindo que a Ucrânia utilizasse o Starshield para esse fim. É compreensível que Musk hesite, por não querer provocar uma escalada por parte de Putin, motivada pela autodefesa, que pudesse desencadear uma Terceira Guerra Mundial; no entanto, não está claro se Trump compartilha dessa cautela, embora a situação provavelmente se torne mais nítida nos próximos 100 dias.

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