Entendendo o IS-K e sua possível relação com o atentado em Moscou

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Campo de treinamento do IS-Khorasan no leste do Afeganistão, agosto de 2021 (IS-K).

Campo de treinamento do IS-Khorasan no leste do Afeganistão, agosto de 2021 (IS-K).

Embora não haja razões concretas para duvidar da autoproclamada autoria do atentado em Moscou pelo IS-K, não se pode descartar envolvimento externo no planejamento e financiamento da ação, bastante fora dos padrões de operação do grupo.


Introdução

No dia 22 de março de 2024, quase imediatamente após o ataque terrorista ao Crocus City Hall em Moscou, um grupo terrorista pouco conhecido, o Estado Islâmico do Khorasan, teria assumido a responsabilidade pelo sangrento atentado. A comunicação teria sido realizada por meio da Agência de Notícias AMAQ, ligada extraoficialmente ao movimento central do Estado Islâmico. O comunicado da AMAQ teria apontado a motivação para o massacre, ao afirmar que o Kremlin seria responsável por “espalhar o sangue muçulmano por meio de suas intervenções no Afeganistão, na Chechênia e na Síria”.

A AMAQ é frequentemente designada pelos meios de inteligência ocidentais como o “primeiro ponto de publicação para reivindicações de responsabilidade” por ataques terroristas levados à cabo pelo Estado Islâmico. Neste sentido, imediatamente as autoridades dos EUA já confirmariam a autoria do atentado, no que foram seguidas, logo depois, por toda a mídia mainstream internacional.

Um dia após o ataque, a AMAQ publicou um vídeo, filmado por um dos agressores durante o atentado, que mostrava os terroristas atirando nas vítimas e cortando a garganta de uma delas, enquanto um dos executores aparece discursando contra os infiéis.

Os quatro terroristas que seriam os executantes diretos do atentado foram presos ao tentarem se evadir, pelo que se divulgou, em um trecho de uma rodovia entre Moscou e Briansk. Outras prisões já teriam sido realizadas pelo Serviço Federal de Segurança (FSB) da Federação da Rússia. Algumas fontes russas afirmam que eles seriam oriundos do Tadjiquistão, mas ainda não há confirmação das autoridades locais.

Bem, este é um resumo dos fatos atualmente conhecidos sobre o atentado.

O objetivo desta análise é conhecer um pouco mais sobre o grupo Estado Islâmico do Khorasan (IS-K), pouco conhecido no Brasil. Procuraremos conhecer seu histórico, organização, motivações, fontes de financiamento e ações conhecidas. Com isso, pretendemos avaliar se o referido grupo tinha condições de atuar isoladamente contra um alvo na Federação da Rússia, permitindo que atendesse à motivação apresentada pela AMAQ, que como já citamos, envolveria punir os russos por sua atuação contra os interesses muçulmanos no Afeganistão, na Chechênia e na Síria.

Caso negativo, tentaremos identificar que tipo de apoio o grupo precisaria receber para executar um atentado de tão grandes repercussões, particularmente se levarmos em conta a conjuntura e o atual panorama da atuação dos movimentos radicais islâmicos no tabuleiro internacional.

Conhecendo a região do Khorasan

Inicialmente procuraremos apresentar a caracterização da área onde se localiza nos dias de hoje a região do Khorasan, para depois passarmos a uma apresentação dos antecedentes históricos dos povos que habitam a região. Finalizaremos esta etapa da nossa análise com os motivos que levaram a formação de uma frente do Estado Islâmico naquele espaço geográfico.

Caracterização da área

A região do Khorasan (frequentemente transliterado para língua portuguesa como “Coração”) apresenta limites geográficos de representação difícil e imprecisa, uma vez que nunca se constituiu um Estado independente e, ainda, que uma parcela de suas populações originais ter tido caráter nômade. Mas podemos considerar que a região engloba partes do atual Afeganistão, Cazaquistão, Irã, Paquistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. A maior parcela das populações originais hoje habita o Afeganistão e o Irã (FIGURA 1).


FIGURA 1: Distribuição geográfica da região do Khorasan.

Os povos dessa região tem origem étnica majoritariamente persa. O próprio toponímico “Khorasan” tem origem farsi (persa), significando “terra do sol nascente”. As cidades com maior representatividade da população Khorasan estão espalhadas por diferentes países, a saber (FIGURA 1):

  • Herat (tida como a cidade mais importante, podendo ser considerada a “capital”) e Balkh (considerada uma das cidades mais antigas do mundo), ambas no Afeganistão;
  • Nishapur e Tus Mashhad (importante centro religioso sunita), ambas no Irã;
  • Merv (importante centro comercial na era da Rota da Seda), no Turcomenistão.

Antecedentes históricos

O Khorasan é uma região historicamente integrante do Império Persa Sassânida (período pré-islâmico), do qual constituía uma das maiores províncias. A partir do Século VII, Khorasan esteve sob domínio do Império Islâmico, ainda sob a liderança do profeta Maomé (que teria falecido no ano de 632). Maomé desempenhava um papel fundamental na unificação dos povos árabes sob a crença em Alá, o Deus Único. A expansão se deu sob o conceito de Jihad, que era uma luta sagrada para subjugar seus oponentes. Após a morte de Maomé, o Império Islâmico passou a ser governado por califas, que prosseguiram na expansão do Império, da religião muçulmana e da Sharia, que eram as leis islâmicas.

Entretanto, a expansão da Horda Dourada mongol, verificada a partir do Século XIII, e que havia ocupado e dominado desde a China até a Rus de Kiev, também se fez sentir no Khorasan (FIGURA 2).


FIGURA 2: Os Canatos da Horda Dourada e o Khorasan.

A região se tornou parte dos Canatos da Pérsia e de Chagatai (FIGURA 2), que eram de grande importância econômica, uma vez que já constituíam pontos de passagem bastante conhecidos das rotas que existiam desde os primórdios das caravanas comerciais, inclusive da Rota da Seda. Os mongóis não procuravam interferir nos costumes das áreas incorporadas ao seu domínio, desde que os vassalos pagassem os tributos devidos. Neste sentido, a religião islâmica se manteve e até se fortaleceu no Khorasan.

Com o declínio mongol, a região teria entrado em um período de decadência política e econômica, permanecendo sob domínio persa. Entretanto, com a progressiva expansão do Império Russo para o leste, passando por toda a Sibéria e chegando até a China, a região voltou a se tornar um ponto de passagem para as novas caravanas comerciais, agora dominadas pelos russos, que passaram a ter exclusividade no rico comércio chinês, em decorrência do Tratado de Nerchinsk, assinado em 1689 entre o jovem imperador Pedro I (que viria a ser o Pedro, o Grande) e o imperador Kangxi, da Dinastia Qing.

Em 1881, o interesse russo pela região do Khorasan acabou levando à celebração, com o Irã, do Tratado de Akhal-Khorasan, por meio do qual foi cedida parte da região ao Império Russo, particularmente a cidade de Merv (hoje Turcomenistão), como já vimos, importante polo comercial.

A região somente viria a ganhar um interesse renovado por ocasião da Guerra do Afeganistão, na década de 1980. As áreas do Khorasan, então abrangidas pelo Afeganistão, serviram de abrigo para as forças locais que combatiam os invasores soviéticos, já com apoio financeiro e militar dos Estados Unidos. Posteriormente, a região serviu de refúgio para as forças da Al-Qaeda, já sob a liderança de Osama bin Laden.

O surgimento do Estado Islâmico no Khorasan

Antes de se tornar um movimento autodenominado Estado Islâmico do Khorasan, as facções que o organizaram passaram por uma fase inspirada pelo jihadismo, cujas origens estiveram diretamente ligadas ao processo existente no Afeganistão.

O Jihad Afegão constituiu uma reação ao Emirado do Talibã, que havia sido dissolvido em consequência da campanha militar dos EUA e seus aliados a partir de 2001, guerra que havia deixado como legado um perigoso vácuo de poder no país. O governo de Cabul, implantado pela coalizão norte-americana e apoiado por alguns outros países (inclusive a Índia), era alvo de diferentes frentes de adversários: o próprio Talibã, que buscava retornar ao poder; os jihadistas do Baluchistão, que buscavam estabelecer uma base segura para combater o Irã; os jihadistas da Ásia Central, que buscavam derrubar seus governos locais; e os jihadistas paquistaneses, que buscavam implantar um governo da Sharia no Paquistão e lutar contra a influência xiita naquele país. Como se pode observar, todos os movimentos de oposição no Afeganistão, excetuando-se o Talibã, tinham um viés jihadista.

A retirada dos EUA e da coalizão ocidental do país e as divisões internas dos movimentos jihadistas, levaram o Talibã a retomar o protagonismo. Os jihadistas afegãos em geral, e os do Khorasan em particular, entraram em um período de declínio, o que levou a um fortalecimento das ações da Al-Qaeda na região, grupo muito mais organizado e dotado de fontes regulares de financiamento internacional.

A partir de 2012, a guerra civil na Síria daria um novo impulso aos movimentos jihadistas do Khorasan, e sob a intermediação da Al-Qaeda, combatentes passaram a ser selecionados para engrossar as fileiras do Estado Islâmico em combate na Síria, mas também no Iraque, o que daria origem ao ISIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante), organização que se tornou independente da Al-Qaeda. Entretanto, as duras derrotas sofridas no conflito, em particular na Campanha de Palmira, praticamente sepultaram as iniciativas implementadas na Síria. É importante destacar que a derrota sofrida é creditada particularmente aos russos, que coordenaram e executaram as operações em Palmira e em toda a Síria. Isso teve implicações importantes para o próprio futuro do movimento jihadista do Khorasan, como veremos mais à frente.

O primeiro grupo do Khorasan, oficialmente reconhecido pelo Estado Islâmico Central, foi o TKK (Tehrik-e Khilifat Khorasan, ou Movimento para o Califado de Khorasan). Mas somente em 2015 é que os membros do TKK passaram a se denominar “Daesh Khorasan”. Daesh é a pronúncia árabe para ISIL. Estava criado o IS-K, designação pela qual o grupo passaria a ser oficialmente conhecido.

O IS-K e seus objetivos

Alguns analistas descrevem o IS-K como uma espécie de “franquia” do IS-Central, embora raramente esclareçam o que querem dizer com esse termo. Ao assim denominá-lo, parecem transmitir a ideia de que seria um grupo com alguma autorização formal para utilizar a denominação de “Estado Islâmico”. Neste sentido, o IS-K não seria nada mais do que um “proxy” ou uma filial regional. Mas seria isso mesmo?

Conforme descrito por um de seus líderes (Giustozzi, 2018, p. 32), o IS-K possui autorização para tomar decisões sobre operações militares, aquisições, salários, recrutamento e orçamento, sem precisar consultar a IS-Central, que por sua vez manteria um Representante Especial, uma espécie de comissário político, para representar os interesses do centro com o IS-K, e certificando-se de que as diretrizes gerais estariam sendo respeitadas.

Mas há indícios de que o IS-K não seja sempre alinhado ao IS-Central. Segundo Giustozzi (2018, p. 35), os princípios básicos da ideologia do IS-K, e que o alinham com o IS-Central, seriam os seguintes:

  • A necessidade de remover as forças estrangeiras ocupantes das terras muçulmanas a qualquer custo;
  • As gerações futuras devem ser educadas puramente de acordo com o Alcorão  e a Suna; e
  • O secularismo é uma doença que deve ser extirpada do sistema educacional.

Baseado nestes princípios gerais, o IS-K possui uma agenda própria, cujos objetivos são os seguintes (Giustozzi, 2018, p. 42-43):

  • Estabelecer uma base territorial segura no Khorasan, consolidada por meio de recrutamento na região;
  • Buscar financiamento por parte de qualquer um disposto a apoiar a causa jihadista;
  • Retaliar as derrotas sofridas na Síria. Este é um aspecto central, pois envolve a realização de ações retaliatórias contra russos e iranianos. Segundo GIUSTOZZI (2018, p. 44), tanto no caso do Irã quanto da Rússia, tal objetivo atende ao propósito do IS-Central, mas também constitui uma forma de tornar o IS-K útil a possíveis doadores que tinham motivos semelhantes para querer retaliar contra esses dois países;
  • Estabelecer refúgios seguros para ações regionais.

Com relação à atuação do IS-K, desde suas origens em 2015, uma fonte importante foi o trabalho consolidado pelo coronel Anselmo de Oliveira Rodrigues, que abrangeu as ações terroristas empreendidas pelo grupo até o ano 2020. Segundo Rodrigues (2013, p. 20), o IS-K teria realizado mais de 700 atentados no período, o que chama bastante a atenção pelo volume de ações realizadas, e que teriam deixado mais de 20 mil mortos e feridos.

Mas chama a atenção também o caráter regionalizado do grupo em termos de abrangência geográfica de suas ações no período considerado (conforme citado por Rodrigues, 2023, p. 22): 97,7% dos atentados terroristas realizados entre 2015 e 2020 foram no Afeganistão e no Paquistão, quase 70% deles contra cidadãos comuns (32,5%), policiais (21,4%) e forças armadas (14,8%). Nenhum atentado teria sido realizado contra embaixadas ou empresas estrangeiras (países fora da região do Khorasan), e esse seria um dado bastante interessante.

Estes dados confirmam as conclusões que Giustozzi (2018, p. 47) apresenta: o quadro da grande estratégia do IS-K designa o Afeganistão como seu principal teatro de operações e refúgio seguro, enquanto o Paquistão desempenharia um papel subsidiário, como um hub logístico.

Conforme citado por Giustozzi, a sede do grupo teria inclusive sido escolhida para o Afeganistão, porque ali se reúnem condições de terreno para permitir o desejado “refúgio seguro”.


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Tendo assegurado uma posição sólida no Afeganistão, o IS-K teria condições de exportar a jihad para a Ásia Central, para o Irã e depois até para a China e a Índia. Segundo ainda Giustozzi (2018, p. 47), nenhum ataque específico contra alvos do governo paquistanês havia sido realizado pelo IS-K até janeiro de 2016, embora nunca estivessem descartados alvos naquele país.

Um dos alvos de interesse dos IS-K é o Irã, e esse ponto em especial merece destaque. Um dos esforços do IS-K para atuar contra seus inimigos xiitas iranianos é buscar uma cooperação com os Balúchis, que já atuam contra alvos iranianos. Para tal, haveria interesse do IS-K de que um perfil nacionalista dos insurgentes do Baluchistão fosse gradualmente substituído por outro jihadista.

Separatistas Balúchi estiveram envolvidos em ataques terroristas que tiveram como alvo militares de alto escalão iranianos. Um incidente confirmado teria ocorrido em 2019, quando homens armados abriram fogo contra um veículo que transportava o brigadeiro-general Mohammad Hossein-Zadeh Hejazi, um comandante sênior do corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Os recentes ataques das Forças Armadas do Irã e do Paquistão contra alvos balúchis tem sido frequentes, ocorrendo mesmo no território balúchi do país vizinho.

O último atentado conhecido do IS-K foi justamente contra o Irã, e teria sido realizado em 3 de janeiro de 2024 na cidade de Kerman, contra um evento em homenagem ao general Soleimani (morto em um ataque aéreo dos EUA em 2020). Uma aglomeração de pessoas que prestavam homenagens foi alvo de explosões, que vitimaram 94 pessoas. O Irã reagiu atacando posições do IS-K e do movimento Balúchi no Paquistão. Este último também reagiu, atacando insurgentes no Irã.

A vulnerabilidade mais óbvia do IS-K é sua extrema dependência de financiamento externo. Com a expansão de suas atividades e quadros, o IS-K é cada vez mais dependente de financiamento externo, e segundo Giustozzi (2018, p. 217), a maioria dos recursos não são fornecidos pelo IS-Central, particularmente pelo fato do colapso sofrido pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Por isso, dentre os objetivos mais importantes do IS-K na conjuntura atual estaria o de tornar o IS-K útil a possíveis doadores, que tenham motivos para querer atacar países no radar de interesses do IS-K. E é aqui onde as ações do dia 3 de janeiro de 2024, contra o Irã, e do dia 22 de março de 2024, em Moscou, podem fazer sentido.

Estaria o IS-K oferecendo suas capacidades a atores interessados nos mesmos alvos?

O IS-K e o atentado na Rússia

O atentado terrorista reivindicado pelo IS-K no Crocus City Hall, em Moscou foi uma dos mais impactantes dos últimos tempos. Mas diversas características do ataque nos chamam a atenção.

A primeira delas é que se constituiu em um ataque totalmente fora da sua “zona de ação”. A logística e a coordenação para um ataque contra o coração da Rússia, um ambiente altamente controlado e vigiado pelas forças de segurança locais envolvem a necessidade de um orçamento muito considerável, que parece estar completamente fora das capacidades do grupo terrorista, a não ser que recebesse um apoio financeiro externo considerável.

Enquanto os terroristas que executaram o atentado em Moscou teriam sido cooptados por elevadas somas em dinheiro, suas prováveis nacionalidades estariam dentro do esperado para uma ação do IS-K: cidadãos de países da Ásia Central que abrangem áreas do Khorasan.

Mas o modus operandi adotado chamou a atenção: enquanto poderiam ter se utilizado de explosivos para obter o efeito terrorista desejado, ou seja, vítimas civis (como foi recentemente verificado no Irã), a opção foi realizar um massacre a sangue frio. E para esta opção, que não poderia ser descartada a princípio, novamente chamou a atenção o fato de os terroristas nem terem mantido reféns para a fuga e nem se suicidado (como no caso do atentado do IS-Central em Paris).

Foi realmente um atentado sui generis, particularmente em se considerando todo o histórico de mais de 700 ataques terroristas creditados ao IS-K.

Uma última característica deste atentando em Moscou também desperta curiosidade: a suposta tentativa de fuga para a Ucrânia, onde certamente deveria haver alguma estrutura de apoio para recebê-los, e justamente em uma região de fronteira que vinha sendo objeto de ataques de “separatistas russos” apoiados pela Ucrânia nos últimos dias.

Como a ação no Crocus City Hall deve ter sido objeto de demorados planejamentos e preparativos, fica a impressão de que o cronograma das duas ações, aparentemente isoladas, poderiam ter sido curiosamente elaborados para desencadeamento em uma mesma janela de tempo. Isso já seria uma ilação, mas não desprezível de qualquer modo.

Conclusão

Por enquanto ainda não há razões concretas para se desconfiar da veracidade da autoproclamada autoria do atentado em Moscou, como sendo do IS-K.

Entretanto, a análise realizada não permite descartar um forte envolvimento externo no planejamento e financiamento do atentado terrorista desencadeado contra civis, inclusive mulheres e crianças, no evento que se realizava na casa de espetáculos em Moscou. Mas o mesmo se pode afirmar em relação ao atentado contra as homenagens ao general Soleimani, realizado em janeiro passado.

Duas hipóteses podem ser levantadas a esta altura.

A primeira vai no sentido de que o atentado contra o Irã poderia ter sido um cartão de visitas para possíveis interessados em financiar as ações do grupo.

A segunda: nos parece claro que o complexo atentado em Moscou certamente não foi mais um cartão de visitas, demandando a existência de um forte e comprometido patrocinador financeiro externo.

Referências

GIUSTOZZI, Antonio. The Islamic State in Khorasan: Afghanistan, Pakistan, and The New Central Asia Jihad. London: Hurst & Company, 2018.

RODRIGUES, Anselmo O. Estado Islâmico Khorasan: o surgimento e seu modo de atuação. A Defesa Nacional, v. 852, 3° quadrimestre. Rio de Janeiro: Bibliex, 2023.

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