“Dac Cong”: As Forças Especiais de Ho Chi Minh

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Brasão do Dac Cong.

Original de Vympel, Plano Brasil. Atualização por Edilson M. Pinto*

Brasão do Dac Cong.

Com combatentes decididos, disciplinados e altamente motivados, mesmo em condições extremamente precárias, o Vietnã derrotou potências (em tese) muito mais fortes.


Prelúdio

No século 13, durante as invasões mongóis do Vietnã, o exército do agora “Vietnã” Trần desenvolveu táticas de emboscada, destacando a importância de ataques estratégicos. O general Trần Quốc Tuấn enfatizou a eficácia de esfaquear debaixo dos barcos inimigos em vez de enfrentá-los diretamente.

O general Yết Kiêu implementou essa estratégia, formando as equipes Trạo Nhi, nadadores especializados em destruir bases navais inimigas. Utilizando táticas furtivas, eles queimaram embarcações e causaram danos significativos às tropas mongóis em várias batalhas.

Em 1410, Trần Nguyên Hhan aplicou a doutrina de qualidade sobre quantidade, liderando uma batalha camuflada contra o exército Ming na cidadela de Xương Giang.


FIGURA 01: Monumento Hung Dao Dai Vuong Tran Quoc Tuan na cidade de Nam Dinh, Vietnã (Tran Hung Dao Secondary School).

Guerra da Indochina


FIGURA 02 (Plano Brazil).

No campo de batalha Sul durante a Primeira Guerra da Indochina, a França fortificou postos ao redor de vilas e cidades para conter as forças do Viet Minh (guerrilha de libertação do Vietnã). O evento se destacou-se pela destruição do posto da ponte Bà Kiên em março de 1948, abrindo novas possibilidades para derrotar o inimigo. Em novembro de 1949, ocorreu um simpósio sobre combate à torre de vigia, resultando na introdução de uma tática inovadora com a arma destruidora de paredes FT (Trái phá), que destruiu 50 torres de vigia simultaneamente em março de 1950, causando confusão entre o inimigo.

O Sul concentrou-se em pesquisa e desenvolvimento, aprimorando táticas de comando e expandindo suas unidades. Durante a Primeira Guerra da Indochina e a Batalha de Dien Bien Phu, o Viet Minh desenvolveu expertise em guerra sinérgica, envolvendo forças especiais em batalhas estratégicas, como o bombardeio de Phú Thọ, o depósito de bombas de Tân An e operações em aeroportos.

Guerra do Vietnã


FIGURA 03 (Plano Brazil).

Durante o conflito, o Exército norte-vietnamita utilizou tropas especiais de assalto (conhecidos como sapadores) para uma ampla gama de missões, às vezes por si só ou como ponta de lança de uma força principal. Os vietcongues também implantaram sapadores em seus ataques.

As perdas na ofensiva do Tet, em 1968 demonstraram que ataques em grande escala eram muito perigosos. Devido a considerações estratégicas, todas as nações que na idade moderna enfrentaram o Viet Minh (guerrilha de libertação do Vietnã), estabeleceram “pontos fortes”, ou seja, bases militares de tamanhos diversos para concentração de recursos (tropas, artilharia, veículos), e que ao mesmo tempo forneciam proteção para estes mesmos efetivos (Dien Bien Phu para os franceses e Khe Sahn para os americanos, como exemplos), para poder enfrentar a guerrilha em seu ambiente, a selva. Estes “pontos fortes” foram idealizados por japoneses, franceses e posteriormente, americanos.


Organograma (Plano Brazil).

Dac Cong

Para enfrentar esse tipo de inimigo, os vietnamitas desenvolveram técnicas para infiltração em pontos fortes e bases em geral altamente defendidas, ultrapassando seus obstáculos defensivos e armadilhas, abrindo assim caminho para a força principal, que atacaria as posições inimigas.

Chamados de “Binh chủng Đặc công” (Unidades Especiais do Exército) pelos próprios vietnamitas e “sapadores especiais” pelos americanos, os “sapadores” foram uma medida de economia de força que poderia desferir um duro golpe no inimigo, sendo estas as primeiras unidades especializadas do Exército Norte-Vietnamita (ENV), criadas oficialmente em 19 de março de 1967, embora tropas com estas mesmas características já existissem há décadas. Eles são uma elite especialmente vocacionada para se infiltrar e atacar aeródromos, unidades militares, portos fluviais e marítimos e outras posições fortificadas de alto valor.


FIGURA 04 (Plano Brazil).

Durante a Guerra do Vietnã havia cerca de 50.000 homens servido no ENV como sapadores (Đặc công bộ – operações terrestres), voltados para operações terrestres e organizados em companhias de 100-150 homens, divididos em pelotões de cerca de 30-36 homens e com sub divisões em grupos, esquadrões e células. Tropas especializadas, como rádio operadores, médicos e especialistas em explosivos também foram incluídas.


FIGURA 05 (Plano Brazil).

Todos eles eram voluntários. Os sapadores eram frequentemente designados para unidades maiores (regimentos, divisões, etc.) para a realização de ataques e reconhecimento, mas também poderiam ser organizados como formações independentes.

Os sapadores eram treinados e preparados com cuidado em todos os aspectos de seu ofício, e fizeram uso de uma variedade de equipamentos e dispositivos explosivos, incluindo material americano capturado ou abandonado.

Os sapadores também realizaram missões de inteligência e podiam trabalhar disfarçados. Um dos sapadores que participaram da ofensiva do Tet em 1968 contra a embaixada dos EUA era o motorista de um embaixador americano.

Devido à eficácia demonstrada durante a Guerra do Vietnã, o Dac Cong vietnamita treinou unidades estrangeiras, incluindo militares de países como Cuba, Nicarágua, Camboja, Laos e União Soviética, bem como grupos rebeldes marxistas. Essas forças foram instruídas em táticas de sapadores, fabricação de bombas e uso de armas e explosivos. Membros de movimentos revolucionários, como FMLN de El Salvador, MIR do Chile e as FARC da Colômbia, foram beneficiados por esse treinamento.


FIGURA 06 (Plano Brazil).

Técnicas de assalto


FIGURA 07 (Plano Brazil).

Planejamento do assalto: Um ataque típico começava com a reconstrução detalhada da posição inimiga (bunkers, aeroportos, depósitos de munição, centros de comando e comunicações, quartéis, instalações de geração de energia e outros pontos vitais).

Os dados de várias fontes de inteligência (agricultores, espiões, informantes, etc.) eram coletados e adicionados ao planejamento. O alcance da artilharia para cada área-alvo era detalhado.

Uma maquete do alvo era criada e ocorriam ensaios detalhados. Os assaltos eram geralmente planejados para ocorrer após o anoitecer. Os sistemas de sinalização eram por vezes através de sinais luminosos coloridos. Uma sequência típica de sinais obedecida pelas equipes de assalto poderia ser a seguinte:

  • Chama vermelha: área difícil de entrar;
  • Chama branca: retirada;
  • Chama verde: vitória;
  • Chama branca seguida de verde: solicitação de reforços.

FIGURA 08 Plano Brazil).

Organização e formações

Dependendo do tamanho do ataque, os sapadores eram geralmente divididos em grupos de 10-20 homens na vanguarda da força principal, que eram ainda subdivididos em equipes assalto de 3-5 homens. Cada equipe era encarregada de destruir ou neutralizar uma área específica de defesa do inimigo. Quatro escalões sucessivos poderiam ser empregados em uma operação típica de sapadores.

Um grupo de assalto tomava a responsabilidade principal pela penetração inicial através do arame farpado e outras defesas. Um grupo de apoio de fogo podia ser usado para realizar apoio de fogo á este grupo, através de lança-foguetes B-40 (RPG-2), morteiros ou metralhadoras, assim que os elementos de penetração atravessassem as defesas, em um horário definido ou através de um sinal pré- programado.

Um pequeno grupo de segurança podia ser implantado para posicionar-se visando emboscar os reforços que tentassem reforçar as defesas da área ameaçada. Um grupo de reserva podia ser utilizado para aproveitamento do êxito ou resgatar seus companheiros se a situação começasse a deteriorar-se.

Movimento do ataque inicial


FIGURA 09 (Plano Brazil).

O movimento da tropa para a área-alvo era tipicamente através de longas caminhadas, para dissimular sua posição. Uma vez que tinham alcançado a zona de reunião, elementos infiltrados anteriormente nas proximidades do alvo conduziam as frações até seus respectivos setores. Reconhecimento prévio detalhado era de suma importância.


FIGURA 10 (Plano Brazil).

Os destacamentos de infiltração prendiam armas e explosivos em seus corpos para minimizar o ruído, e muitas vezes cobriam seus corpos com carvão e lama para se camuflarem no terreno, dificultando sua identificação. O arame farpado era cortado apenas parcialmente, com os fios restantes partidos com a mão para não fazer barulho. Sinais luminosos da posição defensiva eram neutralizados envolvendo seus acionadores com uma tira de pano ou bambu, pelo destacamento de infiltração. Minas direcionais Claymore M18 americanas eram desativadas pelos soldados do referido destacamento.

Um homem de ponta geralmente precedia cada equipe, rastejando silenciosamente através das defesas, explorando com os dedos para detectar e neutralizar as armadilhas e minas, enquanto os outros seguiram atrás. Às vezes, fios-guia eram lançados para indicar um corredor de assalto. Tapetes de fibra vegetal podiam ser jogados por cima do arame farpado para facilitar a passagem por cima do mesmo.


FIGURA 11 (Plano Brazil).

Os sapadores frequentemente utilizavam torpedos Bangalore improvisados, feitos com TNT inserido dentro de uma vara de bambu, a qual era utilizada para explodir os obstáculos de arame farpado e abrir rotas de assalto para a força principal. Muitas vezes utilizavam caminhos inesperados para a abordagem, por exemplo através do depósito de lixo, como durante o ataque á base militar americana de Cu Chi, em 1969.

Ataque principal e a retirada

Baseado no tipo de alvo e da situação político-militar em causa, alguns ataques prosseguiam cautelosamente, com pouco apoio de fogo desde o começo até o último momento. Em outros ataques, especialmente contra alvos americanos bem defendidos, os comunistas utilizavam artilharia de barragem para manter os defensores americanos alojados em suas posições defensivas e de cabeça baixa após a quebra do sigilo, enquanto os grupos de assalto moviam-se furtivamente até esta mesma posição.


FIGURA 12 (Plano Brazil).

Os alvos eram geralmente atingidos em ordem de prioridade, de acordo com o nível de perigo que apresentavam para as unidades de sapadores, ou com base em objetivos políticos-militares. Era enfatizada a agressividade extrema durante o ataque, sob a doutrina das “três forças” (surpresa, concentração da força e aproveitamento do êxito), o que geralmente conseguia grande sucesso.


FIGURA 13 (Plano Brazil).

Se os sapadores fossem descobertos, atacavam imediatamente. Uma vez que o objetivo do ataque era alcançado, ou o combate começava a causar desgaste, era exigida a retirada. Forças de cobertura garantiam a retirada da força principal, dando tempo para esta evadir-se do local.

Armamento, munição e outros equipamentos do inimigo eram recolhidos e os corpos dos mortos e feridos eram resgatados. Relatórios e críticas de avaliação do assalto eram feitos pelas forças do ENV e do Vietcong, absorvendo assim as lições aprendidas e melhorando suas habilidades para o próximo assalto.

Operações de destaque

Ataque dos sapadores ao aeródromo do 242º Esquadrão – Cu Chi, 1969

O ataque à base da 25ª Divisão de Infantaria dos EUA em Cu Chi, no ano de 1969, onde havia um campo de aviação (242º Esquadrão), ilustra o tipo de ataque de sapadores vietnamitas que causaram relativamente pouca destruição, mas foram ataques realizados contra uma das mais importantes e bem defendidas bases dos EUA no Vietnã. Esta ação envolveu uma combinação de soldados do Vietcong e do ENV, que destruíram nove helicópteros CH-47 “Chinook”, danificaram outros três helicópteros do mesmo modelo e explodiram um depósito de munição.

Os sapadores Vietcongues lideraram o ataque, com apoio de fogo de tropas do ENV. Interrogatórios de prisioneiros de guerra revelaram uma estreita coordenação com elementos da guerrilha local e informantes, inclusive o fornecimento de desenhos detalhados e croquis da área-alvo. A penetração das equipes alcançou quase que uma surpresa completa, com cerca de 10 sapadores alcançando as cercas de arame farpado e avançando sem serem detectados pelos soldados americanos, sem acionar as armadilhas ou serem percebidos pelas patrulhas. Um ataque com foguetes foi o sinal para os sapadores entrarem em ação contra os helicópteros e soldados.

Além das aeronaves, as perdas das tropas dos EUA foram relativamente leves (um morto, três feridos versus cerca de 30 vietcongues ou ENVA mortos). No entanto, o incidente revela a capacidade de recuperação do Vietcong/ENV, mesmo após as perdas da ofensiva do Tet, em 1968.

Ataque à base aérea de Pochentong

Na noite de 21 para 22 de janeiro de 1971, aproximadamente 100 membros do PAVN “Sapadores” realizaram um ataque surpresa à base aérea de Pochentong, contornando o perímetro defensivo cambojano.

Divididos em seis destacamentos menores e armados com AK-47 e RPG-7, os invasores escalaram as proteções de arame farpado, dominando o Batalhão de Segurança mal armado. Dentro da base, lançaram uma intensa barragem de armas leves e granadas, causando danos significativos às aeronaves e instalações.

Após o ataque, a Força Aérea do Khmer foi praticamente aniquilada, com 69 aeronaves destruídas ou gravemente danificadas, incluindo diversos modelos como Trojans T-28D, jatos Shenyang, MiG, T-37B, Fouga Magister, L-19A Bird Dogs, transportes An-2, helicópteros UH-1, VNAF O-1 Bird Dogs e um transporte Vip.

O ataque resultou em 39 mortos e 170 feridos entre os oficiais da AVNK e soldados. Algumas aeronaves, como seis Trojans T-28D, 10 treinadores leves GY-80 Horizon, oito helicópteros Alouette II e Alouette III, dois helicópteros Sikorski H-34, um T-37B e um Fouga Magister, escaparam da destruição. Pochentong ficou fechada por quase uma semana para reparos e reabastecimento.

Incursões semelhantes ocorreram no ano seguinte contra o campo de aviação U-Tapao, onde os invasores danificaram três bombardeiros B-52 Stratofortress e mataram um sentinela tailandês.

Ataque dos sapadores à base do exército Mary-Ann, 1971

O ataque contra a base militar Mary-Ann do Exército dos EUA em 1971 pela Força principal do 409º Batalhão de Sapadores do Vietcong é outro exemplo dessas técnicas. A surpresa foi alcançada e muitos não acreditavam que o ENV/Vietcong atacaria um pequeno posto avançado. A base militar vira pouca ação durante a guerra e era composta de 250 soldados norte-americanos e alguns sul-vietnamitas.

Uma barragem de morteiros foi estabelecida em um horário definido para o começo da batalha. Esta cobertura era prevista pelos sapadores, que já estavam pré-posicionados na linha de frente. Moveram-se rapidamente para seus objetivos. Eles destruíram o Batalhão de Operações e um grande número de postos de comando, criando assim caos generalizado antes de se retirar quando helicópteros chegaram.

As perdas dos EUA foram de quase 30 mortos e 82 feridos. Ainda permanecem suspeitas sobre este ataque, inclusive de que militares sul-vietnamitas facilitaram a penetração dos elementos sapadores no interior da base americana. Se isso for verdade, o incidente demonstra o longo alcance dos serviços de inteligência do ENV/Vietcong, seu planejamento sofisticado e a execução do assalto. Vários altos comandantes americanos foram dispensados de suas funções ou repreendidos após o evento. Audaciosamente, o Vietcong atacou as ruínas da base militar no dia seguinte com tiros de metralhadora.

Os Dac Cong foram pontas de lança em muitas vitórias obtidas pelo ENV/Vietcong, quando considerada a estratégia de vitória a longo prazo dos vietnamitas, como o aeroporto de Cat Bi, Bien Hoa e Tan Son Nhut, Gia Lam, Bach Mai, Phu Tho Hoa, Tua Hai, Nui Thanh, Hoai Duc, Campo Norte, Long Binh, Dong Du, Tuy Thanh Ha, Nha Be, e a embaixada dos EUA.

Atualidade

Outras forças Dac Cong existentes:

Dac Cong Biet Dong: Combate urbano


FIGURA 14: (Plano Brazil).

Unidade do Exército vietnamita especialmente treinada para operações urbanas, são unidades que lideram ataques em áreas urbanas, seguidas pelas forças regulares.


FIGURA 15 (Plano Brazil).

Dac Cong Nuoc (M26): Operações anfíbias


FIGURA 16 (Plano Brazil).

Unidade da Marinha do Exército vietnamita especialmente treinada para operações anfíbias em meio fluvial ou marítimo, onde destroem infraestruturas de portos, navios ancorados e podem realizar assaltos e golpes de mão em instalações próximas á rios ou ao mar.


FIGURA 17 (Plano Brazil).

Doan Dac Cong (M1): Operações antiterroristas


FIGURA 18 (Plano Brazil).

Durante a guerra do Vietnã, a unidade chamada de Força-Tarefa do Exército Popular do Vietnã (Lực lượng đặc nhiệm của Quân đội Nhân dân Việt Nam) foi uma unidade de elite do exército com a função de “busca e destruição” de unidades das forças especiais dos EUA (MACV-SOG).


FIGURA 19 (Plano Brazil).

Com o fim da guerra, evoluiu e transformou-se atualmente em uma unidade antiterrorista (Doan Dac Cong). Não é formalmente uma unidade de “sapadores”, pois sua função original é muito diversa desta.



Conclusão

O Vietnã do Norte, durante a guerra, desenvolveu estas unidades especializadas com base nas características mais evidentes de suas forças armadas. Tais características eram a quase total falta de meios modernos à disposição da infantaria, além de a mesma ser utilizada tanto em grandes formações durante o ataque a um objetivo fixo, visando compensar sua falta de meios tecnológicos modernos e de apoio ao combate (daí a grande diferença de baixas entre os EUA e o ENV), quanto emboscadas realizadas por pequenos efetivos contra forças superiores.


FIGURA 20 (Corbis Photo).

Isto leva a formação de efetivos militares que pudessem ser rapidamente substituídos por reservas. Daí a relativa pouca preocupação em dotar o militar de equipamentos modernos e, ao mesmo tempo, dispendiosos.

Os vietnamitas foram excepcionais em tirar máximo proveito dos “meios de fortuna” encontrados no terreno, utilizando-os para fazer frente à superioridade tecnológica americana, tais como armadilhas e túneis, aliados a uma disciplina militar rígida, a qual combatia uma “guerra de desgaste”, na qual não procuravam uma batalha decisiva, mas o colapso da “vontade de lutar” do Exército dos Estados Unidos e seu povo. Estas características, quando não conhecidas pelo público em geral, forçam a comparações com outras unidades de elite de outros países, o que é uma abordagem totalmente errada, pois a forma de “enxergar o combate” dos orientais é diametralmente diferente dos ocidentais.

Com combatentes decididos, disciplinados e altamente motivados (apesar de combaterem nas mais precárias condições, até mesmo descalços), este pequeno país venceu o maior poder militar do ocidente e maior economia do mundo, sem falar nos japoneses, franceses e chineses.

Referências

CELESKI, Joseph D. The Green Berets in the Land of a Million Elephants: U.S. Army Special Warfare and the Secret War in Laos 1959-74.

NODIA, Ghia; ALEXI-MESKHISVILI, Sophia. The Wars of Eduard Shevardnadze. (contém informações sobre a Guerra do Vietnã).

KREPINEVICH JR., Andrew F. The army and Vietnam. JHU Press, 1986.

Special Operation Force Arms: The process of formation and development. Portal of the Ministry of Defence of the Socialist Republic of Vietnam.

Vietnam Trained Commando Forces in Southeast Asia and Latin America. Wilson Center. Disponível em: https://www.wilsoncenter.org/publication/vietnam-trained-commando-forces-southeast-asia-and-latin-america.

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3 comentários

  1. Sou o Cel R1 Cruz Junior e atualmente exerço a função de Assessor de Doutrina da AMAN. Desejo parabenizar o articulista pelo texto e acrescentar mais algumas informações que considero de interesse. A edição de julho de 2008 da Revista Soldier of Fortune trouxe um artigo, escrito por Stuart Allan Steinberg, intitulado “EOD: HELL’S MECHANICS” (nas páginas 42,43,44,46,49,50 e 52) no qual fica patente a eficiência, a eficácia e a efetividade dos Sapadores do Exército do Povo do Vietnã do Norte e do Vietcong. No artigo, o senhor Steinberg, um Veterano da Guerra do Vietnã, onde atuou como integrante de uma Equipe de Manipulação de Explosivos e Engenhos (EOD Team), descreve uma série de ataques executados pelos Vietcongs a um depósito de munições localizado em Qui Nhon, uma cidade costeira localizada na Área de Responsabilidade do II Corpo, na realidade um Posto de Suprimento Classe V (M) que abastecia os I e II Corpos. Os ataques foram realizados no contexto dos maiores assaltos pós-Ofensiva do Tet (iniciada em 31 de janeiro de 1968) que tiveram início em 23 de fevereiro de 1969. Os ataques foram realizados em 23 de fevereiro, na noite de 10 para 11 de março e no dia 23 de março de 1969. É de se imaginar que após o primeiro ataque o Comandante do depósito de munições reunisse seus subordinados, realizasse um exame de situação e decidisse quais medidas tomaria para que um novo ataque pudesse ser detectado com antecedência e a instalação fosse protegida com efetividade. No entanto nada disso foi suficiente e o depósito foi atacado mais duas vezes no mês de março de 1969 e mais uma vez em 11 julho de 1969. Entre 10 a 12 Sapadores se esquivaram da segurança, plantaram suas cargas explosivas nas plataformas onde estavam armazenadas as munições, que posteriormente explodiram; eles passaram por 06 patrulhas de segurança com cães de guerra, 43 torres de guarda, bunkers, 20 emboscadas montadas por soldados coreanos nas vias de acesso ao depósito e evitaram sensores terrestres instalados ao redor do mesmo. Verificações posteriores ao ataque de 11 de março de 1969 constataram que os Vietcongs contornaram as medidas de segurança cavando um túnel de pouca profundidade num ponto cego entre duas torres de guarda, passando sob um campo minado com minas antipessoal e minas Claymore e evitando 03 patrulhas de segurança dentro do perímetro do depósito. No ataque de 23 de março de 1969, uma emboscada montada por soldados coreanos em uma das vias de acesso à instalação matou dois guerrilheiros do Vietcong e feriu um terceiro, um quarto guerrilheiro conseguiu evadir-se e reunir-se a outro grupo com meia dúzia de guerrilheiros, os quais não foram engajados pelos emboscadores coreanos. Durante todos os quatro ataques ao depósito de munições estes dez guerrilheiros foram os únicos avistados pelos defensores da instalação! Os três primeiros ataques destruíram totalmente 23 plataformas com munições de alto explosivo e duas plataformas com munições para armas leves, das 103 plataformas que existiam no local, totalizando 11 mil toneladas das 19 mil toneladas de munições que estavam armazenadas no depósito. Os Vietcongs realizavam disparos de morteiros e lançavam foguetes de 122mm sobre o depósito, mesmo que fosse um fogo impreciso, com a finalidade de produzir barulho para ocultar eventuais ruídos produzidos pelos sapadores que estavam se infiltrando. Até o ataque de 23 de março de 1969 os defensores contavam 03 mortos e 37 feridos. Um escritor militar norte-americano chamado John Poole, um Oficial do Corpo de Fuzileiros Navais e Veterano da Guerra do Vietnã, especialista em instrução individual para o combate e tática de pequenas frações, defende a tese de que os infantes do Exército e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA devem receber uma instrução tática individual e um adestramento em táticas de pequenas frações tão aprimorados quanto os vietnamitas do norte e os vietcongs recebiam, pois com este treinamento superior e seu equipamento altamente tecnológico as tropas norte-americanas seriam imbatíveis no campo de batalha; quando ele comenta as técnicas dos Sapadores norte-vietnamitas ele utiliza os termos “aproveitamento do microterreno”, “ infiltração de curto alcance” e também aborda o emprego das armas coletivas para encobrir eventuais ruídos produzidos pelos combatentes durante a infiltração de curto alcance. Estas ideias estão expostas em seu livro “The Last Hundred Yards- The NCO Contribution to Warfare”.

  2. Saudações Cel R1 CRUZ JUNIOR, sou Edilson Pinto editor do Plano Brasil e co-autor da matéria, esta de fato foi feita pelo nosso articulista Lelis. Nós a reeditamos e atualizamos para o Velho General.
    Agradeço ao nosso parceiro Albert pela publicação e ao Lelis pela condução do Artigo.
    Entrarei em contato para que possamos trocar informações .
    Abraço e Boas festas.

  3. Saudações Sr. Edilson, por obséquio, transmita meus cumprimentos pelo artigo ao Sr. Lelis e os meus votos de um Feliz Natal e Próspero Ano de 2024 a todos os colaboradores do Plano Brasil. Um forte abraço!

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