Ataque a Sebastopol: Coordenação por um Global Hawk da USAF

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O drone RQ-4 Global Hawk pode registrar dados de inteligência, vigilância e reconhecimento (USAF).

Por Alain Charret*

O drone RQ-4 Global Hawk pode registrar dados de inteligência, vigilância e reconhecimento (USAF).

A monitoração através do Flightradar24 tende a confirmar hipótese de que os EUA coordenaram o ataque a Sebastopol, e o fato do transponder do drone permanecer ativo mostra que a USAF não tentou esconder sua atividade.


Já não é segredo que os serviços de inteligência americanos estão ajudando consideravelmente a Ucrânia em suas batalhas com a Rússia. Prova disso são os voos diários de aeronaves de reconhecimento que operam ao longo das fronteiras da Ucrânia, da Moldávia, da Bielorrússia, do enclave de Kaliningrado, ou mesmo da Rússia, seja perto dos países bálticos, ou mesmo no Mar de Barents. Estas missões de reconhecimento eletrônico permitem, entre outras coisas, a coleta de informação de origem eletromagnética que pode ser particularmente valiosa.

Se até agora era difícil confirmar com certeza que uma determinada operação ucraniana foi resultado de informações fornecidas pelos serviços americanos, isto parece ser diferente no caso do ataque que teve como alvo o quartel-general da Frota Russa do Mar Negro em Sebastopol, em 22 de Setembro. A monitoração da atividade aérea, viabilizada através do site Flightradar24, permitiu recolher elementos que tenderiam a confirmar esta hipótese.

• Em 21 de setembro, às 18h49 UTC, um drone Global Hawk da Força Aérea dos EUA decolou da base de Sigonella (Itália) em direção ao leste (FIGURA 1).


FIGURA 1 (Flightradar24).

• Às 22h30 UTC, este drone chegou ao Mar Negro e depois orbitou ao largo da costa da Crimeia (FIGURA 2).


FIGURA 2 (Flightradar24).

• A imagem de 22 de Setembro (FIGURA 3), dia do ataque ucraniano, ilustra claramente a sua evolução ao largo da costa da área em causa.


FIGURA 3 (Flightradar24).

Conforme indicado no site oficial da Força Aérea dos EUA [1], sensores SIGINT estão entre os módulos a bordo desses drones. Os vários sinais assim interceptados provavelmente permitiram confirmar a existência de uma reunião e assim indicar às forças ucranianas o momento certo para o lançamento do míssil.

[1] https://www.af.mil/About-Us/Fact-Sheets/Display/Article/104516/rq-4-global-hawk/.

Observe-se também que embora operando em grandes altitudes e em área pouco frequentada pelo tráfego aéreo civil, o transponder ADS-B do drone permaneceu ativo. A Força Aérea dos EUA, portanto, nem sequer tentou esconder sua atividade.

Registre-se a surpreendente contenção da Rússia face a esta arrogância americana, que poderia facilmente ser considerada uma provocação intolerável.


Publicado no Cf2R.

*Alain Charret serviu mais de 25 anos na Força Aérea francesa, durante os quais cumpriu missões em vários centros de escuta na França, mas especialmente na Alemanha antes da queda da URSS. Apaixonado por rádio, continua explorando as ondas sonoras como hobby, mas também em benefício de sites de inteligência. É membro do conselho editorial do jornal Les Nouvelles d’Addis, onde escreve as seções “Terrorismo na zona da África Oriental/Mar Vermelho” e “Visto no rádio”.


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