As armas avançadas do Irã, Parte 1: Corrida armamentista Irã-Turquia

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O então presidente do Irã, Hassan Rouhani (esq.), e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (dir.), em uma coletiva de imprensa conjunta após seu encontro no Complexo Presidencial, em Ancara, Turquia, em 16 de abril de 2016 (Rasit Aydoga/AFP).

O então presidente do Irã, Hassan Rouhani (esq.), e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (dir.), em uma coletiva de imprensa conjunta após seu encontro no Complexo Presidencial, em Ancara, Turquia, em 16 de abril de 2016 (Rasit Aydoga/AFP).

Irã e Turquia são grandes e influentes países que seguem a política de “estratégia de profundidade”. O Irã procura criar um “crescente xiita” na Ásia Ocidental enquanto a Turquia busca criar um “crescente de países de língua turca”. Os dois arranjos se cruzam em alguns pontos.


O Irã, por um lado, alcançou a costa mediterrânea através da atuação de seus proxies no Líbano, mudou as equações políticas da região com sua presença efetiva na Síria e ganhou acesso às fronteiras de Israel. Tem atuado no sul do Golfo Pérsico e na vizinhança da Arábia Saudita também com o apoio do movimento Houthi no Iêmen. A Turquia, por outro lado, opera no norte da Síria e no Iraque com o apoio de aliados e suas forças armadas e expandiu sua presença de fronteira para a área do Cáucaso, apoiando o Azerbaijão na guerra contra a Armênia.

Embora informações detalhadas sobre os orçamentos militares dos dois países não estejam disponíveis, é claro que ambos arcam com custos extremamente altos por causa de sua estratégia, e ambos estão passando por tempos difíceis devido à sua situação econômica.

Como resultado, ambos estão enfrentando uma inflação impressionante, o valor de suas moedas nacionais despencou e uma grande parte da população de um e de outro está caindo abaixo da linha da pobreza. Embora o Irã tivesse vantagens militares e econômicas no final do regime anterior (antes da revolução), a guerra de oito anos com o Iraque reduziu seu poderio militar e econômico.

A competição entre eles na Síria e no Iraque, e mais recentemente na região do Cáucaso, os levou a monitorar de perto um ao outro e rastrear cuidadosamente as melhorias um do outro. Esta concorrência acirrada é considerável.

UAVs (Unmanned Aerial Vehicles, Veículos Aéreos Não-Tripulados)

A Turquia, como membro da OTAN, nos últimos anos tornou-se uma das potências mais significativas no campo dos UAVs, e o Irã também se tornou membro dos países do “UAV Club”. Embora a Turquia possa estar um pouco à frente no campo dos drones, notícias recentes mostram que o Irã fez novos progressos em seus métodos de combate a drones.

Dez anos atrás, para espanto dos observadores internacionais, o Irã conseguiu tomar o controle de um drone avançado dos EUA e pousá-lo com segurança. O drone, apelidado de Kandahar Beast (“A Besta de Kandahar”), caiu em uma armadilha da defesa aérea da Força Aérea do IRGC (Islamic Revolutionary Guard Corps, Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica) enquanto conduzia uma missão de reconhecimento sobre o Irã.


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Depois da notícia, autoridades dos EUA inicialmente negaram as alegações, dizendo que os Estados Unidos não haviam perdido um drone desse tipo. Horas depois, no entanto, a Força Aérea dos EUA anunciou o desaparecimento de um de seus veículos aéreos não tripulados do esquadrão de UAVs RQ170, anunciando que a aeronave apresentou um problema técnico em seu sistema de posicionamento e caiu em algum lugar, mas a Força Aérea não conseguiu encontrá-lo. Confirmações e negações continuaram, a maioria dos principais meios de comunicação do mundo informou sobre a grande caçada do Irã, mas as autoridades dos EUA continuaram a evitar a confirmação da caçada iraniana até que imagens e vídeos fossem divulgados pelo IRGC.

Provando que o drone era americano e que o Irã foi extremamente bem-sucedido em caçá-lo, Barack Obama anunciou oficialmente que havia pedido ao Irã para devolvê-lo aos Estados Unidos, mas em sua resposta, as autoridades iranianas declararam explicitamente que nunca devolveriam o veículo agressor aos EUA. Este foi apenas o começo da história, porque, menos de três anos depois, o Irã conseguiu construir um equipamento similar com métodos de engenharia reversa e exibi-lo e voá-lo com o nome de Simorgh.

Carros de combate (“tanques”)

o Irã se juntou às fileiras dos fabricantes mundiais de carros de combate produzindo os modelos chamados Zulfiqar e Karrar, e a Turquia tentou manter a paridade na região produzindo os tanques Altai.

Aviões de combate

Há dois anos, o Irã anunciou a produção do caça Qaher 313, também conhecido como F-313. Embora observadores estrangeiros ainda não o tenham visto de perto, nas palavras do Irã essa aeronave, que é a primeira experiência do país no campo de aeronaves furtivas, foi feita pela “juventude iraniana” e é 100% nativa. Eles afirmam que o protótipo já passou pela maioria dos testes e que estará operacional em breve. Mesmo que essa notícia seja exagerada, mostrou que os iranianos alcançaram tecnologia de fabricação de caças.

O Center for the National Interest dos EUA, em um reportagem sobre os esforços do Irã na construção de caças, reconheceu que a fabricação da aeronave iraniana Qaher é um grande passo e uma valiosa porta de entrada para a produção de aeronaves de guerra modernas. Antes, o Irã havia construído aeronaves de combate Saeqeh, e embora alguns analistas o considerem uma imitação dos F-5 dos EUA, o Irã mostrou que adquiriu capacidades neste campo pela produção de uma segunda geração.


O caça furtivo iraniano Qaher-313/F-313 (hamshahrionline.ir).

Além do Saeqeh e Qaher, o Irã também construiu dois outros modelos de caças chamados Azarakhsh e Kowsar. Ao mesmo tempo, a indústria aeroespacial estatal turca anunciou que a Turquia concluiu a primeira fase de construção de seu primeiro protótipo de caça furtivo de quinta geração, o TAI TF-X.

Indústria de mísseis

Na indústria de mísseis, que tem papel dissuasor, o Irã conseguiu, com o bom conhecimento de seus cientistas e possivelmente com ajuda da Rússia, China e Coréia do Norte, produzir os mísseis Shahab-3, com alcance de 1.300 quilômetros. O Irã também mostrou vários tipos de mísseis em diversas instalações subterrâneas (armazéns). Recentemente, revelou mísseis ultrassônicos no Golfo Pérsico que utilizam combustível sólido.

A competidora Turquia testou com sucesso seu primeiro míssil de longo alcance, o Bora, em Sinop, há quatro anos. Notícias recentes mostram que a Turquia também está tentando alcançar um maior nível de conhecimento nessa área.


Mísseis iranianos (mehrnews.com).

Essas foram apenas pequenas partes do progresso militar do Irã e sua rivalidade com a Turquia. No entanto, recentemente tem havido muita discussão em círculos de análise de notícias secretas iranianas sobre a produção de dois grupos de armas modernas. Embora ainda não haja evidências concretas que provem sua existência, com base em conquistas anteriores parece que essa afirmação pode incluir alguns fatos.

Este é um assunto ao qual daremos atenção na próxima parte (Parte 2) deste artigo.

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