Com o Nanggala oficialmente perdido, quais são os próximos passos?

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Militar indonésio examina mapa da área onde está o KRI Nanggala (Foto: EPA).

Militar indonésio examina mapa da área onde está o KRI Nanggala (Foto: EPA).

A Indonésia e a comunidade submarinista internacional estão em luto pela perda dos 53 tripulantes a bordo. Independentemente de possíveis tentativas de recuperação dos destroços para um exame mais detalhado das causas do acidente, é possível que a Marinha da Indonésia realize também uma revisão de treinamento e procedimentos.


A Marinha da Indonésia anunciou no domingo (25) a descoberta dos destroços do submarino de ataque KRI Nanggala 402 e conformou a morte de todos os 53 tripulantes a bordo. Em uma coletiva de imprensa em Bali, o comandante das Forças Armadas da Indonésia, marechal-do-ar Hadi Tjahjanto, afirmou que o submersível do navio de resgate MV Swift Rescue, de Singapura, foi despachado para realizar um exame visual para confirmar imagens produzidas pela varredura realizada pelo KRI Rigel empregando um sonar multifeixe e um magnetômetro.

Tjahjanto afirmou que as imagens mostram peças e destroços do submarino, como o leme vertical traseiro, âncora, partes do corpo externo do casco, vela de mergulho e trajes de fuga Mk 11.

A imprensa indonésia questionou o número de pessoas embarcadas, uma vez que a classe 209 normalmente embarcaria uma tripulação de 33 a 36 pessoas. O almirante Yudo Margono, comandante da Marinha da Indonésia, disse que o Nanggala tinha capacidade para um total de 50 tripulantes mais sete comandos, totalizando 57 pessoas, portanto os 53 homens embarcados estavam dentro do limite de pessoal do submarino.


Militares indonésios mostram as imagens do navio em entrevista coletiva em Bali (Foto: BBC).

Margono afirmou que o submarino se partiu em três partes e estava a uma profundidade de 2.750 pés (838 metros). Ele disse também que o submarino não apresentou grandes problemas desde sua reforma em 2012 na Coreia do Sul, e que a marinha não o teria selecionado para o exercício de tiro se houvesse algum problema conhecido.

O marechal Tjahjanto afirmou que a Indonésia coordenará os próximos passos com o Escritório Internacional de Ligação para Fuga e Resgate de Submarinos (ISMERLO, International Submarine Escape and Rescue Liaison Office), acrescentando que isso é necessário já que a recuperação do submarino exigiria cooperação internacional.

Sem poder ter certeza de que as causas do desastre serão identificadas, a Marinha da Indonésia precisará decidir quanto esforço dedicará a tentar recuperar os destroços. O exame inicial das imagens do submarino afundado sugere que o submarino está em três partes, com o casco e a popa separados.

Nesta fase, é impossível saber o que desencadeou o acidente. As causas podem incluir desde uma falha mecânica até um incêndio, algo particularmente temido pelos submarinistas. Um erro humano tampouco pode ser descartado.


Imagens do veículo de resgate subaquático mostram os destroços do submarino (Imagem: Marinha da Indonésia via EPA).

Resgatar os destroços do Nanggala provavelmente é possível e há precedentes: o “Projeto Azorian”, dos EUA, em 1974, envolveu a recuperação em segredo de componentes do K-129, submarino de mísseis soviético afundado, empregando o navio USNS Hughes Glomar Explorer, especificamente construído com esse fim.

No entanto, trazer cerca de 1.300 toneladas de metal de volta à superfície de uma profundidade de mais de 800 m continua sendo uma tarefa formidável. Poucas organizações de salvamento seriam capazes de empreendê-la, e certamente custaria muito caro. Considerando que não há garantia de que a causa específica do desastre seja descoberta, pode-se argumentar que a marinha indonésia, com poucos recursos, teria outras prioridades para investir, incluindo seus submarinos restantes.

Uma abordagem possível seria acompanhar o exame de vídeo dos destroços com um mapeamento mais detalhado do local do naufrágio e de todo o material espalhado no fundo do mar. Esse exame, em conjunto com a recuperação seletiva de componentes, poderia ajudar a encontrar algumas respostas. Mas, é claro, a esta altura tudo é incerto.

A Marinha da Indonésia agora deverá se submeter a um autoexame. Por mais que seja provável que o Nanggala tenha apresentado uma falha mecânica ou de equipamento, provavelmente haverá uma revisão dos padrões de treinamento e procedimentos operacionais.


Esta imagem parece mostrar a popa do Nanggala (Imagem: Marinha da Indonésia/EPA).

A força de submarinos da Marinha da Indonésia se expandiu de forma significativa recentemente, passando de duas para cinco embarcações. Houve novos comissionamentos em 2017, 2018 e no mês passado, com a entrada em serviço do primeiro submarino montado no país, o KRI Alugoro.

O Cakra, irmão do Nanggala (e igualmente idoso), que foi submetido a uma recente modernização e reforma, poderá ser examinado cuidadosamente para determinar se há algum problema até então não identificado que pudesse ser uma causa potencial de falhas.

A perda dos 53 marinheiros é uma tragédia não apenas para a Marinha da Indonésia, mas para o país como um todo. A operação com submarinos é uma atividade de alto risco e exige níveis extraordinários de trabalho em equipe e confiança absoluta no profissionalismo de todos a bordo, criando uma cultura profissional muito forte. Assim, não é de se estranhar que em um momento crítico como este se manifeste solidariedade internacional.

Várias nações se prontificaram rapidamente a fornecer assistência e recursos. Além do importante papel desempenhado pelo MV Swift Rescue, o navio de resgate submarino de Singapura, também a Austrália, a Índia, a Malásia, os Estados Unidos enviaram auxílio com rapidez.

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1 comentário

  1. Será que alguem poderia explicar em esquemas as imagens observadas nas fotos? Alguem poderia explicar o que é vela de mergulho? Quais são as partes mais sensíveis do submarino quando em mergulho? Se o submarino se partiu em vários segmentos, não seria interessante trazer à superfície aquelas partes mais sensíveis, nas quais se poderia identificar os problemas do mergulho?

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