Sun Tzu e a Guerra do Paraguai

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Vinio Cintra e Oliveira-3.png Por Vinio Cintra e Oliveira*

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Capa
Passagem e tomada da ponte sobre o arroio Itororó, em 6 de dezembro de 1868. Desenho de Angelo Agostini publicado em A Vida Fluminense nº 53 de 1869 (Imagem: Wikimedia Commons/Domínio Público).

A Guerra do Paraguai, travada entre o Paraguai de Solano López e a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai, dizimou aquele país. Nela se destacaram alguns importantes líderes militares dos três aliados; a guerra terminou 150 anos atrás; mas o que diria Sun Tzu, que viveu há 2.500 anos, a esses líderes, se assistisse ao conflito?


Já dizia 500 anos antes de Cristo o famoso general chinês Sun Tzu, em seus poemas sintetizados no livro A Arte da Guerra que:

O inimigo deve ser isolado, desmoralizado e a força de resistência quebrada, de preferência deve-se vencer seus exércitos sem batalha e lhe derrubar o estado. Recorrer as forças armadas quando e só se não puder domina-lo por outra maneira e no menor espaço de tempo possível, com a mínima perda de vidas e esforço assim vence-lo como o mínimo possível de baixas para si e para o inimigo.”

Tivesse nosso idolatrado general de olhos puxados, que foi lido nestes últimos 2.500 anos por infindáveis gerações de guerreiros de todas as nacionalidades e conotações ideológicas, assistido de camarote à Guerra do Paraguai, diria a alguns de seus protagonistas os versos que escreveu.

Desta forma, ao ditador e tirano Solano López diria que:

  1. As armas são sempre motivo de maus pressentimentos;
  2. A maior das habilidades é vencer o inimigo sem lutar;
  3. A influência moral é o que leva o povo a estar de acordo com seus superiores;
  4. Não permita que os inimigos se juntem;
  5. Um soberano rodeado de pessoas certas prospera, aquele que não conseguir isto cairá na ruína;
  6. A unidade nacional deve ser conseguida graças a um governo de bem-estar do povo e não a sua opressão;
  7. Assim como também disse Li Chuan, “não permita a matança”;
  8. Se não podes vencer não empregue suas tropas e se não estiveres em perigo não combatas;
  9. A invencibilidade está na defesa, a possibilidade de vitória no ataque;
  10. A guerra é um acontecimento tão grave que os homens não devem nela entrar sem antes se preparar com a devida cautela e com profunda reflexão;
  11. A guerra é uma questão vital para o estado, por ser o campo onde se determina a vida ou a morte, o caminho para a glória ou a ruína, é importante estuda-la com muito cuidado em todos seus detalhes;
  12. Gente morrerá porque a comida lhe foi retirada ou impossibilitada de a receber, além disto muitos vão adoecer.
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Aos Aliados diria:

  1. A vitória é o principal objetivo da guerra e se tardar a ser alcançada as armas embotam-se e o moral baixa;
  2. O essencial da guerra é a vitória e não a prolongação das operações;
  3. Quando um exército trava campanhas demoradas as reservas do estado nunca são suficientes e com os cofres esgotados e o ardor esmorecido os vizinhos tiram proveito disto;
  4. Na guerra é importante se tirar proveito da rapidez, pois não há guerra prolongada de que qualquer país se beneficie;
  5. Quando se verificam concentrações de tropas, os preços de todos os artigos sobem já que todos cobiçam os lucros anormais que podem conseguir;
  6. Onde os exércitos estiverem os preços são altos e quando os preços sobem a riqueza do povo se esvai;
  7. Na guerra o ideal é tomar um estado intacto, pois arruinando-o seu valor diminui;
  8. É preferível capturar o exército inimigo a destruí-lo;
  9. Aquele cuja força é insuficiente defende-se e ataca quando sua força é abundante;
  10. Na guerra é de suma importância atacar a estratégia do inimigo, a primeira guerra que se ganha é a da cabeça;
  11. Busque o vazio, ataque nos espaços livres, circunde o que está defendido, golpeie onde não é esperado;
  12. Vencer batalhas e tomar objetivos sem que com isto se explore os acontecimentos é lamentável, um atraso dispendioso;
  13. Quando se equipa um exército de cem mil homens e se envia para uma campanha distante, as despesas compartilhadas pelo polo e pelo tesouro sobem a mil peças de ouro por dia. Haverá nervosismo entre o povo;
  14. O comandante preza acima de tudo a liberdade de ação e odeia situações estáticas, os cercos além de dispendiosos em vidas e tempo levam à abdicação do espírito de iniciativa;
  15. Na guerra os números em si não dão vantagem e agir apenas baseado neles pode ser um engodo;
  16. O general sábio faz a guerra de movimento e para ele o fim da guerra é a vitória e não uma série de operações a conduzir brilhantemente. É de seu conhecimento que as guerras demoradas esgotam o tesouro.

Ao comandante geral dos aliados e presidente argentino General Mitre diria em especial:

  1. O verdadeiro objetivo da guerra é a paz;
  2. Um comandante deve ter sabedoria, coragem, sinceridade, humanidade e exigência;
  3. Lembre-se das implicações econômicas da guerra;
  4. Dirigir muitos é quase igual dirigir poucos, depende de organização;
  5. Aparente inferioridade e provoque a arrogância do inimigo, nunca seja você o arrogante;
  6. Quando sem qualquer prévia troca de impressão o inimigo pede uma suspensão das hostilidades, ele trama alguma coisa, cuidado;
  7. Assim como a água se adapta ao terreno, na guerra há que se adaptar de conformidade com as posições e táticas dos inimigos.

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A todos entretanto vale como ensinamento que quando se assassina um individuo todos concordam que é crime mas quando algum louco, geralmente um tirano, promove o assassinato de uma nação, como ocorreu no Paraguai, ainda há outros loucos, geralmente revisionistas, que não consideram ser errado e até o aplaudem como correto.


Vinio Cintra e Oliveira é médico de profissão e historiador amador. Com especial interesse pela Guerra do Paraguai, possui mais de 400 livros sobre o assunto e esteve diversas vezes em sítios históricos. É autor do livro (ainda não publicado) “A Saga dos Andrade”, no qual narra a história de sua família, com capítulos dedicados ao período Guerra do Paraguai.


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4 comentários sobre “Sun Tzu e a Guerra do Paraguai

  1. oq vcs acham do agorismo? e oq eles tiraram da arte da guerra para criar o livro New Libertarian Manifesto escrito por Samuel Edward Konkin III?

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  2. Bah, mas que artigo de naipe! Adorei. O autor foi muito, mas muito feliz mesmo, ao fazer a relação dos fatos com o pensamento de Sun Tzu.
    Isso me faz um leitor assíduo e interessado nos artigos publicados pelo Velho (e bom) General aos seus assinantes e leitores.
    Muito obrigado ao autor pela maravilha de artigo (isto que se diz “amador”. Imagine se fosse “profissional- catedrático”…).
    Abraços a todos que ajudam a espalhar a boa semente do Velho (e bom) General.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Realmente, o Vinio foi muito feliz neste artigo. Ele é um estudioso e grande conhecedor da Guerra do Paraguai, com uma biblioteca mais de 400 livros sobre o assunto e viagens de pesquisa a locais de batalhas. Muito obrigado por nos acompanhar, um forte abraço!

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