A liderança do capitão

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Entre suas características, o capitão deve aliar capacidade de planejamento, ação, ímpeto, reflexão, experiência e vigor. Não são poucas as responsabilidades daqueles que representam a espinha dorsal da liderança de um exército.


A origem latina da palavra capitão – caput, “aquele que comanda” – sintetiza a importância do posto na estrutura hierárquica de qualquer exército. Não seria exagero afirmar que o valor de uma força militar pode ser em grande parte medido pelo valor de seus capitães.

O capitão alia a experiência de mais de uma década de serviço ativo ao vigor físico decorrente da relativa juventude. Conhece com profundidade a doutrina de emprego de sua arma e já compreende, de forma holística, a interação que deve existir entre todas as especialidades da força terrestre e entre esta e as demais forças armadas e agências estatais.

O capitão é o líder que recebe, nas subunidades da tropa, os jovens tenentes e sargentos, recém egressos das escolas de formação. É o chefe imediato que estabelecerá vínculos afetivos com estes militares, vínculos que vão favorecer um processo de influência interpessoal que complementará a formação dos líderes das pequenas frações e da jovem oficialidade. Servirá de espelho para que estes compreendam, na prática, os desafios e características da profissão militar.

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Também como comandantes de subunidades, são os capitães que recebem, todos os anos, os jovens conscritos que se apresentam para o cumprimento do serviço militar obrigatório. Neste papel, são a face do exército perante as famílias dos recrutas. Suas ações e decisões, sua conduta e exemplo, traduzirão para a sociedade local a experiência daqueles jovens na força terrestre.

São os capitães que ocupam a maior parte dos cargos no estado-maior das unidades. Fazem acontecer os planejamentos, transformando as intenções de seus comandantes em ações. Assessoram com lealdade e com disciplina intelectual. Avaliam os riscos envolvidos. Conhecem a legislação que ampara as ações e limita o emprego da força. Acompanham o desenrolar das ações se fazendo presentes na área de operações.

Por tudo que foi dito, é necessário que os capitães exerçam uma forte liderança. Para isto, devem encarnar os três pilares básicos da liderança militar: a proficiência profissional, sintetizada pelo “saber fazer”, o senso moral, retratado pela absoluta retidão do comportamento, e a atitude adequada, qual seja a iniciativa constante de agir sempre que se fizer necessário.

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Figura 1: Pilares da Liderança Militar.

Pilares que sustentam uma liderança calcada em crenças e valores tais como honra, honestidade, verdade, justiça, respeito, lealdade, integridade, patriotismo, espírito de corpo e disciplina. E também no contínuo auto-aperfeiçoamento, que engloba não só os conhecimentos técnico-profissionais e o cuidado com o vigor físico necessário, mas também o engenho e a arte da liderança.

A leitura constante e crítica de biografias de grandes líderes militares, de relatos de batalhas e de artigos especializados em muito auxiliará o capitão no entendimento de como efetivamente exercer a liderança que se espera dele.

Vê-se, portanto, que não é pequena a responsabilidade que se impõe ao capitão. Homem do planejamento e da ação, do ímpeto e da reflexão, da experiência e do vigor, constitui a espinha dorsal da liderança de um exército.

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*Paulo Roberto da Silva Gomes Filho é Coronel de Cavalaria do Exército Brasileiro. Foi declarado aspirante a oficial pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) em 1990. É especialista em Direito Internacional dos Conflitos Armados pela Escola Superior de Guerra (ESG) e em História Militar pela Universidade do Sul de Santa Catarina;  possui mestrados em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME) e em Defesa e Estratégia pela Universidade Nacional de Defesa, em Pequim, China. Foi instrutor da AMAN, da EsAO e da ECEME. Comandou o 11º RC Mec sediado em Ponta Porã/MS. É autor de diversos artigos sobre defesa e geopolítica e atualmente exerce a função de assistente do Comandante de Operações Terrestres, além de ser o gerente do Projeto Combatente Brasileiro (COBRA). E-mail: paulofilho.gomes@eb.mil.br.


 

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