Morte de Suleimani: como foi o ataque?

Albert-VF1 Por Albert Caballé Marimón*

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Imagem publicada pelo escritório de mídia das forças de operações conjuntas do exército iraquiano mostra um veículo destruído após ataque dos EUA em 3 de janeiro de 2020 próximo ao aeroporto internacional de Bagdá, no qual Qassem Soleimani foi morto (Foto: AFP).

Na última sexta-feira um ataque americano em Bagdá matou o iraniano Qassem Suleimani, comandante da Força Quds. A operação elevou as tensões no Oriente Médio, e o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, prometeu vingança.

De acordo com a Gulf News, Soleimani costumava entrar e sair do Iraque com certa regularidade, o que pode ter facilitado o trabalho da inteligência americana.

Soleimani e oficiais das milícias apoiadas pelo Irã estavam saindo do aeroporto de Bagdá em dois carros no início da sexta-feira, quando foram atingidos por uma série de ataques aéreos dos EUA perto de uma área de carga. Suleimani estaria vindo do Líbano ou da Síria. Quatro mísseis teriam atingido o comboio.

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Área do ataque e o ponto provável onde ocorreu (Adaptação com dados do Google Maps).

Até este momento os EUA não forneceram detalhes do planejamento e execução da operação de ataque; no entanto, analistas concordam que ele provavelmente foi realizado empregando mísseis lançados por uma ou mais aeronaves não tripuladas (drones).

O MQ-9 Reaper

Diversas fontes indicam que teria sido utilizado o General Atomics MQ-9 Reaper, uma aeronave armada, multimissão, de média altitude e grande autonomia, pilotada remotamente e empregada principalmente contra alvos dinâmicos e, secundariamente, na coleta de informações.

Dada sua significativa autonomia, sensores de amplo alcance, suíte de comunicações multimodo e armas de precisão, ele possui capacidade única de realizar ataques, coordenação e reconhecimento contra alvos de alto valor, fugazes e sensíveis ao tempo.

Acredita-se que a operação tenha sido supervisionada pela CIA. A Força Aérea dos EUA normalmente opera o MQ-9 a partir da base de Creech, no estado de Nevada, e alguns pilotos são destacados para a CIA em Langley, na Virgínia. No entanto, segundo o Washington Examiner, o ataque teria sido realizado a partir do Comando Central dos EUA no Qatar.

Ainda de acordo com o Washington Examiner, David Deptula, tenente-general da reserva da USAF, disse que o MQ-9 Reaper “é o sistema de armas perfeito para este tipo de trabalho”, destacando a “capacidade do poder aéreo de projetar energia precisa, oportuna e letal”.

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O MQ-9 Reaper (Gráfico: adaptação com imagens e dados do The Guardian e da USAF).

O Hellfire

Diversas fontes na mídia nacional e internacional indicam que o míssil empregado seria o Hellfire, que é parte da suíte de armamentos disponível para o MQ-9 Reaper. Quando o comboio de Suleimani seguia pela estrada de acesso do aeroporto, teria sido atingido por quatro mísseis Hellfire que destruíram completamente os veículos e seus ocupantes.

O Hellfire AGM-114 é um míssil ar-superfície originalmente desenvolvido para uso contra blindados. O Hellfire produz uma poderosa explosão, característica desejada no combate convencional, mas que se transforma num problema no contraterrorismo, onde a explosão da ogiva pode ferir ou matar civis próximos.

De acordo com a Popular Mechanics, a “zona de perigo” em torno do ponto de impacto do Hellfire seria de aproximadamente 220 m de raio, um problema quando se procura evitar baixas civis.

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Hellfire RX9 (Imagem: adaptação com base em imagem no GlobalSecurity.org).

Em maio de 2019, foi divulgado em veículos da imprensa americana, entre eles o The Wall Street Journal, que a CIA havia desenvolvido uma nova variante do Hellfire, a R9X, que emprega um sistema de seis lâminas que se destacam com o impacto, produzindo cortes através do alvo especificado, reduzindo o impacto no ambiente. As lâminas são lançadas em várias direções momentos antes do impacto. A energia cinética do míssil, combinada com as seis lâminas, é suficiente para matar qualquer pessoa dentro do seu alcance. Ainda de acordo com a Popular Mechanics, o míssil teria uma zona 100% letal de cerca de trinta polegadas (76 cm).

Segundo a Gulf News, a variante R9X foi empregada no ataque contra Suleimani. Esta versão já teria sido utilizada também nos contra Jamal Ahmad Mohammad Al Badawi, acusado de ser o mentor do atentado ao USS Cole, e contra o líder da Al Qaeda, Abu Khayr Al Masri, entre outros.

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Referências


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*Albert Caballé Marimón possui formação superior em marketing, é fotógrafo profissional e editor do blog Velho General. Já atuou na cobertura de eventos como a Feira LAAD, o Exercício CRUZEX e a Operação Acolhida. É colaborador da revista Tecnologia & Defesa e do Canal Arte da Guerra, onde, entre outras atividades, mantém uma resenha semanal de filmes e documentários militares. Pode ser contatado através do e-mail caballe@gmail.com.


 

3 comentários sobre “Morte de Suleimani: como foi o ataque?

  1. Um ataque fulminante, cujas consequências ainda não temos como mensurar com toda a precisão. De todo modo, a cobertura de primeira categoria do Velho General está aqui para guiar o leitor a uma análise abalizada e concisa dos acontecimentos. Forte abraço!

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