6ª Olimpíada de História Militar da AFA

Cel Calaza.png Por Claudio Passos Calaza*

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Foto oficial das equipes vencedoras da 6ª Olimpíada de História Militar e Aeronáutica da AFA (Foto: AFA/Organização)


Conforme divulgado pelo Blog Velho General e Canal Arte da Guerra, nos dias 20 e 21 de novembro de 2019 a Academia da Força Aérea, com o apoio do Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica (INCAER) e da Fundação Habitacional do Exército-POUPEX, realizou a sexta edição da Olimpíada de História Militar e Aeronáutica, uma vibrante competição de conhecimentos entre os alunos das escolas de formação superior das Forças Armadas. A edição deste ano contou com a participação de 44 alunos de 4 escolas militares (AFA, AMAN, ITA e APMBB)*, agrupados em 11 equipes, que tradicionalmente adotam o nome de um personagem histórico como patrono.

A abertura do evento ocorreu na tarde do dia 20, feita pelo brigadeiro David Almeida Alcoforado, comandante da AFA, que deu boas-vindas às comitivas visitantes e destacou a importância do estudo da História Militar na formação dos futuros oficiais. O brigadeiro David enfatizou ainda que as competições educacionais têm o poder de potencializar a autonomia didática, a habilidade do trabalho em equipe e a formação para a liderança, contribuindo para a revelação de talentos intelectuais. Acrescentou que o ambiente acadêmico militar, por suas características de meritocracia e de estímulo à competitividade, tende a ser um campo propício para tal iniciativa.

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Para formular as questões e avaliar as diversas provas, a Olimpíada da AFA constitui anualmente uma banca examinadora composta por 8 oficiais e professores selecionados por seus notórios saberes e titulações em História Militar. Este ano, a banca examinadora foi presidida pelo coronel da reserva do Exército Brasileiro Cláudio Luiz de Oliveira, um ex-comandante do Colégio Militar do Rio de Janeiro e que hoje trabalha como pesquisador no Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército. Outro importante membro da banca é o coronel Carlos Roberto Daroz, autor de diversos livros, dentre eles, o notabilizado “Bruxas da Noite” que conta a história das aviadoras soviéticas na 2ª Guerra Mundial.


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O evento contou com projeção de vídeo institucional do Comandante Farinazzo, editor do Canal Arte da Guerra e entusiasta de História Militar (Foto: AFA/Organização)


Conforme a programação, a palestra de abertura foi sobre “A Guerrilha do Araguaia”, apresentada pelo professor Hugo Studart, da Universidade de Brasília (UnB), que se tornou a maior referência no assunto a partir de seus livros “A Lei da Selva” e “Borboletas e Lobisomens”. O último, além de ter sido um sucesso editorial e indicado para diversos prêmios, inclusive o Prêmio Jabuti 2019, causou impacto em setores da Esquerda, ao revelar a existência do caso dos “mortos vivos” do Araguaia.

Trata-se de 7 guerrilheiros dados como mortos, mas que foram poupados por terem feito delações e colaborado com as tropas do Exército Brasileiro. Acabaram por receber novos documentos e, inclusive, emprego e outros amparos, para que pudessem reiniciar suas vidas sob novas identidades. A questão foi que seus nomes originais resultaram em polpudas indenizações e pensões para seus familiares como vítimas da repressão do Regime Militar, tudo inserido no fenômeno da indústria de reparações dos perseguidos políticos.

LIVRO RECOMENDADO:

Borboletas e Lobisomens: Vidas, Sonhos e Mortes dos Guerrilheiros do Araguaia

  • Hugo Studart (Autor)
  • Em português
  • Capa Comum

A palestra do professor Hugo na AFA foi, conforme esperado, um sucesso. Ele logrou fazer uma apresentação vibrante e, ao mesmo tempo, bastante didática sobre a história do conflito. Destacou aspectos interessantes e comoventes sobre as operações militares, bem como sobre a trajetória e ideário dos jovens guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PC do B), que, movidos por ideologias radicais, buscavam um Brasil melhor, segundo suas convicções. Pensavam iniciar uma grande revolução a partir das florestas do Araguaia, sobrepujando o grande e preparado Exército Brasileiro, mas sucumbiram pela total falta de preparo e inconsequência, sendo completamente abandonados, inclusive pelas suas lideranças.

Durante os dois dias da Olimpíada, os “combatentes” da História Militar enfrentaram acirradas provas de conhecimentos que envolviam temas navais, terrestres e da aviação, em um recorte temporal que partia da Antiguidade até os dias atuais. A Olimpíada é disputada em quatro fases. A terceira fase envolve uma pesquisa e apresentação de um tema pelas três equipes finalistas. O tema escolhido para este ano foi “Guerra Irregular e Assimétrica”. Uma coincidência com o tema da palestra de abertura. A última etapa inclui baterias quiz de pronta reposta oral, com questões gradativamente complexas.

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TABELA 1 – Histórico das Olimpíadas de História Militar e Aeronáutica


A novidade deste ano foi a presença da Academia de Polícia Militar do Barro Branco, que participou com a Equipe “Brigadeiro Tobias de Aguiar”, que acabou totalizando 646 pontos e faturando a medalha de prata. O terceiro lugar, com 598 pontos, ficou com a Equipe “Ten-Cel Villagran Cabrita”, da AMAN que, pela primeira vez nessas Olimpíadas, levou ao pódio uma integrante do sexo feminino, a cadete Layanne Zatta Capelle de Andrade. A equipe vencedora deste ano foi da AFA, que há mais de dois anos não vencia a competição. A Equipe “Shogun Ieyasu Tokugawa”, que levou a medalha de ouro ao atingir 673 pontos, foi formada pelos cadetes Rômulo Rebello Quedinho, João Pedro Conter Pinheiro, Danillo Richard Souza Silva e Juann Alves da Fonseca. O primeiro é cadete do quarto ano do curso de aviadores. Pinheiro e Richard pertencem ao 3º ano do curso de Infantaria da Aeronáutica, enquanto o cadete Juann está no primeiro ano do curso de Intendência.

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As Olimpíadas de História Militar da AFA começaram no ano de 2014, e seu principal idealizador é o coronel da reserva Claudio Passos Calaza, professor da disciplina de História Militar em Pirassununga. Seu objetivo era estimular o estudo da História Militar e da Cultura Aeronáutica valendo-se do lúdico como estratégia educacional. Inicialmente era apenas uma competição interna entre os cadetes da AFA mas, em pouco tempo, a iniciativa educacional ganhou vulto e já em 2016 passou a incluir a Escola Naval, a AMAN e a EsPCEx. No ano passado, o ITA ingressou na disputa, e sagrou-se campeão em sua primeira Olimpíada.

A VII Olimpíada, que ocorrerá no ano de 2020, ainda não tem data marcada, aguardando definição de uma melhor data no calendário escolar da AFA.

*Excepcionalmente neste ano, a Escola Naval e a Escola Preparatória de Cadetes do Exército não se fizeram presentes devido à incompatibilidade da data com seus calendários escolares que coincidiram com os períodos de provas finais.


*Claudio Passos Calaza é coronel da reserva da Força Aérea Brasileira. Graduado em Odontologia pela Faculdade de Odontologia de Valença (1984), com Mestrado em Ciências Aeroespaciais pela Universidade da Força Aérea (2007), possui Especialização em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilofacial pela UNICAMP e em História Militar pela UNISUL. Atua como docente de Disciplina de História Militar da Academia da Força Aérea. É oficial orientador do Núcleo de Estudos Avançados de Geopolítica da AFA (NEAG-AFA).


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