Quinze Fatos sobre o Sopwith Camel

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Albert-VF1 Por Albert Caballé Marimón

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Sopwith Camel (War History Online)


Artigo originalmente publicado por Andrew Knighton no WHO – War History Online, traduzido e adaptado por Albert Caballé Marimón


SGA-2019-Selo-100pxTaxa de Vitórias

O Sopwith Camel, o mais famoso caça da britânico da Primeira Guerra Mundial, também foi o mais efetivo caça de toda a guerra. Os Camels destruíram mais de 3.000 aviões inimigos – mais do que qualquer outra aeronave da Primeira Guerra Mundial.

Um Projeto Evolutivo

A Sopwith Aviation Company já havia sido responsável por alguns dos caças mais bem-sucedidos da Grã-Bretanha, e o Camel foi construído com a experiência desses projetos. Ele foi particularmente influenciado pelo Sopwith Triplane e pelo Sopwith Pup, seus antecessores mais óbvios.

Eram os primórdios do combate aéreo e os projetistas estavam aprendendo lições a um ritmo incrível, o que fazia com que os aviões se tornassem obsoletos e fossem substituídos em poucos meses. Nenhum deles ficou no topo por mais do que um ano.


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Sopwith Camel F.1 do Royal Flying Corps no período de 1914-1916 (História da Guerra Online)


Captura de Tela 2019-07-16 às 10.30.41.jpg RECOMENDADO: Manfred von Richthofen – O Barão Vermelho – A biografia do piloto mais famoso da Primeira Guerra Mundial

  • J. Eduardo Caamaño Justo (Autor)
  • Em português
  • eBook Kindle

Um Voo Desafiador

O Camel era um avião desafiador para pilotar, por dois motivos.

Em primeiro lugar, os controles eram muito sensíveis pelos padrões da época. Isso dava aos pilotos experientes muito mais capacidade para fazer manobras impressionantes, mas também significava que pequenos erros poderiam ter um efeito mortal.

Em segundo lugar, o motor, o armamento, o combustível e o piloto estavam posicionados nos sete pés dianteiros do avião, o que lhe dava um centro de gravidade muito voltado para a frente. Isso facilitava as curvas, mas também as quedas.

Juntas, essas características tornavam o Camel implacável com aprendizes descuidados, e ele ganhou a reputação de eliminá-los através de acidentes fatais.


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Sopwith Camel no Centro de Produção de Serviços Aéreos Nº 2, Aeródromo de Romorantin, França, 1918 (War History Online)


Primeiro Voo

O primeiro voo de um protótipo do Camel ocorreu em 26 de fevereiro de 1917 no aeródromo de Brooklands em Surrey.

Em Ação

O Camel entrou na guerra antes dos pilotos britânicos serem combinados em uma única força. As primeiras unidades da aeronave foram entregues em junho de 1917 ao Esquadrão Nº 4 da RNAS (Royal Naval Air Service, Serviço Aéreo da Marinha Real), que voava de Dunquerque.

Primeiras Vitórias

O RNAS rapidamente fez bom uso de suas novas máquinas. Em 4 de junho, o Comandante de Voo A. M. Shook conseguiu a primeira vitória com um Camel, derrubando uma aeronave alemã sobre o mar. No dia seguinte, ele teve mais duas prováveis vitórias durante um duelo com um esquadrão de 15 alemães.

O RFC (Royal Flying Corps, Corpo Aéreo Real, em tradução livre) recebeu seus primeiros Camels logo depois. Sua primeira vitória com um Camel foi conseguida em 27 de junho pelo capitão C. Collett.


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Sopwith Camel F.1 (War History Online)


Curva à Direita

Uma das características mais marcantes do Camel era um giro incrivelmente rápido à direita. Isso vinha de uma combinação do peso à frente do avião e do torque de seu poderoso motor rotativo. Era uma característica única deste caça.

Os pilotos fizeram grande uso dessa característica para ganhar vantagem sobre os oponentes. Em algumas situações eles chegavam a fazer uma curva de 270° à direita ao invés de uma curva de 90° para a esquerda.

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Essa capacidade vinha com uma desvantagem. O torque do motor dava ao nariz do avião uma tendência a virar abruptamente para baixo durante uma curva à direita. Por outro lado, tendia a subir durante uma curva à esquerda. A primeira tendência era muito mais perigosa para os pilotos e era mais uma razão pela qual o Camel era tão implacável para um piloto não qualificado.


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Camels sendo preparados para uma surtida (War History Online)


Velocidade

O Camel tinha uma boa velocidade, comparável a muitas outras máquinas de guerra recentes da época. Sua velocidade máxima era de cerca de 117 milhas por hora.


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Sopwith Camel F.1 (NiD.29 – CC BY-SA 4.0)


Ganhando Altura

O Camel podia subir a 10.000 pés em dez minutos e meio, e seu teto máximo era de 19.000 pés.

Captura de Tela 2019-07-16 às 10.30.56.jpg RECOMENDADO: Captain Roy Brown – A True Story of the Great War, 1914-1918

  • Alan Bennett (Autor)
  • Em inglês
  • eBook Kindle

Armamento

O principal armamento do Camel eram duas metralhadoras Vickers de 7,7 mm. Elas eram montadas no nariz, usando um equipamento de sincronização para disparar sem atingir o hélice.

Como muitos caças da Primeira Guerra Mundial, o Camel também podia carregar bombas – quatro bombas de 25 libras carregadas sob o corpo do avião.


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Sopwith Camel decolando (Foto: Phillip Capper/CC BY 2.0)


Maiores Batalhas

O Camel participou de alguns dos mais notáveis combates aéreos da guerra.

Em 24 de março de 1918, durante a Batalha de Cambrai, o capitão J. L. Trollope destruiu seis aviões inimigos em um dia.

Em 21 de abril de 1918, o piloto canadense Roy Brown levou um Camel a um combate contra os alemães, incluindo o “Barão Vermelho”, Manfred von Richthofen. O Barão Vermelho era o maior ás alemão da guerra, o homem que havia definido o combate de caças. Ele foi morto durante esta batalha e Brown é uma das pessoas que receberam crédito pela vitória.

Em 4 de novembro de 1918, apenas uma semana antes do armistício, os Camels participaram do maior dogfight da guerra, enfrentando 40 caças alemães Fokker D. VII. Entre eles, pilotos de Camel dos Esquadrões Nº 65 e 204 reivindicaram dez vitórias, onze inimigos fora de combate, e um forçado a aterrissar.


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Sopwith Camel no Museu de Aviação da Austrália Ocidental (Foto: Hugh Llewelyn / CC BY-SA 2.0)


Variantes

Diversas variantes foram construídas em torno do design padrão do Camel.

A mais bem sucedida foi uma versão com cauda removível, para facilitar o armazenamento em porta-aviões. Este modelo permaneceu em uso até depois do final da guerra.

Foi construído um protótipo de uma versão de ataque ao solo, com canhões Lewis voltados para baixo para atacar a infantaria inimiga. Nunca entrou em produção.


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Restos de Sopwith Camel no Light Horse and Field Artillery Museum, na Austrália (Foto: Bukvoed/CC BY 2.5)


Captura de Tela 2019-07-16 às 10.31.09.jpg RECOMENDADO: Sopwith Camel

  • Jon Guttman (Autor), Simon Smith, Harry Dempsey, Richard Chasemore e Peter Bull (Ilustradores)
  • Em inglês
  • eBook Kindle

Experiências com Dirigíveis

Os militares estavam interessados em proporcionar aos dirigíveis uma melhor proteção contra ataques de caças. Assim, foram feitas tentativas de fazer com que eles transportassem caças. O Airship R.23 foi equipado com uma estrutura a partir da qual um Camel podia ser lançado, mas este conceito não foi além da fase de testes.


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Dirigível HMA R.23 com Sopwith Camel (War History Online)


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Sopwith Camel 2.F1 suspenso no dirigível R23 antes de um voo de teste (War History Online)


Todos os Camels

No total, cerca de 5.500 Camels foram construídos.

Uso Internacional

Além de ter sido pilotado por britânicos nas Frentes Ocidental e Oriental, o Camel foi usado por vários outros países. Estados Unidos, Bélgica, Canadá, Grécia e Rússia também utilizaram esta excelente máquina voadora.


 

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  6 comments for “Quinze Fatos sobre o Sopwith Camel

  1. 18/07/2019 às 01:42

    Suspender aeronaves de caça sob dirigíveis: eis algo que nunca havia imaginado. E que história fantástica a deste pequeno “Camelo Voador” britânico. E sempre virando à direita! (a rotação da hélice do motor para este lado fazia toda a diferença)

    Curtido por 2 pessoas

  2. Rafael M. F.
    19/07/2019 às 20:15

    Estou lendo o livro do Caamaño (edição espanhola, comprei assim que foi lançado). Um relato detalhado da vida e do tempo de Richthofen, não deixando de lado nem seus aspectos mais sombrios.

    Curiosidade: Eduardo Caamaño nasceu no Rio de Janeiro, e não é historiador de formação, é economista. Escreveu talvez a obra mais completa sobre a vida do Barão Vermelho.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Rafael M. F.
    20/07/2019 às 16:22

    A rapaziada da Marinha que treinou na Inglaterra em 1918 não voou o Camel?

    Curtido por 1 pessoa

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