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Capa-2

Painel representativo da Batalha de Sekigahara.

No final do século XVI, o Japão vivia um regime feudal em que o Imperador era um mero fantoche, dominado pelos líderes militares mais poderosos. Próximo ao final do século, Oda Nobunaga conseguiu consolidar o controle sobre grande parte do Japão, até ser traído por Akechi Mitsuhide em 1582. Sob ataque no castelo de Kyoto, Nobunaga foi morto. Toyotomi Hideyoshi, um dos mais importantes generais de Nobunaga, derrotou Akechi Mitsuhide na batalha de Yamazaki, na fronteira entre as províncias de Settsu e Tamashiro.

Na disputa pela herança do poder de Oda Nobunaga que se sucedeu, o chefe do clã Oda, Shibata Katsuie, apoiou o filho mais velho, Oda Nobutaka, como sucessor. Hideyoshi apoiou o filho mais novo, Oda Hidenobu, fortalecendo a posição deste e aumentando sua própria influência no clã.

A disputa entre Katsuie e Hideyoshi culminou na Batalha de Shizugatake no ano seguinte, da qual Hideyoshi saiu como vencedor e consolidou seu próprio poder, tomando controle sobre o clã Oda. Toyotomi Hideyoshi morreu em 1598. Seu filho e herdeiro, Toyotomi Hideyori, tinha apenas cinco anos; por isso, pouco antes de morrer, Hideyoshi criou um conselho de regentes, formado pelos cinco daimyos mais poderosos, que deveria governar até a maioridade de Hideyori.

O próprio Conselho passou a originar intrigas e disputas, e o vácuo de poder resultante acabou opondo duas facções: de um lado, uma coalizão liderada por Ishida Mitsunari e, de outro, um dos mais poderosos daimyos, Tokugawa Ieyasu, ambos membros do Conselho.

Ishida Mitsunari era mais conhecido por suas habilidades políticas que militares. Não era respeitado pelos demais generais; participou da campanha da Coréia, mas, embora avaliado como capaz de lutar e comandar tropas, não era percebido como um bom tático ou estrategista. Sem tradição guerreira, muitos o consideravam “um civil que se intrometia em assuntos militares”. No entanto, sendo ele um político hábil, com seu apoio a Hideyori, herdeiro de Hideyoshi, conseguiu atrair muitos dos ex-aliados do velho líder para sua facção.


Ishida Mitsunari.

A aliança de Ishida incluía clãs guerreiros conhecidos, tais como Mori de Choshu, Kobayakawa, Kikkawa, Ukita e Shimazu de Satsuma. A maior parte destas famílias estava estabelecida no oeste do Japão, por isso as forças de Ishida são conhecidas como “Exército Ocidental”. Teria reunido cerca de 80.000 homens.

Em contraste, Tokugawa Ieyasu era extremamente respeitado em termos de experiência, posição e influência. Era o mais poderoso proprietário individual de terras no Japão e possuía uma carreira militar de grande reputação.

Apoiado por seu clã Matsudaira e grandes generais como Ii Naomasa, Ieyasu fez alianças com outras famílias poderosas como os Kato, os Hosokawa e os Kuroda. Sua base ficava na região leste do Japão e por isso suas forças, que contariam por volta de 74.000 homens, são comumente chamadas de “Exército Oriental”.


Tokugawa Ieyasu.

Aos 58 anos e tendo sobrevivido a uma vida de batalhas e campanhas, Ieyasu era tido como um grande estrategista.

Ieyasu deixou o Conselho de Regentes em Osaka para supostamente defender seus domínios da ameaça de um vizinho. Imediatamente, Ishida e seus aliados prepararam um ataque surpresa à sua retaguarda. Porém Ieyasu tinha uma rede de espiões muito bem montada que o mantinha sempre bem informado. Partiu então de Edo, simulando um ataque a seu vizinho ao norte, mas subitamente, virou o corpo principal de suas tropas para oeste, frustrando Ishida.

Movendo-se rapidamente e contando com o elemento surpresa, Ieyasu bloqueou as estradas para Edo e tomou os castelos de Gifu e de Konosu. Enquanto isso, Ishida permanecia no castelo de Ogaki, atrasado num cerco ao castelo de Fushimi, ao sul de Kyoto. A velocidade de Ieyasu surpreendeu Ishida, que ficou ainda mais confuso com desinformações espalhadas por espiões de Ieyasu dando conta que ele atacaria a fortaleza de Ishida em Sawayama, a oeste de Sekigahara.

Ishida sabia que isto abriria caminho para Kyoto e Osaka, e decidiu deixar o castelo de Ogaki para defender a passagem em Sekigahara e bloquear os movimentos do inimigo. Mas isso era exatamente o que Ieyasu esperava. Para piorar a situação de Ishida, a marcha de suas tropas ocorreu sob forte chuva.


Diagrama da Batalha de Sekigahara.

Na manhã de 21 de Outubro de 1600, enquanto a maioria dos soldados de Ishida tentava secar suas roupas, um denso nevoeiro limitava a visibilidade em poucos metros. Às oito da manhã, quando o nevoeiro se dissipou, as forças de Ishida e Ieyasu deram de cara uns com os outros. A vanguarda do exército de Ieyasu tomou a iniciativa e atacou o centro da linha de Ishida. Ouviram-se alguns mosquetes, mas, por causa da chuva, a pólvora úmida impediu muitos mosqueteiros de recarregar as armas. A batalha continuou por toda a manhã.

O Exército Oriental conseguiu avançar um pouco no flanco norte, onde Ishida tinha seu posto de comando, mas o sul da linha estava fortemente defendido pelo general Otani; se ele resistisse, Ishida venceria a batalha.

O ponto de virada ocorreu depois do meio-dia. Não tendo entrado em combate até então, Kobayakawa, aliado de Ishida, observava o desenrolar dos fatos do alto de uma colina acima do sul da linha. Ishida enviava mensagens desesperadas para aliviar a pressão, atacando o Exército Oriental pela retaguarda.

Ieyasu também observava. Se as forças de Kobayakawa o atacassem, ele muito provavelmente seria derrotado. Contudo, seus espiões mais uma vez agiram antes da batalha, convencendo Kobayakawa a trair Ishida. Incentivado por uma carga de mosquetes disparada contra ele por ordem do próprio Ieyasu, Kobayakawa atacou o flanco sul de Ishida; houve também outras deserções em favor de Ieyasu, e Otani, diante da derrota iminente, cometeu suicídio ritual.

Perdendo o flanco sul, Ishida percebeu que a derrota era inevitável. A maior parte de suas forças, inclusive ele próprio, fugiu para o Monte Ibuki. Apenas o general Shimazu continuou lutando contra as tropas de Ii Naomasa. No final, Shimazu também reconheceu a derrota e resolveu deixar o campo de batalha. Sua única opção de fuga era atacar o centro da linha de Ieyasu e seguir para a estrada de Ise. Para confundir o inimigo, trocou de capacete com seu sobrinho e conseguiu retornar a Kyushu com oitenta homens restantes.


Os Demônios Vermelhos de Li Naomasa.

Três dias depois, Ishida foi capturado e executado com outros líderes do Exército Ocidental próximo a Kyoto. Ieyasu precisou ser impedido de se vingar do próprio filho, que chegou com seus 38.000 homens apenas após o término da batalha.

Tokugawa Ieyasu redistribuiu feudos, recompensando seus aliados, e puniu ou exilou seus inimigos. Após a execução pública de Ishida Mitsunari e outros líderes, a influência e reputação do clã Toyotomi diminuiu drasticamente.

Imediatamente ao seu término, a Batalha de Sekigahara foi considerada apenas como mais uma etapa na luta por poder entre os daimyos; somente em 1603, quando Tokugawa Ieyasu foi nomeado xogum, sua importância foi percebida.

A batalha de Sekigahara foi um dos últimos passos no longo processo de unificação do Japão. A vitória de Tokugawa Ieyasu consolidou sua liderança incontestável. Três anos depois, ele se tornou o primeiro xogum em 150 anos a exercer o poder de fato. Seus descendentes continuaram no poder por mais de 260 anos, quando, no início da Era Meiji em 1868, o Japão se abriu para o mundo.

Curiosidades

  • Diz-se que Miyamoto Musashi, então com 16 ou 17 anos de idade, teria participado da batalha ao lado das forças de Ishida. De acordo com relatos, seus feitos se destacavam e eram conhecidos por soldados de ambos os lados. No entanto, não há provas de sua presença, e o próprio Musashi é vago sobre isso, tendo escrito apenas que participou de “mais de seis batalhas” desde a juventude;
  • Apesar da forte tradição samurai, nessa época já havia alguns daimyos convertidos ao cristianismo. Em Sekigahara, lutando ao lado de Ishida, os daimyos cristãos acabaram derrotados por Tokugawa Ieyasu;
  • Hoje é possível visitar o campo de batalha de Sekigahara. No local há sinalizações mostrando o local dos acampamentos de Ishida, Tokugawa e outros líderes e o posicionamento das tropas durante a batalha.

Referências

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