
EUA e Israel adotam estratégia de desgaste prolongado contra o Irã, com ataques aéreos sustentados e buscando apoio de forças proxy curdas e balúchis para uma ofensiva terrestre indireta, enquanto Teerã rejeita negociações e afirma estar preparada para resistência total.
Introdução
A guerra no Golfo entrou em uma fase de adaptação estratégica. Estados Unidos e Israel decidiram reduzir o ritmo dos ataques para sustentar uma campanha prolongada, enquanto avaliam formas de pressionar o Irã sem recorrer a uma invasão convencional. Nesse contexto, cresce a discussão sobre o uso de forças proxy, especialmente curdos e balúchis, como vetores de uma ofensiva terrestre indireta. Ao mesmo tempo, Teerã afirma estar preparada para enfrentar qualquer incursão e rejeita negociações com Washington. A disputa militar, política e territorial se entrelaça, abrindo espaço para cenários de guerra híbrida e insurgência regional.
Desenvolvimento
Os EUA e Israel ajustaram a intensidade da campanha aérea, visando manter operações por mais tempo. Esse movimento indica que a estratégia não depende de um choque inicial devastador, mas de desgaste contínuo e criação de condições favoráveis para ações subsequentes.
Podemos observar no Mapa 1, divulgado pelo Pentágono, a sequência de ataques aéreos nas primeiras 100 horas da operação, visualizando como Washington e Tel Aviv neutralizaram defesas iranianas, estabeleceram superioridade aérea e degradaram infraestrutura militar crítica. A lógica operacional mostra que a campanha foi desenhada para abrir janelas prolongadas de liberdade de ação, essenciais para o apoio indireto a forças terrestres aliadas.

Com a superioridade aérea consolidada, os EUA passaram a concentrar ataques em regiões de maioria curda no noroeste do Irã. Essa escolha não é aleatória. Trata-se de uma área onde grupos curdos possuem presença organizada, histórico de resistência e capacidade de operar em terreno montanhoso favorável à guerrilha. Donald Trump reforçou essa direção ao oferecer apoio aéreo direto aos curdos iranianos e afirmar que eles precisam escolher um lado.
No Mapa 2 observamos a distribuição étnica do Irã, ajudando a visualizar a localização estratégica dessas minorias. As áreas curdas no noroeste e as áreas balúchis no sudeste formam bolsões de vulnerabilidade interna que podem ser explorados por potências externas.

A concentração de ataques americanos nessas regiões enfraquece posições iranianas e reduz a capacidade de Teerã de responder a uma eventual insurgência curda.
O Mapa 3 apresenta possíveis eixos de ataque terrestre, evidenciando como essas zonas curdas e balúchis formam corredores naturais para operações insurgentes.

As rotas destacadas convergem em direção ao interior do país, incluindo trajetórias que levam a Teerã, mostrando por que essas minorias são consideradas peças estratégicas em qualquer plano de guerra indireta.
Além dos curdos, os balúchis representam uma segunda via potencial. Localizados no sudeste do Irã, em uma região marcada por pobreza, marginalização e insurgência histórica, eles já conduzem ataques esporádicos contra as forças iranianas. Uma promessa de autonomia ou independência poderia desencadear uma insurreição de maior escala, criando uma frente terrestre adicional e obrigando Teerã a dividir recursos militares.
O Irã, por sua vez, afirma estar preparado para qualquer tentativa de invasão indireta. O chanceler Abbas Araghchi declarou que o país não busca cessar-fogo nem negociações com os Estados Unidos, acusando Washington de atacar o Irã durante processos diplomáticos anteriores. A mensagem é de resistência total. Enquanto isso, o custo da guerra para os EUA já se aproxima de um bilhão de dólares por dia, pressionando Washington a buscar alternativas mais baratas e sustentáveis, como o uso de proxies locais.
Considerações finais
A possibilidade de uma ofensiva terrestre indireta contra o Irã é real e está sendo moldada por ações no terreno. O uso de curdos e balúchis permitiria aos EUA e a Israel abrirem frentes internas sem assumir o ônus político e militar de uma invasão convencional. A concentração de ataques em áreas curdas e a lógica dos eixos insurgentes sugerem preparação deliberada para esse tipo de operação. No entanto, essa estratégia depende da disposição desses grupos em enfrentar o regime iraniano, da capacidade de Teerã de reagir e dos custos crescentes para Washington.
No curto prazo, o cenário mais provável é a continuidade de ataques aéreos prolongados combinados com estímulo a insurgências regionais. Mas, se o Irã demonstrar fragilidade interna ou se a guerra se estender, a opção de proxies armados pode se tornar o eixo central da estratégia americana e israelense.









