Incidente de Leipzig: Operação de Bandeira Falsa?

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Imagem meramente ilustrativa, gerada por inteligência artificial.

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Incidente de Leipzig: entre acusações sem provas, a hipótese de uma operação de bandeira falsa e a marcha da Alemanha rumo à economia de guerra, a escalada contra a Rússia pode transformar um episódio obscuro em uma crise de proporções imprevisíveis.


A Alemanha atribuiu à Rússia a responsabilidade pelo incidente ocorrido no mês passado em Leipzig, quando um drone carregado de explosivos foi encontrado no pátio do aeroporto, próximo a aviões cargueiros ucranianos; outro teria colidido com um avião de carga durante a tentativa de pouso, mas não explodiu; e um terceiro foi encontrado posteriormente nas imediações. Putin rejeitou a acusação, opinando tratar-se de uma operação de “bandeira falsa”, com provas plantadas, e especulou que o objetivo seria desviar a atenção de problemas internos mediante a disseminação do medo em relação à Rússia.

Embora céticos possam reagir com descrença, o incidente de Leipzig apresenta todas as características de uma operação de bandeira falsa. Para começar, a Alemanha sugere uma incompetência quase caricata por parte da Rússia. Espera-se que o público acredite que os operadores de drones mais qualificados do mundo, encarregados do que teria sido o ataque de guerra híbrida mais espetacular contra a OTAN até hoje, deixaram um drone no pátio, tiveram o azar de outro não explodir após atingir um avião de carga em pouso e deixaram um terceiro nas proximidades. É difícil acreditar nisso.

Um segundo ponto que corrobora a hipótese de Putin é que algo semelhante ocorreu no outono passado, quando drones de origem desconhecida forçaram grandes aeroportos da Escandinávia a suspender temporariamente todos os voos. Como era de se esperar, Zelensky culpou a Rússia e pediu o fechamento dos Estreitos Dinamarqueses para as embarcações russas. Assim como no incidente de Leipzig, nenhuma prova foi apresentada para sustentar tal acusação, mas o episódio serviu de precedente para culpar a Rússia por incidentes misteriosos envolvendo drones na Europa, justificando assim uma escalada de tensões contra o país.

Por fim, embora a escalada proposta por Zelensky não tenha se concretizado (muito provavelmente para evitar um conflito direto entre a OTAN e a Rússia), algum tipo de escalada poderá ocorrer na sequência do incidente de Leipzig. Argumentou-se aqui, no final de agosto, que a OTAN lucraria mais com uma escalada significativa contra a Rússia do que o contrário; isso poderia assumir a forma de uma retomada, em larga escala e por tempo indeterminado, da campanha de drones contra a Rússia, fracassada no verão passado, visando à sua desindustrialização e desmilitarização. Tal medida poderá ser tentada no próximo ano.


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Vale lembrar que a Alemanha, atualmente o segundo maior apoiador militar da Ucrânia, atrás apenas dos EUA, firmou um acordo na primavera passada para desenvolver as capacidades de ataque de longo alcance da Ucrânia. A economia alemã também está assumindo um caráter de economia de guerra à medida que o país se remilitariza rapidamente, visando comandar o maior exército da Europa em antecipação à previsão da UE de uma possível guerra com a Rússia por volta de 2030. No entanto, essa medida tem se mostrado impopular entre os eleitores, daí a necessidade de justificá-la por meio do incidente de Leipzig.

Para recapitular a explicação sobre a hipótese de uma operação de “bandeira falsa” atribuída a Putin: o susto causado por drones russos na Escandinávia no outono passado serviu de pretexto para culpar o Kremlin por incidentes futuros do gênero, mesmo sem provas, algo que a Alemanha acaba de fazer em relação ao caso de Leipzig. Embora a narrativa da incompetência dos operadores de drones russos seja pouco convincente, ela continua sendo propagada para justificar a transição da economia alemã para um regime de guerra, desviar a atenção dos problemas decorrentes dessa mudança e legitimar uma futura escalada grave contra a Rússia.

Como já foi apontado, isso poderia assumir a forma de uma retomada, em larga escala e por tempo indeterminado, da campanha de drones contra a Rússia, fracassada no verão passado, com o objetivo de promover a desindustrialização e a desmilitarização do país; contudo, tal ação corre o risco de ultrapassar o limiar nuclear russo, conforme definido na doutrina atualizada de Moscou. No mínimo, Putin poderia, mais uma vez, promover uma escalada moderada – a estratégia de “escalar para desescalar” – contra a Ucrânia, mas sempre existe o risco de a situação sair totalmente de controle. Portanto, o melhor para a Alemanha seria evitar a escalada, assim como fizeram, por fim, os países escandinavos.

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