Dez Anos do Canal Arte da Guerra: O Canal na Visão do Comandante

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Imagem meramente ilustrativa, gerada por inteligência artificial.

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Em entrevista exclusiva, o Comandante Farinazzo reflete sobre 10 anos do Canal Arte da Guerra: de entrevistas históricas com o general Macgregor, Scott Ritter e generais portugueses ao compromisso inegociável com a verdade. Uma jornada de prestígio internacional, responsabilidade intelectual e formação de uma comunidade crítica lusófona.


Ao completar uma década de existência, o Canal Arte da Guerra consolida-se não apenas como um dos maiores projetos de comunicação estratégica do Brasil, mas como um verdadeiro ecossistema intelectual lusófono. O que começou como um espaço de análises transformou-se, gradualmente, em uma referência incontestável para militares, acadêmicos, pesquisadores e uma audiência crítica que busca compreender as engrenagens do poder global. Para marcar este marco histórico, Carlos A. Klomfahs, colunista do Blog Velho General e da Revista do Clube Naval, e mestrando pela Escola Superior de Guerra (PPGSID), conduziu uma entrevista exclusiva com o fundador do canal, Comandante Robinson Farinazzo.

Na conversa a seguir, transcrita na íntegra, o Comandante reflete sobre a profunda mutação do cenário mundial vivenciada entre 2016 e 2026, destacando a transição para um mundo multipolar e o fim da hegemonia incontestada do dólar. Farinazzo rememora marcos de prestígio internacional, como as participações do coronel Douglas Macgregor, de Scott Ritter e de generais portugueses, mas não se limita à geopolítica externa: ele expõe a filosofia ética que sustenta o projeto. Um compromisso inegociável com a honestidade intelectual, a responsabilidade perante a audiência e a lição fundamental de que, na era da informação, “a pasta de dente não volta para o tubo”.

Carlos A. Klomfahs (CK): “Comandante Farinazzo, primeiramente quero agradecer pela cortesia e concessão desta entrevista! Dito isso, vamos lá! Durante esses 10 anos de canal, o senhor acompanhou mudanças profundas no cenário geopolítico, militar e tecnológico mundial. Olhando para trás, qual foi o momento em que percebeu que o canal havia deixado de ser apenas um espaço de análises e se tornado uma verdadeira referência para pesquisadores, estudantes e entusiastas do tema? Houve algum episódio marcante que simbolize essa virada?

Robinson Farinazzo (RF): “Olha a pergunta número um, quando eu eu comecei a perceber que o canal estava entrando no espaço de análise, eque de certa forma pode ser considerado assim, uma referência, é você que está falando! E quando começamos, muita gente que está fazendo teste de mestrado, doutorado, passou a nos contatar, exatamente para pedir opiniões sobre alguns temas, indicações de livros, de documentários, etc. Tem também o espaço que nós ganhamos na televisão, no meio universitário e junto a diversos militares que estão fazendo curso de aperfeiçoamento e nos escreveram.

Então começamos a ver que a abrangência era grande, o que nos traz uma responsabilidade muito grande, né? Responsabilidade pelas informações do canal. A gente sente o peso dessa responsabilidade, de não podermos errar com essas pessoas que nos depositam a sua confiança, enfim. [A responsabilidade] de ter essa abrangência, ter esse alcance, essa confiança, e nós também estamos cientes do peso que isso nos traz, e tentamos todos os dias corresponder essa confiança que o público nos empresta.

CK: “Seus vídeos sempre chamaram atenção pelo nível de pesquisa, contextualização histórica e capacidade de traduzir temas complexos para o público geral. Como evoluiu o seu processo de estudo e produção ao longo dessa década? O ‘Comandante Farinazzo’ de hoje pesquisa e prepara conteúdos de forma muito diferente daquele do início do canal?

RF: “O que nós começamos a entender? Na verdade, o que aconteceu? O crescimento do canal acompanhou as mudanças do mundo, né? O mundo de 2026 é completamente diferente daquele de 2016. Você não tem mais a hegemonia americana, que está sendo contestada né? O próprio império do dólar, está balançando né?

Você vê uma China poderosíssima hoje em dia, uma Rússia em guerra, então é bastante, o que aconteceu faz bastante diferença, e o que que nós começamos a fazer foi buscar fontes que explicassem melhor esse mundo para a sociedade. É lógico que essas fontes foram influenciando a nossa audiência, e a nossa audiência também nos influenciou através das demandas. Todas as demandas do público são analisadas aqui pelo pelo canal, e a gente, lógico, ao mesmo tempo, procura saber qual é a visão que a sociedade tem nós, né? Nós mostramos a eles o que está acontecendo no mundo.

Ou seja, na verdade, é uma via de mão dupla: o canal influencia as pessoas, mas também é influenciado por elas. Eu acho que é uma caminhada, onde todos juntos tentamos entender esse mundo de transformações. É um mundo que se revoluciona a cada dia e não vai mais voltar a ser o que era. Eu costumo dizer sempre que a pasta de dente não vai voltar para o tubo.

CK: “Em 10 anos, certamente houve análises, entrevistas e acontecimentos históricos que marcaram profundamente a trajetória do canal. Se o senhor tivesse que fazer uma síntese dos momentos mais memoráveis dessa jornada, aqueles que melhor representam a essência do seu trabalho, quais destacaria e por quê?

RF: “Olha, eu acho que entrevistas históricas que nós fizemos, com o coronel Douglas Macgregor, que é muito importante, e também com o Scott Ritter, no auge da crise da Ucrânia, logo que começou. Eu acho que eles mostraram ao público que o canal tem prestígio internacional, né, que as pessoas atenderam prontamente nossos convites.

Mas também tem uma coisa que eu destaco que eu acho muito importante: foi a vinda de generais portugueses, muitos generais portugueses vêm rotineiramente ao canal, são generais de um padrão excelente como Agostinho Costa, Carlos Branco, Raul Cunha. Generais com formação muito sólida, tropas de elite com uma visão geopolítica fora de série.

E o que nós conquistamos com o público de língua portuguesa? Não foi só Portugal, mas também Angola, Moçambique, Cabo Verde. Eu acho que é muito importante para o canal. Com essa abrangência internacional, nós vamos entrevistar pessoas da Sérvia, da Rússia, e também de diversos países da América Latina. Isso tudo é muito importante, ao mesmo tempo em que nós trazemos ao Brasil a visão geopolítica de outros países, nós também estamos levando a outros países um pouco da visão que os brasileiros tem do mundo.

Enfim, é um ganha-ganha. Sabe, cada dia é bastante diferente aqui no canal, nós estamos sempre aprendendo, né? Sempre nos transformando e buscando para o público exatamente a compreensão de toda essa miríade de informações e transformações pelas quais o nosso mundo passa.

CK: “O canal inspirou uma geração de jovens interessados em geopolítica, defesa, história militar e pensamento crítico. Que mensagem o senhor deixaria para esses jovens pesquisadores que hoje enxergam no seu trabalho uma fonte de inspiração? Quais valores considera fundamentais para quem deseja estudar, informar e contribuir seriamente para o debate público?

RF: “Olha, eu acho que a coisa mais importante para um pesquisador ou analista geopolítico é o seguinte: vender para o público uma noção sincera das coisas, e não torcer os fatos. Passar realmente suas impressões baseado naquilo que ele está percebendo, passar a sua verdade para o público.

Eu falo sempre o seguinte: nós não estamos livres de errar aqui no canal. Já erramos e vamos errar outras vezes, porque somos humanos. Mas eu sempre digo ao nosso público: aquilo que nós passamos para você, é aquilo que eu sabia no momento, é o que eu acreditava efetivamente. É a melhor informação que nós conseguimos obter naquele momento. Se essa informação não se revelar verídica, nós vamos esclarecer, né? E se essa informação evoluir, nós também vamos buscar essa evolução, essa transformação, e levar ao público.

Então, eu acho que o mais importante é isso: trabalhar com a consciência de que está levando ao público a melhor informação que você consegue obter naquele momento. É uma luta muito dura, você tem que ser bastante honesto consigo mesmo. Você tem que ser imune às críticas, até porque você vai recebe-las, tá? Você está sempre tendo que buscar fatos objetivos. Aquilo que realmente ocorre, quais são as tendências, o que está acontecendo, né? Dentro de fatos que podem ser apurados. Pode ser que a coisa evolua no futuro, e as pessoas vão olhar e falar: ‘olha, naquele momento era o melhor de que se dispunha’”.

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