Geopolítica da Coreia do Norte: Alianças Estratégicas

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Imagem meramente ilustrativa, gerada por inteligência artificial.

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A sobrevivência norte-coreana, via dissuasão nuclear, bandwagoning e parcerias com Rússia e Irã, revela a lógica do poder global; para o Brasil, a lição é clara: autonomia estratégica exige alianças regionais pragmáticas em defesa, tecnologia e minerais críticos, priorizando soberania e desenvolvimento.


Introdução

A Coreia do Norte1, um dos estados mais foram isolados no sistema internacional, tem sido objeto de intensa análise devido à sua política externa assertiva e ao seu programa de armas nucleares. A compreensão de sua estratégia geopolítica é crucial para decifrar as dinâmicas de segurança no Nordeste Asiático e suas ramificações globais.

Segundo sites russos2, agências de inteligência sul-coreanas afirmam que, de acordo com a última emenda à Constituição, a Coreia do Norte lançará um ataque nuclear automático e imediato em caso de morte de Kim Jong-un ou assassinato do líder máximo do país. O ataque retaliatório será realizado contra alvos pré-designados na Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. Isso porque, em 2023, a RPDC emendou sua Constituição para “consagrar a política do país de intensificar o desenvolvimento de armas nucleares para garantir o direito à sobrevivência e dissuadir a guerra em meio ao confronto com os Estados Unidos”. Desde então, a liderança coreana tem enfatizado repetidamente que qualquer ataque ao país teria “consequências catastróficas” para o agressor.

Os detalhes técnicos do sistema, que lançaria um ataque nuclear garantido contra os inimigos da Coreia do Norte sem intervenção humana em caso de morte de sua liderança, ainda são desconhecidos, mas pode-se presumir que será construído à imagem e semelhança do sistema soviético, agora russo, chamado “Perímetro” (na terminologia ocidental, “Mão Morta”).

Com efeito, o presente artigo explora a geopolítica da Coreia do Norte sob a lente da teoria de Bandwagoning nas Relações Internacionais, que descreve a tendência de Estados menores se alinharem com potências mais fortes para garantir sua segurança ou obter benefícios, em vez de tentar equilibrar o poder.

Adicionalmente, será detalhada a cooperação estratégica de Pyongyang com o Irã em áreas sensíveis como armamentos, tecnologia de mísseis, enriquecimento de urânio e guerra cibernética. Por fim, como de praxe, o artigo extrairá duas lições fundamentais para o Brasil, enfatizando a importância das alianças regionais em nosso entorno estratégico, sem ideologias político-partidárias com países como Argentina, Chile e Uruguai no contexto da política externa brasileira.

Por geopolítica entendemos o uso político-estratégico do território (recursos naturais, posição, tamanho, acesso a mar aberto) com seus recursos para consumação de seus objetivos nacionais. Não sem razão, na minha perspectiva de análise, a autonomia econômica como princípio Juche (cf. p. 44 Kim Song Il, Sobre a Ideia Juche3) é essencial para a soberania de um país:

A economia é a base material da vida social. Somente ao obter a autossuficiência econômica é possível consolidar a soberania do país e levar uma existência independente, assegurar a plenitude do Juche na ideologia, a independência na política e a autodefesa na salvaguarda nacional, assim como criar uma rica vida material e cultural para a população.

O George Washington University Institute for Korean Studies possui um programa exclusivo de estudos norte-coreanos, aberto a diplomatas e pesquisadores, onde a série multimídia baseada em pesquisa, intitulada Divisão Digital: Vidas Móveis das Duas Coreias, explora como os telefones celulares, as redes informais e as práticas digitais estão transformando a economia, a sociedade e o controle estatal da Coreia do Norte e um vídeo recente sobre o Fórum Econômico da Coréia do Norte4, onde destacou o professor-doutor Hojye Kang da Freie Universität Berlin, que a autonomia norte coreana – incluindo a defesa – se baseia em quatro elementos: energia, matéria-prima, tecnologia e recursos naturais, além do projeto coreano de construir 20 fábricas industriais regionais em 10 anos.

Estrutura Geral da Economia


A República Popular Democrática da Coreia organiza sua economia em torno de seis pilares interdependentes, com destaque para o Setor Militar como prioridade máxima do Estado, com o desenvolvimento simultâneo da economia e do arsenal nuclear. O Comércio Externo Limitado evidencia o grau de isolamento imposto pelas sanções internacionais, tornando a dependência da China estrutural e não conjuntural (GW Institute for Korean Studies; Freie Universität Berlin; análise do autor).

A economia norte-coreana é baseada em:

• Indústria pesada;

• Mineração;

• Setor militar;

• Agricultura coletivizada;

• Manufatura leve;

• Comércio externo limitado.

Principais Parceiros Comerciais

China

A China é, de longe, o principal parceiro econômico da Coreia do Norte. Segundo o Council on Foreign Relations (CFR), Pequim respondeu por aproximadamente 98% do comércio oficial norte-coreano em 2023.

A China fornece:

• Alimentos;

• Combustíveis;

• Máquinas;

• Produtos industriais;

• Assistência econômica indireta.

Rússia

A cooperação econômica entre Rússia e Coreia do Norte aumentou significativamente após a Guerra da Ucrânia. Moscou passou a importar materiais industriais e ampliar acordos logísticos e militares com Pyongyang. Embora historicamente a participação russa no comércio norte-coreano seja pequena, analistas indicam crescimento recente das relações bilaterais, especialmente em:

• Energia;

• Transporte ferroviário;

• Mineração;

• Cooperação militar-industrial.

Principais Produtos

Minérios e Metais

• Minério de ferro;

• Tungstênio;

• Zinco;

• Cobre;

• Minerais raros.

Produtos Pesqueiros

• Peixes;

• Frutos do mar;

• Crustáceos

Portanto, a economia norte-coreana permanece altamente dependente de fatores geopolíticos. A sobrevivência econômica do país está diretamente ligada ao apoio estratégico da China e, mais recentemente, ao aprofundamento das relações com a Rússia. Apesar das sanções internacionais, Pyongyang continua encontrando formas de manter exportações relevantes, sobretudo em mineração, manufaturas leves e produtos processados destinados ao mercado chinês.


A China responde por cerca de 98% do comércio oficial norte-coreano (2023), sendo a principal fornecedora de insumos essenciais e compradora de minerais e manufaturas. A Rússia, embora historicamente com participação menor, intensificou significativamente a cooperação econômica e militar-industrial após o início da Guerra da Ucrânia em 2022, culminando no Tratado de Parceria Estratégica Abrangente de junho de 2024 (Council on Foreign Relations – CFR; análise do autor).

Assim, a posição geopolítica da Coreia do Norte é resultado de uma longa trajetória histórica marcada por disputas imperiais, ocupações estrangeiras e rivalidades ideológicas. Localizada entre grandes potências asiáticas – especialmente China, Rússia e Japão – a península coreana tornou-se, ao longo dos séculos XIX e XX, uma região estratégica para o equilíbrio de poder no Leste Asiático.

Historicamente, a Coreia manteve relações de proximidade política e cultural com a China imperial, mas preservando relativa autonomia. Essa condição começou a mudar no final do século XIX, quando o expansionismo japonês passou a ameaçar diretamente a soberania coreana.

Após a vitória japonesa na Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) e posteriormente na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905), o Japão consolidou sua influência sobre a península, transformando a Coreia em protetorado e, finalmente, anexando-a oficialmente em 1910.

A questão da ocupação japonesa foi marcada por repressão política, exploração econômica e tentativas de assimilação cultural forçada. O idioma coreano foi reprimido nas escolas, movimentos nacionalistas foram violentamente perseguidos e milhares de coreanos foram submetidos a trabalho forçado durante o período imperial japonês.

Essas experiências consolidaram um forte sentimento anti-japonês, e por corolário, anti-ocidental, e alimentaram movimentos revolucionários e nacionalistas que posteriormente influenciariam a formação do Estado norte-coreano.

Com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, em 1945, a península coreana foi dividida ao longo do paralelo 38°. O norte ficou sob influência soviética, enquanto o sul foi ocupado pelos Estados Unidos.

Nesse contexto, a União Soviética apoiou a ascensão de Kim Il-sung e contribuiu para a criação da República Popular Democrática da Coreia em 1948. A partir desse momento, a Coreia do Norte passou a desempenhar papel estratégico para Moscou como Estado-tampão contra a presença militar norte-americana no Leste Asiático.

Embora atualmente mantenha relações próximas com China e Rússia, a Coreia do Norte também viveu momentos de tensão e desconfiança com ambos. Veja-se que, durante a Guerra Fria, Pyongyang buscou equilibrar sua dependência entre Moscou e Pequim, especialmente após o rompimento sino-soviético nos anos 1960. O governo norte-coreano desenvolveu a ideologia Juche, baseada na autossuficiência política e militar (doutrina defensiva), justamente para evitar submissão completa a qualquer potência estrangeira.

Para a China contemporânea, a Coreia do Norte continua sendo fundamental como zona de amortecimento estratégico (buffer state) entre tropas norte-americanas estacionadas na Coreia do Sul e o território chinês. Um eventual colapso norte-coreano poderia gerar reunificação coreana sob influência de Seul e Washington, aproximando forças militares dos EUA da fronteira chinesa.

Já para a Rússia, especialmente após o aprofundamento das tensões com o Ocidente, Pyongyang voltou a assumir importância geopolítica e militar, fortalecendo cooperações diplomáticas, econômicas e de defesa.

Nesse cenário, as memórias históricas da ocupação japonesa e das ameaças externas continuam centrais para a narrativa política norte-coreana. O governo de Pyongyang frequentemente utiliza legitimamente o passado colonial japonês e a presença militar dos Estados Unidos na região como justificativa para sua política de militarização e desenvolvimento nuclear.

Pedro Vinícius Pereira Brites, em sua tese de doutorado: As dinâmicas regionais do Nordeste Asiático e o pivô Norte-Coreano (UFRGS, 2018), aponta que a tríade EUA, Coréia do Sul e Japão, aborda a questão do regionalismo na Teoria dos Complexos Regionais de Segurança (TCRS) desenvolvidos por Buzan e Waever e da grande presença hegemônica no nordeste asiático.

Ressalte-se, outrossim, que o continente ostenta três grandes potências – China, Rússia e Japão, com uma quarta emergindo: a Índia. Cinco países são detentores de armas nucleares: Rússia, China, Índia, Paquistão e Coréia do Norte.


A trajetória norte-coreana é marcada por sucessivas reações a ameaças externas: da ocupação japonesa à divisão imposta pelas potências da Guerra Fria, passando pelo desenvolvimento da doutrina Juche como resposta ao isolamento pós-soviético, até a recente reaproximação estratégica com a Rússia no contexto da Guerra da Ucrânia. Cada inflexão histórica reforçou a lógica de bandwagoning defensivo que orienta a política externa de Pyongyang (Elaboração do autor com base em Brites (UFRGS, 2018) e fontes primárias citadas no texto).

Por estas e outras razões, a Coreia do Norte permanece não apenas como herança das disputas da Guerra Fria, mas também como peça estratégica essencial nas rivalidades contemporâneas entre China, Rússia, Japão e Estados Unidos no Indo-Pacífico.

1. Bandwagoning na Geopolítica da Coreia do Norte

A teoria de Bandwagoning (alinhamento com o mais forte) em Relações Internacionais postula que Estados mais fracos, ao invés de se oporem a uma potência ameaçadora (balancing), optam por se aliar a ela. Vejamos os principais autores desta teoria.

Kenneth Waltz: O principal nome do neorrealismo estrutural. Em sua obra clássica Theory of International Politics (1979), ele formalizou a lógica sistêmica do conceito, argumentando que os Estados mais fracos se alinham com o lado mais forte quando não conseguem equilibrar o poder por conta própria.

Stephen Walt: Teórico do realismo que refinou a ideia em The Origins of Alliances (1987). Ele propôs o “Equilíbrio de Ameaças” (balance of threat), argumentando que o bandwagoning ocorre não apenas pelo poder bruto, mas quando o Estado mais forte é percebido como ameaça inevitável, ou quando o Estado mais fraco é muito pequeno e isolado.

Randall Schweller: Em seu artigo Bandwagoning for Profit: Bringing the Revisionist State Back In (1994), o autor argumenta que Estados fracos nem sempre se alinham por medo. Muitos praticam bandwagoning de forma oportunista, buscando lucrar e obter vantagens territoriais ou econômicas ao lado do vencedor.

Essa escolha pode ser motivada pelo desejo de evitar ataques, de se beneficiar da força da potência dominante ou de compartilhar os despojos de uma vitória potencial [1].

No contexto da Coreia do Norte, essa estratégia tem sido observada em diferentes momentos de sua história, adaptando-se às mudanças no cenário geopolítico global e regional.

Historicamente, a Coreia do Norte demonstrou uma forma de bandwagoning ao se alinhar com a União Soviética e a China durante a Guerra Fria. Essa aliança forneceu a Pyongyang o apoio econômico e militar necessário para sua sobrevivência e para a manutenção do governo. Após o fim da União Soviética, a Coreia do Norte enfrentou um período de grande vulnerabilidade, o que a levou a buscar novas formas de garantir sua segurança e relevância no sistema internacional.


As três perspectivas teóricas (Waltz, Walt e Schweller) não são mutuamente excludentes: a política externa de Pyongyang combina elementos das três lógicas simultaneamente, alinhando-se por necessidade estrutural (Waltz), por percepção de ameaça existencial (Walt) e por oportunismo estratégico (Schweller). O fornecimento de munições e mísseis à Rússia em troca de tecnologia militar avançada é o exemplo mais recente e eloquente dessa sobreposição (Waltz, 1979; Walt, 1987; Schweller, 1994; análise do autor).

Mais recentemente, a relação da Coreia do Norte com a Rússia tem se intensificado, especialmente no contexto da guerra na Ucrânia. Pyongyang tem fornecido apoio militar significativo a Moscou, incluindo o envio de munições e mísseis balísticos, em troca de assistência econômica e, potencialmente, tecnologia militar avançada [2] [3] [4]. Essa cooperação sugere um bandwagoning com a Rússia, onde a Coreia do Norte busca fortalecer suas capacidades militares e de defesa, possivelmente incluindo tecnologia para mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) e satélites [5] [6].

A assinatura de um tratado de parceria estratégica abrangente em junho de 2024 entre os dois países solidifica essa aliança, indicando um aprofundamento da dependência mútua e um desafio à ordem internacional [7].

2. Apoio ao Irã: Armas, Mísseis, Enriquecimento de Urânio e Guerra Cibernética

A cooperação entre a Coreia do Norte e o Irã é um pilar fundamental da estratégia de bandwagoning de Pyongyang em parcerias estratégicas, permitindo que ambos os Estados, isolados por sanções internacionais, troquem conhecimentos e tecnologias sensíveis. Essa parceria, que se estende por décadas, abrange diversas áreas críticas para a segurança e o desenvolvimento militar de ambos os países [8].

A Coreia do Norte como 9º país a ostentar capacidades nucleares5 (considerando que Israel, Índia e Paquistão não aderiram ao TNP e não são fiscalizados pela AIEA) com testes nucleares progressivos em termos de rendimento e exitosos (2006, 2009, 2013, 2016 e 2017, esta sendo termonuclear), desempenha um papel crucial, muitas vezes nos bastidores, no desenvolvimento militar, de cibersegurança e de mísseis balísticos do Irã, fruto de uma parceria de décadas concebida para contrariar a influência dos EUA e contornar as sanções internacionais. Essa aliança envolve uma cooperação profunda em tecnologia de mísseis, estratégias compartilhadas de guerra cibernética e o fornecimento de equipamentos militares ao Irã e seus aliados regionais.

Não devemos perder de vista que os EUA apoiaram com armas a guerra do Iraque contra o Irã entre 1980-1988, que resultou em 500 mil mortes entre civis e militares, portanto, um eventual apoio da Coréia do Norte pode ser baseado no princípio da reciprocidade, isto é, a mesma estratégia do oponente contra ele mesmo, com base em interesses mútuos baseados nas ações de cerco e contenção dos EUA e do Ocidente contra Rússia e China.


A rede de cooperação estratégica entre Pyongyang e Teerã opera em quatro dimensões simultâneas: transferência de tecnologia de mísseis balísticos, colaboração nuclear, guerra cibernética e armamento por procuração a grupos como o Hezbollah (Líbano) e os Houthis (Iêmen). O Irã atua como nó central de redistribuição regional, enquanto a Coreia do Norte permanece como fornecedora-raiz de tecnologia sensível, contornando as sanções internacionais por meio de intermediários (CISA; Arms Control Association; IISS; análise do autor).

Tenho sustentado em vários artigos no Velho General que Irã e Coréia do Norte são parte da Defesa em Profundidade da Rússia e da China, contra a Política de Cerco e Contenção dos EUA, que usam o Japão, Austrália, Coréia do Sul e Taiwan como bases avançadas da OTAN e dos EUA na Ásia para eventualmente lançar ataques convencionais e/ou nucleares contra Rússia e China, o que parece se confirmar.

2.1. Aliança Militar e Parceria Estratégica

Cooperação de décadas: A aliança, que se fortaleceu durante a Guerra Irã-Iraque na década de 1980, é transacional, com a Coreia do Norte fornecendo armas convencionais e tecnologia militar em troca de petróleo e moeda forte.

Apoio ao “Eixo da Resistência”: A Coreia do Norte emergiu como fornecedor fundamental para a rede de grupos aliados do Irã no Oriente Médio, incluindo o Hezbollah no Líbano e o movimento Houthi no Iêmen, fornecendo armas, tecnologia de mísseis e treinamento técnico.

Armamento por procuração: Após os ataques de 7 de outubro de 2023, surgiram evidências de que o Hamas utilizou lança-granadas F-7 de fabricação norte-coreana e outros armamentos.

Cooperação naval: Os submarinos “anões” da classe Ghadir do Irã são cópias licenciadas da classe Yono da Coreia do Norte, permitindo ao Irã realizar operações de negação de acesso/área no Estreito de Ormuz.

3. Transferências de Tecnologia de Mísseis Balísticos

A Coreia do Norte tem sido fundamental para o desenvolvimento, por parte do Irã, de uma capacidade de “potência em mísseis”, permitindo que Teerã contorne legitimamente as restrições ocidentais unilaterais.

Intercâmbio tecnológico: o míssil balístico de médio alcance Shahab-3 do Irã é uma adaptação direta do míssil Nodong da Coreia do Norte.

Desenvolvimento de longo alcance: Relatórios da ONU e da inteligência dos EUA observaram que a cooperação foi retomada em 2020, com foco no desenvolvimento de mísseis de longo alcance, incluindo a transferência de peças para propulsores de foguete de 80 toneladas.

A “Fonte Esquecida”: Muitos avanços em mísseis iranianos, como os mísseis Emad e Ghadr, são derivados avançados da tecnologia norte-coreana, e especialistas norte-coreanos ajudaram a construir instalações subterrâneas reforçadas para mísseis e armas nucleares no Irã.

Desenvolvimento de combustíveis sólidos: A Coreia do Norte auxiliou o Irã no domínio das tecnologias de combustíveis sólidos, o que permite uma implantação mais rápida de mísseis.

4. Segurança Cibernética e Guerra Cibernética

Ambas as nações utilizam capacidades cibernéticas como uma “arma assimétrica” ​de defesa de baixo custo para projetar poder contra os ataques cibernéticos ocidentais, havendo indícios de que compartilham técnicas de hacking.

Sobreposição estratégica: grupos de hackers norte-coreanos, como o Kimsuky, e entidades iranianas, demonstram técnicas de malware semelhantes (por exemplo, SnailResin), indicando uma possível abordagem colaborativa ou de compartilhamento de ferramentas para atacar a infraestrutura ocidental.


A atuação cibernética conjunta das duas nações opera em três eixos complementares: a sobreposição de ferramentas e técnicas de intrusão, a guerra econômica contra o sistema financeiro ocidental e o compartilhamento de infraestrutura de roteamento para dificultar a atribuição de autoria. Em conjunto, esses eixos configuram uma doutrina de poder assimétrico de baixo custo e alta negabilidade, que permite a ambos os países retaliar sanções e pressões ocidentais sem acionar limiares de resposta militar convencional (CISA; Mandiant Threat Intelligence; ONU (Painel de Peritos); análise do autor).

Guerra econômica cibernética: Ambas as nações estão profundamente envolvidas no uso de contra-ataques cibernéticos financeiros e interrupção de sistemas bancários, muitas vezes coordenando essas atividades para desestabilizar a infraestrutura financeira ocidental, que primeiro tem atacado estes países, seja para monitoramento, espionagem e inteligência militar.

Infraestrutura compartilhada: Sabe-se que a Coreia do Norte usa, e provavelmente compartilha, infraestrutura com o Irã para rotear ataques cibernéticos retaliatórios, dificultando a atribuição de autoria.

4.1 Principais Dinâmicas em Curso

Evasão de sanções: As duas nações utilizam rotineiramente países terceiros – especificamente identificados como a China em relatórios da ONU – para movimentar tecnologia e componentes restritos para programas de mísseis.

Preocupações com a cooperação nuclear: Há relatos persistentes, embora frequentemente não confirmados, de ajuda da Coreia do Norte aos esforços do Irã para o desenvolvimento de armas nucleares, incluindo a transferência de fórmulas matemáticas e códigos para o projeto de ogivas nucleares, nada diferente do que fizeram Israel, Paquistão, África do Sul, Iraque e Líbia; os três últimos abandonaram o programa em 1989, 1991 e 2003.

Papel na guerra da Ucrânia contra a Rússia: Tanto a Coreia do Norte quanto o Irã são fornecedores-chave e alinhados de equipamentos militares para a Rússia em sua Operação Especial na Ucrânia, muitas vezes suprindo as lacunas de fornecimento um do outro.

4.2 Armas e Tecnologia de Mísseis

A Coreia do Norte tem sido uma fonte crucial de tecnologia de mísseis balísticos para o Irã. Relatórios indicam que Pyongyang forneceu ao Irã assistência na operacionalização de sua produção doméstica de mísseis balísticos, incluindo a transferência de tecnologia e a venda de mísseis [9] [10].

Essa colaboração evoluiu para uma cooperação mais sofisticada em tecnologia de mísseis de combustível sólido, o que representa um avanço significativo para o programa iraniano [11]. A recente declaração de Kim Jong-un de que o arsenal norte-coreano estaria à disposição do Irã, caso solicitado para o conflito contra Israel, sublinha a profundidade e a natureza estratégica dessa parceria [12] [13].


A progressão evidencia uma cooperação que evoluiu da simples transferência de plataformas (Nodong/Shahab-3) para a transmissão de know-how em propulsão sólida, construção de instalações subterrâneas e capacidades cibernéticas ofensivas. Essa trajetória indica não apenas uma relação comercial, mas uma parceria estratégica de longo prazo voltada ao desenvolvimento de capacidades de dissuasão mútua frente às pressões ocidentais (ONU (Painel de Peritos); Arms Control Association; RAND Corporation; análise do autor).

4.3 Enriquecimento de Urânio e Desenvolvimento Nuclear

Embora a cooperação em mísseis seja mais documentada, analistas especulam sobre uma possível colaboração nuclear entre a Coreia do Norte e o Irã, dada a extensão de seus laços [14]. Ambos os países enfrentam sanções internacionais devido aos seus programas nucleares e, historicamente, buscaram contornar essas restrições.

A Coreia do Norte, com sua experiência em enriquecimento de urânio e reatores de plutônio, poderia oferecer ao Irã conhecimentos valiosos, embora não haja confirmação direta de transferências de tecnologia nuclear desde 2007 [15] [16]. No entanto, a similaridade nos desafios de proliferação enfrentados por ambos os países sugere um terreno fértil para a troca de informações e expertise.

5. Lições para o Brasil: A Importância das Alianças Regionais

A análise da geopolítica da Coreia do Norte e suas estratégias de bandwagoning e cooperação entre Estados, oferece lições valiosas para o Brasil, especialmente no que tange à importância de alianças regionais robustas, autossuficiência e atenção primeiro com sua sociedade.

O Brasil, como potência emergente na América do Sul, tem um papel crucial na promoção da estabilidade e segurança em sua região, mas não pode e nem deve buscar a proeminência sozinho, especialmente porque um hegemon regional não seria tolerado pelo Realismo Ofensivo dos Estados Unidos.

Como corolário, a construção de alianças pragmáticas e não ideológicas sólidas com vizinhos da América do Sul – Argentina, Chile e Uruguai – e países da África Ocidental, pode fortalecer a posição do Brasil no cenário internacional e mitigar vulnerabilidades.

1ª Lição: Fortalecimento da Autonomia Estratégica através da Cooperação em Defesa

A primeira lição é a necessidade de o Brasil fortalecer sua autonomia estratégica por meio de uma cooperação e intercâmbio científico-tecnológico mais aprofundada quanto a minerais críticos e estratégicos para as áreas espacial, nuclear e cibernética na defesa hemisférica com seus vizinhos. A Coreia do Norte, apesar de seu isolamento por política punitiva de países ocidentais, buscou ativamente parcerias para desenvolver suas capacidades militares e tecnológicas.

O Brasil, por sua vez, possui uma base industrial de defesa significativa e programas estratégicos, como o desenvolvimento do submarino nuclear, que poderiam ser potencializados por meio de colaboração regional [21] [22].

A cooperação com a Argentina, por exemplo, possui um histórico notável na área nuclear, com a criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), um modelo de confiança mútua e não proliferação [23]. Essa parceria pode ser expandida para outras áreas da indústria de defesa, como o desenvolvimento conjunto de aeronaves (a exemplo do KC-390 da Embraer, pelo qual países da região já manifestaram interesse) e veículos blindados, como o Guarani [24] [25].

A união de recursos e expertise não apenas reduziria custos, mas também criaria uma base industrial de defesa mais resiliente e autossuficiente na região, diminuindo a dependência de fornecedores externos e aumentando a capacidade de resposta a ameaças comuns.


A experiência norte-coreana revela, por contraste, os riscos do bandwagoning com potências distantes e da dependência comercial concentrada em um único parceiro. Para o Brasil, o caminho recomendado passa pela construção de alianças pragmáticas e não ideológicas com vizinhos do Cone Sul, consolidação de um bloco regional capaz de projetar influência nos fóruns multilaterais e adoção de políticas de Estado que priorizem o desenvolvimento interno e a justiça social distributiva sobre a mera maximização das exportações (Elaboração do autor com base em Waltz, 1979; Walt, 1987; Schweller, 1994 e fontes citadas no texto).

2ª Lição: A Consolidação de um Bloco Regional para Influência Global

A segunda lição reside na consolidação de um bloco regional coeso para aumentar a influência global (comercial e geopolítica) do Brasil e de seus aliados. Ao invés de ser prejudicado pelo comércio com a Europa, como vemos da questão da carne animal, poderia esse bloco poderia redirecionar suas exportações para a Ásia.

A Coreia do Norte, ao se alinhar com potências como a Rússia e o Irã, busca projetar poder e desafiar a ordem internacional.

O Brasil, com seus vizinhos do Cone Sul, tem a oportunidade de construir um bloco regional que promova a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável, atuando como contrapeso a influências externas indesejadas e defendendo os interesses da região em fóruns internacionais, podendo e devendo interagir tanto nos BRICS quanto no G-20, equalizando e mantendo-se neutro entre as alianças econômicas cada vez mais rivais.

Alianças regionais fortes, como o Mercosul, podem ir além da esfera econômica e se aprofundar em questões de segurança e política externa. A coordenação de posições em organismos internacionais, a criação de mecanismos de segurança coletiva e a promoção de uma diplomacia regional unificada podem amplificar a voz do Brasil e de seus parceiros no cenário mundial.

Isso permitiria ao Brasil não apenas defender seus próprios interesses, mas também atuar como líder regional na promoção de uma ordem internacional mais justa e multipolar, evitando a necessidade de bandwagoning com potências distantes e potencialmente desalinhadas com os valores e objetivos brasileiros.

Considerações Finais

A geopolítica da Coreia do Norte, marcada por sua estratégia de bandwagoning e sua cooperação com o Irã em áreas sensíveis, ilustra os desafios e as complexidades enfrentadas por estados menores em um sistema internacional anárquico. Se a Coréia não houvesse desenvolvido seu potencial nuclear e aeroespacial, inclusive balístico-hipersônico, há muito teria sigo engolida pelas potências ocidentais e asiáticas.

Com efeito, a busca por segurança, autonomia e sobrevivência levaram Pyongyang a formar alianças pragmáticas, mesmo que controversas, para garantir sua autonomia e desenvolver suas capacidades militares. A transferência de tecnologia de mísseis, o desenvolvimento nuclear e a guerra cibernética são facetas dessa cooperação que têm implicações diretas para a estabilidade global.

Para o Brasil, a experiência norte-coreana revela, ictu oculi, que o foco econômico em exportação deve ter limites: exportar produtos essenciais que fazem falta ao país os encarece para os nacionais e diminui nossas matérias-primas de forma permanente. Deve haver políticas de Estado que privilegiem o país primeiro. De nada adianta ser o maior exportador de carne se nossa sociedade paga caro pelo produto, nosso meio ambiente sofre as consequências e as receitas de exportação não são redistribuídas em prol da justiça social distributiva à sociedade.

Ressalte-se: A justiça social distributiva refere-se à distribuição equitativa e moralmente aceitável de recursos, oportunidades, encargos e benefícios dentro de uma sociedade. Ela busca minimizar desigualdades e garantir que todos os indivíduos tenham acesso ao necessário para uma vida digna, independentemente de sua origem.

Isso serve como um lembrete da importância vital das alianças regionais. Ao fortalecer a cooperação em defesa e consolidar um bloco regional sem ideologias político-partidárias com Argentina, Chile e Uruguai, o Brasil pode não apenas salvaguardar sua autonomia estratégica, mas também projetar uma influência global mais significativa.

Tais alianças, baseadas na confiança mútua e em interesses compartilhados, são essenciais para construir uma região mais segura, próspera e capaz de defender seus próprios valores e objetivos em um mundo cada vez mais interconectado e desafiador.

Notas

1 Veja mais em: Instituto Paektu. https://paektubrasil.org/livros/.

2 Veja em: https://ria.ru/20260512/ssha-2091867090.html?in=t.

3 Kim Jong-Il, Sobre a Ideia Juche. CEIJ-Brasil, 2017. Veja em: https://drive.google.com/file/d/1tmgPmopzB-2gAejbuHauWh21W6KDM2jJ/view?pli=1.

4 GW Institute for Korean Studies (YouTube Channel). North Korea Economic Forum: Assessing North Korea’s ‘20×10 Regional Development Policy’. https://www.youtube.com/watch?v=re_5u_eln18.

5 Veja mais vídeos e artigos no Canal Arte da Guerra e Blog Velho General: https://www.youtube.com/watch?v=44Pp0GL-YV4&list=PL-R5HM8-lap_D1-T3r38WJSx-eKJk1k5C&index=13 e https://velhogeneral.com.br/?s=+cor%C3%A9ia+do+norte.

Referências

[1] BECHTOL JR., Bruce E. Iran Has An ICBM Program: They Got it From North Korea. 19FortyFive, 4 de março de 2026. https://www.19fortyfive.com/2026/03/iran-has-an-icbm-program-they-got-it-from-north-korea/.

[2] Loureiro, Eduardo Oighenstein. Programa KC-390: o panorama interno, os parceiros e a projeção internacional do Brasil. Repositório UFF Institucional, 2016. https://app.uff.br/riuff/handle/1/26153?show=full.

[3] Hecker, Siegfried S.; LIOU, William. Dangerous Dealings: North Korea’s Nuclear Capabilities and the Threat of Export. Arms Control Association, março de 2007. https://www.armscontrol.org/act/2007-03/iran-nuclear-briefs/dangerous-dealings-north-koreas-nuclear-capabilities-and-threat.

[4] KERR, Paul. Iran, North Korea Deepen Missile Cooperation. Arms Control Association, janeiro de 2007. https://www.armscontrol.org/act/2007-01/iran-nuclear-briefs/iran-north-korea-deepen-missile-cooperation.

[5] CISA. North Korea Threat Overview and Advisories. Cybersecurity & Infrastructure Security Agency. https://www.cisa.gov/topics/cyber-threats-and-advisories/advanced-persistent-threats/north-korea.

[6] CARLOUGH, Molly; KENNEDY, James. How North Korea Has Bolstered Russia’s War in Ukraine. Council on Foreign Relations (CFR), 25 de novembro de 2025. https://www.cfr.org/articles/how-north-korea-has-bolstered-russias-war-ukraine.

[7] BEYOND PARALLEL. North Korea and Russia Cooperation. CSIS Korea Chair. https://beyondparallel.csis.org/north-korea-russia-cooperation/.

[8] DO CANTO, Odilon Antonio Marcuzzo. O modelo ABACC: um marco no desenvolvimento das relações entre Brasil e Argentina. UFSM, janeiro de 2016.

[9] FITZPATRICK, Mark. Could Iran buy nuclear weapons from North Korea? IISS, 4 de novembro de 2025. https://www.iiss.org/online-analysis/online-analysis/2025/11/could-iran-buy-nuclear-weapons-from-north-korea/.

[10] FORÇAS DE DEFESA. Argentina firma acordo com os EUA para adquirir blindados Stryker. Forças Terrestres, 3 de julho de 2025. https://www.forte.jor.br/2025/07/03/argentina-firma-acordo-com-os-eua-para-adquirir-blindados-stryker/.

[11] DIÁRIO 360. A Coreia do Norte declarou oficialmente seu apoio ao Irã. Diário360 (Instagram), 1º de março de 2026. https://www.instagram.com/p/DVVsiTngMHd/.

[12] YOUNG, Benjamin R. Iran Conflict Hardens North Korea’s Nuclear Posture. Korea Economic Institute (KEI), 5 de março de 2026. https://keia.org/analysis/iran-conflict-hardens-north-koreas-nuclear-posture/.

[13] BASSANI. Governo libera R$ 30 bilhões para a Defesa e coloca a Marinha do Brasil no topo das prioridades na modernização das Forças Armadas até 2031. Revista Sociedade Militar, 3 de março de 2026. https://www.sociedademilitar.com.br/2026/03/governo-libera-r-30-bilhoes-para-a-defesa-e-coloca-a-marinha-do-brasil-no-topo-das-prioridades-na-modernizacao-das-forcas-armadas-ate-2031-elz.html.

[14] WERTZ, Daniel; MCGRATH, Matthew; LAFOY, Scott. North Korea’s Nuclear Weapons Program. The National Committee on North Korea (NCNK), abril de 2018. https://www.ncnk.org/resources/briefing-papers/all-briefing-papers/north-koreas-nuclear-weapons-program.

[15] TOGNINI, Marcelo. Kim Jong-un diz que arsenal norte-coreano está à disposição do Irã. O Sul Mato-Grossense, 3 de março de 2026. https://osulmatogrossense.com.br/noticia/30518/kim-jong-un-diz-que-arsenal-norte-coreano-esta-a-disposicao-do-ira.

[16] AOKI, Naoko. Dealing with North Korea as It Deepens Military Cooperation. RAND Corporation, 4 de março de 2025. https://www.rand.org/pubs/commentary/2025/03/dealing-with-north-korea-as-it-deepens-military-cooperation.html.

[17] (DO YONHAP NEWS). Britain sees North Korea as major cyber threat. RUSI, 5 de março de 2026. https://www.rusi.org/news-and-comment/in-the-news/britain-sees-n-korea-major-cyber-threat-cybersecurity-expert.

[18] MARTINS FILHO, João Roberto. O projeto do submarino nuclear brasileiro. SCIELO, dezembro de 2011. https://www.scielo.br/j/cint/a/DnWMLkPj5h9nC7QphZ8PzZH/?format=html&lang=pt.

[19] Ponomarenko, Anton. Breaking the North Korea-Russia Missile Axis. The Diplomat, 8 de dezembro de 2025. https://thediplomat.com/2025/12/breaking-the-north-korea-russia-missile-axis/.

[20] Lakshmanan, Ravie. Google Links China, Iran, Russia, North Korea to Coordinated Cyberattacks. The Hacker News, 13 de fevereiro de 2026. https://thehackernews.com/2026/02/google-links-china-iran-russia-north.html.

[21] RUGGE, Fabio. Confronting an axis of cyber?: China, Iran, North Korea, Russia in cyberspace. Ledizioni, 2018.

[22] UANI. Iran & North Korea: Proliferation Partners. United Against Nuclear Iran, junho de 2024. https://www.unitedagainstnucleariran.com/north-korea-iran.

[23] WALT, Stephen M. The Origins of Alliances. Ithaca. Cornell University Press, 1987.

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