A ofensiva ucraniana em três semanas

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Artilharia russa disparando (Sergei Bobylev/Tass).

Artilharia russa disparando (Sergei Bobylev/Tass).

Todos os avanços da Ucrânia foram custosos, com perda significativa de equipamentos pesados, e os ucranianos perderam grande parte da iniciativa antes mesmo de alcançar as primeiras linhas defensivas russas.


A ofensiva ucraniana finalmente começou e hoje, após pouco mais de duas semanas desde o seu início, podemos observar os resultados desses primeiros movimentos. É claro que duas semanas não são suficientes para julgar toda uma ofensiva a longo prazo, mas definirão o momentum e a velocidade com que ela poderá ocorrer.

A verdade é que uma boa parte da ofensiva sequer alcançou a principal linha de defesa russa, ficando a apenas alguns quilômetros dos primeiros postos de observação quando foi emboscada com o uso de minas, artilharia e drones com capacidade antitanque.

A defesa em profundidade

No dia 7 de junho, os ucranianos lançaram um ataque com baterias de artilharia e mísseis terra-terra contra o setor de Lobkove-Piatykhatky, com o objetivo de desviar a atenção russa.

No entanto, os ucranianos enfrentaram um problema. O Ministério da Defesa da Rússia adaptou sua doutrina e retirou de cena os BTGs (Battalion Tactical Group, Grupo Tático de Batalhão), que eram unidades compactas com pouca autonomia de poder de fogo. Tentaram organizar as tropas em Brigadas, o que falhou novamente. Em vez disso, reorganizaram as tropas em Divisões [1], maiores e autônomas, cada uma com sua própria artilharia e suporte aéreo, o que reduziu o tempo de resposta. As Divisões, como são maiores e possuem maior poder de fogo, podem ser utilizadas para atacar e para defender, tendo autonomia de atuação – possuem seus próprios tanques, seus próprios sistemas termobáricos, sua própria artilharia e seu próprio suporte aéreo. Essa readaptação da doutrina soviética mostrou-se mais eficaz naquilo que as forças regulares russas estavam falhando: tomada de decisões efetivas e rápidas.

Pode parecer contraintuitivo aumentar e centralizar as unidades, mas, na verdade, isso diminui o tempo de resposta e coordena vários batalhões de forma mais coesa, com foco em um objetivo comum: a defesa.

Além disso, a Rússia está aplicando a estratégia da “defesa em profundidade”, que foi melhor desenvolvida com primazia pelos alemães durante a Primeira Guerra Mundial. O coronel-general Aleksandr Romanschuk escreveu vários artigos sobre operações defensivas, como Perspectivas para Melhorar a Eficiência das Operações Defensivas do Exército. Romanschuk foi realocado da Academia de Armas Combinadas das Forças Armadas da Federação Russa e colocado na Frente de Zaporizhzhia, onde demonstrou uma gestão operacional eficiente [2].

A “defesa em profundidade” é uma doutrina que consiste em organizar a frente defensiva em várias camadas, com diferentes objetivos e complexidades, intercaladas por minas e outros obstáculos que visam retirar a iniciativa do atacante. Com a composição em camadas da frente defensiva, é possível observar que a perda territorial é um risco calculado, uma perda contingente que, inclusive, pode ser utilizada em benefício do defensor e para contra-atacar, infringindo inúmeras perdas no inimigo.


FIGURA 1: Semelhança entre as linhas de defesas da Primeira Guerra Mundial e as utilizadas pelos russos em 2022-2023.

A primeira linha geralmente é formada por pequenos postos, trincheiras ou abrigos individuais (foxholes), servindo principalmente para atrasar o avanço inimigo e realizar emboscadas quando possível. Essas posições não são consideradas estrategicamente chave e devem ser abandonadas, com as tropas recuando para uma linha de defesa anterior. No conflito entre a Rússia e a Ucrânia, os russos têm construído essas primeiras linhas em áreas cobertas por árvores ou arbustos, dificultando o reconhecimento e a coordenação de ataques por drones.


FIGURA 2: As cinco camadas de defesa da Rússia na frente do sul da Ucrânia.

Após a primeira linha, as camadas de defesa se tornam mais complexas e extensas, com construções fortificadas e bunkers.

Com a perda da iniciativa do atacante, o defensor lança seu contra-ataque para retomar as posições defensivas abandonadas e restabelecer o status quo territorial da linha de defesa. Esse é exatamente o pensamento de Romanschuk e tem sido aplicado com êxito pelas tropas regulares russas. No entanto, a diferença entre a estratégia alemã da Primeira Guerra Mundial e a estratégia atual russa é a dispersão de recursos e tropas em uma frente mais ampla, visando diminuir as perdas quando uma posição autônoma na primeira linha defensiva é tomada, concentrando as forças de reforço entre mais de uma posição para viabilizar o contra-ataque.

Devemos lembrar que, embora as tropas russas sejam as invasoras, elas possuem um número menor de soldados, porém, possuem um poder de fogo superior, com amplo controle do campo de batalha através de sua artilharia e domínio aéreo. Apesar do aumento das fileiras russas com a mobilização parcial durante esta guerra, não houve uma declaração formal de guerra, o que restringe o número de tropas regulares russas. No entanto, essas tropas foram reforçadas com mercenários e voluntários.

A ideia por trás da estratégia defensiva implementada por Romanschuk é justamente preservar os recursos humanos, mesmo que isso signifique a perda de algumas posições defensivas autônomas e dispersas. Seguindo a lógica da doutrina, essas posições podem ser recapturadas posteriormente ou novas posições podem ser estabelecidas, dependendo da situação do campo de batalha.

Dito isso, em relação à Rússia, espera-se retrações constantes e contra-ataques lançados durante o período diurno, levando em consideração a falta de dispositivos de visão noturna nas forças regulares russas. É o soldado de infantaria comum que tem o objetivo de defender essas posições, e não tropas especializadas e cujo valor tático é mais “caro”.

Setor de Zaporizhzhya: uma aula de como não avançar na guerra moderna

Contudo, diante desse cenário, as tropas ucranianas perderam grande parte de sua iniciativa antes mesmo de alcançarem as primeiras linhas defensivas, devido à falta de equipamentos de engenharia, como veículos projetados para desminagem. Além disso, a falta de criatividade por parte das tropas ucranianas foi devastadora, repetindo a falha ofensiva russa em Vuhledar, com fileiras de veículos blindados e ataques concentrados, o que facilitou o trabalho da artilharia russa. A artilharia russa está em transição, passando de um fogo de supressão disperso em uma ampla área para um fogo concentrado e preciso, com o uso de drones – uma estratégia que já foi utilizada pelos ucranianos.

Em vez de aproveitar sua capacidade de atuação durante a noite, considerando o fornecimento de equipamentos ocidentais, para realizar reconhecimentos com o objetivo de localizar minas nos campos e, se possível, desativá-las, os blindados ucranianos cruzaram em linha reta sob a luz do dia, seguindo um veículo de engenharia. Isso deu às tropas russas a oportunidade de abrir fogo com artilharia e lançar um enxame de drones antitanque. No caos resultante, com a dispersão dos blindados, alguns acabaram passando por cima de minas, o que os incapacitou e forçou a retirada dos atacantes ucranianos.

Nesse contexto, a 47ª Brigada Mecanizada da Ucrânia, que recebeu treinamento da OTAN no Reino Unido e, principalmente, de instrutores americanos na Alemanha, tinha a tarefa principal de lançar um ataque partindo de Mala Tokmachka, passando a oeste das vilas de Novapokrovka, Novofedorivka e Verbave, e flanquear os russos em Robotyne. Essa brigada foi treinada por tropas da OTAN e seus oficiais tinham pouca ou nenhuma familiaridade com a doutrina e o pensamento soviético na arte da guerra. Eles estavam equipados com fuzis M16A4 em vez do habitual AK-74. Além disso, a brigada seria a principal força ofensiva, substituindo os modernizados M-55S (plataforma T-55) pelos Leopard 2. No entanto, suas tropas tinham pouca ou nenhuma experiência em combate.

A falta de experiência, combinada com a escassez de equipamentos para limpeza de campos minados, resultou em um avanço lento e na permanência estática em áreas abertas por um longo tempo no dia 7. Isso deu aos observadores russos a oportunidade que precisavam. Logo em seguida, a artilharia russa começou a disparar e formou uma verdadeira barreira de fogo contra as tropas ucranianas. Somente nesse primeiro ataque da brigada, três Leopard 2 foram atingidos por drones LANCET-3, deixando-os incapacitados para posterior destruição pela artilharia ou por ataques aéreos. De qualquer forma, os atacantes perderam sua iniciativa e tiveram que recuar.


FIGURA 3: A imagem que chocou o Ocidente: Leopard 2A6 e M2 Bradley destruídos.

Em Robotyne, ocorreu um ataque diagonal utilizando os veículos blindados de transporte e suporte de infantaria M2 Bradley. No entanto, houve um erro de cálculo flagrante. Helicópteros russos Ka-52, localizados a uma distância de sete ou oito quilômetros, emboscaram os blindados usando mísseis guiados. Além disso, as linhas de defesa autônomas russas estavam equipadas com armas antitanque, como os mísseis guiados portáteis 9M133, operados por soldados. Em seguida, houve uma tentativa de ataque para possivelmente recuperar os veículos, mas os ucranianos perderam mais um Leopard 2. A 47ª Brigada Mecanizada da Ucrânia, apontada como uma força de elite e seguindo o padrão da OTAN, foi esmagada pelo martelo da artilharia, minas e mísseis russos.


FIGURA 4: Míssil guiado atingindo um M2 Bradley em uma coluna ucraniana de veículos blindados.

FIGURA 5: 50% da frota de Leopard 2R destruída ou incapacitada em um único dia.

No dia 9, ao invés de realizar um ataque pelos flancos, a ofensiva ocorreu frontalmente pela estrada principal em direção a Robotyne. Mais uma vez, ocorreram 11 perdas de veículos, incluindo três dos seis veículos de limpeza pesada de minas Leopard 2R e um recuperador Bergepanzer 3 Buffel. A artilharia e os drones russos desempenharam um papel significativo nesse cenário.

Com a perda de velocidade da ofensiva, os oficiais ucranianos decidiram alterar suas táticas, passando de grandes colunas de blindados para pequenos e dispersos ataques com veículos leves. No entanto, essa mudança dificultou a tomada das posições autônomas russas, uma vez que cada ataque se tornou autônomo, reduzindo a capacidade de operação das armas de suporte ucranianas. Isso significa que uma única peça de artilharia teve que ser compartilhada entre diferentes ataques. É fato que o avanço não foi realizado com a cobertura necessária, o que revela a verdade sobre a capacidade ofensiva das Forças Armadas da Ucrânia aos olhos da mídia ocidental.

É verdade que a OTAN, durante aproximadamente duas décadas, concentrou seus esforços principalmente em guerras assimétricas contra o terrorismo, o que a deixou relativamente despreparada para conflitos regulares e simétricos. Seus adversários, durante esse período, não possuíam uma indústria de defesa consolidada. A doutrina ofensiva da OTAN depende de tecnologias avançadas, incluindo o uso de mísseis de precisão, o que acarreta um desgaste econômico significativo a longo prazo, já que bilhões de dólares são gastos para destruir alvos improvisados e equipamentos que custam consideravelmente menos.


FIGURA 6: Tanque alemão destruído nas estepes da Ucrânia, mas não é 1943–1944, é 2023.

A artilharia ucraniana teve que ser utilizada de maneira mais estratégica, utilizando munições capazes de distribuir minas por trás das linhas de suprimentos inimigas, destruindo munições e insumos. Embora isso possa atrapalhar o abastecimento das primeiras posições defensivas russas, não representa um colapso capaz de permitir um avanço rápido por parte da Ucrânia. Na verdade, isso demonstra o esgotamento da capacidade ofensiva ucraniana, que está se preparando para um eventual conflito assimétrico, buscando gerar atrito contra as forças russas.

Recentemente, observamos um avanço custoso em direção a algumas aldeias das quais os russos abriram mão, pois são posições que não são defendidas “a qualquer custo” devido à doutrina de defesa em profundidade. Além disso, essas supostas conquistas estão sujeitas a constantes contra-ataques e representam um avanço de apenas 500 a 1.000 metros. É importante questionar quantos milhões de dólares dos países ocidentais foram perdidos devido ao uso ineficiente de veículos de ponta nessa situação.

Os custosos sucessos

De fato, o avanço ocorreu no Saliente de Vremivsky, defendido pela 127ª Divisão de Fuzileiros Motorizados, contra os vilarejos Neskuchne, Blahodatny, Makarivka, ao longo do rio Mokri Yaly, e Novodarivka e a fazenda de Levadne, a oeste de Rivnopil, foi facilitado pela presença de cobertura e pela proximidade entre eles, o que permitiu o acesso fácil por veículos de transporte. Essa cobertura oferece uma vantagem para o atacante ucraniano. No entanto, é importante destacar que, se o avanço foi possível apenas nessa região, isso pode indicar uma falta de capacidade em fornecer cobertura de contra-ataque de artilharia.

No dia 5 de junho, a 37ª Brigada de Fuzileiros Navais iniciou seu avanço nesse setor, utilizando veículos blindados leves, conhecidos como MRAPS, projetados para resistir a explosões de bombas caseiras usadas em guerras assimétricas, mas não para enfrentar minas antitanque. Relatos confirmam que a força de ataque sofreu perdas significativas, chegando a 60% da força, incluindo mortos, feridos e capturados, em apenas uma hora, em um único pelotão [3]. Isso nos faz imaginar o total de perdas ao longo de todo o avanço.

Essas informações ressaltam os desafios enfrentados pelas forças ucranianas em seu avanço e destacam a necessidade de estratégias mais eficazes para lidar com as minas antitanque e garantir a proteção das tropas durante as operações de avanço.

Após o fracassado ataque anterior, as forças ucranianas adotaram uma abordagem diferente e mais cautelosa. Passaram a realizar um avanço lento com a infantaria desmontada, sendo posteriormente apoiada por veículos. Embora esse método seja mais lento, ele ajuda a preservar os equipamentos pesados fornecidos pelo Ocidente.

O ataque contra Neskuchne foi realizado pelo 7º Batalhão Separado de Voluntários “Arey”, que monitorou as tropas russas por pelo menos um mês antes de realizar o ataque. Aproveitando a escuridão, conseguiram flanquear os russos e capturar um importante complexo educacional a oeste do assentamento. Diante do cerco, as tropas russas na cidade decidiram recuar para Storozheve.

Essa mudança tática mostra a adaptação das forças ucranianas diante das dificuldades encontradas e sua capacidade de realizar ataques mais precisos e bem planejados, aproveitando oportunidades estratégicas para obter vantagem sobre as tropas russas.

O ataque a Blahodatny foi realizado pela 68ª Brigada Jäger de forma mais inteligente, com a limpeza do campo por engenheiros e técnicos, removendo as minas e abrindo um caminho seguro para o avanço das tropas. Após essa etapa, morteiros e artilharia foram utilizados para suprimir as posições russas, enquanto os blindados MRAP avançaram rapidamente com fogo de supressão das metralhadoras pesadas .50.

No entanto, a tentativa de repetir esse sucesso no avanço contra Urozhaine foi frustrada pelos defensores russos, que conseguiram imobilizar a brigada.


FIGURA 7: Soldados do 7º Batalhão Separado de Voluntários “Arey” em Neskuchne.

Aproveitando a vantagem obtida, as forças ucranianas atacaram Storozheve por dois lados, utilizando a escola em Neskuchne e Blahodatny. Esse ataque foi conduzido pelo 88º Batalhão de Fuzileiros da 35ª Brigada de Fuzileiros.

Essas ações demonstram a diversidade de estratégias adotadas pelas forças ucranianas para avançar em diferentes áreas, combinando o uso de engenheiros para limpar o terreno, apoio de artilharia e morteiros, além do emprego de veículos blindados para suprimir as posições inimigas.

É interessante observar como as tropas ucranianas estão realizando ataques rotativos e utilizando diferentes brigadas treinadas pela OTAN para atacar objetivos distintos. Essa abordagem permite que as brigadas descansem e se reagrupem após cada ataque, evitando o esgotamento das unidades. Além disso, a realização dos ataques em diferentes dias indica um planejamento estratégico para permitir o reagrupamento das tropas entre as operações.

No caso específico de Makarivka, os confrontos foram intensos e o controle dessa região foi disputado várias vezes entre as forças ucranianas e russas. É notável que o Ministério da Defesa da Ucrânia tenha confirmado a tomada de Makarivka em mais de uma ocasião, o que evidencia a volatilidade da situação no terreno e as dificuldades enfrentadas pelas tropas.


FIGURA 8: Avanços das Forças Armadas da Ucrânia no Saliente de Vremivsky.

Quanto a Rivnopil, embora os russos ainda controlem o terreno alto nessa região, a formação de um “semibolsão” de tropas ucranianas em torno do assentamento pode criar uma posição instável para o defensor. Essa situação pode ser explorada pelas forças ucranianas para pressionar e eventualmente retomar o controle do terreno elevado.

Esses desenvolvimentos mostram como a situação no campo de batalha é fluida e em constante evolução, com os dois lados realizando avanços e contra-ataques em diferentes áreas.

O objetivo estratégico dos ataques no setor é capturar o vilarejo de Staromlynivka, que possui uma localização estratégica para as forças ucranianas. Sua captura permitiria o estabelecimento de uma posição avançada para futuros ataques contra a primeira linha de defesa fortificada russa, que se encontra a cerca de sete quilômetros ao sul.

Além disso, a 37ª Brigada de Fuzileiros da Ucrânia está tentando atacar as posições defensivas entre Urozhaine e Novodonetske. Essa investida faz parte dos esforços ucranianos para avançar na região e pressionar as defesas russas.

Diante desses avanços, os russos responderam reforçando a linha entre Urozhaine, Novodonetske e Novomaiorske, preparando-se para um possível grande ataque nessa região. Eles estão cientes de que as forças ucranianas ainda têm outras brigadas treinadas pela OTAN na retaguarda, o que indica a possibilidade de futuras ofensivas em diferentes setores.

Pausa operacional ou desgaste?

O Instituto para o Estudo da Guerra (Institute for the Study of War, ISW), um think tank estadunidense, informou que as tropas ucranianas podem estar temporariamente pausando os esforços ofensivos para readequar suas táticas para operações futuras. Como base, citam o coronel Margo Grosberg, do Centro de Inteligência das Forças de Defesa da Estônia, que declarou em 16 de junho: “Não veremos uma ofensiva nos próximos sete dias” [4]. Além disso, as forças ucranianas quase não relataram ataques bem-sucedidos nos últimos dias.

Embora os ucranianos ainda não tenham utilizado a maior parte das tropas treinadas pela OTAN disponíveis para a ofensiva, todos os avanços, mesmo os que obtiveram algum grau de sucesso, foram bastante custosos. Nos primeiros dias, houve uma perda significativa de equipamentos pesados.

Os avanços realizados foram baseados em uma tática de avanço e esconde-avanço entre vilas próximas, evitando campos abertos. Não é surpresa que a falta de apoio aéreo impossibilite qualquer avanço significativo e rápido, o que dá tempo para os russos reagruparem, fortificarem áreas pressionadas e ressignificarem suas estratégias táticas.

Embora o mencionado ISW afirme que “pausas operacionais são recursos comuns em grandes empreendimentos ofensivos”, é importante ressaltar que ofensivas que perdem a iniciativa tendem a ser contra-atacadas com relativa facilidade, pois as posições conquistadas não estão estabilizadas. Além disso, a perda do elemento surpresa revela os objetivos militares ao defensor.

Os comandantes russos, como Romanschuk, estão aguardando um maior desgaste dos recursos e tropas ucranianas. O consumo de munição de artilharia supostamente destinado a apoiar uma ofensiva em larga escala, juntamente com a perda de vidas humanas, facilita o planejamento de uma contraofensiva. A estratégia russa visa justamente desgastar os recursos do inimigo enquanto preservam os seus próprios. Inclusive, ainda hoje, há registros de uma forte contraofensiva lançada pelos russos com a retomada de parte dos territórios perdidos – devemos aguardar as confirmações.

Anteriormente, esperávamos uma “contraofensiva” ucraniana, mas agora devemos aguardar uma verdadeira contraofensiva, que provavelmente seguirá o que ocorreu no ano passado durante a ofensiva contra Bakhmut.

Notas

[1] In Ukraine, Russia will add three motorized rifle divisions as part of combined arms formations in Kherson and Zaporizhzhia regions, parts of which Moscow claims it annexed in September. REUTERS. Disponível em https://www.reuters.com/world/europe/russias-military-reforms-respond-natos-expansion-ukraine-chief-general-staff-2023-01-24/.

[2] SPUTNIK. Disponível em https://sputniknewsbrasil.com.br/20230610/contraofensiva-ucraniana-corre-para-a-parede-defensiva-russa-afirma-especialista-militar-29177366.html.

[3] “There were fewer than 50 men in the unit, he said, and 30 did not return – they were killed, wounded or captured by the enemy. Five of the unit’s armored vehicles were destroyed within the first hour.” Washington Post. Disponível em https://www.washingtonpost.com/world/2023/06/13/ukraine-counteroffensive-kryvyi-rih-donetsk/.

[4] Institute for the Study of War. Disponível em: https://www.understandingwar.org/backgrounder/russian-offensive-campaign-assessment-june-18-2023.

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