A Guerra na Ucrânia e a Unidade do Ocidente

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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, conversam em Kiev, Ucrânia, em 15 de setembro de 2022 (AP).

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, conversam em Kiev, Ucrânia, 15 de setembro de 2022 (AP).

A continuidade da guerra na Ucrânia pode se tornar um teste difícil para a unidade do Ocidente – leia-se EUA e União Europeia.


Se até o ano passado o Ocidente – Estados Unidos, União Europeia e alguns aliados no Pacífico – mostrou unidade e resiliência, em 2023 a probabilidade de surgirem sinais de fragmentação pode aumentar. Nos EUA, o governo de Joe Biden deve continuar com os subsídios de sua Lei de Redução da Inflação, com a aproximação da eleição presidencial de 2024 e os interesses dos estados indecisos fortalecendo essa política. Com uma provável recessão global, é possível que as decisões de Biden acabem prejudicando as relações com o Ocidente e gerem protecionismo.

Podem crescer também algumas divisões em relação à China. O gigante asiático e a UE são parceiros comerciais importantes para diversos países europeus, e pelo menos a Alemanha, a França e a Itália devem buscar um relacionamento mais independente com Pequim. Mesmo aliados dos EUA no Pacífico, como o Japão e a Coréia do Sul, podem procurar refrear um pouco a “guerra tecnológica” de Washington contra os chineses, especialmente no que diz respeito à questão de semicondutores.

Na Ucrânia, a unidade ocidental deve passar por um teste difícil. Muitos analistas no Ocidente acreditam que a determinação da Europa pode aumentar se a Ucrânia for capaz de realizar ofensivas eficazes contra a Rússia quando o inverno terminar e o tempo esquentar, mas isso depende do contínuo apoio ocidental. Por outro lado, a Rússia aposta em um inverno frio para se reagrupar enquanto destrói a infraestrutura da Ucrânia, ao mesmo tempo em que a deterioração das condições econômicas acabe forçando países europeus a questionar seu apoio à Ucrânia. Assim, os primeiros meses de 2023 serão cruciais para maiores avaliações.


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A guerra colocou a defesa e a energia no topo das agendas. Desde o início do conflito, a UE assumiu uma postura de alinhamento com os EUA, impondo pesadas sanções à Rússia; no entanto, os europeus vêm sentindo fortes efeitos, pagando preços muito mais altos pelo gás fornecido pelos EUA, sofrendo com aumento geral de preços e intensificação de conflitos sociais. Tensões nas relações entre membros, especialmente França e Alemanha, expõem divisões internas e podem enfraquecer a União.

Um subproduto da guerra na Ucrânia que se apresenta como um desafio para os EUA e seus aliados ocidentais é o aprofundamento dos laços militares da Rússia com o Irã, que vem fornecendo drones e outras munições sofisticadas. Em troca, o Irã deve obter novos equipamentos militares e suporte técnico da Rússia, incluindo caças Sukhoi Su-35, sistemas de defesa aérea e outras tecnologias militares avançadas. Mesmo sob sanções há anos, o Irã está aumentando suas capacidades militares e resistindo aos protestos iniciados em setembro de 2022. O país vem acelerando seu programa nuclear, intensificando o enriquecimento de urânio depois que as negociações em Viena não avançaram (outro revés para o Ocidente, e ajuda a mostrar porque as sanções não derrubaram a Rússia).

As decisões entre continuar acompanhando os EUA e pressionar Moscou, ou fortalecer sua autonomia, amenizar as relações com a Rússia e levar Kiev à mesa de negociações, ao mesmo tempo em que procura expandir as relações com a China, será um teste de habilidade para os líderes europeus.

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