Truques sujos e planos mirabolantes: a Operação Mongoose

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Fidel Castro diverte-se com as notícias de um plano para seu assassinato, por volta de 1959 (Foto: Bettmann/Getty Images).

Fidel Castro diverte-se com as notícias de um plano para seu assassinato, por volta de 1959 (Foto: Bettmann/Getty Images).

Fidel Castro foi uma das figuras mais conhecidas da Guerra Fria. Ele foi especialmente famoso nos Estados Unidos porque os funcionários do governo americano estavam desesperados para vê-lo destituído do poder. O presidente Kennedy gastou mais tempo com Cuba do que com qualquer outro problema de política externa durante seu mandato.


A Operação Mongoose foi desenvolvida com o objetivo de se livrar de Fidel. Por meio dessa operação secreta, a CIA e o governo Kennedy elaboraram o que só pode ser descrito como uma trama maluca e escandalosa para tirar Fidel do poder – a qualquer custo.

Antes de John F. Kennedy ser eleito, a administração Eisenhower e a CIA exploraram clandestinamente as maneiras pelas quais o líder cubano Fidel Castro poderia ser minado e expulso do poder. As políticas comunistas de Castro, seus laços estreitos com a União Soviética e a proximidade geográfica de Cuba com os Estados Unidos deixavam os funcionários do governo dos EUA ansiosos.

Documentos afirmam que a CIA explorou a ideia de assassinar Castro ao alistar a ajuda da Máfia antes de Kennedy assumir o cargo. Afinal de contas, a máfia teria um motivo para querer que Fidel fosse morto, depois que ele fechou cassinos e interrompeu viagens e negócios da máfia em Havana. Da mesma forma, a máfia daria à CIA uma negação plausível se um plano de assassinato fosse descoberto.

Quando Kennedy assumiu o cargo, esses planos foram descartados. O que não foi abandonado, entretanto, foi a planejada invasão da CIA a Cuba. Em março de 1960, Dwight D. Eisenhower ordenou à CIA que treinasse e armasse uma força de exilados cubanos para um ataque armado a Cuba. Quando Kennedy se tornou presidente em 1961, não apenas herdou esse plano de Eisenhower, mas, apesar dos avisos de seus conselheiros militares para não o fazer, decidiu segui-lo.


O comandante Fidel Castro e o líder soviético Nikita Khrushchev em Moscou, 1964 (Foto: Hulton Archive/Stringer/Getty Images).

Em 17 de abril de 1961, cerca de 1.200 exilados cubanos equipados com armas americanas e usando embarcações americanas desembarcaram na Baía dos Porcos, em Cuba. A ideia era que essa força de exílio motivaria outros cidadãos cubanos a se rebelar e derrubar Castro e seu governo.

A realidade da situação era, é claro, muito diferente da expectativa idealizada. O plano desmoronou imediatamente, mais de 100 atacantes foram mortos e quase 1.100 foram capturados.

A Operação Mongoose

A Operação Mongoose foi criada após o fracasso da Baía dos Porcos. Após essa invasão fracassada, o governo Kennedy estava determinado a tirar Castro do poder em Cuba – de uma forma ou de outra.

O secretário de Defesa, Robert McNamara, lembrou que tanto ele quanto os Kennedy estavam “histéricos sobre Fidel na época da Baía dos Porcos e depois”. Deste ponto em diante, o governo Kennedy e a CIA intensificaram suas tentativas de expelir Castro do poder em Cuba.

Em novembro de 1961, uma operação clandestina conhecida como Operação Mongoose foi oficialmente autorizada pelo presidente Kennedy. O objetivo era fazer exatamente o que a invasão da Baía dos Porcos falhou – remover o regime comunista de Fidel.

O presidente Kennedy, que achou que seus conselheiros militares o haviam traído durante a invasão da Baía dos Porcos, encarregou seu irmão Robert Kennedy de supervisionar a operação, enquanto o general Edward Lansdale foi encarregado de coordenar as atividades entre a CIA e os departamentos de Defesa e de Estado.


Robert Kennedy (à esquerda) e John F. Kennedy (à direita), por volta de 1959 (Foto: Corbis via Getty Images).

Em uma reunião sobre Cuba na Casa Branca em novembro de 1961, Robert Kennedy escreveu que sua “ideia é agitar as coisas na ilha com espionagem, sabotagem e desordem geral, dirigida e operada pelos próprios cubanos”. O objetivo era que até outubro de 1962, uma revolta ocorreria em Cuba, por parte do povo cubano, para derrubar Castro.

Truques sujos e tramas de assassinato

O governo Kennedy adotou muitas táticas para fazer o povo cubano se revoltar contra Fidel. Essas táticas incluíam operações psicológicas lideradas por Edward Lansdale, que criou uma rádio anti-Castro transmitida secretamente em Cuba.

Uma operação sugerida por Lansdale foi intitulada “Operação Bom Tempo”. Teve como objetivo “desiludir a população cubana” ao circular fotos falsas de um Fidel obeso em uma sala ricamente mobiliada para fazer o povo cubano pensar que ele estava se aproveitando dos cidadãos.

Os agentes da CIA em Cuba também circularam histórias sobre heroicos combatentes pela liberdade na esperança de unir o povo cubano.

No entanto, a parte central dos planos de Lansdale contra Castro era uma série de “truques sujos” em grande escala com o objetivo de evocar apelos às armas contra Cuba na comunidade internacional.

Alguns desses “truques” incluíam cubanos amigáveis ​​em uniformes do exército cubano atacando a base dos EUA na Baía de Guantánamo e sabotando um navio dos EUA vazio no porto. Outro “truque sujo” sugeria a realização de uma “campanha de terror na área de Miami e em outras cidades da Flórida, e até mesmo em Washington”. Esses ataques poderiam ser atribuídos a Castro e permitiriam uma intervenção militar dos EUA em Cuba.


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Outro truque sujo que saiu da Operação Mongoose envolveu a cápsula espacial Mercury e o astronauta John Glenn, o primeiro americano a orbitar a Terra. A ideia proposta era “fornecer uma prova irrevogável de que, caso o voo em órbita tripulado da Mercury falhe, a culpa é dos comunistas e de outros cubanos”. Os planejadores sugeriram que isso poderia ser conseguido “fabricando várias evidências que provariam interferência por parte dos cubanos”.

Embora nenhum desses planos propostos por ou para Lansdale tenha sido adotado, algumas tentativas de matar Fidel foram empreendidas por membros da Operação Mongoose. Essa parte da operação, que ficou conhecida como “Ação Executiva”, era comandada pelo agente da CIA William King Harvey.

Supostamente, “ação executiva” era um eufemismo da CIA, definido como um projeto de pesquisa sobre o desenvolvimento de meios para derrubar líderes políticos estrangeiros, incluindo a “capacidade de realizar assassinatos”. O projeto específico de Harvey recebeu o codinome ZR/RIFLE. Harvey tentou usar mafiosos para assassinar Castro, mas não teve sucesso em nenhuma das tentativas.

Declínio

Apesar de todos os planos mirabolantes e propostas imaginativas, a Operação Mongoose existia mais no papel do que na realidade. Assim que a crise dos mísseis cubanos começou, em 16 de outubro de 1962, o presidente Kennedy a suspendeu.

Embora os esforços para derrubar Castro tenham sido retomados, a Operação Mongoose foi oficialmente desfeita em 1963. No entanto, só em 1974, após o escândalo de Watergate, documentos sobre a Operação Mongoose vieram à tona pela primeira vez.

Tradução e adaptação de Albert Caballé Marimón do original de Madeline Hiltz publicado pelo War History Online.

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