O caso do submarino franco-australiano pode afundar a estratégia indo-pacífica da UE?

Bandeiras da União Europeia e da Austrália (Foto: AIIA).

**Exclusivo Assinantes** A decisão da Austrália de rescindir o contrato de A$ 90 bilhões com a França para forjar uma nova aliança com os EUA e o Reino Unido foi um choque para a Europa. Ironicamente, o anúncio veio poucas horas antes de a UE lançar a sua própria Estratégia Indo-Pacífico.

O acordo Estados Unidos–Austrália e os limites da estratégia anti-China dos EUA

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o então primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, no convés do HMAS Waller, um submarino classe Collins da Marinha Real da Austrália, em Sydney, maio de 2018 (Foto: Brendan Esposito/AFP).

A União Europeia quer um caminho intermediário entre China e EUA, e o anúncio AUKUS, com o cancelamento do acordo australiano com a França, mostra que isso será difícil. A UE geralmente considera os EUA seu aliado mais próximo, mas o bloco tem laços econômicos profundos com a China, tanto como mercado de exportação quanto como fornecedor.

As alianças americanas no Indo-Pacífico

Embarcações das marinhas da Índia, EUA, Japão e Austrália participando do exercício Malabar 2020. O porta-aviões USS Nimitz, da Marinha americana, o submarino INS Khanderi e o porta-aviões INS Vikramaditya, da Marinha indiana, podem ser vistos na imagem (Foto: Marinha da Índia).

As alianças dos Estados Unidos na região do Indo-Pacífico vão além do recém anunciado pacto AUKUS, e incluem também o diálogo Quad e o mais antigo Five Eyes.

Por que a Austrália rejeitou a França

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, discutiram o projeto do submarino da Austrália durante a XIII Cúpula do G20 realizada em Buenos Aires, Argentina, em novembro/dezembro de 2018 (Foto: Lukas Coch/AAP).

As circunstâncias mudaram desde 2016 e o apoio para a frota de submarinos da Marinha australiana se tornou uma questão de interesse nacional fundamental. Portanto, a decisão da Austrália foi a respeito de geopolítica, e não apenas um contrato comercial.

O novo e surpreendente acordo de segurança da Austrália

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, em teleconferência com o presidente americano, Joe Biden, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante o anúncio do AUKUS (Foto: The Australian).

Os líderes dos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido anunciaram um novo pacto trilateral de segurança. Suas breves, embora significativas, declarações foram notadas mais pelo que eles não disseram.

O “AUKUS” e as reações na França e na China

Um helicóptero MH-60R conduz um exercício antissubmarino com o HMAS Rankin (classe Collins) da Marinha australiana, na área de exercícios da Austrália Oriental (Foto: Royal Australian Navy).

Novo pacto militar com os EUA e o Reino Unido desfaz programa de compra de submarinos franceses pela Austrália; a França classifica a decisão de “lamentável”, e a China diz que o acordo “prejudica a paz regional”.

Tensão China-EUA: Strike groups mostram os EUA fortalecendo sua presença no Indo-Pacífico

Porta-aviões classe Nimitz da marinha americana, USS Carl Vinson (Foto: US Navy).

Especialistas militares dizem que implantação regular de grupos de ataque na região indica que os EUA continuarão a fortalecer sua presença militar na região; Especialistas militares e estaleiros chineses acompanharam de perto o teste de choque do USS Gerald Ford para possíveis lições.

Radar Semanal 11/06/21

Exercício de fogo real da Marinha chinesa no Mar da China Oriental em agosto de 2020 (Foto: Navy.81.cn).

O Radar desta semana traz uma advertência da DW, afirmando que uma corrida armamentista de IA já está em andamento; em artigo da Anadolu, analista afirma que Israel está usando os escassos recursos hídricos da região como arma política; uma análise da Foreign Affairs diz que os EUA não estão preparados para uma guerra com a China; e reportagem do SCMP avalia que uma guerra China-EUA poderia começar devido a um acidente.

Departamento de Defesa dos EUA conclui força-tarefa da China e mantém recomendações em sigilo

O presidente dos EUA, Joe Biden, dirige-se a militares americanos na RAF Mildenhall na Grã-Bretanha na quarta-feira 9 de junho (Foto: AP).

O porta-voz do Pentágono disse que o objetivo da força-tarefa foi determinar a melhor estratégia para lidar com a China; ao que se sabe, algumas recomendações envolvem mais educação e proficiência sobre o país.

China e Vietnã concordam em estabelecer linha direta para “lidar com emergências” no Mar do Sul da China

As tensões sobre o Mar do Sul da China, rico em recursos, há muito pesam sobre as relações entre a China e o Vietnã (Foto: Reuters).

Os chefes da marinha chinesa e vietnamita também prometem melhorar o compartilhamento de informações e aumentar a cooperação; linha direta é vista como forma de auxiliar no controle das tensões sobre suas disputas territoriais na região.