A integridade territorial do Azerbaijão não tem nada em comum com o Nagorno-Karabakh

Soldados do Exército de Defesa do Nagorno Karabakh liderado pela Armênia em um caminhão seguindo para a cidade de Martakert, em 29 de setembro de 2020 (Foto: Narek Aleksanyan/AFP).

É opinião comum que o Nagorno-Karabakh é um conflito insolúvel, pois dois princípios do direito internacional se contradizem: o direito à autodeterminação e o direito à integridade territorial. Mas a situação parece ser diferente, já que o Artsakh –nome histórico armênio do Nagorno-Karabakh – não tem nada em comum com a integridade territorial do Azerbaijão, e, neste artigo, a autora mostra por quê.

Fim da guerra (por enquanto) em Nagorno Karabakh

Uma conjunção de fatores levou o Azerbaijão a se sentir livre para atuar militarmente no Nagorno Karabakh, numa demonstração prática da máxima de Clausewitz. Ao mesmo tempo, o conflito pode indicar a nova realidade de um mundo multipolarizado, no qual a falta de freios impostos por potências hegemônicas ou organismos multilaterais abre espaço para que novas potências globais ou regionais atuem na defesa de seus interesses.

Armênia e Azerbaijão: cem anos de rivalidade

Região criada pela União Soviética nos anos 1920, o Nagorno-Karabakh gerou tensões entre Armênia e Azerbaijão, mantidas sob controle durante o regime. Com a queda da URSS, os países travaram uma guerra sangrenta pela região que terminou em 1994, mas desde então os atritos na região são constantes.