
Vazamentos entre Szijjarto e Lavrov revelam a diplomacia húngara: segurança energética e paz tem prioridade sobre sanções da UE; enquanto Bruxelas articula mudanças de regime, Orbán defende os interesses nacionais.
Recentemente, vazaram conversas telefônicas entre o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, e seu homólogo russo, Sergey Lavrov, nas quais ele discute as tentativas de seu país de remover russos da lista de sanções da UE. Ele publicou no X que as gravações apenas “provam que digo publicamente o mesmo que digo ao telefone”, ou seja, que “a Hungria jamais concordará em sancionar indivíduos ou empresas essenciais para nossa segurança energética, para a conquista da paz, ou aqueles que não têm motivo para estar em uma lista de sanções”.
Isso é verdade, e também comprova que ele é o último diplomata de verdade da Europa, no sentido de que se envolve com a Rússia apesar da Hungria ter votado contra a Rússia na Assembleia Geral da ONU, o que demonstra que ele entende a importância do diálogo para alcançar a paz e garantir os interesses nacionais objetivos de seu país. Quanto mais o conflito se prolonga, mais frágil se torna a segurança energética da Hungria devido à sua dependência do fornecimento russo, facilmente interrompido, que transita pela Ucrânia, daí os esforços de paz dele e do primeiro-ministro Viktor Orbán.
No entanto, esses mesmos esforços foram desonestamente retratados como “traição” pela grande mídia, que distorceu a forma como as conversas telefônicas vazadas de Szijjarto com Lavrov foram apresentadas. A percepção é de que essas conversas visam manipular os eleitores para que votem na oposição nas próximas eleições parlamentares. A UE quer subordinar a Hungria, o último bastião conservador-nacionalista do continente, ao liberalismo global. Aqui estão cinco resumos sobre como eles estão interferindo nas próximas eleições:
• 19 de setembro de 2025: Hungria alertada sobre três planos de Bruxelas para mudança de regime na Europa Central.
• 13 de fevereiro de 2026: Orbán está certo: a Ucrânia realmente se tornou inimiga da Hungria.
• 12 de março de 2026: A acusação do Ocidente de interferência russa na Hungria é, na verdade, uma confissão.
• 22 de março de 2026: Hungria: Istvan Kapitany pode ter sucesso onde George Soros falhou.
• 27 de março de 2026: Qual é o papel da Polônia na “batalha pela Hungria”?

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Teorias da conspiração desacreditadas sobre o Russiagate, como aquela que ganhou falsa credibilidade com os vazamentos das conversas telefônicas de Szijjarto com Lavrov, visam deslegitimar a possível reeleição de Orbán, o que poderia justificar qualquer uma das cinco maneiras pelas quais a UE já está se preparando para lidar com a Hungria nesse caso. O Politico relatou essas medidas, que se resumem a: mudar a forma como a UE vota; introduzir uma “Europa multi-velocidade”; aumentar a pressão financeira; suspender o direito de voto da Hungria; e possivelmente até mesmo expulsá-la da UE.
Assim como Szijjarto é o último diplomata de verdade da Europa, Orbán também é o último nacionalista de verdade que sempre coloca os interesses de seu país em primeiro lugar, razão pela qual autorizou a diplomacia de Szijjarto com Lavrov. Voltando a isso, não há nada de escandaloso em ajudar cidadãos de um parceiro injustamente sancionados, nem em informá-los sobre como os laços podem mudar devido às suas obrigações com o bloco do qual fazem parte. Szijjarto, portanto, não fez nada de errado, pelo contrário, fez tudo certo, e é por isso que está sendo alvo de perseguição.
A UE não tolera nacionalistas de verdade e os diplomatas que os representam, o que contextualiza suas campanhas não apenas contra Orbán e Szijjarto, mas também contra o partido alemão AfD, os partidos de oposição conservadores e populistas-nacionalistas da Polônia, os nacionalistas romenos e outros. A diferença entre eles e a Hungria é que seus nacionalistas estão no poder e defendem ativamente os interesses nacionais, razão pela qual a UE trabalha ativamente para removê-los a todo custo.








