O “Escotista sem Lenço” e o “Pai de Apoio”: As discretas figuras do Movimento Escoteiro e sua importância

Compartilhe:
Imagem meramente ilustrativa, gerada por inteligência artificial.

Imagem meramente ilustrativa, gerada por inteligência artificial.

Escotista sem lenço é aquele que oferece seu melhor sem esperar aplausos. Reflexão sobre o voluntariado genuíno, a importância de servir aos demais e como pequenos gestos de solidariedade transformam vidas e constroem comunidades melhores.


Escotista sem lenço.

Ouvi esse termo quando descobri ser reconhecido como um deles, mesmo sem saber do que se tratava. Raramente escrevo “em primeira pessoa”, pois não aprecio e não me é confortável, mas nesse caso se fez adequado.

Possuo especial predileção pelos temas afetos à Segurança Pública, Guerra Híbrida e outros vinculados a estes. Mas, tão relevante quanto, é reconhecer a importância do trabalho voluntário na efetiva construção de uma sociedade melhor, onde valores como respeito tornam-se um pilar e a “primeira pessoa do plural” o pronome mais desejado. Trabalho voluntário este, anônimo, onde oferecer ao destinatário experiências que robustecessem o caráter e agregassem valores úteis acaba por resultar em impacto positivo em inúmeras vidas. De certa forma, acaba por proporcionar bons resultados e por ajudar, também, na própria Segurança Pública e na vida em comunidade. Uma das atividades voluntárias relevantes, das várias existentes, é o Movimento Escoteiro, sobre o qual sugerimos a leitura do artigo Escoteiros: alertas para servir. Sempre!

Normalmente, pelas missões efetuadas, pelo que é exigido de seus integrantes, ou mesmo pelo imaginário popular, as unidades policiais de Operações Especiais acabam por ter como missão, também, compartilhar conhecimento com outros públicos. Nos Comandos e Operações Especiais, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, não é diferente. Além de diversos cursos dedicados ao contingente policial e/ou militar, é comum que a unidade receba visitas para compartilhar experiências ou promover instrução, ao mesmo tempo em que, também, ocorre o deslocamento de efetivo com idêntico propósito.


No canto superior esquerdo, juntamente com outros integrantes da Equipe COE 40, foi possível atender uma solicitação para ministrar instrução a bombeiros-mirins em São Paulo-SP. O diretor desse grupo, que promovia essa importante atividade com jovens, era um Policial Militar da Reserva que se empenhava de forma admirável e inspiradora. Anos depois, já como Chefe Escoteiro efetivo, uma experiência interessante foi levar jovens do Grupo Escoteiro ao qual eu pertencia (GE 360/SP – Primeiro de Brownsea) à mesma unidade em que eu havia servido, para que fossem instruídos sobre diversos temas, oportunidade que foi gentilmente concedida diversas vezes por aquela unidade especializada da Polícia Militar. Unidades como as de Operações Especiais, Bombeiros e Canil rotineiramente prestam este tipo de apoio (Acervo pessoal).

Quando eu integrava a Equipe COE 40, recebíamos com frequência Grupos Escoteiros nos finais de semana. Era algo agradável, e a convivência relativamente regular com eles, principalmente respondendo aos questionamentos ou observações de crianças nos assuntos mais diversos (o que nos levava, muitas vezes, a refletir em silêncio), se fazia acompanhar pela percepção de que muitos irmãos de profissão, também, se faziam presentes por se sentirem bem, compartilhando algo. Era notório, portanto, que muitos Policiais Militares que usavam a distinta boina verde (e, certamente, poucos imaginam o que é necessário para poder ter uma delas sobre a cabeça), acabavam por se voluntariar e comparecer, mesmo nos escassos períodos de folga, para somar, levando em conta a extremamente intensa e extenuante rotina profissional.

Com alguns desses policiais voluntários, certa vez, nos deslocamos para uma aprazível cidade do interior de São Paulo para prestar apoio a uma atividade escoteira de alguns dias. O efetivo havia retornado de uma missão extremamente cansativa, que tinha consumido quase uma semana de intenso empenho – o que era perceptível pelo rosto de todos –, e dedicou seus esforços, por acreditarem na importância do que estavam fazendo, bem como, particularmente, pelos destinatários. Ao final do evento, prestes a retornar para a sede da unidade, o que renderia algumas horas de viagem, a Chefia daquele grupo fez questão de oferecer uma refeição. Durante a mesma, um dos Chefes, pessoa perceptivelmente empenhada com o Movimento Escoteiro, em breve e impactante discurso de gratidão, me presenteou com o tradicional e característico chapéu que usava. Foi difícil expressar em palavras, naquele momento, o que senti. Ele me chamou (bem como aos outros três integrantes do COE) de “escotista sem lenço”. Escotista é o termo utilizado para designar o voluntário adulto. Pensei nesse termo por dias. Nunca, na infância, havia tido a oportunidade de ser escoteiro.

O tempo passou.

Perguntei ao meu filho, já com idade para ingressar como Lobinho, se ele teria interesse em participar desse tipo de atividade. Expliquei que seria uma experiência extremamente útil. Minha esposa também concordou e ele gostou da ideia. O grupo foi escolhido, inicialmente, por conhecer a escola onde estava sediado. Uma breve nostalgia. Fizemos uma visita, e meu filho já começou uma interação extremamente agradável, com uma chefia muito dedicada. Notei que havia uma atividade vaga, pois um Chefe estava ausente por motivo de força maior. Era notória a preocupação dos escotistas com o fato e, portanto, com o que deveria ter ofertado naquele período em que as crianças aguardavam. Como falavam próximo a mim, me desculpei pela intromissão e me voluntariei para ministrar a instrução, caso permitissem. A permissão foi concedida e foi minha primeira atividade com o GE 123/SP – Ararigbóia, tradicional e respeitado grupo paulistano. Na semana seguinte, perguntei se desejariam que colaborasse com outra instrução, o que também foi permitido. Ouvi de um dos mais formidáveis e compromissados Chefes que conheci (que hoje se encontra junto a Deus, no Grande Acampamento), Marcelo Silva “Bigjoy”, que era um escotista sem lenço de que ele gostou muito. Foi a segunda vez que ouvi o termo.

Findado o período de adaptação de meu filho, chegou o momento da Promessa e de receber seu lenço. Junto dele (e de várias pessoas que se tornaram amigas), também fiz a minha Promessa, recebi o lenço, utilizei o chapéu que havia recebido tempos atrás e tornei-me Diretor Técnico do Grupo, uma função muito interessante, pois eu podia participar das atividades dos vários ramos do Movimento Escoteiro. Desse momento em diante, outra presença era normalmente frequente: minha esposa, que se fazia acompanhar de nossa filha recém-nascida.

Das atividades destinadas aos Ramos Escoteiros (a saber, os lobinhos, escoteiros, seniores e pioneiros), minha esposa com nossa filha, tanto como “mãe de apoio” como de forma voluntária no que fosse necessário, começava a se fazer constantemente presente.

Em uma grande atividade que envolveu centenas de jovens do Ramo Sênior em 2013 (portanto, com nenhum dos nossos filhos participando), ficamos com outros voluntários preparando o evento e, na data prevista, depois de muito esforço coletivo, permanecemos alguns dias com eles (sendo que todos, sem exceção, deram seu melhor, algo marcante que testemunhamos e, também, por nos sentirmos parte do que estava sendo feito com tanto carinho).

Durante a noite, em uma das bases, em um estande de tiro, minha esposa estava conduzindo a experiência de uma atividade de tiro ao alvo com carabinas de pressão, o que foi bem atrativo para os jovens. Recebeu um lenço branco, destinado aos participantes. O maior elogio que ela recebeu foi ser chamada de uma “excelente escotista sem lenço”. Percepção que lhe foi dirigida por dois chefes, de grupos distintos (e eu fiquei muito orgulhoso ao ouvir).

O tempo passou e continuamos a somar esforços em outro Grupo. O dia mais emocionante que tivemos foi quando minha esposa, efetivamente, fez sua Promessa e, junto da família, recebeu formalmente seu lenço. A emoção foi devidamente compartilhada pelos Chefes presentes, o que foi especial, muito especial. Era o momento, então, de entregar-lhe o chapéu que havia recebido de presente. Honestamente, ela foi a melhor destinatária para ele, pois passou a utilizá-lo sempre, quando adequado. De um ex-escotista sem lenço para uma outra. Era notória nesse grupo, também, uma intensa ação de “pais de apoio”, quer seja se revezando para que outros pudessem descansar no período noturno em atividades externas, quer seja em qualquer outra oportunidade onde efetivamente faziam uma grande diferença. Era uma verdadeira equipe, que formou uma sólida amizade, constantemente presente e com grande iniciativa, onde conheci pessoas formidáveis. Literalmente, um diferencial enorme para o Grupo Escoteiro.

Apesar de poder parecer inicialmente similar, até pela idêntica importância de ambos, “escotista sem lenço” não se refere exatamente a “pais de apoio”.


Além de uma forma muito agradável de realizar atividades com os próprios filhos, o Movimento Escoteiro propicia ao adulto voluntário a grata oportunidade de oferecer suas habilidades, boa vontade e conhecimentos a outros. Logo entenderá que recebe muito mais do que oferece. Tão importante quanto o empenho e a percepção disso pelo escotista, também é pelo pai de apoio ou escotista sem lenço, pessoas muito necessárias para um Grupo, em qualquer circunstância, independentemente do tempo que disponibiliza ou da frequência nas atividades (Livro “Nossos 18.250 Dias – 50 anos do Grupo Escoteiro Desbravador”).

Os “pais de apoio” são figuras importantíssimas para que ocorram eventos escoteiros. São os pais/responsáveis dos jovens pertencentes a um Grupo. Mesmo que não atuem rotineiramente, em muitas atividades fazem a diferença para contarmos com mais mãos, mais olhos e mais boa vontade para que uma atividade, dedicada a seus filhos, inclusive, ocorra bem.

O Grupo Escoteiro incentiva (gosta e, principalmente, necessita) dessa participação. As crianças (o que inclui, também, seus filhos, que ficam orgulhosos) recebem mais apoio e o próprio voluntário eventual sente-se bem. Portanto, são figuras cuja presença é sempre adequada. Somente quem participou de uma intensa atividade externa (à sede do Grupo), reconhece o quanto são importantes braços e olhos a mais, principalmente quando, ao final dos eventos, um considerável volume de material precisa retornar para a sede e todos estão cansados. Embora atribuída a Baden-Powell, a famosa frase “a mais forte de todas retóricas é o exemplo” (que na verdade é inspirada no pensamento de Thomas Brooks), tornar-se “pai de apoio” é uma forma de participar efetivamente, ainda que de maneira branda, na construção e oferta dos serviços e experiências de que nossas famílias necessitam no mundo atual. Delegamos nossas expectativas a muitos terceiros – e ninguém em sã consciência nega, por exemplo, a importância dos professores e do ambiente escolar nesse contexto – mas podemos contribuir ativamente, mesmo que seja apenas uma hora por mês, para que essas expectativas resultem em felicidade e satisfação.

Portanto, o “pai/mãe de apoio” propicia mais do que expectativa passiva (ou eventual cobrança), pois faz sua parte demonstrando atitude colaborativa e solidária. Participa, porque a atitude convence e ensina mais do que a retórica.

O “escotista sem lenço”, além das atividades descritas anteriormente, não necessariamente possui um filho participando da atividade ou, mesmo tendo um em algum ramo, participa de forma intensa para que outras crianças, em outros ramos, tenham uma excelente experiência, ainda que este adulto não esteja formalmente inscrito na União dos Escoteiros do Brasil. Normalmente ausentes ou discretos nas homenagens destinadas aos chefes, aos jovens e a outros colaboradores, raramente conhecidos ou até mesmo reconhecidos pelos pais (dos jovens), o escotista sem lenço é um apoio imprescindível para a Chefia. Seu pagamento? Ter feito algo por alguém. Discretamente, sem aplauso, trabalhando pelo que acredita.

Como adultos voluntários que somos, por vezes, vivemos alegrias imensas (não que contratempos deixem de ocorrer ou, principalmente, que os esforços feitos se reflitam, tão somente, no momento da entrega da atividade). Alegrias muito intensas e, também, silenciosas, pois o principal protagonista é o destinatário dos nossos esforços. A maior de todas elas, que tive o privilégio de sentir, ocorreu em 2025, no GE 8/SC Desbravador e foi pela conduta de alguém.


LIVRO RECOMENDADO:

Nossos 18.250 Dias: 50 Anos do Grupo Escoteiro Desbravador

• Nilo Fragozo e Grupo Escoteiro Desbravador (Autores)
• Capa comum
• Edição Português


Escotistas ficam felizes em verificar o interesse que jovens possuem em galgar especialidades (o que significa que procuraram conhecer um pouco mais sobre diversos temas). Existem insígnias relevantes também, que são destinadas a jovens que cumprem diversas etapas. Escoteiros, seus pais e o próprio Grupo se alegram com essa conquista. Mas existe algo muito maior do que isso, na minha concepção pessoal (sendo, portanto, única e exclusivamente um posicionamento individual, que não necessariamente reflete um grupo ou mesmo o Movimento Escoteiro). Imensamente maior mesmo, mais profundo e efetivo em longo prazo.

Seria até relativamente fácil, em uma Tropa Escoteira, se um jovem fosse receber uma insígnia importante ou, talvez, isso seria até algo esperado, caso ele contasse, por exemplo, com os dois pais e o próprio irmão como chefes daquela tropa que integra. Falo de minha filha, no caso. Optamos não somente por respeitar a “velocidade” dela e sempre explicamos que a trataríamos exatamente da mesma forma que aos demais, durante as atividades. Afinal, além dela, éramos responsáveis por muitas crianças (com cujos pais raramente ou nunca tivemos contato). Também, muitas vezes, alguns pais vinham conversar conosco antes ou durante a atividade (não depois dela), momento em que, quando possível, deixávamos perceber que, se conversássemos com eles, naquela circunstância, deixaríamos de dar atenção a atividades que envolviam dezenas de crianças (cada uma delas, como é de se esperar, um indivíduo com necessidades específicas). Se um chefe está conversando durante a atividade, significa basicamente deixar os demais, caso haja ou estejam disponíveis naquele momento, sobrecarregados. Assim, optamos por dedicar, caso desejassem, o período posterior ao encerramento para tal. Dessa forma, a mesma atenção destinada a um escoteiro na atividade era idêntica à disponibilizada aos demais, restando o interesse particular da permanência de alguns minutos a mais, aos pais/responsáveis (o que de fato eventualmente ocorria).

Durante o segundo semestre de 2025, minha alegria foi testemunhar a compreensão de um valor (que, com absoluta certeza, é um dos cernes práticos em relação ao que Robert S. S. Baden-Powell teve em mente). Em um sábado, havia uma importante atividade onde o Grupo Escoteiro Desbravador – 8/SC (como vários outros também o fazem) prepara, vende e entrega alimentos. Sem esse tipo de evento, as finanças do Grupo ficam comprometidas, prejudicando investimentos necessários. Para que isso ocorra, é preciso que haja uma participação imensa de escotistas (incluindo aqueles que, não estando mais entre os formalmente efetivos, o são de coração e como tal colaboram) e pais de apoio. Houve, porém, uma atividade na mesma data, da qual poucos jovens que desejavam conquistar relevante insígnia acabaram por efetuá-la, com a participação de outro Grupo. Dois chefes, cujos filhos estavam entre os participantes, auxiliaram na condução de uma jornada. No entanto, uma situação bem específica também ocorreu, pois outro chefe, sabendo que haveria uma atividade relevante com poucos jovens (que em breve passariam a outro ramo), fez uma pergunta curta e direta: – E os demais?

O Grupo iria dedicar total atenção à atividade anual previamente agendada e havia poucos jovens em uma atividade específica, que lhes poderia conferir (junto de outras etapas previamente realizadas) uma insígnia relevante, destacando-os. Claro que, com o decorrer do tempo e interesse específico, outros escoteiros também poderiam tentar o mesmo. Teoricamente não haveria campo para mais nada naquela data. Mas um Chefe se preocupou com que as demais crianças tivessem idêntica atenção, pois todas eram importantes (independentemente de etapa ou insígnia almejada). Curiosamente, este jovem adulto possuía uma irmã mais nova na tropa, que estaria indisponível por outros motivos e, assim sendo, a atenção seria dada a quem desejasse comparecer. Concordei com ele e avisei que o ajudaria, mesmo que se somente um único escoteiro comparecesse.

Na sede, ao abrir o portão, poucos minutos depois, surgem duas escoteiras. Avisei ao Chefe que estávamos lá pelas duas e que elas seriam destinatárias do nosso melhor. Minutos depois, mais gente comparece. Duas dezenas. Tive muito orgulho de estar junto desse Chefe, que se preocupava com os demais. Os outros, os demais, todos, como ele se referiu. Que cada jovem possui importância e merece idêntica atenção.


Um par de mãos, boa vontade e o desejo de somar, fazem toda a diferença. Uma vez por ano, uma hora na semana ou, simplesmente, ajudando quando possível. Oportunidade única onde se recebe muito mais do que se oferta. Pais de apoio são figuras fundamentais para o sucesso de qualquer empreitada no Movimento Escoteiro. Trata-se de efetivamente ajudar na obtenção de experiências, para todos, o que resulta em um retorno incrível para si próprio (imagem gerada por IA).

Naquele dia vi que um jovem escotista havia compreendido o que eu pensava quando ainda era um “sem lenço”. Esse Chefe que citei é meu filho, Chefe Flávio Schultz Fabri. Apesar de pouco falarmos a respeito, vi que ele compreendeu exatamente o que eu pensava. Compreendeu, internalizou e passou a agir da sua forma, com seus valores. Antes disso, ele havia feito um comentário sincero que me deixou muito orgulhoso. Disse que desejava atuar como Chefe, pois gostaria de retribuir o esforço que lhe foi ofertado por tantos. Impressionante demonstração de maturidade (pela idade e por sua personalidade extremamente discreta) até por que seu “protagonismo” objetivava, simplesmente, colaborar para que outros tivessem boas experiências, indistintamente.

Muitos de nós talvez tentemos usar de forma harmônica a inflexível régua das 24 horas: trabalho, família, repouso, cuidar do aprimoramento intelectual, físico, religiosidade e espiritualidade. Por si só, é uma atividade formidável tentar tornar essas parcelas desse curto período minimamente homogêneas. Dos boletos que chegam, a um momento de mero silêncio e introspecção necessários. Mas, existem horas e muitas oportunidades, onde se pode aprender bastante ofertando o que se sabe, as próprias habilidades e a boa vontade que também, apesar de tornar assimétrica essa régua por breve período, muito somam. A nós e aos outros. É um momento que contribui para a própria evolução pessoal. É um ato avesso a aplausos, elogios ou algum pretenso protagonismo e/ou reconhecimento.

Um escotista sem lenço, que de fato qualquer um pode ser, é sempre bem-vindo em qualquer área, não apenas no Movimento Escoteiro. Basta ter a conduta de se prontificar. De forma idêntica, os pais de apoio. Transcende acampamentos. Alcança vidas (a começar pela própria).

Falando em vidas, nas nossas, em diversas áreas, encontraremos inúmeros “escotistas sem lenço” e “pais de apoio”. Com certeza qualquer um de nós já conheceu ou reconheceu um deles, no mínimo. Eventual ou constantemente, tentam ofertar seu melhor, sendo a satisfação pessoal, o anônimo empenho. Naquele período, do ponto de vista interior, ganham mais do que ofertam (seja em um único acampamento num ano inteiro, seja fazendo algo semanalmente, de forma sincera).

Em uma época onde muitos procuram protagonismo ou, mesmo, visibilidade, em que se mensura o exposto em redes sociais por segundos de visualização, em postagens com parcas linhas buscando interação ou imagens (independentemente se de gosto duvidoso ou não), todos podem, ao seu modo e com o tempo disponível, fazer algo em que, com absoluta certeza, mais se recebe do que se oferta, como já enfatizamos (o reconhecimento de terceiros pelo ato é irrelevante, até pelo fato de que o internamente proposto, é tão somente somar). Não os aplausos ou elogios. É tão somente, às vezes, uma única pergunta sincera, que por si só reflete caráter, cumprir algo que se assume como compromisso, convicção, palavra e ato e que qualquer um pode fazer, em qualquer lugar, a qualquer momento, em qualquer atividade e com qualquer intensidade:

– E os demais?

Basta, na maioria das vezes, ajudar a carregar uma caixa da patrulha escoteira ao final de um evento onde o próprio filho esteve presente.

Compartilhe:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

____________________________________________________________________________________________________________
____________________________________
________________________________________________________________________

Veja também