
Operações de decapitação redefinem conflitos modernos, e a série de atentados contra altos oficiais russos revela vulnerabilidades na contrainteligência de Moscou e uma sofisticação crescente em estratégias híbridas.
O recente atentado ao tenente‑general Vladimir Alekseyev, vice-chefe da própria agência de inteligência militar russa, acendeu um sinal vermelho importante. Neste artigo, descrevemos os atentados realizados nos últimos 15 meses, e analisamos seus resultados.
Entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026, uma série de atentados contra altos oficiais das Forças Armadas da Rússia ocorreu em Moscou e regiões próximas, atraindo atenção internacional. Os episódios se deram em meio à continuidade da guerra na Ucrânia e às tentativas de negociação mediadas pelos Estados Unidos. Moscou atribuiu todos os ataques a Kiev, enquanto autoridades ucranianas mantiveram silêncio ou fizeram declarações indiretas.
Paralelamente, analistas de segurança têm destacado que a sucessão de atentados sugere vulnerabilidades na proteção de autoridades e na contrainteligência preventiva russa. Também é recorrente, em avaliações de especialistas, a interpretação de que os ataques demonstram um nível de sofisticação compatível com operações atribuídas à Diretoria Principal de Inteligência da Ucrânia (GUR), possivelmente com apoio de serviços europeus como o Serviço Secreto de Inteligência do Reino Unido (MI6), embora tais cooperações não sejam confirmadas oficialmente.

Tenente‑general Vladimir Alekseyev (6 de fevereiro de 2026): Alekseyev, primeiro vice-chefe da Diretoria Principal de Inteligência da Rússia (GRU), foi baleado diversas vezes por um agressor ainda não identificado em um prédio residencial no noroeste de Moscou. O ataque ocorreu um dia após negociações de paz em Abu Dhabi. O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, acusou a Ucrânia de tentar sabotar o processo diplomático. Especialistas observaram que a ação, realizada em área urbana monitorada, indica falhas na vigilância e na detecção de ameaças próximas a figuras de alto escalão.
Tenente‑general Fanil Sarvarov (22 de dezembro de 2025): Sarvarov, chefe da Diretoria de Treinamento Operacional do Estado-Maior russo, morreu após a explosão de um carro-bomba em Moscou. O dispositivo havia sido colocado sob o veículo e detonou pela manhã. O Comitê de Investigação afirmou considerar a participação de serviços de inteligência ucranianos. Analistas destacaram que a colocação de um explosivo em um veículo oficial em plena capital russa sugere falhas na inspeção de rotinas, rotas e protocolos de segurança pessoal.

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Tenente‑general Yaroslav Moskalik (25 de abril de 2025): Moskalik, vice-chefe da Diretoria Principal de Operações do Estado-Maior, foi morto por um dispositivo explosivo improvisado (IED, Improvised Explosive Device) carregado de estilhaços em Balashikha. O FSB prendeu Ignat Kuzin, que confessou ter sido recrutado pelo Serviço de Segurança da Ucrânia. Ele foi condenado à prisão perpétua. Observadores internacionais notaram que a operação exigiu conhecimento detalhado dos deslocamentos do general, algo que normalmente dependeria de falhas internas de proteção ou de vigilância insuficiente.
Tenente‑general Igor Kirillov (17 de dezembro de 2024): Kirillov, comandante das Tropas de Defesa Química, Biológica e Nuclear, foi morto por um explosivo escondido em uma scooter estacionada próximo à entrada de um prédio residencial em Moscou. Um cidadão uzbeque foi detido e afirmou ter sido recrutado por serviços ucranianos. Veículos ucranianos relataram que a operação teria sido conduzida pelo Serviço de Segurança da Ucrânia. Especialistas ressaltaram que o uso de um artefato dissimulado em área residencial indica capacidade de infiltração e planejamento prolongado, além de falhas na detecção de ameaças em ambientes urbanos controlados.

Considerações Finais
Os atentados contra altos oficiais russos entre 2024 e 2026 mostram uma sequência de operações direcionadas a figuras centrais das estruturas militar e de inteligência do país. Embora Moscou atribua todos os episódios à Ucrânia, e Kiev raramente comente oficialmente, analistas internacionais destacam que os ataques apresentam características de operações de inteligência altamente especializadas. A repetição de incidentes em áreas urbanas monitoradas sugere vulnerabilidades na contrainteligência preventiva russa e na proteção de autoridades.
Paralelamente, avaliações recorrentes em publicações especializadas apontam que a GUR da Ucrânia tem demonstrado capacidade de conduzir ações de alto risco e precisão, possivelmente em cooperação com serviços de inteligência europeus, como o MI6 do Reino Unido, embora tais colaborações não sejam confirmadas oficialmente.
No conjunto, os eventos indicam um aumento da atividade clandestina relacionada ao conflito russo-ucraniano, e mesmo sem conclusões definitivas sobre autoria, ficam claras as implicações para a segurança interna russa e suas deficiências na atividade de contrainteligência no âmbito militar.
Mais do que isso, tais ações revelam que as operações de decapitação constituem, cada vez mais, um elemento central nas estratégias de emprego de ações híbridas nos conflitos atuais.








