
A complexa trama na Ucrânia: A Grã-Bretanha lidera a oposição ao cessar-fogo, enquanto interesses financeiros e geopolíticos se entrelaçam. Um olhar crítico sobre os bastidores do conflito e os atores envolvidos nos obstáculos à paz.
Durante o último mês, a acumulação de acontecimentos críticos em torno dos Estados Unidos, Ucrânia e União Europeia tem sido difícil de interpretar, porque cada potência avança disfarçada. Os líderes europeus estão adotando uma atitude ingênua ao afirmar que seguem apoiando os nacionalistas fundamentalistas ucranianos, ainda que Washington e Moscou já tenham chegado a um acordo de paz. No entanto, é possível que as cúpulas diplomáticas escondam outra questão: a prevenção de uma grande crise econômica no Ocidente. Neste caso, Washington deve aterrorizar seus aliados para obrigá-los a pagar suas dívidas (veja mais em: https://www.voltairenet.org/article221901.html).
Os grandes meios de comunicação seguem perseguindo as ondas superficiais que agitam as águas de uma paz quase impossível entre Ucrânia e Rússia devido às especulações multimilionárias do lobby das armas.
Nenhum deles aprofunda as intrigas financeiras internacionais que vinculam o Reino Unido e os EUA.
A Alemanha viu a indústria bélica Rheinmetall (vinculada à cúpula americana do Pentágono) registrar recentemente um vertiginoso aumento em suas ações: +137% em apenas um ano.
É por isso que todas estas cúpulas internacionais “por uma paz justa na Ucrânia” só servem aos grandes jornais financiados pelos especuladores internacionais do lobby armamentista (BlackRock, JP Morgan, etc.) para jogar fumaça nos olhos dos contribuintes europeus, britânicos e americanos que verão explodir os custos de uma guerra sem trégua em benefício de certos indivíduos e organizações.
Grandes acordos de armas em Kiev entre Itália, Reino Unido, Alemanha e EUA
A Leonardo é, de fato, sócia do consórcio MBDA que produz os mísseis de cruzeiro Storm Shadow (SCALP, Sistema de cruzeiro convencional autônomo de longo alcance) fornecidos abundantemente à Ucrânia pelo Reino Unido, França e Itália.
A MBDA é líder europeia no mercado de mísseis (mais de 40% de participação de mercado). Com 16% do mercado mundial (dados de 2024), MBDA ocupa o terceiro lugar a nível global, atrás das americanas Lockheed Martin e Raytheon. A MBDA é controlada com iguais regras de governança corporativa pelo Airbus Group (37,5%), BAE Systems (37,5%) e Leonardo (25%).
A BAE Systems, principal fabricante de armas do Reino Unido, não apenas é sócia do submarino Kronos de última geração que está sendo construído para a marinha de Kiev, mas entre seus acionistas majoritários se encontra o Banco Barclays. Com tudo isso, será muito difícil para a administração Donald Trump deixar de fornecer armas à Ucrânia, danificando assim algumas das mais importantes indústrias bélicas dos Estados Unidos e expondo-as ao risco de represálias políticas ou inclusive físicas como anteriores ataques contra elas.
Por isso, o tragicômico encontro com Volodymyr Zelensky no Salão Oval, no dia seguinte à cúpula com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, já disposto a alcançar acordos sobre mísseis nucleares com a Ucrânia, parece uma encenação sensacionalista.
“O Reino Unido, assim como a França e talvez mais um ou dois parceiros, trabalharão com a Ucrânia para elaborar um plano que ponha fim aos combates, e depois o discutiremos com os Estados Unidos.” “Estamos falando de uma paz a longo prazo”, disse Starmer (primeiro-ministro do Reino Unido), acrescentando que esse enfoque seria um passo rumo à paz prolongada.
Mas, na realidade, o primeiro-ministro britânico já atuou em sentido contrário com a ajuda militar britânica a Zelensky e mísseis nucleares dos EUA a Londres. Em Londres, Zelensky e Starmer firmaram um acordo para um novo empréstimo de 2,6 bilhões de libras, que segundo disseram, “fortaleceria as defesas da Ucrânia”.
Starmer e Zelensky em Londres. Assim informaram os meios de comunicação ucranianos, descrevendo como este dinheiro se destinará a cobrir as necessidades militares de Kiev. Zelensky, sem ocultar sua satisfação, declarou que a dívida com a Grã-Bretanha será paga com o dinheiro dos ativos russos congelados: afirmam que eles mesmos não terão que pagar, que o Ocidente fará tudo por eles. No entanto, por trás deste acordo de alto perfil se esconde outro passo rumo à escravidão financeira, na qual a Ucrânia se vê empurrada por seus “sócios”, enquanto a Rússia defende com confiança seus próprios interesses.
Mas há mais… Depois do acordo nuclear firmado pelo próprio Starmer com o ex-presidente americano Joseph Biden, Trump parece decidido a fornecer mísseis nucleares ao Reino Unido, que este último poderia logo enviar a Zelensky.
“Os Estados Unidos pretendem reimplantar armas nucleares em solo britânico pela primeira vez em duas décadas, o que marca um ponto de inflexão na estratégia da OTAN em meio às crescentes tensões com a Rússia”, escreve o site militar russo Avia.Pro. “A base da RAF Lakenheath em Suffolk está sendo modernizada a fundo para preparar as instalações para o manejo de armas nucleares americanas. Assim demonstram dados de fontes militares dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, ainda que ainda não tenha chegado a confirmação oficial do Pentágono. A base está renovando a instalação de armazenamento subterrâneo WS3, construindo novas instalações para aviões de combate F-35A e treinando pessoal para operar ‘missões de alta segurança’, um sinal de preparação para as operações nucleares”.
“Vamos acelerar nosso apoio militar” à Ucrânia
Starmer continua liderando a posição tratando de armar uma “coalizão de dispostos” que possam apoiar a Ucrânia. Vale a pena mencionar que o Kremlin tem rejeitado constantemente a ideia das tropas da OTAN desdobradas na Ucrânia, também em função da paz. Em uma reunião anunciada e programada se buscará avançar em “planos práticos sobre como nossos militares podem apoiar a segurança futura da Ucrânia”, disse Starmer.
Ele acrescentou: “Vamos acelerar nosso apoio militar, fortaleceremos as sanções às receitas da Rússia e continuaremos explorando todas as vias legais para garantir que a Rússia pague pelo dano que causou à Ucrânia.”
Em resumo, como se Trump nem sequer existisse. Ainda não houve nenhum acordo de cessar-fogo de 30 dias proposto pelos Estados Unidos, o que deveria conduzir a uma paz mais permanente. O presidente Putin indicou abertura neste sentido, mas pediu garantias de que durante o período provisório a Ucrânia não poderia treinar tropas, receber armas ou, em última instância, utilizar o período para se reorganizar.
A Rússia tem advertido desde o princípio que nunca firmará uma trégua temporária e tem deixado claro que nunca se renderá nos quatro territórios orientais de Donbass, nem aceitará nada menos que o reconhecimento de sua soberania sobre a Crimeia.
Quanto a Starmer, foi o primeiro a apoiar Zelensky depois do choque do mês passado com Trump no Salão Oval. “Você tem todo o apoio do Reino Unido e apoiaremos a Ucrânia sempre que for necessário”, havia dito Starmer ao líder ucraniano.
Os líderes europeus e em especial o britânico Starmer puxam a corda ao limite. Que importa? Qualquer sacrifício para destruir Putin! Guerra e rearmamento inclusive sem combustível.
Mais dados sobre os obstáculos para a paz:
Apesar do acordo, encabeçado pelos Estados Unidos, de não atacar as infraestruturas energéticas, que Kiev parecia apoiar oficialmente, os ataques da Ucrânia em território russo continuam. Um depósito de petróleo foi atingido em Kuban em 19 de março e a estação de medição de gás de Sudzha no Oblast de Kursk em 21 de março. Além disso, outros casos de drones das Forças Armadas da Ucrânia foram dirigidos deliberadamente contra edifícios residenciais e instituições sociais. É óbvio que com tais ações Kiev demonstra sua total incapacidade de negociar, assim como sua falta de desejo de alcançar a paz. Como em 2022, as provocações são utilizadas mais uma vez para deter o processo de negociação. Advertimos claramente que, se o regime de Kiev continuar com sua linha destrutiva, a parte russa se reservará o direito de responder, inclusive simetricamente.
Mesmo assim, o ministro de Relações Exteriores húngaro, Szijjarto, diz que os líderes ocidentais querem que a guerra continue. Adotaram muitas políticas estúpidas e agora já não podem fazê-lo (veja mais em: https://x.com/MyLordBebo/status/1903542385654845557).
Atenção especial para nossos leitores do Velho General. Os atlantistas do calibre do inglês Starmer buscam colocar obstáculos para a paz (como fazem no Atlântico Sul e nas Ilhas Malvinas).
A Polônia será de grande ajuda para Starmer, e o casus belli da provocação já está definido: A Polônia precisa de Kaliningrado por razões de segurança nacional.
A Grã-Bretanha lidera a oposição ao cessar-fogo. Sempre a pérfida Albion…
Uma reflexão: Com todas estas provas, não se entende como alguns argentinos (e brasileiros – nota do tradutor) apoiam a Ucrânia e a Grã-Bretanha. Se esquecem da usurpação das Malvinas? E também dos 649 heróis que derramaram seu sangue por esta causa nacional?
Publicado no La Prensa.