Marguerite Harrison: uma espiã nada convencional (Resenha)

Por Bianca Carl*


Capa: USNI Press.

Livro narra a incrível história da primeira mulher contratada pela Inteligência Militar do Exército Americano para trabalhar internacionalmente, durante a Primeira Guerra Mundial. Com passagens desde a Sibéria até o Brasil, a história envolve guerra, capitalismo, bolchevismo, sufrágio feminino, Tratado de Versalhes e muito mais.



“A espionagem é um labirinto onde a mão esquerda
não deve saber o que a direita fez.”
Marguerite Harrison

O lançamento de The Liberation of Marguerite Harrison – America’s First Female Foreign Intelligence Agent aconteceu no último dia 15. O Velho General teve o privilégio de conferir este adorável relato da vida pessoal e profissional da espiã Marguerite Harrison, pelos olhos da autora Elizabeth Atwood.

Publicado pelo Naval Institute Press, de Annapolis, Maryland, nos Estados Unidos, o livro tem como base a autobiografia da agente secreta (There’s Always Tomorrow: The Story of a Checkered Life), além dos artigos da própria Marguerite quando jornalista, reportagens da época, fotografias e documentos.

The Liberation of Marguerite Harrison narra a incrível história da primeira mulher contratada pela Inteligência Militar do Exército Americano (Army’s New Military Intelligence Division) para trabalhar internacionalmente. O livro enquadra-se na categoria Espionagem e Inteligência, está disponível em inglês em formato capa dura com 320 páginas.

Quando falamos em espionagem, duas figuras emblemáticas nos vêm à mente – Mata Hari e Edith Cavell. De antemão, é importante ressaltar que Marguerite não atuava em troca de favores sexuais e nem aplicava cuidados médicos, o que a tornou única em seu estilo.

Marguerite nasceu em Catonsville, Maryland, na era vitoriana. De família rica de Baltimore, a socialite foi educada em uma época em que as mulheres se dedicavam à família, marido e filhos. Mas ela foi bem além disso após a morte repentina de seu marido, em 1915. Não quis somente escrever reportagens sobre guerra e críticas de cinema e teatro, quis ser protagonista da História Mundial.

LIVRO RECOMENDADO

The Liberation of Marguerite Harrison: America’s First Female Foreign Intelligence Agent

  • Elizabeth Atwood (Autora)
  • Em inglês
  • Versões eBook Kindle e capa dura

Sua próspera família vivia em uma casa opulenta, com muitos funcionários e coleções de relógios e porcelanas. Marguerite recebeu aulas de etiqueta e uma educação intelectualmente primorosa. A mãe, Elizabeth Baker, a preparou para a vida conjugal e familiar sem saber que a treinava indiretamente para a espionagem.

Ela enfrentou sua família, sobretudo a mãe, para se casar com o homem que amava e não com pretendentes da realeza europeia como sua família teria delineado. Teve um casamento glamoroso e foi mãe. Porém, após a morte de seu marido, ela começou a ansiar por emoções que a maternidade não conseguiu fornecer.

As dores pelas quais passou revelaram sua vocação. Nada convencional, queria ser resgatada da dor das perdas, da dor alheia e da dor infligida pelo tipo de sociedade que esperava dela o que ela não queria, no fundo, conceder. A benevolente Marguerite fez um exercício de autoconhecimento, colaborou com seu país, a ele se doando, e fez história. Quebrou paradigmas, numa época em que outras atitudes e posicionamentos eram esperados das mulheres. Recusou “nãos”, defendeu-se de perigos, persuadiu (este verdadeiro “camaleão” sabia fazer rapport) e dispensou a corte de um dos homens mais influentes e poderosos da história.

Aos 40 anos, possuía personalidade aventureira, espírito patriota e muita coragem. O contexto histórico é a 1ª Guerra Mundial. A despeito de haver mulheres espiãs na Revolução Americana (1776) e na Guerra Civil (1861 a 1865), ela foi a primeira a ser enviada para missões internacionais por suas habilidades e conhecimentos, privilégio de possuir dons compatíveis com as futuras funções que viria a desempenhar. Talentos que o leitor vai descobrindo ao longo de um texto envolvente no qual nos perguntamos ora se é biografia, ora ficção.

Nesta narrativa agradável e instigante, impossível de se ter vontade de parar de ler, a autora nos faz viajar pela linha do tempo da história e observar similitudes com o presente. Marguerite esteve na Alemanha, Rússia, Polônia, Oriente Médio, Japão, China, Sibéria e Brasil. O leitor perpassará casos concretos, ligados à história de Marguerite, e episódios históricos que ilustram os contrastes da guerra, momentos importantes pré, inter e pós 1ª Guerra Mundial, sabotagem e espionagem de americanos-alemães, capitalismo, socialismo, comunismo, sindicatos e manifestantes, censura de filmes, entrevistas e coletas de informações, bolchevismo, Tratado de Versalhes, revoluções russas, epidemia da Gripe Espanhola, luta feminista pelo Sufrágio Feminino, Lei Seca, diplomacia e muito da atuação da Cheka, a polícia secreta soviética, dentre outros assuntos.

Acima de tudo, a trama fala de uma mulher que tentando acertar, errou e errando, acertou. Define a palavra “libertação”, literal e metaforicamente, e fará o leitor entender aspectos que demonstram que a História é um jogo; o mundo, um tabuleiro de xadrez e seus rumos vão “das dificuldades às estrelas.”


*Bianca Carl é Advogada e Turismóloga, pós-graduada em Direito Militar e pesquisadora nas áreas de Defesa e Direito Militar. Bianca é Diplomata Civil Humanitária e articulista do Velho General. E-mail: biancarl2904@gmail.com.br.

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