O que torna grande um general?

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Farinazzo-04.png Por Robinson Farinazzo*

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Napoleão retorna da Ilha de Elba, obra de Charles Auguste Guillaume Steuben.

Muitos são os atributos de um grande comandante de tropas: persistência, sensibilidade e implacabilidade, para citar apenas alguns exemplos. Mas há uma característica que todos eles compartilham: levaram o seu aperfeiçoamento profissional ao extremo. Essa é a base do sucesso em qualquer profissão.


Dada a repercussão positiva do vídeo do Canal Arte da Guerra, “Marechal Walter Model, o bombeiro de Hitler”, eu gostaria de fazer algumas colocações que complementam o vídeo.

Model era um oficial capaz e persistente, além de possuir uma energia fora do comum – atributos indispensáveis a um general de qualquer exército. Mas outras qualidades também são muito importantes para se moldar um eficiente líder militar.

Grandes comandantes conseguem ler o campo de batalha com precisão, tirando o efeito mais favorável que o terreno pode proporcionar. Eles também entendem a natureza de suas tropas e sua motivação, tanto aquilo que os paralisa quanto o que os faz seguir em frente. Basicamente, são bons conhecedores de homens e almas – Napoleão Bonaparte tinha esses dotes.

Em adição, um bom general compreende como ninguém a natureza da guerra e percebe qual o centro de gravidade que, uma vez deslocado, fará as circunstâncias para trabalharem a seu favor. Um exemplo acabado desse descortino foi W. T. Sherman, o general da União que destroçou a economia do Sul dos EUA na sua marcha para o mar em 1864, acelerando o fim da guerra civil que já havia matado 2% da população daquele país.

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Outra característica que sempre está presente no caráter de grandes generais é a implacabilidade, definida como a blindagem do coração que os faz entender e lutar pelos objetivos finais da guerra sem se deter pelas vicissitudes do momento, pois sabem que algo muito maior está em jogo – o soviético G. K. Zhukov rezava segundo esse credo.

Voltarei a este interessante tópico em outros posts e vídeos, não sem antes mencionar uma característica muito importante para o sucesso em batalhas: a capacidade de perceber as fraquezas do inimigo e tirar o máximo proveito delas. Nesse quesito, destaca-se o vietnamita Vo Nguyen Giap, extremamente habilidoso em explorar os pontos fracos dos franceses na Batalha de Dien Bien Phu (1954), derrotando-os e colocando fim à dominação daquele país na Indochina.

Enfim, são muitos os atributos de um grande comandante de tropas, mas uma coisa todos esses homens têm em comum: levaram seu aperfeiçoamento profissional à um paroxismo. E isso é a base do sucesso em qualquer profissão.


*Robinson Farinazzo é capitão de fragata (FN) da reserva da Marinha do Brasil, expert em tecnologia aeronáutica e consultor de Defesa. Com mais de trinta e cinco anos de carreira militar, extensa experiência de campo e formação superior em Administração de Empresas, é editor do Canal Arte da Guerra no YouTube e articulista do Blog Velho General. E-mail: robinsonfarinazzo@gmail.com.


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4 comentários sobre “O que torna grande um general?

  1. Comandante Farinazzo, destacaria também a atenção e o cuidado para o suporte logístico e organizacional.

    Por exemplo, o trabalho de Caxias no Paraguai, reorganizando suprimentos e cavalhada, formando um novo Corpo de Exército, treinando seus homens, permitiu a brilhante campanha da Dezembrada.

    Não me recordo do autor (acho que Burton) do qual li a observação de que Caxias seria o Wellington sul americano.

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  2. CÓDIGO DE HONRA QUATRO ESTRELAS
    Por Paulo Ricardo da Rocha Paiva* “Chefes militares cultuam hierarquia, disciplina e justiça. São francos com os superiores e cumprem, respeitando a lei e sem alarde, a obrigação moral e funcional de assumir riscos pessoais para defender os subordinados de injustiças.”

    1- O dilema entre a lealdade e a disciplina não tem razão de ser quando silêncio e omissão contribuírem para causar um dano insuportável à nação e à Instituição, estas sim, e nesta ordem, credoras de sua lealdade. Aos superiores o militar deve, sim, obediência, cooperação, respeito e franqueza, que sintetizam, cada um por si, diversos atributos importantes.
    2- Franqueza e coragem moral caminham juntas. A responsabilidade dos oficiais generais, de último posto, na formação do processo político envolve uma franqueza absoluta. Uma vez que uma decisão política final seja tomada, ele tem a obrigação de apoiar essa decisão como se ela fosse sua, com uma grande exceção: questões que envolvam os profundos princípios como – dever, honra e pátria – não podem se submeter a outros compromissos. 3- São fundamentais aos chefes militares mais graduados os atributos de franqueza e coragem moral e o dever de não silenciar, mesmo arriscando o futuro na carreira, diante da má administração de situações extremas com potencial para gerar severas consequências, cujos danos superem os admissíveis em outras situações ainda que não rotineiras. 4- O dilema entre disciplina e lealdade é apenas aparente, pois a lealdade à Nação é manifestação de disciplina em seu grau mais elevado, considerando a missão constitucional das FA e o juramento do militar à Bandeira Nacional”. 5- No confronto da disciplina com a lealdade esta última constitui forma ainda mais elevada e rigorosa de disciplina, pois está direcionada à razão de ser da instituição militar – definida no marco legal – e ao compromisso do soldado, que no Brasil é: “dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições defenderei com o sacrifício da própria vida”.6- Oficiais- generais no último posto, com larga experiência e conhecimento profissional de nível estratégico não podem fazer vista grossa, uma vez dispondo de informações confiáveis, diante de políticas capazes de causar danos insuportáveis à nação e à instituição.7- Chefes militares que galgam o mais alto nível hierárquico, e não os chefes de escalões subordinados, têm tal responsabilidade, pois constituem a interface das instituições militares com o estado e a nação. Uma omissão continuada por parte destas chefias, fatalmente, vai levar à manifestação de oficiais-generais inativos e, até mesmo, de coronéis na reserva, hoje franqueados pela Constituição para se manifestarem, com o consequente descrédito e perda de liderança por quem, por direito e dever, precisa mantê-los.8- Oficiais generais, no último posto, se não conseguem reverter o rumo dos acontecimentos, agindo com franqueza e discretamente dentro da cadeia de comando, devem manifestar-se de público, passando antes à reserva ou mantendo-se na ativa, conforme a consciência de cada um indicar ser necessário para preservar a hierarquia e a disciplina.9- Diante de situações extremas no âmbito interno da Instituição: questionar ordens que firam princípios legais, morais ou éticos: defender os subordinados de injustiças e opinar com franqueza no sentido de convencer autoridades superiores a não tomarem decisões que possam trazer consequências significativamente danosas ao Exército, constitui decisão de caráter moral e apanágio de liderança que não podem ser desprezados. 10- Oficiais-generais no último posto devem se policiar, pelo bem da disciplina, em nome dos respeito a “velhos soldados” e em prol da manutenção da união e coesão da Força Terrestre, para não fazerem críticas deletérias do tipo _” Ao passar à reserva o militar “fica inteligente e valente”_, por três motivos: primeiro, porque é legal a sua livre manifestação sobre assuntos de interesse geral, inclusive os militares; segundo, caso a política, segundo o seu parecer cuidadosamente ponderado, envolva uma questão de extrema importância e ameace gerar consideráveis custos de longo prazo para as Forças Armadas, para o interesse nacional e para a saúde do Estado, seria parte da sua permanente obrigação como militar (que não deixou de ser) e da sua responsabilidade para com amigos e soldados que estão na Ativa, buscar retirá-los dessa situação; e, terceiro, porque antes de generalizar a crítica, convém lembrar que muitos passaram à reserva exatamente por terem primado sempre pela franqueza e coragem moral. 11- A conduta dos altos chefes militares deve ter como norte o compromisso com a nação e a Instituição, com os princípios e valores mais significativos das instituições castrenses, sintetizados em patriotismo, lealdade, honra, integridade, dever e coragem, que sempre devem preceder as benesses dos cargos e funções.12- A omissão na tomada de posições firmes em situações extremas e a tentativa de justificar a falta de franqueza e de coragem moral, distorcendo o significado de disciplina e lealdade, como se elas fossem devidas primeiramente a superiores hierárquicos e não à Nação e à Instituição, são incompatíveis com os princípios mais comezinhos de chefia e liderança.13- A liderança que se omite no cumprimento de seus deveres para com a Nação ou a Instituição perde a confiança dos escalões subordinados, fragiliza sua autoridade, enfraquece a Força Armada, prejudica a união, a coesão e, exatamente por tudo isso, abala, ela mesma, os alicerces da disciplina e da hierarquia.14- Altos chefes militares se arriscam e perder o sentido da sua profissão e de suas obrigações quando, relegando seus atributos de caráter, se transformam em meros burocratas subservientes. 15- Quando o processo de supervisão de assuntos militares pelo Congresso não funcionar, por omissão dos parlamentares, ou quando o legislativo tiver desenvolvido um excessivo senso de compromisso para com o Poder Executivo, negligenciando, assim, a igual obrigação (se não maior) de apresentar pareceres diretos e francos no plenário, os integrantes dos alto comando das FFAA não podem se furtar à obrigação de apresentar seu parecer franco aos membros do Congresso, em suas audiências.16- Oficiais-generais, no último posto, não podem se furtar, em situações mais extremas nas quais a segurança do País e de seus processos constitucionais esteja em jogo, segundo a avaliação criteriosa daqueles chefes [que fazem a crítica), mesmo para a futura credibilidade das forças militares e da sua liderança, a mostrar opiniões profissionais independentes em uma situação periclitante, correndo o risco de depois os historiadores registrarem que os líderes militares mais uma vez foram coniventes em relação às realidades enfrentadas! 17- Altos chefes militares quando acreditam, que uma política com a qual eles discordem frontalmente, resultará em um mal muito grande têm a obrigação de envidar todos os esforços para serem ouvidos. Evidentemente, um oficial deve lealdade aos superiores civis, mas também há outras lealdades concomitantes em jogo: aos subordinados militares, à “saúde” das próprias Forças Armadas e à adequada manutenção, no longo prazo, da percepção dos outros cidadãos sobre a integridade moral delas. 18- É desperdício não conhecer o pensamento pessoal de profissionais da reserva em quem a Nação investiu mais de trinta anos em preparação contínua. Projetos de defesa nacional, por sua relevância, não devem ficar subordinados a interpretações retrógradas do que sejam hierarquia e disciplina intelectual, sendo por demais importante se valer da experiência e da cultura profissional de antigos e reconhecidos instrutores das escolas militares de formação, aperfeiçoamento e comando e estado-maior.19- “Ninguém Fica P´ra Trás!” Reza assim a tradição militar! [Início de Transcrição]:” Chefes militares cultuam hierarquia, disciplina e justiça. São francos com os superiores e cumprem, respeitando a lei e sem alarde, a obrigação moral e funcional de assumir riscos pessoais para defender os subordinados de injustiças
    .*Coronel de Infantaria e Estado-Maior
    Extrato adaptado de matérias compiladas nas seguintes fontes:_ Artigo “Uma Decisão de Caráter Moral”, publicado no “Alerta Total” em abril de 2013, General-de-Brigada R/1 Luiz Eduardo Rocha Paiva_ Artigo “Lealdade e Disciplina”, publicado no “Estadão” em maio de 2008, General-de- Brigada R/1 Luiz Eduardo Rocha PaivaArtigo “A Segunda Chance”, do Tenente David A. Adams da Marinha dos EUA._ “Um ensaio sobre liderança”, com tradução e adaptação do CMG da Reserva Geraldo Luiz Miranda de Barros, da Marinha do Brasil._ Artigo da Military Review – Edição Brasileira de Jan-Fev de 2011 (Pag.46). “A Revolta dos Generais: Um Estudo de Caso sobre a Ética Profissional”, de Martin L. Cook (Ph. D, professor de Filosofia e Subchefe de Departamento na Academia da Força Aérea dos EUA)._ Artigo “A Viúva do Che”, publicado no “Averdadesufocada” em julho de 2009, General-de- Brigada R/1 Luiz Eduardo Rocha Paiva_ Artigo “Ninguém Fica Pra Trás”, publicado no” Alerta Total” em novembro de 2011, General-de- Brigada R/1 Luiz Eduardo Rocha Paiva

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