Ecos do terrorismo jihadista no Brasil

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Cel-Montenegro.png Por Fernando Montenegro*

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Imagem: Surian Soosay

Uma sequência de fatos nos últimos anos conectando o Brasil a segmentos jihadistas têm chamado atenção das agências de Inteligência e Forças de Segurança no Brasil.


No dia 4 de maio de 2017 a justiça brasileira condenou pela primeira vez, baseada na Lei Antiterrorismo (13.260), oito integrantes de uma célula terrorista que planeja realizar atentados durante a Olimpíada Rio 2016. Duas semanas antes da abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, através da Operação Hashtag, a Polícia Federal cumpriu dezenove mandados de busca e apreensão em dez estados – São Paulo, Goiás, Amazonas, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Paraíba, Ceará, Minas Gerais e Mato Grosso e prendeu um grupo de dez homens ligado ao Estado Islâmico que preparava atos de terrorismo durante os eventos. Foram as primeiras prisões no Brasil fazendo uso dessa nova legislação e tudo começou quando a Divisão Antiterrorismo (DAT) da Polícia Federal recebeu um documento do FBI informando sobre perfis visualizados em mídias como Facebook, Twitter e Google Plus.

As investigações da Polícia Federal comprovaram que os elementos presos integravam o grupo “Defensores da Sharia” e haviam comemorado o atentado terrorista de 12 de junho de 2016 na boate “Pulse” em Orlando. Além disso, manifestavam intolerância religiosa, racial, de gênero e planejavam executar atentados violentos com uso de armamentos. Os acusados usavam codinomes árabes, tinham antecedentes criminais e idades entre 20 e 40 anos.

Em meio à complexa crise econômica e social que o Brasil atravessa, a nova lei de imigração do Brasil tem sido alvo de duras críticas por vários segmentos da sociedade devido às facilidades oferecidas sem qualquer critério aos estrangeiros e favorecimento de ações terroristas; dentre elas podemos destacar: Abertura de conta bancária, educação gratuita (inclusive universitária), atendimento médico gratuito, os refugiados passariam a ter o mesmo status de turistas, não serão verificados antecedentes criminais.

No dia 3 de maio de 2017, um grupo que fazia uma marcha pacífica em São Paulo contra essa contra essa lei de imigração, foi atacado com bombas de fabricação caseira, pauladas e pedradas por um grupo composto por vários estrangeiros falando árabe que mal sabiam falar português.

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Alguns dos agressores ostentavam bandeiras do Estado Islâmico, da Palestina e tinham o rosto coberto. Quando alguns deles foram presos pela polícia, já possuíam advogados pagos por organizações não governamentais prontos para defendê-los, demonstrando uma articulação sofisticada.

Em 12 de abril de 2017, no estado da Paraíba, após prender o saudita Saleh Abdulrahman Alderabi por falsificação de documentos para imigração, a polícia descobriu no celular do mesmo várias fotos, vídeos e conversas que caracterizam ligações com grupos extremistas. Através dessa prisão, foi identificada uma quadrilha internacional especializada em falsificar documentos para facilitar imigrações ilegais. No prosseguimento foram presas outras pessoas, incluindo o iraquiano Feras Ali Haussn, participante do esquema. Devido a isso, a Delegacia de Defraudações e Falsificações entrou em contato com a INTERPOL para consulta dos suspeitos no âmbito internacional e a Polícia Federal para que fosse iniciado o processo de expulsão dos estrangeiros. Visando colaborar com o esforço internacional de combate ao terrorismo, também foram prontamente passadas as informações ao consulado americano.

No dia 20 de abril de 2017, foi identificado e passou a ser acompanhado pela Inteligência um grupo de paquistaneses na cidade de Iranduba, a trinta quilômetros de Manaus-AM, que muito mal falavam Português e se apresentavam como missionários do islamismo que pretendiam viajar divulgando a sua fé pelo Brasil.

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Entretanto, o histórico desse assunto no Brasil é um pouco mais antigo. Um dos locais que sempre foi alvo de muita atenção das autoridades locais, internacionais e da INTERPOL é a Tríplice Fronteira Brasil-Argentina-Paraguai porque o volume de crimes envolvendo narcotráfico, contrabando, imigração ilegal, dentre outros é muito grande. Além disso, estima-se que a comunidade muçulmana ali tenha pelo menos trinta mil pessoas.

Em 2002, após os atentados de 11 de setembro de 2001, o Governo Americano anunciou que destinaria um milhão de dólares para que os três países adotassem medidas antiterroristas na Tríplice fronteira. Apesar de vários alertas da CIA e do Mossad, o governo brasileiro nunca confirmou a existência de células terroristas nessa área. Entretanto, há indícios de que Osama Bin Laden tenha estado por lá em 1995, a Inteligência Argentina divulgou que agentes da Al Qaeda teriam coletado fundos e promovido treinamentos de técnicas, táticas e procedimentos de guerra irregular. Do mesmo modo, Khalid Shaikh Mohammed, que já foi o terceiro no comando da Al Qaeda, teria passado pela região, mas já está preso desde 2003 pela CIA e encontra-se em Guantánamo.

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Desde novembro de 2015, quando o jihadista do Estado Islâmico Maxime Hauchard anunciou em uma mensagem do Twitter que o Brasil seria um dos próximos alvos, os serviços de inteligência do Brasil passaram a acompanhar mais de perto qualquer evento que possa ter ligação com a temática jihadista.

Logo após o sancionamento de uma Lei de antiterrorismo no Brasil, em março de 2016, foram deflagradas operações pelos órgãos de segurança e inteligência, tendo em vista a possibilidade de o Brasil ser palco de atentados terroristas durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Em 29 de maio de 2016, utilizando-se do aplicativo de mensagens Telegram, o Estado Islâmico lançou um canal de comunicação e propaganda em Português, o “Nashir Português Channel”. A primeira postagem foi um discurso de catorze páginas de Abu Muhamad al-Adnani, porta-voz do Estado Islâmico, sobre os combates na região da Síria, Iraque e Líbia.

No final do primeiro semestre de 2016, foi identificado pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) Ismail Abdul Jabbar al-Brazili, integrante do grupo militante intitulado Ansar al-Khilafah Brazil que declarou apoio ao movimento jihadista Estado Islâmico em publicações no aplicativo de mensagens Telegram e promoveu propaganda jihadistas em inglês e português.

Em 15 de julho de 2016 o físico Argelino Adlène Hicheur, foi deportado do Brasil por não ter seu visto de prorrogação de trabalho renovado. Ele era monitorado pela Polícia Federal desde que havia chegado ao país em 2013 e trabalhava legalmente como professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Hicheur havia sido condenado por terrorismo na França após os serviços de inteligência terem interceptado mensagens de apoio e simpatia entre ele e a Al Qaeda após a organização terrorista ter enviado um convite direto para que ele passasse a participar das atividades em território Francês.

Conforme tem ocorrido no Brasil e em outros países, as ações de Inteligência precisam continuar sendo a primeira linha de defesa da sociedade brasileira e orientar as operações de combate ao terrorismo. Para isso, também cresce de importância o intercâmbio de informações entre as agências nacionais e internacionais, conforme ocorreu na Operação Hashtag, que iniciou a partir de informações fornecidas pelo FBI.

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*Fernando Montenegro, coronel R/1 das Forças Especiais do Exército Brasileiro, é mestre em Ciências Militares, pós-graduado em Gestão e Direção de Segurança pela Universidade Autónoma de Lisboa e doutorando em Relações Internacionais, Geopolítica e Geoeconomia. Foi oficial de inteligência da Unidade de Contraterrorismo do Exército Brasileiro, instrutor-chefe do Centro de Instrução de Guerra na Selva em 2009/2010 e comandante da força-tarefa Sampaio na pacificação dos Complexos de Favelas do Alemão e da Penha em 2011/2012. É autor do livro “Comando Verde” sobre a ocupação dos Complexos do Alemão e da Penha, auditor de defesa em Portugal, professor da Universidade Autónoma de Lisboa e comentarista da SIC.


 

7 comentários sobre “Ecos do terrorismo jihadista no Brasil

  1. Perfeita colocação do nosso Coronel: ações de Inteligência como primeira linha de defesa da sociedade brasileira. Trabalho silencioso, detalhista, minucioso, de enorme valor para a proteção de nossa pátria e interesses nacionais. Forte abraço!

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