A atual configuração geopolítica global e os possíveis reflexos para nossas Forças Blindadas e Mecanizadas

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Capa

Por Cel Cav Paulo Roberto da Silva Gomes Filho*

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Blindados do Exército Brasileiro durante exercícios (Imagem: EB/Revista Ação de Choque)

Artigo publicado na Revista Ação de Choque nº 17.

A CONFIGURAÇÃO GEOPOLÍTICA ATUAL

A ordem unipolar, estabelecida após a queda do muro de Berlim e do desmantelamento da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), baseada na existência de uma única superpotência global, os Estados Unidos da América (EUA), está aparentemente esgotada. Agora, uma nova ordem parece surgir: a multipolar. Nesse sistema, as potências emergentes estão cada vez mais dispostas a alcançar seus próprios objetivos, mesmo que isso signifique desafiar os antigos detentores do poder mundial.

Assim, despontam uma série de incertezas trazidas pelo rearranjo geopolítico que se vive. Algumas das perguntas para as quais se buscam as respostas são: Quais serão os principais polos de poder desta nova configuração da ordem mundial? A China conseguirá se firmar como uma potência militar capaz de ameaçar os interesses dos Estados Unidos, inicialmente na Ásia, e, depois em todo o mundo? Como o Japão reagirá ao novo status chinês? A Rússia será capaz de voltar a se impor politica, econômica e militarmente sobre o leste europeu? Como os países europeus irão reagir à essa ameaça russa e à crescente crise migratória? O Irã atingirá seu objetivo de contrapor-se à Arábia Saudita, firmando-se como maior potência do Oriente Médio e desafiando os interesses norte-americanos na Região? Como o novo status de potência nuclear da Coreia do Norte afetará o equilíbrio geopolítico da Península Coreana? Como Índia e Paquistão se comportarão face à influência cada vez maior da China sobre suas áreas de interesse? Será a Venezuela palco de uma disputa entre os EUA, de um lado, e China e Rússia de outro? Os países do norte da África e do Oriente Médio conseguirão se estabilizar política e economicamente? Como os Estados Unidos se comportarão face à todas essas ameaças ao seu status de única superpotência do planeta?

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Para nós aqui no Brasil, a pergunta é: estamos preparados para enfrentar os reflexos das crises, das instabilidades e desequilíbrios que esses rearranjos na configuração da ordem global certamente trarão?

Evidentemente, a situação acima descrita trará profundas consequências para a área de defesa. Neste artigo, tratarei dos possíveis reflexos desses novos ventos globais para as tropas blindadas brasileiras, integrantes do Exército da 8ª potência econômica do mundo.

PARA QUAL GUERRA OS EXÉRCITOS DEVEM SE PREPARAR?

Na primeira década do século XXI, ainda se acreditava que o mundo poderia estar vivendo o chamado “fim da história”. Impactados pelo atentado às Torres Gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, e com a subsequente Guerra ao Terror travada pelos EUA e seus principais aliados, exércitos de todo o mundo começaram a discutir se ainda eram necessárias forças blindadas como as que existiam ate então.

Logo, acreditava-se que a guerra passaria a ser travada não mais contra Estados Nacionais: grupos terroristas não-estatais passaram a ser o inimigo. A “guerra no meio do povo” seria o novo paradigma Afinal. como escreveu o General e autor britânico Rupert Smith, “Já não existem guerras”. Essa foi a frase que abriu o seu livro “A utilidade da força: A Arte da Guerra no mundo moderno” de 2008 que, inclusive, passou a ser leitura obrigatória nas Escolas de Estado Maior ao redor do mundo. Com esse cenário, a potência de fogo, o poder de choque e a proteção blindada pareciam ser mais ser tão necessárias.

A realidade brasileira acrescentava aspectos importantes àquela conjuntura. O crescente engajamento do Exército nas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), as missões de combate aos ilícitos transfronteiriços, nosso problema mais palpável e imediato, atraíram a atenção convencendo inclusive uma porção da oficialidade – minoritária felizmente – de que aquela era a “nossa guerra”.

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Acontecimentos da segunda década do século XXI, tais como a ação russa na Criméia, a crescente assertividade militar chinesa no Mar do Sul da China e no sudeste asiático, a ascensão da Coreia do Norte ao status de potência nuclear, os novos enfrentamentos entre Paquistão e Índia na Caxemira, a crise na Venezuela, relembram que a possibilidade do envolvimento dos Estados Nacionais em conflitos de alta intensidade ainda deve ser considerada por governos responsáveis como possibilidades reais. A realidade se impôs e recordou aos estrategistas que a natureza das relações humanas e das interações de poder não mudaram, e consequentemente, as disputas estatais permanecerão existindo por muitos anos ainda.

Em outras palavras, Clausewitz ainda não foi superado. A guerra como fenômeno político, econômico e social continua uma constante ao longo da história.

Esse fato nos traz uma pergunta: se a guerra permanece um acontecimento humano e como ela ainda poderá se manifestar como um fenômeno interestatal e de alta intensidade em que todos os componentes do poder nacional serão empregados de forma exaustiva, como os exércitos devem se preparar? Qual o papel das Forças Blindadas nessa realidade?

Essas perguntas têm sido respondidas pelos exércitos das maiores potências militares com a readequação, entre outros aspectos, de suas forças blindadas.

A MODERNIZAÇÃO DAS FORÇAS BLINDADAS PELO MUNDO

A “Próxima Geração de Veículos de Combate” é uma das seis prioridades estabelecidas pela Estratégia de Modernização do Exército dos Estados Unidos. de 3 de outubro de 2017. Para melhor responder às necessidades estabelecidas pela Estratégia, o Exército dos EUA criou a estrutura “Comando do Futuro”1. Espera-se que o protótipo de um novo blindado esteja pronto até 2022, iniciando sua avaliação operacional em 2023. Assim, planeja-se que em 2035 essa nova geração de blindados substitua tanto o Carro de Combate Principal M1 Abrams quanto as Viaturas de Combate M2/M3 Bradley e as da família M113.

O “Comando do Futuro – Army Futures Command” foi um comando criado pelo Exército dos Estados Unidos da América para assegurar que os programas de modernização caminhem na velocidade apropriada. Tem como foco garantir que as vantagens militares que hoje separam o Exército dos EUA de seus principais adversários sejam mantidas no futuro.

Não se trata de produzir viaturas novas baseadas nos atuais conceitos. Essa nova geração de blindados deverá agregar inovações disruptivas, ou seja, prevendo a inclusão de soluções. que provoquem uma ruptura com as tecnologias e padrões hoje estabelecidos no mercado. Buscam-se blindados que possam ser pilotados remotamente, dispensando a presença da tripulação, capacitados a operar em áreas urbanas, com excelente proteção blindada, além de capacidade de agregar novas tecnologias, novas armas e novos equipamentos de comunicação que venham a ser desenvolvidos. Uma verdadeira revolução.

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O Exército Francês, por sua vez, apresentou, em 2015, um Programa Estratégico denominado Au contact (Contato), cuja finalidade é reestruturar e prover a Força de meios para fazer face às ameaças e aos desafios da primeira metade deste século. Dentre outras ações do Programa. destaque-se o Projeto Scorpion, proporcionando àquele Exército uma mudança geracional no que concerne às suas Forças Blindadas.

O Projeto Scorpion tem por objetivos, dentre outros:

  • Otimizar a capacidade de combate da Força-Tarefa (FT) nível Batalhão (Btl) (interarmas) no contato com o oponente, por meio da melhoria da proteção blindada, mobilidade, autonomia e agilidade tática, as quais contribuirão para a eficácia operacional e otimização da preparação operacional;
  • Renovar as principais plataformas da FT Btl, que passarão a ser a Viatura Blindada Multitarefa (VBMR) – GRIFFON, o Carro Blindado de Reconhecimento e Combate (EBRC) JAGUAR e o Carro Combate pesado – LECLERC (modernizado);
  • Alinhar as capacidades da FT Btl (interarmas), integrando, por meio de um Sistema de Informação e Combate SCORPION (SICS), as plataformas de combate e os combatentes, mediante o intercâmbio imediato de informações, combate colaborativo e, ainda, preparação operacional com uso da simulação embarcada;
  • Proporcionar um sistema otimizado de apoio, desenvolvendo subsistemas modulares que contribuirão para reduzir a cauda e as digitais logísticas no teatro de operações.

A Rússia também providenciou seu programa de modernização. Assinado em 2018 pelo Presidente Vladimir Putin, o Programa Estatal de Armamento define as prioridades dos investimentos de defesa do pais até 2027. Embora a revitalização das forças nucleares de emprego estratégico seja a prioridade anunciada no documento, as Forças Blindadas também receberam atenção, com a destinação de recursos para a modernização dos Carros de Combate T-72, T-80 e T-90 e das Viaturas Blindadas de Combate de Fuzileiros BMP-2 e BMD-2.

Além disso, o T-I4 Armata, principal carro de combate da nova geração, bem como as novas Viaturas Blindadas de Combate de Fuzileiros Kurganets-25, além das de transporte de tropa VPK-7829 Boomerang, já estão em testes e espera-se que, apesar de sucessivos atrasos, até 2027, uma parcela dos lotes iniciais já tenha sido incorporada ao acervo do Exército Russo.

REFLEXOS PARA O EXÉRCITO BRASILEIRO

A conjuntura geopolítica que obrigou diversos países a adotarem medidas para retomarem o desenvolvimento de suas Forças Blindadas evidentemente também afetou o Brasil. O país, que devido sua estatura politico-estratégica desempenha um papel de liderança no subcontinente e participa ativamente do cenário global, não pode abster-se de possuir capacidades militares e operativas decisivas e de difícil construção.

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O Conceito Operativo do Exército de condução de operações militares no Amplo Espectro, caracterizado pela combinação simultânea ou sucessiva de operações de diversas naturezas, estabelece como premissas a necessidade de enfrentamento de novas ameaças e a aquisição e manutenção das capacidades requeridas pelos conflitos modernos.

O Catálogo de Capacidades do Exército lista tais capacidades militares terrestres e operativas, todas necessárias para que a Força Terrestre se mantenha em permanente estado de prontidão para o atendimento das demandas de segurança e defesa do país.

Dentre estas, a Superioridade do Enfrentamento, a Ação Terrestre, a Manobra Tática e o Apoio de Fogo são capacidades fundamentais e em grande parte oferecidas par Forças Blindadas eficientes e eficazes. Assim, não pode haver a menor dúvida dentre profissionais conhecedores da atual realidade da guerra, de que Forças Blindadas são, e continuarão sendo em um futuro previsível, a espinha dorsal de um exército moderno, preparado e em constante estado de prontidão.

Entretanto, a realidade nacional segundo a qual os limitados recursos disponíveis devem ser judiciosamente empregados, torna desafiadora a tarefa de renovar as Forças Blindadas do país. Mas este não pode ser um desafio intransponível. Certamente o invicto Exército de Caxias saberá superar as dificuldades orçamentárias e continuará a possuir uma Força Blindada a altura de suas responsabilidades, capaz de fornecer as capacidades requeridas ao combate no Amplo Espectro, realidade neste século XXI.


INFOGRAFICO-1
Infográfico (Adaptado da Revista Ação de Choque nº 17)

REFERÊNCIAS


*Paulo Roberto da Silva Gomes Filho é Coronel de Cavalaria formado pela Academia Militar das Agulhas Negras em 1990. Foi instrutor da AMAN, EsAO e ECEME. Realizou o Curso de Estudos de Defesa e Estratégia na Universidade Nacional de Defesa, em Pequim, China, entre 2015 e 2016. Comandou o 11º RC Mec. Atualmente exerce a função de assistente do Comandante de Operações Terrestres. Gerente do Projeto Combatente Brasileiro (COBRA). E-mail: paulofilho.gomes@eb.mil.br


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10 comentários

  1. Excelente artigo,realmente o dever de renovação das nossas forças blindadas deve ser uma prioridade nos próximos anos mantendo assim nossas forças blindadas a altura da nossa responsabilidade.

  2. Um país de dimensões continentais como o Brasil é de uma tarefa e responsabilidade hercúlea manter uma capacidade de defesa crível. O mais correto que nossas Forças Armadas fazem é preparar muito bem o material humano que dispõe e assim, sobrepujar as deficiências que temos. Mas precisamos sim de material bélico de qualidade para evitar o pior e fazer valer na mesa do concerto das nações a nossa soberania e nosso projeto de país.
    Matéria excelente.

  3. PROJETO GUARANI, UM FAZ DE CONTA PARA “DOURAR A PÍLULA”
    Artigo publicado no “Blog MONTEDO”
    O projeto guarani visa dotar a força terrestre de uma nova linha de blindados sobre rodas, em substituição às antigas urutu e cascavel, em uso já fazem mais de trinta anos. até aí tudo bem, sem comentários. mas, que se diga, o fato por si só dá margem a explorações descabidas, elocubrações do tipo “jogar confete” tais como afiançar que: uma das grandes vantagens das viaturas do dito projeto seria o seu emprego como material de defesa na proteção das infraestruturas estratégicas do país; por apresentar robustez, simplicidade no emprego e custo reduzido de manutenção, esses blindados podem ser utilizados no fortalecimento das ações do estado, na segurança e na defesa do território nacional. em verdade, isto só se aplicaria num caso de segurança interna, envolvendo ações de proteção de instalações de significado estratégico e isto em contexto de “garantia da lei e da ordem/GLO”. quanto a proteção destas mesmas infraestruturas, numa situação de segurança contra agentes oponentes externos, não há como duvidar, isto só pode ocorrer no caso do inimigo já ter consumado uma invasão do território nacional, não representando por isso mesmo muito pouco ou quase nada em termos de segurança e defesa do território.
    A constatação a que se chega é a de que essas viaturas blindadas de transporte de pessoal/VPTP, armadas apenas com: torre ut-30br criada pela AEL SISTEMAS para canhão automático de 30mm ou REMAX (reparo de metralhadora automatizada x) para metralhadora de 12,7 mm (.50) e 7.62x51mm, ou possivelmente um morteiro de 120 mm raiado, na versão porta-morteiros, ou .possivelmente um canhão de 105 mm, na versão de reconhecimento, ou= possivelmente um canhão de 120 mm, na versão caça-tanques, somente serão empregadas na defesa do território se o inimigo lograr um desembarque bem sucedido. fato que só se concretizaria se o EB e a MB, com mísseis de cruzeiro (falo de “vetores de respeito” VDR 1500/2500 km sem limite de carga e não do “busca pé” AVMATAMOSQUITOS 300 km limitado em 500 kg de carga) não conseguirem cumprir a missão de “dissuadir oponente ainda em alto mar”.
    Quanto a dizer que, com índice de nacionalização de cerca de 90%, o guarani está alinhado com os objetivos da estratégia nacional de defesa, na medida em que colabora com o desenvolvimento da indústria nacional de defesa, gerando divisas para o brasil, é de se refutar a assertiva na medida em que “não seria bem um alinhamento com a Estratégia Nacional de Defesa/EDN”, mas, sim, um lamentável atrelamento com o “Deus nos acuda”, já em “campanha de terra arrasada” nos moldes da resistência da Rússia na Segunda Grande Guerra.
    Quanto a apontar como principais benefícios: a elevação da capacidade tecnológica da indústria nacional, porque não se ganha do mesmo jeito priorizando com rigor a montagem das viaturas plataformas de vetores de cruzeiro astros ii-1500/2500km (?); a diversificação da pauta de exportações, por que não se lucra do mesmo jeito com a exportação das mesmas viaturas plataformas já preconizadas(?); a ampliação da capacidade de dissuasão do eb, discordo diametralmente posto que vbtp e carros de combate nunca dissuadiram ninguém, quanto mais em se tratando de ‘grandes potências militares”; o emprego no apoio à defesa civil, que seja dito, é feito com restrições, quem sabe para destruir barricadas nas vias de acesso que conduzem às ver dadeiras “zonas liberadas pelo crime organizado” nas capitais estaduais do país.
    Aí, como se não bastasse, se apresenta cronograma de execução com prazo para que toda a família de blindados do projeto guarani seja implantada no exército brasileiro em 20 anos. Para que se tenha uma ideia, a previsão total da VBTP Guarany para a infantaria mecanizada, é de “2044”, já tendo sido entregues em torno de “400” ou mais. para que? Para emprego em coalizões imperialistas dos “soldados universais” no Oriente Médio?! Sim porque, raciocinando fria e calculadamente, estes meios, realmente, só serão de utilidade após a invasão bem sucedida do território por “grandes predadores militares”! Por que não fabricar então, tendo em vista a urgência/emergência da defesa nacional, antes dos “1644” Guaranis que faltam, as “15” viaturas x “15” baterias (total de “225”) necessárias para permitir a plena cobertura do grande arco defensivo, iniciado em Tabatinga/AM e finalizado em Rio Grande/RS? sim, porque não providenciar neste sentido será como condenar nossos filhos e netos fardados à morte no próximo confronto (este texto comenta matéria contida no link ttps://www.defesa.gov.br/industria-de-defesa/paed/projetos-estrategicos)
    Paulo Ricardo da Rocha Paiva
    Coronel de Infantaria e Estado-Maior

  4. O projeto guarani visa dotar a força terrestre de uma nova linha de blindados
    sobre rodas, em substituição às antigas urutu e cascavel, em uso já fazem mais de trinta anos. até aí tudo bem, sem comentários. mas, que se diga, o fato por si só dá margem a explorações descabidas, elocubrações do tipo “jogar confete” tais como afiançar que: uma das grandes vantagens das viaturas do dito projeto seria o seu emprego como material de defesa na proteção das infraestruturas estratégicas do país; por apresentar robustez, simplicidade no emprego e custo reduzido de manutenção, esses blindados podem ser utilizados no fortalecimento das ações do estado, na segurança e na defesa do território nacional. em verdade, isto só se aplicaria num caso de segurança interna, envolvendo ações de proteção de instalações de significado estratégico e isto em contexto de “garantia da lei e da ordem/GLO”. quanto a proteção destas mesmas infraestruturas, numa situação de segurança contra agentes oponentes externos, não há como duvidar, isto só pode ocorrer no caso do inimigo já ter consumado uma invasão do território nacional, não representando por isso mesmo muito pouco ou quase nada em termos de segurança e defesa do território.
    A constatação a que se chega é a de que essas viaturas blindadas de transporte de pessoal/VPTP, armadas apenas com: torre ut-30br criada pela AEL SISTEMAS para canhão automático de 30mm ou REMAX (reparo de metralhadora automatizada x) para metralhadora de 12,7 mm (.50) e 7.62x51mm, ou possivelmente um morteiro de 120 mm raiado, na versão porta-morteiros, ou .possivelmente um canhão de 105 mm, na versão de reconhecimento, ou= possivelmente um canhão de 120 mm, na versão caça-tanques, somente serão empregadas na defesa do território se o inimigo lograr um desembarque bem sucedido. fato que só se concretizaria se o EB e a MB, com mísseis de cruzeiro (falo de “vetores de respeito” VDR 1500/2500 km sem limite de carga e não do “busca pé” AVMATAMOSQUITOS 300 km limitado em 500 kg de carga) não conseguirem cumprir a missão de “dissuadir oponente ainda em alto mar”.
    Quanto a dizer que, com índice de nacionalização de cerca de 90%, o guarani está alinhado com os objetivos da estratégia nacional de defesa, na medida em que colabora com o desenvolvimento da indústria nacional de defesa, gerando divisas para o brasil, é de se refutar a assertiva na medida em que “não seria bem um alinhamento com a Estratégia Nacional de Defesa/EDN”, mas, sim, um lamentável atrelamento com o “Deus nos acuda”, já em “campanha de terra arrasada” nos moldes da resistência da Rússia na Segunda Grande Guerra.
    Quanto a apontar como principais benefícios: a elevação da capacidade tecnológica da indústria nacional, porque não se ganha do mesmo jeito priorizando com rigor a montagem das viaturas plataformas de vetores de cruzeiro astros ii-1500/2500km (?); a diversificação da pauta de exportações, por que não se lucra do mesmo jeito com a exportação das mesmas viaturas plataformas já preconizadas(?); a ampliação da capacidade de dissuasão do eb, discordo diametralmente posto que vbtp e carros de combate nunca dissuadiram ninguém, quanto mais em se tratando de ‘grandes potências militares”; o emprego no apoio à defesa civil, que seja dito, é feito com restrições, quem sabe para destruir barricadas nas vias de acesso que conduzem às ver dadeiras “zonas liberadas pelo crime organizado” nas capitais estaduais do país.
    Aí, como se não bastasse, se apresenta cronograma de execução com prazo para que toda a família de blindados do projeto guarani seja implantada no exército brasileiro em 20 anos. Para que se tenha uma ideia, a previsão total da VBTP Guarany para a infantaria mecanizada, é de “2044”, já tendo sido entregues em torno de “400” ou mais. para que? Para emprego em coalizões imperialistas dos “soldados universais” no Oriente Médio?! Sim porque, raciocinando fria e calculadamente, estes meios, realmente, só serão de utilidade após a invasão bem sucedida do território por “grandes predadores militares”! Por que não fabricar então, tendo em vista a urgência/emergência da defesa nacional, antes dos “1644” Guaranis que faltam, as “15” viaturas x “15” baterias (total de “225”) necessárias para permitir a plena cobertura do grande arco defensivo, iniciado em Tabatinga/AM e finalizado em Rio Grande/RS? sim, porque não providenciar neste sentido será como condenar nossos filhos e netos fardados à morte no próximo confronto (este texto comenta matéria contida no link ttps://www.defesa.gov.br/industria-de-defesa/paed/projetos-estrategicos)
    Paulo Ricardo da Rocha Paiva
    Coronel de Infantaria e Estado-Maior

  5. COMENTANDO PROPOSTA DE REESTRUTURAÇÃO DAS FORÇAS BLINDADAS DO EB
    ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA SOCIEDADE MILITAR
    Compilação de extrato da matéria na fonte https://www.google.com.br/search?q=blindados+redacao+forcas+de+defesa+asas+rotativas
    O senhor Bardini (não sei se é militar), leitor do Blog Força Terrestre, assim se expressou: _ “Tocaram no assunto de reestruturação … No meu entendimento, o caminho para uma profunda reestruturação do Exército, seria mais ou menos por aqui: Nas imediações do Forte Santa Bárbara, construir toda a estrutura para abrigar uma Brigada Pesada completa, fechadinha com tudo o que precisa para existir e operar. Seria uma força com capacidade de logística expedicionária e robusta, par ser desdobrada para qualquer ponto do Brasil em caso de necessidade, já que o Brasil é uma “ilha”, a força ficaria no meio dessa “ilha”. Uma brigada de cavalaria blindada seria retirada do Sul para isso. A outra seria completamente extinta e o pessoal remanejado.
    COMENTÁRIO – Depreende-se que a 5 ª Brigada de Cavalaria Blindada seria retirada de Ponta Grossa/PR. A outra seria a 6 ª Brigada de Infantaria Blindada de Santa Maria/rs, que seria extinta com o seu efetivo remanejado. Há que se realocar, desta feita, as unidades/subunidades orgânicas da grande unidade a ser extinta, pelo entendido, para a 5 ª Brigada de Cavalaria Blindada, de molde a compor a Brigada Pesada visualizada por Bardini.
    BARDINI – Formosa tem muito espaço para treinar. Goiás isenta de impostos empresas de defesa. O terreno comporta um MBT “de verdade”. O Forte seria protegido pelo 1º GAAAe perto dali. Os KC-390 ficam perto. Teria opção de ferrovia não muito longe dali, para ir para Norte ou Sul. Muito complexo para um agressor da América do Sul chegar ali.
    COMENTÁRIO – Em dúvida com relação ao significado da sigla MBT; que se saiba os KC- 390 não transportam carros de combate; positivo quanto a ferrovias; concordando na medida em que a distância é muito grande, além da remotíssima hipótese de guerra com qualquer dos países latino americanos, máxime com os que conformam o cone sul do subcontinente.
    BARDINI – O EB vai ter que gastar muito dinheiro para trocar de família de blindados na marra, então que se coloque um pouco mais encima e faça algo mais profundo. Não faz sentido manter essa estrutura velha que temos para conter/balancear a ameaça de uma Argentina que não existe mais, sendo que as fronteiras estão consolidadas. É dinheiro jogado fora, que está fazendo falta a décadas em outros braços da força que necessitam ser renovados constantemente.
    COMENTÁRIO – Concordando quanto ao “não perigo” representado pela Argentina e ao “dinheiro jogado fora”, em particular e principalmente, com projetos chamados de estratégicos, mas, porém, contudo, todavia, entretanto, que não somam absolutamente nada em termos de um real e contundente poder de fogo capaz de fazer o inimigo desistir da luta. Muito antes da reestruturação da força blindada, faz-se mais do que necessário, hoje, agora, para ontem, providenciar, de forma urgente e emergencial, a disponibilização para arma de artilharia de VPTF com vetores balísticos de cruzeiro, sem limite de carga, de forma a guarnecer, no mais curto prazo, o arco de defesa alada entre Tabatinga/AM e Rio Grande/RS.
    BARDINI – Outro foco de mudança seria transformar de vez as 04 Brigadas de Cavalaria Mecanizada em Brigadas Médias, com caráter de Armas Combinadas. Estas estruturas seriam mais independentes e agregariam o fator mobilidade estratégica e rápida resposta a um evento. Essas estruturas seriam equipadas com blindados sobre rodas. Foco: mobilidade estratégica e, em caso de agressão, “ganhariam tempo” para desdobrar a Brigada Pesada no TO e posteriormente apoiariam a mesma. Ficariam 2 no Rio Grande do Sul, 1 no Paraná e 1 em Goiás.
    COMENTÁRIO – Depreende-se: que seriam mantidas no Rio Grande do Sul as brigadas de cavalaria mecanizada: 2ª em URUGUAIANA e 3ª em BAGÉ; que a 4ª de DOURADOS/MS seria deslocada para Goiás e que a 1ª de SANTIAGO/RS seria deslocada para o Paraná. Salvo melhor juízo, a coordenação da “Campanha Por Uma Nação Armada” é de parecer que a 15 ª Brigada de Infantaria Mecanizada de CASCAVEL/PR enseje/vislumbre o deslocamento da 1ª de SANTIAGO/RS para BELA VISTA/RR, esta que enquadraria mais RC Mec aquartelado naquela cidade, para emprego nas savanas existentes no estado, liberando assim a 7 ª Brigada de Infantaria de Selva para emprego nas descomunais reservas indígenas adjacentes à linha da fronteira.
    Quanto ã transformação das 04 Brigadas de Cavalaria Mecanizada em Brigadas Médias, com caráter de armas combinadas, a coordenação da “Campanha Por Uma Nação Armada” visualiza tão somente, como solução mais simples e imediata, apenas acrescer”1” (um) batalhão de infantaria mecanizada a cada uma das 4 grandes unidades de cavalaria mecanizada já existentes (que manteriam a denominação Cavalaria Mecanizada), o que não contraria a doutrina, na medida em que brigadas podem enquadrar até mais duas unidades.
    CONCLUSÃO – Como pode se constatar, a visualização da restruturação de nossas forças blindadas está toda voltada para o território brasileiro, por isso mesmo, em contraposição à doutrina da ofensiva perseguida pelos notórios “predadores militares”, cabendo, tão somente, em coerência com nossa postura de absoluta observância do direito internacional, opor uma poderosa e dissuasiva estratégia defensiva de autopreservação. Esta verdade clara, indiscutível e insofismável subentende que o aparato blindado/mecanizado do EB só deve ser empregado se um poderoso oponente extrarregional lograr uma invasão por sobre a calha norte do Rio Amazonas ou um desembarque bem sucedido em nosso litoral/costa, possibilidade só admitida se a nossa artilharia, mais o poder de fogo da Esquadra, não cumprirem a sua missão de, pela dissuasão, fazer o inimigo desistir da luta.
    Paulo Ricardo da Rocha Paiva
    Coronel de infantaria e Estado-Maior

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