Análise do abate do IL-20M russo na Síria em 2018

Renato Por Renato Henrique Marçal de Oliveira*

Baixar-PDF

Capa-PDF.jpg

IL-20M russo no aeroporto de Chkalovsky (Foto: Kirill Naumenko/Wikimedia/CC BY-SA 3.0)

Em dezessete de setembro de 2018, aeronaves F-16I israelenses atacaram alvos na região noroeste da Síria, mais especificamente ao redor da cidade portuária de Latakia, uma região que Israel não tinha atacado antes, mas a chegada de armas iranianas modernas, que a inteligência israelense indicava que acabariam nas mãos do Hizballah (também grafado Hezbollah), motivou o ataque.

Israel utilizou quatro aeronaves F-16I armadas com bombas GBU-39 SDB; embora o relatório oficial não tenha sido divulgado, cada F-16I geralmente carrega 8 destas pequenas bombas. Como as SDB tem um alcance superior aos 50 km (estima-se até 100 km, dependendo da velocidade e altitude do vetor de lançamento), Israel pôde atacar a partir de uma distância relativamente segura, sobre o Mediterrâneo.

No mesmo dia, a Rússia, aliada do governo central da Síria na guerra civil, notificou a perda de contato com uma aeronave Ilyushin Il-20M, uma versão de ELINT (Inteligência Eletrônica) derivada do clássico Ilyushin Il-18. O Il-18 é uma aeronave de transporte soviética bastante utilizada ao redor do mundo e que, além do Il-20M, tem ainda vários outros derivados. O Il-20M tinha abortado uma missão e voltava à sua base, Khmeimim, quando houve a perda de contato.

No dia seguinte, os destroços da aeronave foram localizados e constatou-se que, infelizmente, nenhum dos 15 tripulantes havia sobrevivido. Inicialmente se acreditou tratar de um incidente de “fogo amigo” – baterias SAM (Surface to Air Missiles, Mísseis Superfície-Ar) sírias teriam atingido o Il-20M enquanto tentavam repelir o ataque israelense. Os russos rapidamente culparam os israelenses, ainda que indiretamente, pela perda do Il-20M.

Após alguns dias de tensões entre Israel e Rússia, um grupo da IAF (Israeli Air Force, Força Aérea Israelense), que incluía seu comandante, o major-general Amikam Norkin, foi pessoalmente a Moscou se reunir com o alto comando militar russo e apresentar os dados de que dispunham.

Modern Air Force of Russia: Ilyushin&Tupolev Airplanes (English Edition) por [Tigr, Alexander] LIVRO RECOMENDADO:

Modern Air Force of Russia: Ilyushin & Tupolev Airplanes

  • Alexander Tigr (Autor)
  • Em inglês
  • eBook Kindle

Inicialmente, o presidente russo Vladimir Putin atribuiu o evento a uma “infelicidade” – como os SAM sírios não dispõem de IFF (Identification: Friend or Foe, ou Identificador Amigo ou Inimigo), os operadores sírios teriam atingido o Il-20M devido a um erro de identificação.

Entretanto, pouco depois, a Rússia tornou oficial uma acusação que já tinha feito antes – Israel teria usado o Il-20M como “escudo” para seus F-16, portanto a culpa era inteiramente dos israelenses e, como retaliação, os sírios receberiam os avançados SAM S-300 que vinham pedindo há tempos, o que realmente acabou por acontecer pouco mais de um mês depois do abate do Il-20M.

Este é o resumo da história – mas, como de costume, principalmente no Oriente Médio, as coisas não são tão simples como parecem à primeira vista.

ATAQUES ISRAELENSES NA SÍRIA

F-16I.jpg

F-16I Sufa (Foto: IAF/Major Ofer/Wikimedia Commons/CC BY 4.0)

Tecnicamente falando, Israel e Síria estão em guerra desde 1973 (a Guerra do Yom Kippur). Entretanto, oficialmente, Israel não interfere na sangrenta Guerra Civil da Síria, um conflito que vem se arrastando desde 2011. O Irã é, atualmente, o pior inimigo de Israel, mas é um grande aliado do governo central da Síria. Uma das principais forças a serviço dos iranianos é o grupo jihadista libanês Hizballah, outro grande inimigo de Israel.

Ao mesmo tempo em que declarou sua neutralidade em relação à guerra civil, Israel deixou bem claro a Bashar Al Assad, o presidente sírio, que havia algumas “linhas vermelhas” sobre as quais Israel não iria tolerar qualquer transgressão:

  • Incursões ou ataques contra Israel, mesmo que sejam “balas perdidas”;
  • Presença do Irã ou do Hizballah em regiões próximas à fronteira com Israel; e
  • Transferência de armas avançadas ao Hizballah, ainda que no contexto da guerra civil.

Como o Irã pretende se estabelecer na Síria por um longo período, os iranianos testam a prontidão de Israel em retaliar a brecha das “linhas vermelhas” e Israel prontamente ataca iranianos e libaneses do Hizballah, conforme o caso, e também os sírios que tentam repelir os ataques israelenses.

O “cavalo de batalha” israelense nos ataques contra alvos na Síria é o F-16I. Além das armas descritas no artigo “PGM Israelenses”, Israel também utiliza armas americanas como as JDAM e GBU-39 SDB (que foi a arma selecionada no ataque a Latakia).

US Navy Fact File F-16 Fighting Falcon (English Edition) por [USN] LIVRO RECOMENDADO:

US Navy Fact File F-16 Fighting Falcon

  • USN (Autor)
  • Em inglês
  • eBook Kindle

A SDB é uma pequena bombas planadora guiada da classe 250 lb (+/-113 kg). É bastante apreciada pelo reduzido raio letal (importante contra alvos em áreas urbanas), excelentes propriedades penetrantes e pequenas dimensão e peso, o que permite que um F-16I carregue oito SDB com facilidade.

Além dos SDB, os F-16I israelenses também carregam mísseis ar-ar (AMRAAM, Sidewinder, Python, Derby) e mísseis antirradar (AGM-88 HARM), para defender-se de ações de caças e SAM sírios.

A tática usual israelense é disparar a partir do espaço aéreo libanês, o que praticamente impede uma resposta de SAM sírios. Como as distâncias na região são relativamente curtas, os 70-100 km de alcance das bombas planadoras é suficiente para boa parte dos alvos.

A IAF geralmente segue um perfil de voo Lo-Hi-Lo (Low-High-Low, Baixo-Alto-Baixo), ou seja, ingresso a baixa altitude, subida a elevada altitude para adquirir o alvo e lançar as armas (dando-lhes assim maior alcance) e evasão a baixa atitude; o voo a baixa altitude limita severamente o alcance de detecção de radares devido à curvatura da Terra. Perfis de voo diferentes são usados apenas em missões específicas.

A combinação desse perfil de voo com sistemas avançados de ECM (Electronic Counter Measures, Contramedidas Eletrônicas) para interferir nos radares, somado ao uso de HARM e “drones suicidas” como os HAROP, com a missão de atacar os SAM, é típica das missões israelenses.

Este conjunto de táticas e sistemas coloca os operadores de SAM numa situação muito difícil – se ligarem os radares se expõem a ataques dos “drones suicidas” e mísseis HARM e se não os ligarem os israelenses atacam os locais que os SAM deveriam estar protegendo. Isto faz com que a maioria dos ataques israelenses consiga evitar ações das defesas sírias ou destruí-las quando tentam interferir.

Uma característica israelense é a ambiguidade em relação às capacidades militares, inclusive missões: Israel quase nunca assume a autoria de ações, mas também raramente nega. Isso também se aplica a ataques contra posições iranianas na Síria e no Iraque; vários ataques aéreos nestes locais são atribuídos aos israelenses, que raramente confirmam ou negam as acusações.

O ATAQUE A LATAKIA

Mapa-Siria.jpg

Síria. Observe-se a localização de Latakia, no extremo noroeste do litoral sírio, relativamente próxima a Tartus, sede de importante base russa (Imagem: UN Office for the Coordination of Humanitarian Affairs, CC BY 3.0)

Latakia é uma das principais cidades portuárias da Síria, localizada a cerca de 230 km a noroeste de Damasco e 420 km ao norte de Jerusalém. Latakia fica a norte/noroeste da Síria, perto da fronteira com a Turquia.

Embora Israel tenha atacado a Síria centenas de vezes, ainda não havia atacado a região de Latakia, especialmente depois da entrada da Rússia na guerra em 2015. Latakia fica próxima das importantes bases militares russas em Tartus e Khmeimim, e a IAF não atacou o local por receio de causar baixas entre os russos.

Entretanto, dados de inteligência apontavam que o Irã estava usando a cidade para transferir armas avançadas ao Hizballah. Receoso de que o Hizballah poderia utilizar tais armas contra Israel, e para manter sua credibilidade em relação às “linhas vermelhas”, o alto comando israelense decidiu atacar.

LIVRO RECOMENDADO:

Russia’s Warplanes, Volume 2: Russian-Made Military Aircraft and Helicopters Today

  • Piotr Butowski (Autor)
  • Em inglês
  • Capa Comum

Como de costume, a combinação de F-16I e SDB foi a escolhida para o ataque; quatro aeronaves seriam utilizadas nesta missão. Entretanto, devido à localização de Latakia, a tática de atacar a partir do Líbano não era viável.

Israel precisaria atacar ou a partir do próprio espaço aéreo sírio ou a partir de águas internacionais sobre o Mediterrâneo; tal perfil de voo é bastante perigoso, principalmente quando lembramos que alguns meses antes, mais precisamente em dez de fevereiro de 2018, um F-16I foi abatido na região fronteiriça entre a Síria e Israel.

A guerra civil é palco da presença de diversos players, cada um com interesses distintos; na data do ataque, a fragata francesa Auvergne, da classe FREMM, estava nos arredores de Latakia, chegando inclusive a disparar suas armas, conforme noticiado por diversos veículos de mídia.

Além dos iranianos, franceses e os próprios sírios, há também russos, militares dos EUA, a Turquia ao longo da fronteira sírio-turca, curdos (aliados dos EUA), o Chipre – que não está envolvido na guerra mas fica a menos de 200 km de Latakia – entre outros.

Um verdadeiro “balaio de gatos”, e incidentes internacionais acontecem com relativa frequência por ali, o que mantém as tensões bastante elevadas; a chance de um erro causar uma guerra entre outros países, ou de atrair outros players para a região é um risco sempre presente.

Israel decidiu atacar a partir do Mediterrâneo e assim o fez na noite do dia dezessete de setembro de 2018. Como de costume para evitar atritos com os russos, Israel os avisou que atacaria alvos na região norte da Síria, e os russos não interferiram no ataque israelense, que foi bem sucedido.

Entretanto, ainda no dia dezessete, a Rússia informou a perda de comunicação com um Il-20M, mais ou menos ao mesmo tempo em que o ataque israelense ocorreu. Não demorou muito até que se confirmasse o motivo da perda de comunicação com a aeronave: ela fora abatida por mísseis. Todos os quinze membros da tripulação morreram.

É a partir daqui que começam as contradições nas versões apresentadas.

A GUERRA DE NARRATIVAS

A repercussão da queda do Il-20M foi grande bastante para que Israel “ignorasse” a política de ambiguidade, admitisse o ataque e enviasse o próprio comandante da força aérea a Moscou. No entanto, mesmo essas ações israelenses foram insuficientes para que a Rússia revertesse sua versão oficial, que culpa Israel pelo abate do Il-20M.

Além das versões de Israel e da Rússia, há outras circulando.

A VERSÃO ISRAELENSE

F-15E-GBU-39-SDB.jpg

Rack quádruplo (“quad-pack”) de bombas GBU-39 SDB, versão de manejo, sendo instaladas sob um F-15E da USAF durante treinamento na base aérea Lakenheath, Reino Unido (Foto: USAF/Master Sgt. Lance Cheung/Domínio Público)

A versão israelense divulgada na mídia internacional e que a IAF apresentou em Moscou aponta que, como de costume, as aeronaves atacaram seus alvos em Latakia usando o perfil padrão Lo-Hi-Lo. Israel avisou a Rússia do ataque com doze minutos de antecedência.

Para não serem atacados por armas como os HARM e HAROP e ao mesmo tempo não ficarem de braços cruzados, os sírios geralmente fazem uma série de ações inúteis e até perigosas:

  1. Disparam os mísseis às cegas, sem ligar os radares; tal prática tem chance quase nula de atingir os alvos, além do que os mísseis acabam por cair em regiões populosas. Um dos mísseis SA-5 acabou caindo no Chipre e causando um incêndio florestal;
  2. Ligam os radares e disparam os mísseis quando as aeronaves israelenses já deixaram a área; e
  3. Atiram em qualquer alvo, mesmo quando os sistemas IFF não estão disponíveis.

Ao que parece, uma combinação de 2 e 3 foi o que aconteceu no dia dezessete de setembro.

F-16 Viper Illustrated (The Illustrated Series of Military Aircraft) (English Edition) por [Drendel, Lou] LIVRO RECOMENDADO:

F-16 Viper Illustrated

  • Lou Drendel (Autor)
  • Em inglês
  • eBook Kindle

É interessante observar que a versão israelense não menciona o Il-20M, citando-o apenas como uma vítima colateral; Israel lamenta a perda da aeronave e sua tripulação, mas não assume nenhuma responsabilidade pelo fato, dizendo ao invés disso que toda a culpa deve ser atribuída aos operadores dos SAM sírios por usarem, deliberadamente, táticas perigosas para aeronaves aliadas.

Um Il-20M que recebeu ordens de retornar à base de Khmeimim, quando a Rússia foi avisada do ataque, foi erroneamente identificado pelos operadores de SA-5 sírios como sendo uma aeronave israelense. Como é lento (com velocidade de cruzeiro em torno de 625 km/h) e pouco manobrável, além de não dispor de sistemas de ECM, não foi possível evitar o SAM.

A VERSÃO RUSSA

Map-of-Il20-downing.jpg

Mapa distribuído melo Ministério da Defesa da Rússia à mídia internacional

Ao invés dos dez a vinte minutos de antecedência usuais, o aviso israelense aconteceu a menos de cinco minutos (algumas fontes apontam apenas um minuto) antes do ataque a Latakia. Assim que recebeu o aviso dos israelenses, o comando russo ordenou à aeronave IL-20M que retornasse imediatamente a Khmeimim.

Entretanto, ao perceberem que estavam sob ataque dos SAM sírios, os pilotos dos F-16 usaram o Il-20, muito maior, como “escudo” contra os mísseis, mesmo sabendo que, ao fazer isto, colocavam o IL-20M em perigo.

A “tática” de usar uma aeronave grande como escudo não é nova; os americanos a empregaram quando se esconderam atrás de um Boeing 747 da KAL (Korean Airlines), voo 007, que foi abatido sobre a URSS em 1983 ao ser usado como “escudo” por um RC-135 de ELINT (lembrando que esta é a versão russa; a versão americana desse abate é diferente).

De fato, o IL-20M foi atingido no ponto em que sua rota coincide com a dos F-16I, conforme apresentado no mapa acima. O míssil teria voado por quatro minutos antes de atingir o Il-20M (o curioso é que os manuais apontam o tempo de voo do S-200 como sendo 2,5 minutos).

Assim que perceberam que atingiram uma aeronave aliada enquanto tentavam atingir os israelenses, os operadores de SAM interromperam os lançamentos de mísseis e os israelenses aproveitaram a pausa para fugir. Assim, a culpa não é dos operadores de SAM sírios, mas dos pilotos israelenses que covardemente se esconderam atrás do IL-20M russo.

Observe-se a presença da fragata Auvergne, em azul, perto do Chipre.

OUTRAS VERSÕES E TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

Auvergne.jpg

Fragata francesa Auvergne, classe FREMM (Foto: US Navy/Mass Comm Specialist 2nd Class Elesia K. Patten/Domínio Público)

Conforme o esperado, aliados de Israel seguem a versão israelense e aliados da Síria seguem a versão russa, com pouca ou nenhuma alteração.

Entretanto, surgiram rumores, entre eles os divulgados pela Reseau International e pela FRN (Fort Russ News), que o abate poderia ter sido realizado pela França ou pelo Reino Unido. Embora esta fonte seja mais conhecida por teorias da conspiração que por análises precisas, alguns pontos de sua teoria sobre o incidente merecem atenção.

A suspeita da Reseau/FRN parte da suposição que a versão russa é correta, pelo menos em termos da rota de voo do Il-20. Mas a partir daí diverge bastante da versão russa, e mais ou menos corrobora a versão israelense.

O Il-20, segundo essas análises, ou estaria sobre o Mediterrâneo ou sobre a Síria, mas a cinco minutos de voo de Khmeimim no momento do abate (considerando a versão russa).

Além disso, os perfis nas telas dos radares e de voo do F-16I e do Il-20M, inclusive altitudes e velocidades, são consideravelmente diferentes (ao contrário do caso do RC-135 e do Boeing 747 do incidente da KAL), portanto não faria o menor sentido os F-16 usarem o Il-20M como “escudo”.

Diários da Síria por [Littell, Jonathan] LIVRO RECOMENDADO:

Diários da Síria

  • Jonathan Littell (Autor)
  • Em português
  • eBook Kindle

Em nenhuma destas situações seria possível que os F-16I estivessem próximos do Il-20, “confirmando” assim a versão israelense.

Conforme dito antes, e confirmado pela versão russa do incidente, a fragata Auvergne estava na região de Latakia quando o IL-20M foi abatido (a versão israelense não menciona a Auvergne, mas a França não negou sua presença).

Também conforme mencionado antes, o IL-20M é um derivado do Il-18. Entretanto, conforme já foi dito, o Il-18 tem diversos derivados, entre eles o Il-38 de patrulha marítima e o Il-22PP de guerra eletrônica. Como são muito parecidos, tanto externamente como também nos radares, seria possível que a Auvergne tivesse atacado o IL-20M por engano ou deliberadamente caso suspeitasse que ele tinha interceptado informações eletrônicas importantes.

Outra possibilidade aventada por esses sites é que o IL-20M se aproximou demais de uma zona de exclusão aérea em torno da base Akrotiri da RAF, localizada no Chipre, e foi abatida por um dos Eurofighter britânicos ali estacionados.

O fato de, além de membros da OTAN, França e Reino Unido serem potências nucleares, deixaria a Rússia a uma situação delicada – culpar qualquer um deles pelo abate do IL-20M poderia levar a uma guerra aberta contra a OTAN, o que certamente envolveria os EUA. Acusa-los, portanto, seria inviável.

Outra versão – a aliada Síria abatendo um valiosa aeronave sua por engano –, seria muito embaraçosa para a Rússia, que se veria forçada a tomar uma atitude que poderia prejudicar avanços na região que lhe custaram muito caro. Portanto essa alternativa também seria ruim para a Rússia.

F-16-Revell.jpg RECOMENDADO:

F-16 C USAF para montar

  • Escala 1/144
  • C/ tintas, Pinceis e Cola
  • Revell Alemã

Para manter as aparências, Rússia e Israel, que tem boas relações em várias áreas, inclusive na guerra sobre a Síria, teriam costurado um acordo: Israel “aceita” a culpa (fazendo um protesto medíocre na mídia) e a Rússia entrega à Síria os S300 que havia prometido há tempos mas que tinha retido devido a um acordo com os israelenses; no entanto não entrega a versão mais avançada, mas uma que estava “juntando poeira” nos depósitos russos (esta análise fica para outro artigo). Desta forma, a Síria é “inocente” e recebe um “agrado”, não tendo portanto nada a acrescentar à versão russa.

Os franceses, britânicos e americanos iriam “fingir” que a versão israelense está correta e acusar os operadores sírios pelo abate, o que livraria Israel, França e Reino Unido; e as acusações sobre a Síria não teriam efeito pois os próprios russos eximiram seus aliados de qualquer culpa.

CONCLUSÃO?

É hábito não apenas deste articulista, mas também do Blog Velho General e do Canal Arte da Guerra, não tirar conclusões baseadas em “achismos” e “torcidas”, mas em fatos.

O grande problema, neste caso, é que os “fatos” dependem de quem os relata, e a verificação independente é praticamente impossível.

Uma coisa é certa – tanto a versão israelense quanto a russa tem “buracos” consideráveis, alguns dos quais foram apontados pelos trechos sublinhados, e teorias da conspiração, a princípio, não são críveis, embora sempre haja pontos com os quais se possa concordar.

Sendo assim, deixamos as conclusões para os leitores. Qual versão é mais verossímil?

REFERÊNCIAS

br_associates_2_728x90._CB465180670_.jpg


*Renato Henrique Marçal de Oliveira é químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel).


Apoie o VG e ganhe um PDF sobre a Amazônia!

Ajude a manter o Velho General! O apoio financeiro ajuda a cobrir despesas com hospedagem de site, Internet, passagens e hospedagens na cobertura de matérias, assinaturas, livros, etc. A contribuição é única, não mensal. Contribua com quantas cotas quiser e ganhe um PDF com os artigos sobre a Amazônia, organizado com capa e índice! O Velho General agradece a sua contribuição!

R$5,00


 

Anúncios

  4 comments for “Análise do abate do IL-20M russo na Síria em 2018

  1. elendil2
    02/10/2019 às 09:35

    Muito interessante! Essa versão conspiratória é bem suspeita… Ótima matéria como sempre, acesso o site diariamente para verificar novas postagens! Parabéns!!!

    Curtido por 1 pessoa

  2. 02/10/2019 às 11:26

    Obrigado pelo elogio. Em breve traremos mais coisa boa!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: