PGM Israelenses

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Renato Por Renato Henrique Marçal de Oliveira*

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CAPA

Míssil Delilah (Foto: IMI /Elbit Media Center)


SGA-2019-Selo-100pxPoucas inovações revolucionaram tanto a guerra quanto as PGM (Precision Guided Munitions, Armas Guiadas de Precisão – “armas inteligentes”). Além de possibilitarem missões que antes eram quase impossíveis, como atacar pontes com aeronaves, também permitem que poucas aeronaves cumpram missões que, antes, exigiam centenas ou milhares de aeronaves. Ou seja, as PGM são multiplicadores de força por excelência.

Israel é cercado por países hostis, e sua primeira guerra começou exatamente um dia após a independência. Desde então, Israel não teve um único ano sem guerras – seja contra inimigos “simétricos” (outros países) ou “assimétricos” (grupos terroristas). As IDF (Israel Defense Forces ou Forças de Autodefesa de Israel), em especial a IAF (Israeli Air Force ou Força Aérea de Israel), foram de crucial importância em praticamente todos os conflitos.

O efeito multiplicador das PGM é essencial para quaisquer FA (Forças Armadas) modernas, mas ainda mais para um país pequeno como Israel. Assim, não é surpresa alguma que Israel tenha começado a desenvolver PGM apenas uma década após sua independência.

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Inicialmente, Israel utilizou as armas que conseguia adquirir, a preço de ouro, no mercado mundial; eram principalmente sobras da Segunda Guerra Mundial. Tais armas foram essenciais na Guerra da Independência (1948-­1949).

Pouco depois da Guerra da Independência, a França se tornou o principal fornecedor de armas para Israel, ao mesmo tempo em que a nascente indústria bélica israelense dava seus primeiros passos, ainda tímidos, no sentido de produzir PGM.

Armas francesas foram essenciais na Guerra do Suez (1956) e na Guerra dos Seis Dias (1967). Tanto a Guerra dos Seis Dias quanto a invasão israelense ao Líbano (1968) levaram a França a embargar vendas de armas a Israel. Este embargo deu um enorme impulso à indústria militar israelense, além de abrir espaço para que os EUA se firmasse como o principal fornecedor de armas para Israel.

AAM (Air­-to-­air Missiles, Mísseis Ar-ar)

Das armas modernas, os AAM estão entre as mais importantes. Israel começou, como diversos países, desenvolvendo mísseis WVR (Within Visual Range, Dentro do Alcance Visual), para depois chegar aos BVR (Beyond Visual Range, Além do Alcance Visual). A família Shafrir/Python compreende mísseis WVR, enquanto que os mísseis BVR são os da família Derby.

Rafael Shafrir 1

O Shafrir 1, que entrou em serviço em 1964, foi um fracasso: não conseguiu abater nenhuma aeronave na Guerra dos Seis Dias! Entretanto, foi a base para o desenvolvimento do Shafrir 2 e da família Python, que foi essencial em conflitos subsequentes. Era mais ou menos equivalente (e semelhante) ao AIM­-9B.

Especificações (Shafrir 1)


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Rafael Python 2 (Shafrir 2)

Um dos resultados mais precoces da necessidade de fabricar localmente armas modernas foi o Shafrir 2, lançado já́ em 1968. Embora o Shafrir 1 tivesse sido uma decepção, Israel prosseguiu em seu desenvolvimento, criando o Shafrir 2, que era mais ou menos equivalente ao AIM­-9D.

O Shafrir 2 era consideravelmente melhor que o Shafrir 1, e teve excelentes resultados na Guerra do Yom Kippur (1973), principalmente disparado a partir do IAI Nesher, uma versão local do Mirage 5. Credita­-se ao Shafrir 2 mais de cem abates de aeronaves inimigas.


Leia também o excepcional artigo sobre o IAI Nesher escrito pelo Prof. Luiz Reis.


O Shafrir 2 ainda era um míssil “rear aspect”, isso é, só́ conseguia “travar” no alvo se mirasse no seu cone de cauda.

Especificações (Python 2)


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A partir do Shafrir 2, depois renomeado Python 2, Israel começou a exportar suas armas, e hoje é um dos maiores fornecedores mundiais de PGM.

TEMPOS ATUAIS

A família de mísseis Shafrir não teve um bom começo, mas depois foi um sucesso estrondoso, tanto nos campos de batalha quanto no mercado internacional. Seu sucessor, o Python, fez ainda mais sucesso.


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Rafael Python 3

Os Shafrir 1 e 2 eram “rear aspect”. Com os avanços na tecnologia, já no final dos anos 1970 Israel estava desenvolvendo o Shafrir 3, com capacidade “all aspect”, ou seja, era capaz de travar no alvo em qualquer aspecto, aumentando muito sua letalidade. O Shafrir 3, depois renomeado Python 3, obteve mais de 30 vitórias no Vale do Bekaa, em 1982. É um míssil extremamente ágil e confiável, superior ao contemporâneo AIM­-9L.

Especificações (Python 3)


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Rafael Python 4

Ao final da década de 1980, Israel desenvolveu o Python 4. Além de um conjunto bastante complexo de superfícies de comando (que lhe dão incrível agilidade) e da capacidade “all aspect”, tem também capacidades HOBS (High Off Boresight, Ângulo Elevado Fora da Linha de Visão) e sua mira é pelo DASH (Display and Sight Helmet, Capacete e Mira Integrados). Tais capacidades o colocam em pé de igualdade, ou mesmo acima, do R­-73 russo. É excepcionalmente ágil.

Especificações (Python 4)


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Rafael Python 5

O Python 4 era muito mais moderno que seus antecessores, mas, como eles, ainda estava limitado ao modo LOBL (Lock On Before Launch, Travamento no Alvo Antes do Disparo), o que exige que o alvo esteja no cone frontal do lançador.

Embora os ângulos de lançamento do Python 4 fossem muito maiores que os de seus antecessores, os AAM WVR estavam evoluindo, e a Rafael desenvolveu ainda mais o Python, dando origem ao Python 5. Embora externamente seja parecido com o antecessor, ele na verdade é uma arma completamente nova.

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O Python 5 acrescenta melhores capacidades de ECCM (Electronic Counter­-Counter Measures, Contra­-Contra Medidas Eletrônicas), LOAL (Lock On After Launch, Travamento no Alvo Após o Disparo) e maior alcance. Tais capacidades lhe permitem engajar, inclusive, alvos na retaguarda do avião lançador. É um dos AAM mais ágeis da atualidade, equivalente ou superior aos AIM­-9X, ASRAAM e A-­Darter.

O Python 5 e o I-­Derby são utilizados no SAM (Surface-­to-­air Missiles, Mísseis superfície­ar) SPYDER (Surface to air Python and Derby, Superfície-ar Python e Derby).

Especificações (Python 5)


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Rafael courtesy Python 5.jpg

Python 5 (Foto: Rafael)


Rafael I-­Derby

A partir dos Python 4 e 5, Israel começou o desenvolvimento de mísseis BVR. Inicialmente chamado Alto, o míssil foi renomeado para Derby e I­-Derby. Seu radar ativo permite ao lançador se afastar da área de combate após o disparo, com atualizações de meio curso através de datalink. O I­-Derby é largamente comparável ao AIM­-120C, e também é utilizado no SAM SPYDER, junto com o Python 5. É ágil o bastante para ser utilizado inclusive em combates WVR.


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Rafael I-Derby (Foto: Rafael)


Especificações (I-­Derby)


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Rafael I­-Derby­-ER

A última versão do I­-Derby, anunciada em 2015, tem uma nova cabeça de guiagem que inclui a espoleta e ocupa um espaço menor. O espaço liberado é aproveitado por um novo motor foguete, de duplo impulso, que lhe garante um alcance bastante superior ao I-­Derby: 100km, o que o coloca na mesma classe do AIM­-120D. As demais especificações ainda não se tornaram públicas, mas provavelmente são similares aos do I­-Derby.


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Evolução do Envelope de Lançamento dos mísseis ar-ar da Rafael (Gráfico: Rafael)


Mísseis Ar­-superfície

Além dos seus excelentes mísseis ar­-ar, Israel também desenvolveu diversas PGM ar-superfície. Estas armas foram utilizadas diversas vezes em combates assimétricos e também nos ataques contra forças sírias e iranianas. É importante notar que o desenvolvimento das armas ar-­superfície israelenses é envolta em segredo, e há poucas informações sobre as versões disponíveis no passado, portanto vou focar nas armas atuais.

Cabem aqui algumas definições:

  • Míssil – projetil guiado e auto­propulsado;
  • Bomba guiada – projétil guiado mas não­ autopropulsado; pode também receber kits de planagem para aumentar o alcance;
  • Foguete – projetil não guiado mas autopropulsado; e
  • Bomba “burra” ou “de ferro”: projetil não guiado e não­ autopropulsado.

Claro que há algumas curiosidades, como os foguetes guiados (que também podem ser classificados como mísseis). A questão da autopropulsão (motor a foguete ou turbojato, por exemplo) interfere com diversos fatores: alcance, custo e peso. Armas sem autopropulsão, como as bombas, tem o alcance dependente da altura e velocidade do lançador, ao passo que armas com autopropulsão são menos sensíveis a tais fatores.

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Rafael Popeye I / Lockheed AGM­-142 Have Nap

A partir da experiência do Pyramid, a Rafael desenvolveu uma arma maior e mais versátil, o Popeye. Além da orientação por TV da Pyramid, a Popeye pode receber outros tipos de guiagem e diversos tipos de ogivas, tanto de fragmentação quanto de penetração, e pode ser reconfigurada na linha de voo. A orientação pode ser “fire and forget” (dispare e esqueça) ou MITL (Man In The Loop, Homem no Comando), em que um operador a bordo da aeronave lançadora controla o míssil até o alvo. A cabeça de busca pode ser TV ou IIR com capacidades LOAL e LOBL. A autopropulsão é por motor foguete.

Os EUA se interessaram pela arma, e a Lockheed desenvolveu o AGM­-142 Raptor. Quando o F­22 mudou o nome de Lightning 2 para Raptor, o míssil foi renomeado Have Nap, que era o nome do programa. Estava disponível mas não foi utilizado na Guerra do Golfo de 1991 – usar uma arma israelense num país árabe poderia causar problemas políticos. A Turquia também desenvolveu uma versão derivada. Pode ser usada contra alvos em terra ou navios.

Especificações (Popeye)


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Rafael Popeye II Lite / Lockheed AGM­-142 Have Lite

A Popeye deu origem a uma série de armas, inclusive a família AGM­-142 Have Nap desenvolvida juntamente com a Lockheed dos EUA, com diversas versões e tamanhos. A versão original foi utilizada a partir dos F­-4 Phantom, e era muito grande para uso em aeronaves menores como o F-­16. Foi desenvolvida a versão Popeye Lite para tal uso.

A Popeye Lite é menor e mais leve, o que permite que o F­-16 a dispare, mas perdeu a capacidade MITL, podendo ser usada apenas contra alvos programados. As ogivas e cabeças de busca são as mesmas da Popeye. Foi exportado para Coreia do Sul e Índia.

Especificações (Popeye Lite)


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Rafael SPICE 1000 / Spice 2000

A partir do sensor IIR do Popeye, a Rafael desenvolveu um kit para bombas “burras”, o SPICE, que mantém a capacidade MITL, LOAL e LOBL mas acrescenta GPS e INS. É a principal PGM da IAF, sendo amplamente utilizada tanto contra inimigos assimétricos como o Hamas e o Hezbollah quanto inimigos simétricos como Irã e Síria. A Índia, um dos clientes de exportação, já os utilizou contra o Paquistão.


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SPICE 1000 (acima) e SPICE 2000 (abaixo). Observe-se como são bastante diferentes, embora a cabeça de guiagem e alguns componentes, como o GPS, sejam idênticos (Gráfico: Rafael)


Há duas versões básicas do SPICE, a SPICE 1000 e a SPICE 2000, que são acrescentadas às bombas de 1000 libras e 2000 libras, respectivamente. Embora muito diferentes no design básico (ao contrário de kits como os JDAM, por exemplo), ambas as versões garantem um elevado alcance, que pode passar dos 60km. Foi exportado para diversos países e embora não haja confirmação oficial, há imagens de modelos do futuro Gripen E/F da FAB com a arma.

Especificações (SPICE 1000 / SPICE 2000)


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Rafael SPICE 250

Com a guerra assimétrica envolvendo um elevado risco de danos colaterais, começaram a surgir diversas PGM leves, que minimizam os riscos destes danos.

Israel é um dos maiores usuários da GBU­-39 SDB, uma bomba guiada de apenas 250 lb (cerca de 113 kg). Embora seja altamente efetiva, a SDB não pode ser usada contra alvos móveis nem tem MITL. A partir da experiência com a SDB e com a SPICE, Israel desenvolveu uma bomba nova, a SPICE 250.

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A SPICE 250, ao contrário das SPICE 1000 e 2000, não é um kit mas sim uma bomba completa. Assim como a SDB, foi desenhada para ser carregada em grande quantidade pela aeronave lançadora – um F­-16 pode carregar 16 destas bombas, por exemplo. Assim como suas “irmãs”, a SPICE 250 tem modos LOAL, LOBL e MITL, sendo capaz de atingir com eficiência alvos móveis e fixos. A previsão é que entrará em serviço na IAF ainda em 2019. Ao que parece, a FAB também pretende comprar esta arma.

Especificações (SPICE 250)


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Rafael Spike

A Rafael desenvolveu a família Spike de mísseis superfície-­superfície com sensor IIR (todos) e controle MITL usando fibra ótica (LR, LR2, ER, ER2 e NLOS) e/ou link de rádio (ER2 e NLOS). A família se expandiu, e hoje há versões lançadas de diversas plataformas, inclusive helicópteros.

Helicópteros geralmente usam as versões LR, ER e NLOS, com alcances de, respectivamente, 8 km e 25 km. Há as versões LR2 ER2 em desenvolvimento, que prometem um alcance a partir de helicópteros de, respectivamente, 10 km e 16 km, bem como uma versão do NLOS que acrescenta guiagem a laser.


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Da esquerda para a direita, mísseis Spike LR, ER e NLOS (Imagens: Rafael)


Especificações (Spike)


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Rafael Rocks

Uma das razões de Israel estar em vantagem sobre seus inimigos é o fato de estar sempre se adiantando em relação às ameaças da região. Desta forma, quando seus inimigos adquirem uma nova arma, Israel também já tem uma arma para contrapor. Um exemplo é o Rocks, que resultou de outra especialidade israelense que é reaproveitar sistemas para outras finalidades.

Quando Israel começou a desenvolver sistemas de mísseis anti­mísseis balísticos, verificou-­se a necessidade de alvos realistas para testes e treinos. Um destes alvos, o Rafael Black Sparrow, foi depois utilizado como base para um novo míssil aero-balístico, aproveitando as elevadas velocidade, ogiva e alcance do Black Sparrow. O novo míssil foi batizado “Rocks”, e suspeita-­se que já esteja operacional na IAF.

Assim como o Kinzhal russo, o Rocks pode mudar a trajetória em voo. Pouco se sabe sobre a arma, apenas que pode receber diversos tipos de ogiva (penetrante ou de fragmentação) e guiagem (GPS, antirradiação, compatibilidade de cena).

O MTCR (Missile Technology Control Regime, Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis) é um acordo internacional que restringe mísseis a um alcance de 300 km e ogiva de 500 kg; diversos países assinaram o acordo, inclusive o Brasil, e a compatibilidade com o acordo facilitaria a exportação do Rocks, portanto é possível que o míssil esteja dentro de tais limitações.

Caso a velocidade terminal seja parecida com a do “Scud B”, que o Black Sparrow simula, o Rocks atingiria Mach 5 ou 1700 m/s. Tal velocidade facilitaria penetrar mesmo as melhores defesas inimigas.

Caso se confirme a velocidade e o alcance do Rocks nos valores mencionados, ele poderia ser lançado de distâncias além do alcance dos mais avançados SAM (Mísseis Superfície­Ar) disponíveis na região, inclusive o S­-300.


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Protótipo do Rocks em cores berrantes (para facilitar o acompanhamento visual) sob a asa de um F-16I Sufa da IAF (Foto: Rafael)


Elbit Whizzard (Opher e Lizard)

No início dos anos 1980, com base na experiência adquirida com as PGM americanas, como as Walleye, Paveway e Maverick, a Elbit começou, por iniciativa própria, a desenvolver um kit similar às Paveway, que daria a bombas “burras” uma capacidade de precisão.

A Lizard é guiada a laser, e a Opher é guiada por IIR (Imaging Infra Red, Imageamento Infravermelho). Os kits são muitos semelhantes externamente, e em versões mais recentes podem ser utilizados também contra alvos móveis. Há versões para bombas “burras” de 500, 1.000 e 2.000 libras. Foram vendidas para diversos países, inclusive a Itália, que as integrou aos seus AMX e as usou em operações reais, com excelentes resultados.


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A família Whizzard de kits PGM, Lizard e Opher, são muito similares externamente. Apenas a Lizard segue em produção (Foto: Elbit)


Como não é autopropulsada, seu alcance depende da altitude e da velocidade da aeronave lançadora, podendo ultrapassar os 70 km com kits de asas para longo alcance ou 40 km nas versões padrão. A Opher não é mais fabricada, mas a Lizard segue em produção nas versões 2 e 3, com a versão 4 adicionando GPS/INS ao laser.

Especificações (Opher + bomba de 500 libras)


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Elbit GATR e STAR

Uma característica comum a todas as PGM é que são consideravelmente mais caras que as armas “burras”, o que limita seu uso. Uma alternativa cujo custo pode ser menor e obtém uma precisão razoável são os foguetes guiados (tecnicamente mísseis, mas o termo “foguetes guiados” é usado com frequência).

Os foguetes não guiados foram utilizados pela primeira vez pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial como arma de saturação, para derrubar os pesados e resistentes bombardeiros Aliados. Foram utilizados na mesma função por mais ou menos uma década depois do fim da Guerra, sendo substituídos pelos mísseis ar­ar quando estes se tornaram suficientemente confiáveis.


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Elbit GATR disparado de um helicóptero. O STAR é externamente similar. A parte preta contém o sensor, as aletas de guiagem e uma espoleta programável. O restante do projétil é um foguete comum, como os Hydra (Concepção artística: Elbit)


Desde então, os foguetes tem sido utilizados como arma de saturação contra alvos em terra. Sua precisão e potência são baixas, mas compensam a falta de precisão pelo fato de que uma salva cobre uma grande área.

Quando se trata de atacar alvos em ambientes urbanos, a baixa potência de um foguete passa a ser interessante, mas a baixa precisão é problemática. Para “unir o útil ao agradável”, foram criados kits de guiagem a laser que transformam os foguetes comuns em PGM relativamente baratas. Os EUA adotaram oficialmente o APKWS da BAE Systems, e há diversos destes kits ao redor do mundo.

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A Elbit fabrica dois destes kits – GATR (Guided Advanced Tactical Rocket, Foguete Tático Guiado Avançado) e STAR (Smart Tactical Advanced Rocket, Foguete Tático Avançado Inteligente); ambos são acrescentados nas pontas dos foguetes. São especialmente indicados para uso em helicópteros e aeronaves leves como o Super Tucano e “drones” (RPA – Remotely Piloted Aircraft, Aeronaves Remotamente Pilotadas).

IAI MLGB

Assim como a Rafael, a IAI também fez uma bomba planadora da categoria da SPICE 250, a MLGB (Medium-­weight Laser Guided Bomb, Bomba Média Guiada a Laser). A MLGB tem guiagem por GPS/INS e laser, mas não tem os sistemas avançados da SPICE 250.


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A IAI MLGB não surgiu de nenhuma outra bomba (Imagem: IAI)


Especificações (MLGB)


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IMI Fastlight

PGM de baixo poder destrutivo, além da maior facilidade em uso em áreas urbanas, conforme supracitado, traz também outras vantagens, como compatibilidade com um maior número de plataformas, inclusive “drones”, e um poder de fogo maior, permitindo que uma aeronave transporte muitas armas.

Foi com isso em mente que a IMI desenvolveu a Fastlight, uma pequena bomba planadora de apenas 50 kg. Apesar de pequena, a Fastlight carrega uma ogiva de respeitáveis 35 kg, e seu alcance pode chegar a dezenas de quilômetros se lançada de grande altitude. Assim como outras PGM, é guiada por GPS/INS e pode ainda receber, opcionalmente, orientação a laser.


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IMI Fastlight: pequena e mortal (Imagem: IMI Systems)


Especificações (Fastlight)


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IMI MSOV

O MSOV é uma arma da mesma classe do JSOW dos EUA, ou seja, uma bomba planadora stealth guiada por GPS/INS e com depósito modular de cargas, mas é consideravelmente maior e pesa quase o dobro. Publicamente, a única carga disponível é uma ogiva unitária de 675 kg (contra 250 kg da JSOW).


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IMI MSOV, praticamente um “irmão maior” da JSOW americana (IMI Systems)


Especificações (MSOV)


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IMI Delilah

A IAF sofreu pesadas perdas frente aos SAM árabes na Guerra do Yom Kippur, em 1973. Mais ou menos por aquela época, a Brunswick dos EUA estava desenvolvendo uma série de “decoys” (“iscas”) aero-lançados, que tinham a missão de enganar os radares inimigos. Israel passou a fabricar o Samson localmente, e co­produziu os TALD e ITALD juntamente com os EUA, e também o Delilah para a IAF.

O Samson brilhou na Operação Mole Cricket 19, em 1982, mas o Delilah tinha, aparentemente, sido abandonado. Ledo engano – Israel decidiu desenvolver ainda mais o sistema, dando origem a um ALCM (Air Launched Cruise Missile, Míssil de Cruzeiro Aero-lançado), mas manteve o nome Delilah.

O Delilah é uma arma incrivelmente avançada, combinando uma propulsão eficiente, longo alcance, orientação por GPS e IIR, capacidade de “loiter” (aguardar o momento de atacar), rotas programáveis e capacidade MITL. É praticamente um “micro Popeye”. Além da missão principal de DEAD (Destruction of Enemy Air Defenses, Destruição das Defesas Aéreas Inimigas), pode ser utilizado contra praticamente qualquer tipo de alvo, inclusive navais ou alvos em áreas densamente povoadas.

Além de aeronaves de asa fixa, o Delilah também pode ser disparado de helicópteros, navios e plataformas de artilharia por foguete, como o LAR israelense, similar ao ASTROS brasileiro.


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IMI Delilah sob a asa de um F-16I Sufa da IAF (Foto: KGyST / Wikimedia Commons / CC BY 3.0)


Especificações (Delilah)


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IMI Rampage

A prática israelense de aproveitar ao máximo seus designs pode ser demonstrada no projeto MARS (Multi­-Purpose Air­-Launched Rocket System, Sistema de Foguete Multifunção Aerotransportado), que acabou por entrar em serviço com a designação Rampage. O Rampage é um projeto conjunto da IAI e da IMI, embora o marketing seja feito pela IMI.

O Rampage aproveita-­se do desenho do foguete guiado de artilharia EXTRA (EXTended Range Artillery, Artilharia de Alcance Estendido), disparado pelo Lynx, equivalente israelense do ASTROS.

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O Rampage mantém muito do EXTRA, e é perfeitamente compatível com o F-­16, que pode, teoricamente, carregar até 16 destas armas. Embora Israel não confirme, suspeita­-se que foi usado em combate contra alvos protegidos pelos sistemas S-­300.

Uma palavra sobre as especificações – embora as informações tenham sido retiradas de brochuras oficiais da IMI Systems, eu pessoalmente suspeito que as informações abaixo são “amaciadas”, e que o Rampage é, na verdade, mais capaz do que parece. Digo isso porque, por exemplo, o EXTRA tem o mesmo alcance, apesar de ser lançado do solo; a lógica diz que armas lançadas do ar tem alcance e/ou velocidade maiores que armas similares lançadas do solo. Claro que se for “apenas” o que a tabela mostra já é uma arma excepcional.


IMI_rampage.jpeg

Protótipo do Rampage sendo disparado de um F-­16I durante testes (IMI Systems)


Especificações (Rampage)


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Fontes:

 


*Renato Henrique Marçal de Oliveira é químico e pesquisador da Embrapa sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel). Já publicou no site Sistemas de Armas.


 

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  6 comments for “PGM Israelenses

  1. dbatta
    17/07/2019 às 10:31

    Excelente material!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pentagono
    06/08/2019 às 00:29

    Texto muito bom.

    Curtido por 1 pessoa

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