Do Dia D a Paris: a história de uma vida

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Albert-VF1 Por Albert Caballé Marimón

Artigo de Alex Kershaw, publicado originalmente em 23 de abril de 2012 no Historynet, traduzido e adaptado por Albert Caballé Marimón


Alto-falantes soaram: “Lutem para colocar as tropas em terra… Se ainda tiverem forças, lutem para se salvar … Todos para fora dos barcos! Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome…”

Às 5:50 da manhã, os encouraçados Texas e Arkansas abriram fogo. Na embarcação de desembarque do fotógrafo Robert Capa, da revista Life, que se aproximava da praia de Omaha, alguns homens freneticamente tentavam tirar água do veículo com seus capacetes. Outros olhavam para as pesadas salvas que voavam sobre suas cabeças e aplaudiam.

Para os homens do 16º Regimento de Infantaria e de Capa, então com 30 anos, a hora H do Dia D estava quase chegando – de longe a maior história de uma carreira cheia de ação que viu o fotógrafo cruzar o mundo em busca de romance e perigo. Apenas Capa havia sido selecionado, entre dezenas de fotógrafos da imprensa, para a primeira onda de desembarque. Se ele sobrevivesse e retornasse com fotografias, conseguiria a maior foto exclusiva do século 20: as imagens dos primeiros soldados desembarcando na França no Dia D. Sua reportagem seria para sempre associada ao momento supremo dos Estados Unidos, ao invés de seus rivais mais famosos e amigos íntimos – Ernie Pyle, correspondente da Scripps Howard, e Ernest Hemingway, da Collier, que também estavam ansiosos para registrar a maior invasão da história.

A alguns quilômetros da praia, homens já exaustos – estavam sem dormir há mais de 24 horas – começaram a desmaiar com o enjoo marítimo. “Alguns dos garotos estavam educadamente vomitando em sacos de papel e eu percebi que essa era uma invasão civilizada”, lembrou Capa. “Esperamos as [equipes especiais de assalto] entrarem e então eu vi as primeiras embarcações de desembarque voltando e um timoneiro negro [estava] levantando o polegar e pareceu uma tarefa simples. Ouvimos algo pipocando em volta do nosso barco, mas ninguém prestou atenção.”


Assista ao Vídeo 632 do CANAL ARTE DA GUERRA: Dia D na Normandia; como as armas evoluíram em 75 Anos


Capa agachou-se no vômito e na água do mar enquanto o fogo de artilharia das plataformas costeiras alemãs começava a alcançar sua embarcação. Ele tirou uma de suas duas câmeras de um oleado impermeável. Apesar do céu nublado, havia luz suficiente para tirar fotos de ação. A rampa de sua embarcação baixou e homens na frente de Capa saltaram na água até a cintura com os rifles acima de suas cabeças. “Minha bela França parecia sórdida e pouco convidativa [e] uma metralhadora alemã, cuspindo balas ao redor da embarcação, tentava estragar meu retorno”, lembrou ele. Dezenas de homens morreram nos primeiros minutos no setor Easy Red da praia, a poucos metros dele. “Eu vi homens caindo”, disse ele mais tarde ao colega Charles Wertenbaker, da revista Time, “e tive que passar por seus corpos, coisa que fiz educadamente”.

Mais tarde Capa brincou, tipicamente, sobre seus primeiros momentos angustiantes em Omaha. “Eu estava muito elegante com a minha capa [Burberry] na mão esquerda. Tive a sensação de que não precisaria daquela capa de chuva. Eu a larguei e ela flutuou para longe, e eu me escondi atrás de alguns tanques que estavam atirando na praia. Depois de uns vinte minutos eu percebi que aquele não era um bom lugar para se estar. Os tanques davam uma certa cobertura do fogo das metralhadoras, mas era neles que os alemães estavam atirando.”

Quando as granadas explodiram ao redor de Capa e as águas rasas ficaram entupidas de cadáveres, ele se viu repetindo as palavras que aprendera na Espanha: “Es una cosa muy seria”, murmurou. “Es una cosa muy seria.” Esse é um negócio muito sério.

Os homens não ousavam levantar a cabeça acima da areia da praia, pois seriam baleados. “A inclinação da praia nos dava alguma proteção das metralhadoras e balas de fuzil, desde que ficássemos deitados, mas a maré nos empurrou contra o arame farpado e as armas aproveitaram a abertura da estação de caça”, recordou Capa. Por vários minutos, ele ficou com todo o seu corpo pressionado o mais próximo possível da areia, tomado por um medo debilitante que era muito maior do que qualquer outro que ele experimentara em uma década de coberturas de guerra: “Foi ruim. A câmera vazia tremia em minhas mãos. Era um novo tipo de medo que sacudia meu corpo dos dedos até os cabelos e retorcia meu rosto.”

Capa pegou sua pá e tentou cavar uma trincheira, mas ele bateu no cascalho pesado quase imediatamente e a jogou fora. Então notou que os homens ao redor dele estavam imóveis; “Só os mortos na linha d’água rolavam com as ondas”. Ele sabia que a única maneira de superar o terror era fotografar, fazer seu trabalho o mais rápido possível e sair da praia. Mais tarde, ele disse a Wertenbaker que ele passou 90 minutos fotografando até usar o filme todo. Então viu uma embarcação de desembarque a 50 metros no mar.

Um grupo de médicos, com cruzes vermelhas nos capacetes, saltou. Uma metralhadora rosnou. Vários médicos morreram instantaneamente. Capa levantou-se e correu para o barco sem tomar uma decisão consciente. Logo ele estava se arrastando pela água vermelho-sangue. A maré fria chegava no peito, e as ondas bateram em seu rosto. Ele segurou suas câmeras acima da cabeça. Na embarcação de desembarque LCI 94, o mecânico de 19 anos Charles Jarreau estava lutando para colocar feridos a bordo quando avistou Capa. “Pobre companheiro, ele estava na água, segurando suas câmeras tentando mantê-las secas, tentando recuperar o fôlego.”

Assim que Capa subiu a bordo, ele começou a trocar o filme. Então sentiu “um leve choque” e se viu coberto de penas. “O que é isso?” Ele pensou. “Alguém está matando galinhas?” Ele olhou para cima e viu que o barco de 150 pés tinha levado um impacto direto de 88 milímetros. Partes de corpos enchiam a embarcação salpicada de sangue. “As penas eram o recheio dos casacos dos homens que explodiram. O capitão estava chorando porque seu assistente tinha explodido em cima dele e ele estava todo sujo.”

A embarcação de desembarque estava indo mal, mas de alguma forma conseguiu se afastar lentamente da praia de Omaha. Capa se abaixou, secou as mãos, trocou o filme das câmeras e voltou para o convés aberto. Ao seu redor ele encontrou homens gemendo e homens mortos. A algumas centenas de metros da praia, ele olhou para trás e tirou uma última foto da “Bloody Omaha” envolta em fumaça.

Quando a primeira onda de americanos finalmente encontrou uma saída da praia de Omaha naquela manhã, Capa estava no meio do Canal da Mancha, conversando com o mecânico Jarreau. O fotógrafo parecia atordoado com o que viu, seu rosto cinzento e ainda em choque. Depois de trocar o filme novamente, ele fotografou o primeiro americano ferido a ser levado para fora de Omaha na LCI 94. Ele então guardou as câmeras e ajudou a colocar várias macas de feridos a bordo do transporte Samuel Chase. Apenas seis horas antes, ele havia saído numa embarcação de desembarque dos conveses imaculados do Chase. Já não eram mais agradáveis e limpos. “Até os cozinheiros, que faziam uma comida tão boa, estavam ajudando a içar os feridos”.

Quando todos os feridos estavam a bordo do Samuel Chase, Capa desabou de exaustão. O navio aproximava-se da costa inglesa quando ele acordou nu debaixo de um cobertor grosseiro com uma nota no pescoço: “Caso de exaustão. Nenhuma etiqueta.” No dia 7 de junho, o Samuel Chase atracou em Weymouth. Repórteres cercaram Capa, ansiosos para obter um relato em primeira mão da invasão. Capa mais tarde afirmou que quando pisou em terra firme, foi-lhe oferecido um avião para levá-lo a Londres, para que ele fizesse uma transmissão de rádio sobre a invasão. Em vez disso, ele colocou o filme na bolsa de um mensageiro, vestiu roupas limpas e secas e entrou no primeiro barco que voltava para a praia.

A maior aposta da carreira de Capa valeu a pena, estabelecendo firmemente sua lenda como o fotógrafo mais ávido do ramo. As imagens extraordinárias de Capa, que mantêm um imediatismo de tirar o fôlego até hoje, apareceram pela primeira vez na Life em 19 de junho, ao lado da talvez mais famosa manchete da revista: “A fatídica batalha pela Europa é acompanhada por mar e ar”.


Assista ao Vídeo 41 do Canal Arte da Guerra – O que é interessante saber sobre o Dia D


Capa aterrissou na praia de Omaha em 8 de junho. Antes de ir ao acampamento de imprensa em Bayeux, ele parou para fotografar a praia mais uma vez. Detritos macabros enchiam a linha da maré: rifles, partes de corpos, kits espalhados e muitas Bíblias. O colega de Capa, Ernie Pyle, que havia desembarcado no dia anterior, descreveu de forma comovente essa “bagunça humana” como “estendendo-se numa pequena linha fina, como uma marca d’água… aqui estão as últimas cartas de casa, com o endereço em cada uma delas, escovas de dentes e lâminas de barbear e fotos de famílias em casa olhando para você da areia.”

Perto do setor Easy Red, Capa encontrou pescadores locais olhando as fileiras de cadáveres cobertos. Em outro ponto, ele assistiu alemães capturados, que haviam atirado nele 48 horas antes, cavando túmulos temporários. Ele chegou a Bayeux, cinco milhas para o interior, à noite.

Capa ficou surpreso ao encontrar seus colegas de imprensa sentados em um celeiro ao redor de velas tremeluzentes, bebendo uma garrafa de Calvados, num velório em sua homenagem. Mais tarde ele contou que um sargento relatou ter visto seu cadáver flutuando nas águas rasas de Omaha. Como ele ficou desaparecido da linha de frente por 48 horas, foi dado como oficialmente morto. Naquela noite, em um hotel chamado Lion D’Or, Capa e seus colegas acabaram com várias outras garrafas de Calvados comemorando seu retorno dos mortos.


Ernie Pyle

O correspondente de guerra Ernie Pyle, um dos favoritos dos soldados e dos generais, organiza seu “escritório” em um campo francês (Foto: Associated Press)


Entre os que estavam nesse velório estava Ernie Pyle, de 44 anos. Nessa fase da guerra, o correspondente da Scripps Howard era famoso por sua prosa tranquila, mas poderosa, que registrou melhor que qualquer colega a tragédia humana da vitória americana na Europa. De fato, para seu embaraço, às vezes ele era assediado por soldados que, de bom grado, davam ao primeiro e único Ernie Pyle qualquer saque que tivessem conseguido. Onde quer que ele fosse, os soldados pediam que ele assinasse notas de franco e coronhas de rifle. “A cada dia recebia novos convites”, escreveu o biógrafo James Tobin, “variando de soldados até generais ansiosos por receber o reconhecimento de Pyle para suas unidades.”

Pyle estava frustrado por ter perdido os desembarques em 6 de junho. Ernest Hemingway, o mundialmente famoso autor de “Por quem os sinos dobram”, também os assistiu de uma embarcação de desembarque em alto-mar, secando freneticamente as lentes de seus óculos com uma meia de lã, quando os destroieres americanos “varreram casamatas do chão com suas armas de cinco polegadas”. Outros colegas haviam sido vítimas de um erro das divisões de relações públicas do exército, que deixaram para trás, na Inglaterra, nove correspondentes designados para a invasão. Agora todos estavam tentando se atualizar.

Em 9 de junho, Capa trabalhou com Pyle e Wertenbaker da Time na cobertura do avanço dos Aliados em Cherbourg, o “primeiro grande objetivo da invasão”, como Wertenbaker chamava. Antes de voltar para a linha de frente, cada homem comeu um bom bife, fez a barba, tomou um banho quente e trocou de roupa. Podia levar semanas até que eles pudessem fazer isso novamente.

Nove dias depois do Dia D, os correspondentes estavam no meio da luta. Os homens que sobreviveram ao Dia D estavam perdendo ainda mais amigos e irmãos enquanto se arrastavam barreira após barreira. Em 26 de junho, o trio se juntou a um batalhão americano da 9ª Divisão quando entrou num subúrbio de Cherbourg. Capa encontrou vários prisioneiros alemães numa esquina, com recrutas russos e suas esposas, que estavam histéricas de medo: os alemães haviam dito aos maridos que os americanos não faziam prisioneiros. Era a melhor maneira de mantê-los lutando.

Ao longe, o porto de Cherbourg estava em chamas. Enquanto o batalhão avançava em direção ao centro da cidade, Capa ouvia intensos combates nas ruas próximas: o pipocar das metralhadoras alemãs MG42 e tiros solitários de pistolas Luger. Havia também franco-atiradores operando. O objetivo imediato do batalhão era um hospital onde as tropas alemãs haviam capturado mais de uma centena de americanos feridos.

Um jovem tenente, de óculos escuros, apesar do tempo nublado, aproximou-se de Capa e seus colegas. “Nossa companhia vai subir essa estrada em poucos minutos para limpar um ponto forte”, disse o oficial. “É a cerca de meia milha daqui. Provavelmente há franco-atiradores ao longo do caminho. Você quer ir conosco?” Pyle não queria, mas não podia recusar o convite. Teria sido covarde. Wertenbaker assentiu com a cabeça calmamente. Capa parecia ansioso. Eles avançaram, Capa checando suas câmeras, até que estavam à frente de uma coluna.

O tenente se apresentou como Orion Shockley, de Jefferson City, Missouri. Ele foi nomeado após o irmão de Mark Twain. Um de seus colegas oficiais havia chegado com a companhia apenas três horas antes, e era tão novo em combate que se esquivou quando o “correio de saída” – o fogo americano – zuniu, em contraste com os homens sob seu comando que estavam em combate desde 14 de junho. Tiveram algumas horas de sono em porões úmidos e cavaram trincheiras apressadamente. Seus uniformes estavam escorregadios de sujeira e suor e suas expressões entorpecidas, pois cada um tinha certeza de que morreria ou seria levado para casa numa maca – as duas únicas duas saídas do inferno da Normandia. No final da guerra, a 9ª Divisão havia passado 264 dias em combate, sofrendo 33.864 baixas, mais do que qualquer outra divisão de infantaria na Europa. A rotatividade foi de impressionantes 240%.

“Por que você não conta para as pessoas em casa como é isso?” Um soldado exausto perguntou a Pyle, com raiva em sua voz. “Tudo o que eles ouvem são vitórias e muita coisa gloriosa. Eles não sabem que a cada cem metros que avançamos, alguém é morto. Por que você não diz a eles como essa vida é dura?” Era uma crítica cruel. De todos os repórteres americanos que cobriram a guerra, Pyle foi quem mais expressou simpatia em sua prosa pela situação do soldado comum. Mas só agora ele podia se aventurar a escrever, dadas as restrições dos censores e o estômago fraco do público americano para a realidade do combate.

Começou a chover. Logo, Capa e Pyle ficaram encharcados até os ossos. Shockley explicou a Capa como seus homens iriam acabar com as casamatas e posições de metralhadoras no final de uma rua. “Não sabemos com o que vamos nos deparar”, ele disse, “e eu não quero você na linha de frente, então por que você não vem comigo?” Capa assentiu. Houve um zunido alto de balas passando bem acima de sua cabeça. Capa agachou-se atrás de um muro alto perto de uma encruzilhada. Para avançar mais, ele teria que enfrentar um campo aberto sob fogo.

Shockley ordenou que seus homens avançassem enquanto Capa observava. “Espalhem-se agora!” Shockley gritou, sabendo que os homens agrupados seriam alvos fáceis. “Vocês querem atrair fogo para cima de vocês? Não se juntem assim! Mantenham cinco metros de distância. Espalhe-se, caramba!” Pyle ficou impressionado com a absoluta vulnerabilidade dos homens quando cumpriram as ordens de Shockley: “Eles eram realmente os caçadores, mas pareciam ser caçados. Eles não eram guerreiros. Eram garotos americanos que por obra do destino acabaram com armas nas mãos, esgueirando-se por uma rua cheia de mortos numa cidade estranha e destruída num país distante sob uma chuva forte. Eles estavam com medo, mas desistir estava além de seu poder. Eles não tinham escolha.”

Chegou a notícia de que as tropas alemãs estavam 200 metros à frente, perto de seu objetivo – o hospital cheio de americanos feridos. A cinquenta metros do hospital, um tanque americano abriu fogo com seu canhão de 75 mm Janelas se despedaçaram quando a rua tremeu com a explosão. Então o tanque levou um golpe direto, as chamas rasgando seu ventre. A tripulação rapidamente pulou fora e correu para se proteger.

Alguns minutos depois, um grupo de alemães apareceu, liderado por um oficial agitando uma bandeira da Cruz Vermelha. Eles estavam carregando duas macas com feridos. Capa pulou alguns destroços, correu em direção aos alemães que se rendiam, levantou a câmera e fotografou-os várias vezes. Então lhes disse em alemão para segui-lo de volta para as linhas americanas.

Quando Capa finalmente chegou ao hospital, ele descobriu mais de 200 homens enfaixados da 82ª Divisão Aerotransportada. Ele também descobriu que o porão do hospital tinha um suprimento do melhor vinho e conhaque. Mas quando chegou lá, ele descobriu que “todos os soldados do 47ª de Infantaria [Regimento] já tinham seus braços, jaquetas e bolsos cheios de preciosas garrafas.” Capa precisava de uma bebida e implorou a um soldado por uma garrafa. O soldado riu: “Só se você fosse Ernie Pyle”. Capa pediu a outro soldado por uma garrafa para Pyle e logo conseguiu.

Cherbourg caiu no final da tarde. Tinha sido uma vitória cara, especialmente para os norte-americanos, que tiveram dois terços das baixas dos Aliados desde o Dia D, e o crescente número de mortos pesava sobre qualquer um que o testemunhasse. Em 30 de junho, Pyle escreveu a um amigo: “Essa barreira para esconder as coisas é um tipo de guerra que nunca enfrentamos antes, e eu já vi mais alemães mortos do que nunca vi na minha vida. Americanos também, mas não tantos quanto alemães. Num dia eu penso que estou endurecendo por ver tanta gente morta, jovens mortos em grandes números e, no dia seguinte, percebo que não estou e nunca poderia estar.”

Pyle já estava cobrindo a guerra na Europa, principalmente nas linhas de frente, por quase quatro anos. Ele estava de fato perto de um colapso emocional e físico, cada vez mais sobrecarregado por “mortes demais” onde quer que ele fosse. “Eu fiquei revoltado, enojado com a visão de tantos jovens com as cabeças arrancadas”, disse Pyle mais tarde a um colega repórter, “eu perdi a noção de todo o sentido da guerra. Eu cheguei a um ponto em que senti que nenhum ideal valia a morte de mais um homem.”

Robert Capa retornou à Inglaterra com Charles Wertenbaker em meados de julho, deixando Pyle para relatar os combates cada vez mais sangrentos em torno da estrategicamente vital cidade de St. Lô. Em Londres, Capa descobriu, com indignação, que a maioria de suas fotos no Dia D haviam sido arruinadas num acidente na câmara escura, na pressa de revela-los para atender aos prazos. Apenas 11 imagens haviam sobrevivido das mais de 100 que ele havia feito, e mesmo estas estavam borradas porque a emulsão nos negativos tinha derretido quando as fizeram secar muito rapidamente. Capa ficou ainda mais ressentido quando viu na edição de 19 de junho da Life uma explicação falsa para suas fotos estragadas: “A imensa excitação do momento fez o fotógrafo Capa mover sua câmera e desfocar a foto.”

Quando Capa voltou para a França no final de julho, ele descobriu que mais de 300 membros da imprensa, incluindo Pyle, Ernest Hemingway e John Steinbeck, estavam agora competindo para liderar a corrida para Paris: a libertação da cidade era a próxima grande história.

Hemingway estava determinado a compensar o tempo desperdiçado, tendo perdido muito da ação desde o Dia D. Aos 44 anos, “Papa”, como Capa e outros amigos o chamavam, passou as seis semanas seguintes na Inglaterra xingando e amaldiçoando sua esposa, a jornalista Martha Gellhorn, por vencê-lo ao chegar primeiro na Normandia. Ela havia chegado em um navio-hospital por volta de 7 de junho e depois retornado a Londres para esfregar sal no ego ferido e notoriamente sensível de Hemingway.

Agora Papa estava de volta ao jogo, ocupado em travar sua própria guerra particular, avançando com uma unidade da 4ª Divisão de Infantaria. Hemingway era popular entre vários oficiais superiores. O Coronel Charles Lanham, comandante do 22º Regimento de Infantaria da 4ª Divisão, chamou o escritor de “simples, direto, gentil e não afetado”. Capa, no entanto, disse que Hemingway tinha seu próprio cozinheiro, um motorista/fotógrafo e sua própria porção de uísque. Os companheiros de Hemingway eram oficiais de relações públicas, mas com a influência de Papa haviam se tornado no que Capa chamava de “bando de índios sanguinários”. Proibido de carregar uma arma, assim como todos os correspondentes de guerra, Hemingway garantiu que seu pelotão pessoal carregasse “todas as armas imagináveis” – alemãs e americanas.

Em uma carta de 1º de agosto para sua mais recente amante, Mary Welsh, correspondente de 36 anos, Hemingway descreveu a “vida jovial e alegre” que ele levava: “Cheia de mortos, pilhagem alemã, muito tiroteio, muitos combates, barreiras, pequenas colinas, estradas poeirentas…, campos de trigo, vacas mortas, cavalos, mais colinas, cavalos mortos, tanques, 88’s, Kraftwagens, mortos americanos, às vezes sem comer nada, dormindo na chuva, no chão, em celeiros, em carroças, em cabanas, na bunda de alguém e sempre se movendo, se movendo…”

Alguns dias depois, Hemingway convidou Capa para se juntar a ele e seu bando de “irregulares”, como ele havia apelidado os membros do pelotão. Sentindo uma história em construção, com Hemingway seu foco principal, Capa aceitou. O fotógrafo temerário conhecera e fotografara o escritor mais famoso da América no auge da Guerra Civil Espanhola, e sabia que imagens de Papa em ação garantiriam ainda mais assinaturas para a revista Life.


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O fotógrafo de guerra Robert Capa (à esquerda) e Ernest Hemingway (à direita) posam com o motorista de seu jipe perto de Pont Brocard, na França (Foto: Time Life Pictures/Getty Images)


Não demorou muito para que Hemingway estivesse passeando num jipe ao lado de Capa. Um caça alemão apareceu e começou a metralhar a estrada. Capa e o motorista mergulharam sob o veículo para se proteger, mas Hemingway permaneceu em seu assento, ignorando as balas.

Quando o avião passou, Capa se arrastou por baixo do jipe ​​e ordenou ao motorista que voltasse a um posto de comando para poder levar um filme de volta a Londres. “O quê?” Hemingway gritou. “Voltar? Eu não vou retroceder por causa de Henry Luce!” (o visionário editor da revista Life).

Cedo no dia seguinte, perto de Granville, na Normandia, Hemingway enviou um Mercedes capturado para pegar Capa para outra excursão. Com o Coronel Lanham, ele decidiu que iria “tomar” a aldeia de St. Pois, e queria que Capa registrasse a ação. Quando Hemingway levantou um mapa e delineou seu plano de ataque, Capa aconselhou Papa contra a ação imprudente e desnecessária, dizendo-lhe que deveria obedecer a uma regra simples: sempre seguir adiante com o maior número possível de soldados e nunca tomar “atalhos solitários para terra de ninguém.”

Como Capa mais tarde registrou, Hemingway olhou para ele com desdém, deixando implícito que ele era um covarde. Capa relutantemente concordou em ir, mas só se ele pudesse seguir atrás a uma distância segura. Hemingway partiu no sidecar de uma motocicleta. Capa seguiu no Mercedes. Hemingway novamente ficou sob fogo quando a motocicleta virou uma esquina. Ao longe, havia um Panzer. O piloto da motocicleta freou bruscamente e Hemingway foi jogado numa vala rasa, onde ficou preso.

“Volte, droga!” Hemingway gritou. Mas Capa ficou onde estava. “Volte, droga, estou dizendo!” Ainda assim ele se recusou a ceder. Quando os alemães finalmente se retiraram, um Hemingway furioso o confrontou e houve uma discussão amarga. O filho de Hemingway, John, mais tarde ouviu o que aconteceu naquele dia, tanto de Capa quanto de seu pai: “Capa disse que ele finalmente voltou e que a única razão pela qual ele ficou no início foi para ajudar papai. Mas papai sempre jurou que a razão pela qual Capa não voltou era porque ele queria estar registrar a história e as fotos do papai sendo alvejado pela metralhadora.”

De qualquer forma, Hemingway e Capa voltaram a se falar menos de uma semana depois, enquanto faziam um breve intervalo da guerra na pitoresca cidade costeira normanda de Mont St. Michel. Vários outros correspondentes também se reuniram no Hotel de la Mère Poulard para beber, comer e relaxar. O nova-iorquino A. J. Liebling, um verdadeiro gourmet, pediu pratos feitos com ingredientes locais frescos, absolutamente deliciosos depois de um longo tempo vivendo de rações e refeições de Londres em tempo de guerra. Hemingway escolheu as melhores safras, que haviam sido escondidas dos alemães atrás de uma pilha de lenha, e por mais de duas horas ele riu e brincou com Capa e os outros, embora logo se cansasse das palhaçadas do correspondente da CBS, Charles Collingwood e de Charles Wertenbaker. A dupla havia encontrado uma loja de brincadeiras na cidade e usava gadgets para fazer armadilhas para o prato de Papa; um saca-rolhas para canhotos era particularmente irritante.

Após se despedirem de Hemingway, Capa e Wertenbaker se juntaram novamente e voltaram para a frente. Em 23 de agosto, souberam que as primeiras tropas a entrar em Paris seriam a 2ª Divisão Blindada Francesa do general Philippe Leclerc. Havia apenas um problema: Leclerc havia declarado que queria apenas a imprensa francesa e havia se aproximado de Paris sem informar nenhum dos correspondentes americanos, ganhando de Hemingway um significativo nome-de-guerra: “aquele idiota do Leclerc.”

No dia 24, Capa e Wertenbaker alcançaram os tanques de Leclerc em Étampes, perto de Paris. Wertenbaker mais tarde descreveu como naquela tarde “as nuvens explodiram e o sol brilhou através de um céu azul pálido. As árvores altas que ladeavam as estradas e campos estavam escuras contra o pôr-do-sol.” Naquela noite, eles estenderam seus colchonetes ao lado da Route National 20. “Da Ursa Maior vinham ocasionais lampejos de luz e depois o som da artilharia à distância. Os tanques franceses eram formas escuras e embaçadas sob as árvores.” A apagada cidade-luz estava a apenas alguns quilômetros de distância.

Na manhã seguinte, o sol pareceu subir rapidamente. Capa não se incomodou em escovar os dentes. Às nove horas, o motorista do jipe ​​dele e de Wertenbaker manobrou logo atrás do carro blindado de Leclerc e seguiram em direção à Porte d’Orléans. Minutos depois, uma multidão compacta surgiu ao redor deles, agitando bandeiras e buquês de flores. As mulheres subiam a bordo do jipe ​​e os beijavam apaixonadamente. “Vive de Gaulle”, eles gritaram. “Vive Leclerc!” Outras gritaram repetidas vezes “merci, merci, merci!” Capa e Wertenbaker passaram pela Porte d’Orléans precisamente às 9h40m. Eles tinham vencido o exército de Hemingway na corrida aos portões de Paris por apenas duas horas.

Após cinco anos, Capa estava de volta à única cidade em que ele se considerava em casa. Foi o dia mais alegre da sua vida. Todas as emoções reprimidas dos últimos anos logo extravasaram. “Bob Capa e eu entramos em Paris com olhos que não ficariam secos”, lembrou Wertenbaker. “Não nos envergonhamos disso mais do que as pessoas que choraram quando nos abraçaram.”

Eles deixaram seu jipe ​​perto do Boulevard des Invalides e caminharam em direção ao Quai d’Orsay, onde os alemães ainda resistiam. Um padre barbudo usando um capacete de aço passou correndo em direção a um fuzileiro naval francês ferido para dar-lhe o último sacramento. Na esquina de uma rua, Capa encontrou uma multidão reunida em torno de um oficial alemão ajoelhado, rezando por sua vida. Vários membros da Resistência queriam atirar nele, mas três fuzileiros franceses chegaram e o fizeram prisioneiro.

Enquanto isso, pouco depois do meio-dia, Hemingway, carregando uma carabina e acompanhado de seus irregulares, finalmente chegou ao Arco do Triunfo. Um capitão francês convidou Papa e outros para uma visão melhor da libertação do topo do monumento, o que proporcionou uma vista inesquecível. “Vimos a cúpula dourada dos Invalides”, lembrou um dos membros do grupo de Papa, “o telhado verde da Madeleine, o Sacre Coeur…” Tanques estavam disparando em várias ruas. Parte do Arco estava sob fogo de atiradores. Um projétil de 88 mm alemão passou do seu lado.

Hemingway e seu grupo se esconderam, esvaziaram vários copos de champanhe e, em seguida, dirigiram em alta velocidade pela Champs Élysées quase deserta, em meio multidões alegres na Place de L’Opéra, até o Hotel Ritz. O gerente do hotel recebeu Papa e seu alegre grupo – de talvez uma dúzia – na entrada. Quando perguntado se eles precisavam de algo além de hospedagem, a turma de Hemingway prontamente pediu 50 coquetéis de Martini.


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Moças francesas cumprimentam tropas americanas na libertação de Paris


Naquela tarde, Ernie Pyle também chegou ao centro de Paris após atravessar uma barreira, e depois assistiu do terceiro andar de um hotel quando mulheres francesas exultantes pulavam em tanques para abraçar e beijar soldados. Ao anoitecer, a maioria dos alemães que ainda estavam em Paris havia se rendido. Enquanto a noite caía e o som dos tiroteios desaparecia ao longe, a cidade-luz foi novamente iluminada pela primeira vez em quatro anos, e a Tricolor e a Stars and Stripes foram içadas lado a lado na Torre Eiffel. Os parisienses cantaram “La Marseillaise” das janelas de toda a cidade.

“Era como um sonho de champanhe”, lembrou um correspondente de guerra.

“Qualquer soldado que não tenha transado esta noite é uma mocinha”, disse Pyle.

Na tarde seguinte, sob o céu azul-celeste, Capa fotografou o general Charles de Gaulle enquanto ele caminhava numa parada de vitória do Arco do Triunfo até Notre Dame. As fotos mostram um raro sorriso durante seu maior momento de glória. Mas o desfile foi interrompido na Place de l’Hotel de Ville: vários franco-atiradores alemães, talvez sem saber da ordem de rendição, abriram fogo na multidão. Milhares de parisienses logo se amontoaram em calçadas manchadas de sangue. Uma mulher bonita, de óculos escuros, completamente destemida, erguia-se de pé – orgulhosa demais para continuar se escondendo. Nas ruas próximas, os combatentes da Resistência rapidamente localizaram os atiradores e retornaram fogo com metralhadoras e rifles automáticos. Em uma rua, Capa encontrou um elegante homem de negócios com um terno risca-de-giz deitado de costas, disparando uma carabina; atrás dele, buracos de bala marcavam a porta de um restaurante.

Poucas horas depois, o último dos atiradores foi eliminado e Capa se juntou a Wertenbaker no Hotel Scribe; seu bar tornou-se rapidamente o ponto de encontro da imprensa internacional. O artista Floyd Davis mais tarde registrou maravilhosamente a cena do bar. Em sua pintura, Capa parece um bandido moreno enquanto examina seus colegas: Wertenbaker parece um distinto general, a renomada escritora nova-iorquina Janet Flanner com seu cigarro perpétuo, o apresentador William Shirer com tapa-olho, um Hemingway de peito largo e um sombrio John Steinbeck.

Para Ernie Pyle, o “semi-delírio reprimido” de Paris marcou o fim de sua guerra na Europa; ele estava finalmente voltando para casa. “Meu espírito está vacilante e minha mente confusa”, confessou o melhor correspondente de guerra da América. A dor finalmente se tornou grande demais. A mágoa se estendeu, e deve ter parecido infinita para Pyle, Hemingway e Capa – que esperavam, como os generais aliados, que após a libertação de Paris o Terceiro Reich caísse no Natal. Em vez disso, houve mais 12 meses de combates, mais incontáveis ​​daqueles que Pyle chamava de “jovens com cabeças arrancadas.” Capa seguiu os Aliados através das Ardenas, para a fronteira alemã e através do Reno. Durante o outono de 1944 Hemingway escreveu sobre as heroicas e incríveis perdas do 22º Regimento de Infantaria no inferno da Floresta Hürtgen, evocando uma brutal luta da Primeira Guerra Mundial quando ele a chamou de “Passchendaele com mastros explodindo” – suas palavras para matança sem sentido. Pyle retornou para a América, um nome familiar, e em seguida foi “batalhar no Pacífico.”

Estava, finalmente, quase acabando quando o primeiro deles caiu. Em Leipzig, em 18 de abril de 1945, Robert Capa foi despertado com a notícia de que seu bom amigo Ernie Pyle havia finalmente perdido a sorte. No dia anterior, por volta das 10 horas da manhã, Pyle havia sido baleado na têmpora, logo abaixo do capacete, por uma metralhadora japonesa no Pacífico, na ilha de 10 milhas quadradas de Ie Shima, perto de Okinawa.

Capa sentou-se em silêncio, embriagado. Ele dormira ao lado de Pyle na África, compartilhara seu cantil com ele em tempos de terror e júbilo na Itália e nos campos de matança da península de Cherbourg. Como dezenas de milhões de americanos, ele leu as colunas de Pyle para encontrar ternura e humor em meio ao que John Steinbeck chamou de “a louca bagunça histérica” da Segunda Guerra Mundial.

Embora tão diferentes em muitos aspectos como artesãos no ofício do jornalismo, Pyle e Capa estabeleceram o padrão para os repórteres e fotógrafos até hoje. Depois de Pyle, o biógrafo James Tobin escreveu: “Nenhum correspondente de guerra poderia fingir ter obtido a história real sem ter se movido extensivamente com os soldados que realmente lutaram na linha de frente.” O mesmo aconteceu com Capa, se não mais: Pyle não tinha que esticar a cabeça acima de um parapeito todos os dias para fazer seu trabalho.

Tal como aconteceu com Pyle, demorou muito tempo até que as probabilidades apanhassem o seu ousado amigo. Desta vez, seria a vez de Ernest Hemingway ser surpreendido pelas notícias. Em 1954, quando visitava Madri, ele descobriu que Capa havia sido morto ao pisar numa mina terrestre na Indochina. Hemingway, que tiraria a própria vida sete anos depois, poderia muito bem estar se referindo a qualquer um dos 54 repórteres credenciados pelo Exército dos EUA que morreram na Segunda Guerra Mundial quando escreveu sobre Capa: “É uma má sorte para todos que as estatísticas o tenham alcançado… Ele estava tão vivo que é um dia longo e difícil para pensar nele como morto.”

Alex Kershaw é o autor de seis livros altamente aclamados, cinco deles sobre a Segunda Guerra Mundial. Depois de se formar na University College, Oxford, trabalhou como redator de longa-metragem por mais de uma década no Guardian, no Sunday Times e em outras publicações do Reino Unido antes de se mudar para os Estados Unidos. Seu livro de 2006, The Few, foi selecionado como o primeiro livro do ano do Military Book Club; seu livro de 2008, Escape from the Deep, está sendo adaptado para a tela. 500 dias, sobre a libertação aliada da Europa, estreia esta queda.


*Imagem de capa: praia na Normandia vista a partir de uma embarcação de desembarque no Dia D (Foto: National Archives/Robert F. Sargent)


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  4 comments for “Do Dia D a Paris: a história de uma vida

  1. Roberto C. Fiorin
    06/06/2019 às 17:26

    Caramba! É leitura para viajar e tirar o fôlego! Top! Valeu cada linha lida.

    Curtido por 1 pessoa

    • 06/06/2019 às 19:10

      Realmente esse texto é muito bom! Três grandes figuras do jornalismo de guerra! Um abração!

      Curtir

  2. givanildosousagonalves
    09/06/2019 às 16:54

    Ótimo artigo!!!!

    Curtido por 1 pessoa

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