As unidades alemãs encarregadas de empurrar a invasão da Normandia de volta ao mar

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Albert-VF1 Por Albert Caballé Marimón

Artigo de Joshua Baylor, do site War History Online, traduzido e adaptado por Albert Caballé Marimón


No 75º aniversário da Invasão Aliada do Dia D da Normandia, provavelmente haverá muitas histórias sobre o heroísmo das unidades aliadas durante a invasão, e com razão.

Para trazer algum equilíbrio e um pouco de informação sobre o que os Aliados iriam enfrentar, este artigo apresenta três das unidades alemãs encarregadas de empurrar a invasão de volta ao Canal da Mancha assim que a Operação Overlord tivesse começado.


Assista ao Vídeo 632 do CANAL ARTE DA GUERRA: Dia D na Normandia; como as armas evoluíram em 75 Anos


ANTECEDENTES

O Marechal de Campo Erwin Rommel foi designado para comandar a “Muralha do Atlântico” a fim de impedir que o desembarque das forças aliadas no continente europeu a partir do Ocidente fosse bem sucedido. A questão para Rommel nunca foi “se” a invasão viria, mas sim onde os Aliados focariam o ataque. A defesa costeira alemã estava bem preparada e Rommel tinha dois exércitos alemães, o 7º e o 15º, para repelir ou contra-atacar o desembarque aliado.


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O Marechal-de-Campo Erwin Rommel visita as defesas da Muralha do Atlântico perto do porto belga de Ostende, parte das fortificações que hoje compõem o Museu ao Ar Livre da Muralha do Atlântico em Raversijde (Foto: Bundesarchiv, Bild 101I-295-1596-12/Kurth/CC-BY -SA 3.0)


Devido a uma brilhante campanha de desinformação por parte dos Aliados, o 15º Exército permaneceu em grande parte fora dos combates nas primeiras oito semanas da campanha enquanto aguardava a esperada invasão pelo general norte-americano George C. Patton ao norte de onde ocorreram os desembarques reais.

Um total de 59 divisões alemãs com diferentes capacidades operacionais foram mobilizadas na defesa da Europa Ocidental. A grande maioria acabaria por entrar em ação de alguma forma contra a invasão da Europa.

Esta lista concentra-se apenas em algumas das unidades alemãs de elite que entraram em ação contra as forças Aliadas no início da campanha, mas está longe de ser completa, pois havia muitas unidades do Eixo boas e ruins nos primeiros dias da Operação Overlord.


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Soldados alemães colocando obstruções de embarcações de desembarque, 1943 (Foto: Bundesarchiv, Bild 101I-297-1716-28 / Schwoon / CC-BY-SA 3.0)


101º BATALHÃO PESADO PANZER SS COM O “ÁS” MICHAEL WITTMAN

O 101º Batalhão Pesado Panzer SS fazia parte da 1ª Divisão Panzer SS e era composto por 45 tanques Tiger I na época da invasão da Normandia. Todos, exceto oito desses Tigers, estavam operacionais e estacionados a noroeste de Paris.

O batalhão havia sido desdobrado na Itália no ano anterior, até que duas de suas companhias foram enviadas para a Frente Oriental, onde atuaram. Em preparação para a esperada invasão no Ocidente, toda a unidade foi enviada à França. O batalhão foi testado em batalha, liderado com competência e equipado com alguns dos melhores blindados da guerra.


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Companhia de Wittmann, 7 de junho de 1944, a caminho de Morgny. Wittmann está em pé na torre do Tiger 205 (Foto: Bundesarchiv, Bild 101I-299-1804-07 / Scheck / CC-BY-SA 3.0)


Após o desembarque do Dia D, o 101º foi enviado para a Normandia. Chegou em 12 de junho e entrou em ação imediatamente contra as forças aliadas. O famoso comandante de tanques Michael Wittmann liderou pessoalmente um ataque a uma coluna da 7ª de Blindados Britânica.

Embora a companhia de Wittmann já estivesse com apenas 50% de força devido a perdas e falhas mecânicas, seus 12 Tigres estavam preparados para repelir qualquer avanço em Villers-Bocage em 12 de junho. Aproveitando a iniciativa, os Tigers de Wittmann atacaram o avanço blindado britânico pela retaguarda, e ao mesmo tempo ele ordenou que o resto da companhia se mantivesse firme.

Os relatórios variam, mas o 101º Batalhão destruiu de 13 a 14 tanques, mais de uma dúzia de veículos blindados e dois canhões antitanque. A maioria das vitórias foi atribuída a Wittmann. Seu Tiger foi imobilizado por um canhão anti-tanque, mas ele conseguiu escapar.


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Wittmann, enaltecido pela propaganda nazista durante sua vida, tornou-se “o herói de todos os fanáticos nazistas” depois da guerra, de acordo com Steven Zaloga. Outros historiadores discutem “adoração a heróis” e “a lenda de Wittmann” que vive até hoje (Foto: Bundesarchiv, Bild 101I-299-1802-08 / Scheck / CC-BY-SA 3.0)


O 101º sofreria perdas significativas quando um grupo de sete Tigers sob o comando de Wittmann foi emboscado por forças britânicas e canadenses durante um contra-ataque em Saint-Aignan-de-Cramesnil em 8 de agosto. Wittmann e sua tripulação foram mortos e cinco dos sete Tigers foram destruídos.

Na época de sua morte, Wittmann foi creditado com mais de 130 tanques destruídos.

Praticamente todos os remanescentes do 101º Batalhão Pesado Panzer SS foram destruídos ou capturados no Bolsão de Falaise nas semanas seguintes. Aqueles que escaparam do cerco foram realocados no 501º Batalhão Pesado Panzer SS em setembro.


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Fotografia do Tiger 007 destruído, feita pelo civil francês Serge Varin em 1945, ainda no campo perto de Gaumesnil, onde havia sido parada um ano antes


1ª DIVISÃO PANZER SS “LEIBSTANDARTE SS ADOLF HITLER” – LSSAH

Esta divisão de elite foi criada desde sua origem como a unidade de guarda-costas pessoal de Adolf Hitler. Na época da invasão da Polônia em 1939, o LSSAH era de tamanho regimental, contando com cinco batalhões e algumas sub-unidades.

O regimento foi totalmente mecanizado para a invasão da França e tinha uma bateria de blindados de assalto incorporados à sua formação. Foi desdobrado nos arredores de Dunquerque durante a evacuação das forças britânicas.


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Desfile de dezembro de 1935 para Adolf Hitler no Quartel da LSSAH (Foto: Bundesarchiv, Bild 102-17311 / CC-BY-SA 3.0)


Na época dos desembarques do Dia D, o 1º SS Panzer era uma divisão totalmente blindada. Foi testado em batalha na Grécia, em várias campanhas na Frente Oriental e na Itália. Estava estacionado ao norte do rio Sena como uma força de reação para a suspeitada invasão em Calais e não foi desdobrado imediatamente no início de junho.

No entanto, no final de junho, quase toda a divisão estava em ação contra as forças britânicas e canadenses perto de Caen. As forças aliadas tinham várias operações destinadas a capturar Caen, incluindo as Operações Windsor, Goodwood e Spring. O 1º SS Panzer participou em oposição a cada um destes assaltos.


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Foguetes disparados de um Hawker Typhoon do 181º Squadron da RAF contra edifícios no aeródromo de Carpiquet. A 3ª Divisão do Canadá tomou Carpiquet em 4 de julho na Operação Windsor, parte da Batalha de Caen


Durante uma ação em particular, elementos da LSSAH que incluíam 13 tanques Panther engajaram aproximadamente cinco dúzias de tanques britânicos e destruíram 20 deles, inclusive fazendo prisioneiros.

Em agosto, a LSSAH participou da Operação Luttich, uma ofensiva alemã contra as forças dos EUA. Parte da operação foi inicialmente bem-sucedida e capturou a cidade de Mortain, mas foi interrompida por artilharia e aeronaves aliadas até que a divisão foi empurrada de volta.


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Forças americanas em Mortain, agosto de 1944


A 1ª Divisão Panzer da SS acabou apanhada no cerco do Bolsão de Falaise por forças canadenses, polonesas e norte-americanas. Alguns homens da divisão conseguiram sair do Bolsão, mas todos os tanques e veículos foram abandonados ou destruídos.

Remanescentes da LSSAH continuariam lutando na campanha das Ardenas, na defesa de Viena e na Batalha de Berlim.

12ª DIVISÃO PANZER SS “HITLERJUGEND”

A Divisão da Juventude Hitlerista foi formada originalmente em 1943 com a maioria de seus membros vindos diretamente da Juventude Hitlerista nascidos em 1926. Entretanto, 2.000 homens e oficiais vieram transferidos da 1ª Divisão Panzer SS, a LSSAH, para organizar, treinar e liderar esta divisão.

A unidade conduziu seu treinamento na Bélgica e tornou-se ativa em 1944, quando foi designada para o 1º Corpo Panzer SS com mais de 150 tanques. Ela entraria em ação pela primeira vez em 7 de junho em Caen contra as forças britânicas e canadenses.


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Um Panzer IV da 12ª Divisão Panzer SS, 21 de junho de 1944 em Rouen (Foto: Bundesarchiv, Bild 101I-493-3355-23 / Siedel / CC-BY-SA 3.0)


Talvez as atividades mais significativas desta unidade tenham sido os crimes de guerra cometidos contra civis e soldados aliados capturados. Antes de entrar em combate, membros da unidade executaram mais de 80 civis em Ascq como represália por uma ferrovia destruída. Mais tarde, soldados da mesma unidade executariam prisioneiros de guerra canadenses na Abadia de Ardenne em 7 de junho de 1944.

Após a sua chegada a Caen, o Hitlerjugend assumiu posições a noroeste da cidade e engajou-se num duro combate contra as forças britânicas e canadenses. Isso durou dois meses, até que a cidade caiu nas mãos dos Aliados.


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Soldados da 12ª Divisão Panzer SS “Hitlerjugend” capturados durante a batalha


Embora a 12ª SS se envolvesse no que foi descrito como uma luta feroz, muitas vezes incluindo combates corpo-a-corpo, a unidade não era bem vista por sua eficiência ou eficácia em combate. Do ponto de vista organizacional, os equipamentos e tanques eram frequentemente atrasados devido a problemas de fornecimento. A má execução de ordens e a falta de consciência tática foram causas comuns de ataques fracassados.

Eventualmente, a divisão destruída recuou da França em setembro de 1944, tendo sofrido baixas de 80%, bem como perdas equivalentes a 75% de seus tanques e veículos blindados e mais da metade de seus ativos de transporte.


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Um Panzergrenadier da Hitlerjugend capturado por uma unidade canadense de inteligência durante a batalha de Caen


A divisão seria reagrupada para participar da fracassada ofensiva das Ardenas, onde sofreria perdas extremas em homens e equipamentos. Depois disso, a unidade ficou com apenas duas dúzias de tanques e veículos blindados. Terminou a guerra lutando contra os soviéticos na Hungria. Depois de sucessivas derrotas, chegou à Áustria para se render à 65ª Divisão de Infantaria dos EUA no início de maio de 1945.


*Imagem de capa: O marechal de campo Erwin Rommel, no centro, estuda um mapa com outros oficiais do exército alemão em Caen, França, durante uma visita de inspeção das defesas costeiras (Foto: Keystone/Getty Images)


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  9 comments for “As unidades alemãs encarregadas de empurrar a invasão da Normandia de volta ao mar

  1. Filipe do Amaral Monteiro
    06/06/2019 às 14:51

    Faltou a fonte mais moderno, The Devil’s Garden, que trata das defesas alemães na praia de Omaha. A presença da 352. Infanterie-Division foi uma surpresa desagradável para os americanos. E a sua artilharia divisional, com os tiros na praia totalmente marcados previamente, quase destruíram a força de assalto na areia.

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  2. Roberto C. Fiorin
    06/06/2019 às 17:42

    Há muito a se dizer sobre a preparação para o dia D no lado do eixo, e sobre os engôdos de ambos os lados. Sempre bom aprender um pouco mais sobre esse assunto.

    Curtido por 1 pessoa

    • 06/06/2019 às 19:11

      E a tendência ;e sempre olhar o lado dos aliados, é sempre bom ver também um pouco do “outro lado”. Grato por comentar!

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  3. robinsonfarinazzo
    06/06/2019 às 19:27

    Show !!!

    Curtido por 1 pessoa

  4. 06/06/2019 às 21:42

    Como diz o pensamento comum… Há sempre no mínimo dois lados, a versão dos aliados e a versão do eixo. No final fica mesmo a versão de quem ganhou a guerra. E nesse onda de revisionismo promovido por liberação de documentos parte da história é reescrita, mesmo a contragosto… Por fim, a Europa sempre foi alimentada por divergências ideológicas, religiosas em alguns casos, étnicas… Não à toa, tanto se questiona como a União Europeia se sustenta…

    Curtido por 1 pessoa

    • 07/06/2019 às 13:03

      É sempre bom avaliar os dois lados de uma questão. Muito obrigado por comentar!

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  5. givanildosousagonalves
    06/06/2019 às 22:27

    Excelente artigo!!!

    Curtido por 1 pessoa

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