A “Morte Silenciosa”: o Embraer/SNC EMB-314/A-29 Super Tucano – Parte 3 (final)

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Reis Por Luiz Reis

Esta é a terceira e última parte deste artigo. Leia a primeira e a segunda partes.


POTENCIAIS OPERADORES

Guiné Equatorial

A Guiné Equatorial teria interesse em comprar o EMB-314 Super Tucano.

Guatemala

Em agosto de 2011, a Força Aérea da Guatemala (FAG) solicitou aprovação de crédito de US$ 166 milhões para a compra de seis EMB-314, centros de controle, radar e equipamentos, no contexto de um programa chamado “C4I”. Em setembro de 2012, jornais da Guatemala declararam que os Super Tucanos chegariam dentro de um ano e meio. No mês seguinte, o Congresso da Guatemala aprovou um empréstimo para o programa C4I, incluindo a compra de seis Embraer A-29 Super Tucanos, que seriam financiados por bancos brasileiros e espanhóis (BNDES e BBVA). O acordo foi finalizado em abril de 2013. As duas primeiras aeronaves deveriam chegar em abril de 2014, seguidas por duas unidades em 2015 e mais duas em 2016. No entanto, o presidente da Guatemala cancelou a ordem em novembro de 2013. Em janeiro de 2015, o ministro da Defesa da Guatemala revelou que seu país estava considerando a compra de duas aeronaves diretamente da Embraer.

Líbia

O governo da Líbia estuda adquirir até 24 Super Tucanos, mas até o presente momento nada foi decidido.

Moçambique

O Brasil planejou doar três EMB-312 para a Força Aérea de Moçambique, que também poderiam adquirir três Super Tucanos. Em 2016, o acordo de doação foi cancelado pelo governo brasileiro.

Paraguai

Em outubro de 2009, o Paraguai estava inclinado a comprar Super Tucanos. Segundo a imprensa do país, a Força Aérea Paraguaia (FAP) começou a adquirir seis aeronaves EMB-314. Em maio de 2012, a FAP selecionou o Super Tucano para reforçar as capacidades da força aérea. No entanto, após o impeachment do presidente Fernando Lugo, todas as negociações foram suspensas.

Peru

Em março de 2011, o governo brasileiro afirmou que poderia promover a integração da vigilância na Bacia Amazônica e facilitar a venda ao vizinho Peru de 12 Super Tucanos e atualizar 20 EMB-312 peruanos. O ministro da Defesa do Peru anunciou que suspendeu a aquisição do Super Tucano em favor do treinador KAI KT-1 Woongbi coreano. Em 14 de fevereiro de 2012, o Ministério da Defesa do Brasil disse que o Peru está considerando a compra de dez Super Tucano. No entanto, em novembro de 2012, foi assinado um contrato com a Coreia do Sul para a aquisição de 20 KT-1. Os governos do Peru e do Brasil posteriormente reativaram as negociações para a aquisição de 12 unidades do A-29B Super Tucano para substituir as veteranas aeronaves Cessna A-37B Dragonfly que devem ser aposentados em breve.


Assista ao Vídeo 605 do CANAL ARTE DA GUERRA: Super Tucano na USAF: Painel com Analistas Militares/3ª Parte


Suriname

O governo do Suriname declarou estar interessado em comprar entre dois e quatro Super Tucanos para papéis de ataque leve.

Suécia

A Suécia propôs substituir sua aeronave de treinamento Saab 105 pelo Super Tucano se o Brasil decidir comprar o Gripen NG, mas posteriormente as conversações não foram para frente.

Tailândia

A Embraer também citou a Tailândia como clientes potenciais para o tipo.

Emirados Árabes Unidos

Em setembro de 2010, foi anunciado que o Brasil e os Emirados Árabes Unidos estavam trabalhando em um acordo que inclui a venda do Super Tucano ao país árabe. Foi informado no início de 2015 que os EAU estariam negociando com a Embraer a compra de 24 Super Tucanos, o acordo incluiria seis aeronaves do inventário da Força Aérea Brasileira para entrega imediata, mas as negociações não foram para a frente.

CONTRATOS PERDIDOS

Após a proibição dos EUA à exportação de aeronaves oriundas da República Tcheca Aero L-159 Alca em 7 de agosto de 2009, o ministro da Defesa boliviano disse que eles estavam considerando seis aeronaves do Brasil ou da China com papel comparável ao do Aero L-159. Em 9 de outubro de 2009, foi anunciado que a China fabricaria seis K-8 para a Bolívia e seria usada para operações antidrogas ao preço de US$ 9,7 milhões por aeronave.

Em fevereiro de 2006, um acordo para a venda de 36 unidades do A-29B para a Venezuela foi cancelado porque os Estados Unidos provavelmente bloqueariam a transferência de componentes construídos no país. O então presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou que os EUA são responsáveis por pressionar o Brasil a não assinar o contrato.

Em novembro de 2010, o presidente do Comitê de Defesa Legislativa de El Salvador declarou que estava cogitando a compra de cerca de 10 EMB-314. A carta de intenções com a Embraer foi adiada em fevereiro de 2011 por falta de fundos. Em 2013, a Força Aérea de El Salvador (FAES) adquiriu 10 Cessna A-37B Dragonfly que foram aposentados da Força Aérea Chilena.

A Elbit Systems e a Embraer ofereceram o EMB-314 para fazer parte do curso básico de treinamento integrado do Reino Unido. No entanto, o Beechcraft T-6C Texan II recebeu a preferência do contrato em outubro de 2014.

OPERADORES

Afeganistão

Força Aérea Afegã – 26 A-29B Super Tucano, construídas pela Sierra Nevada Corporation e pela Embraer em Jacksonville, na Flórida, e fornecidas ao Afeganistão por meio do programa Light Air Support (LAS) da Força Aérea dos EUA.

Angola

Força Aérea Nacional de Angola – 6 aeronaves A-29B Super Tucano. As entregas foram programadas para começar no início de 2012, mas as três primeiras foram entregues em 31 de janeiro de 2013. As últimas três aeronaves apenas foram entregues em maio de 2018.

Brasil

Força Aérea Brasileira – 93 aeronaves (31 A-29A e 62 A-29B).

  • Primeiro Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (1º/3º GAv) “Esquadrão Escorpião”;
  • Segundo Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (2º/3º GAv) “Esquadrão Grifo”;
  • Terceiro Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (3º/3º GAv) “Esquadrão Flecha”;
  • Segundo Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (2º/5º GAv) “Esquadrão Joker”;
  • Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) “Esquadrilha da Fumaça”.

Burkina Faso

Força Aérea de Burkina Faso – 3 aeronaves entregues em setembro de 2011 da versão A-29B.

Chile

Força Aérea do Chile – 18 aeronaves da versão A-29B.

Colômbia

Força Aérea Colombiana – 24 aeronaves da versão A-29B, introduzidas entre 2006 e 2008.

Equador

Força Aérea Equatoriana – 18 aeronaves da versão A-29B, mas equipadas com turbinas PT6A-68A, todas entregues em 2011.

Estados Unidos

EP Aviation – parte da Academi (antiga Blackwater) – pelo menos uma variante de duplo assento (A-29B) para treinamento de pilotos (entregue em fevereiro de 2008), mais tarde, vendida em 2010 para a Tactical Air Support em Reno, NV.

Marinha dos Estados Unidos (US Navy) – arrendou uma aeronave para testes, como parte do programa Fúria Iminente (Imminent Fury).

Força Aérea dos Estados Unidos – selecionou a aeronave em maio de 2019 para adquiri-la de acordo com o programa LAS (Light Aircraft Support).

Filipinas

Força Aérea das Filipinas – 6 aeronaves encomendadas da versão A-29B, com opção para mais 18. As entregas começarão em 2019.

Gana

Força Aérea de Gana – 5 aeronaves da versão A-29B, encomendadas em 2015, mas devido a falta de recursos, ainda não recebidos.

Honduras

Força Aérea Hondurenha – 2 aeronaves da versão A-29B encomendadas em 2014.

Indonésia

Força Aérea da Indonésia – 16 aeronaves da versão A-29B encomendadas e entregues, uma perdida em um acidente em fevereiro de 2016.

Líbano

Força Aérea Libanesa – 6 aeronaves da versão A-29B, os dois primeiros entregues em outubro de 2017, mais quatro em 2018.

Mali

Força Aérea do Mali – 4 aeronaves da versão A-29B entregues em julho de 2018. Seis pedidos originalmente, mas devido a problemas financeiros, a encomenda foi reduzida para quatro aeronaves.

Mauritânia

Força Aérea da Mauritânia – 4 aeronaves da versão A-29B recebidas.

Nigéria

Força Aérea da Nigéria – 12 aeronaves da versão A-29B encomendadas.

República Dominicana

Força Aérea Dominicana – 8 aeronaves da versão A-29B.

Senegal

Força Aérea Senegalesa – 3 aeronaves encomendadas, da versão A-29B.

AERONAVES EM EXPOSIÇÃO

  • FAB 5900 – Força Aérea Brasileira – Memorial Aeroespacial Brasileiro, em São José dos Campos-SP;
  • FAB 5925 – Força Aérea Brasileira – Base Aérea de Boa Vista (BABR) / ALA 7, Boa Vista-RR.

ESPECIFICAÇÕES (EMB 314B / A-29B Super Tucano)

Características gerais

  • Tripulação: Piloto mais um navegador/aluno em conjunto com assentos ejetáveis zero-zero Martin Baker Mk 10 LCX
  • Carga útil: 1.500kg
  • Comprimento: 11,38m
  • Envergadura: 11,14m
  • Altura: 3,97m
  • Área das asas: 19,4m2
  • Peso vazio: 3.200kg
  • Max. peso de decolagem: 5.400kg
  • Powerplant: 1 x Pratt & Whitney Canada Turboélice PT6A-68C, 1.196 kW (1.600 shp)
  • Hélices: Hartzell de velocidade constante de 5 pás, totalmente flexível, hélice de passo reversível

Desempenho

  • Velocidade máxima: 590km/h (319 nós, 367 mph)
  • Velocidade de cruzeiro: 520km/h (281 nós, 323 mph)
  • Velocidade de estol: 148km/h (80 nós, 92 mph)
  • Limite de forças g: +7 / -3,5 g)
  • Alcance: 1.330km (720 nmi, 827 mi)
  • Raio de combate: 550km (300 nmi, 342 mi) – perfil hi-lo-hi, 1.500 kg (3.300 lb) com cargas externas
  • Alcance de translado: 2.855km (1.541 mi, 1.774 milhas)
  • Autonomia: 8 horas e 24 minutos
  • Teto de serviço: 10.668 m (35.000 pés)
  • Taxa de subida: 16,4 m/s (3.242 pés/min)

Armamento

  • Armas
    • Interno: (2 x) 12,7mm (0.50 pol) metralhadoras pesadas FN Herstal M3P, com cadência de 1.100 tiros por minuto, uma em cada asa.
    • pod: 1 x 20mm (0.79 pol) canhão GIAT M20A1, com cadência de 650 tiros por minuto, no pilone central da fuselagem.
    • pod: 1 x 12,7mm (0.50 pol) metralhadora FN Herstal HMP M3P sob cada asa
    • pod: até 4 x 7,62mm (0.30 pol) Aero M134 Minigun, com cadência de 3.000 tiros por minuto, sob as asas.
    • Pontos duros: 5 (dois sob cada asa e um sob a linha central da fuselagem) com uma capacidade de 1.550kg (3.300 lb)
  • Foguetes
    • (4x) 70mm (2.75 pol) LM-70/19 (SBAT-70)
    • (4x) 70mm (2.75 pol.) LAU-68A/G
  • Mísseis
    • Ar-ar: AIM-9L Sidewinder, Piranha MAA-1A Piranha MAA-1B, Python 3, Python 4
    • Ar-solo: AGM-65 Maverick, Roketsan Cirit
  • Bombas
    • Bombas de uso geral: (10x) Mk 81, (5x) Mk 82, M-117,
    • Bombas incendiárias: (Napalm) BINC-300
    • Bombas cluster: BLG-252
    • Bombas guiadas por precisão: FPG-82 – Kit de orientação Friuli Aeroespacial INS / GPS para Mk 82, SMKB-82 – Kit de orientação INS/GPS para o Mk 82, GBU-54 (em desenvolvimento), GBU-38 (em desenvolvimento), GBU-39 (em desenvolvimento), Paveway II, Lizard – Kit de orientação a laser da Elbit, Griffin – Kit de orientação a laser da IAI.

Outros

  • Chaff & Flare (contramedidas)
  • FLIR AN/AAQ-22 Estrela SAFIRE II (Sensores Eletro-Óticos/Infravermelhos)

Aviônicos

  • Barramento de dados MIL-STD-1553
  • NVG ANVIS-9 (Visão Noturna)
  • CCIP/CCRP/CCIL/DTOS/LCOS/SSLC (modos de ataque computadorizados)
  • Transceptor Airborne Rohde & Schwarz M3AR VHF/UHF (criptografia bidirecional / Provisão de link de dados)
  • HUD / HOTAS
  • HMD com UFCP (painel de controle frontal)
  • Laser INS com sistema de navegação GPS
  • Matriz ativa do cristal líquido de CMFD (exposição colorida Multi-Function)
  • Radiocomunicações e Navegação Integradas
  • Câmara de Vídeo / Gravador
  • Piloto automático com capacidade de planejamento de missão integrada
  • Stormscope WX-1000E (Sistema de mapeamento meteorológico por via aérea)
  • Telêmetro Laser – Orientador laser para bombas guiadas
  • WiPak Suporte – (integração Wi-Fi para bombas Paveway)
  • Sistema de Suporte de Treinamento e Operação (TOSS)

*Imagem de capa: quatro A-29 aproximando-se para aterrissagem no retorno de missão durante o Exercício CRUZEX 2018 (Foto: Albert Caballé Marimón)


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  8 comments for “A “Morte Silenciosa”: o Embraer/SNC EMB-314/A-29 Super Tucano – Parte 3 (final)

  1. Sergio Barbosa Ribeiro
    18/05/2019 às 08:01

    Excelente cobertura, parabéns prof Luiz Reis !

    Curtido por 2 pessoas

  2. dbatta
    18/05/2019 às 13:38

    Excelente artigo.
    Se possível, gostaria de noticias sobre os EMB-314 que estão com a marinha Americana.
    No paragrafo falando sonbre Angola tem um pequeno erro ortografico.

    Curtir

  3. 18/05/2019 às 22:20

    Ia mesmo observar a necessidade de condensar tanta informação. Ficou excelente. Acrescentaria ainda em forma de tabela. No mais, ficou muito bom. Parabéns.

    Curtido por 2 pessoas

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