O Dassault Super Étendard: o terror do conflito no Atlântico Sul (e de outras guerras)

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Reis Por Luiz Reis

O Dassault-Breguet Super Étendard (“Étendard” em francês significa “Bandeira de Batalha”) é uma aeronave de ataque (também pode realizar papel secundário de caça) de origem francesa, que pode ser operada a partir de porta-aviões, projetada pela Dassault-Breguet para operar na Marinha Francesa.

A aeronave é uma versão avançada do Étendard IVM, que substituiu. O Super Étendard voou pela primeira vez em outubro de 1974 e entrou para o serviço francês em junho de 1978. Super Étendards franceses serviram em vários conflitos, como operações no Oriente Médio, a guerra do Kosovo, a guerra no Afeganistão e a mais recente intervenção militar na Líbia.


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Seis Dassault Super Étendard e dois Étendard IVM (em primeiro plano) a bordo do porta-aviões francês Foch ao largo da costa do Líbano, em 1983 (Foto: Wikimedia/US Defense Imagery)


O Super Étendard também foi operado temporariamente pelo Iraque e pela Argentina, que o batizaram em combate real. O Super Étendard foi usado pelo Iraque para atacar petroleiros e navios mercantes no Golfo Pérsico durante a Guerra Irã-Iraque. O uso do Super Étendard e do míssil antinavio Exocet pela Argentina durante a Guerra das Malvinas em 1982 levaram a aeronave e o míssil a se tornarem famosas entre o grande público. Na França, o Super Étendard foi substituído pelo Dassault Rafale em 2016.

DESENVOLVIMENTO

O Super Étendard é um desenvolvimento do antigo Étendard IVM que foi desenvolvido nos anos 50. O Étendard IVM deveria ter sido substituído por uma versão navalizada do SEPECAT Jaguar, designado como Jaguar M; no entanto, o projeto Jaguar M foi paralisado por uma combinação de problemas políticos e técnicos durante a fase da implantação das operações a bordo. Especificamente, o Jaguar M tinha sofrido problemas de controle ao ser pilotado monomotor e apresentando um baixo tempo de resposta das manetes de aceleração, que dificultaria o pouso em um porta-aviões após uma falha de motor. Em 1973, todo o trabalho de desenvolvimento do Jaguar M foi formalmente cancelado pelo governo francês.


Vídeo 308 do CANAL ARTE DA GUERRA: Super Étendard argentinos: o último lote


Haviam vários aviões cotados para substituir o Jaguar M, estes incluíram o LTV A-7 Corsair II (uma versão do Vought Crusader usado pelos franceses) e o Douglas A-4 Skyhawk, A Dassault então iniciou conversações com o governo francês e também apresentou a sua própria proposta para atender à exigência. Segundo alguns analistas internacionais, a Dassault teve um papel significativo no cancelamento do Jaguar M com o objetivo de criar uma vaga para a sua própria proposta – o Super Étendard.

O Super Étendard era essencialmente uma versão melhorada do já existente Étendard IVM, equipado com um motor mais potente, uma nova asa e aviônicos melhorados. A Dassault vendeu seu avião como único candidato 100% francês e com custos operacionais bem mais baixos do que as outras opções, já que usava tecnologia moderna já testada e usada nos aviões Dassault existentes. A proposta do Super Étendard da Dassault foi aceita pela Marinha Francesa em 1973, levando a uma série de protótipos rapidamente construídos.


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Super Etendard no RIAT – Royal International Air Tattoo 2005 (Foto: Tim Felce/Wikimedia)


O primeiro dos três protótipos a serem construídos, um Étendard IVM que havia sido modificado com o novo motor e alguns dos novos aviônicos, fez seu voo inaugural no dia 28 de outubro de 1974. A intenção original da Marinha Francesa era encomendar um total de 100 Super Étendards, no entanto, as encomendas foram de 60 aeronaves do novo modelo com opções para mais 20; cortes orçamentários adicionais e um aumento no preço unitário da aeronave acabaram levando a apenas 71 Super Étendards sendo adquiridos. A Dassault começou a fazer entregas do tipo para a Marinha Francesa em junho de 1978.

No primeiro ano de produção, 15 células foram produzidas para a Marinha Francesa, permitindo a formação do primeiro esquadrão em 1979. A Dassault produziu a aeronave a uma taxa aproximada de dois por mês. A Marinha argentina era o único cliente de exportação. A Argentina fez um pedido de 14 aeronaves capazes de operar a partir de seu único porta-aviões, o “ARA Vientecinco de Mayo”. Em 1983 a linha de produção da aeronave foi encerrada, com a última entrega à Marinha Francesa ocorrendo ainda naquele ano.

DESIGN E CARACTERÍSTICAS

O Super Étendard é um pequeno avião monomotor de asa média com estrutura toda em metal. Tanto as asas quanto os estabilizadores horizontais tem uma grande envergadura, com a ponta das asas dobráveis em 45 graus, enquanto a aeronave é movida por um turbojato SNECMA Atar 8K-50 sem pós-combustão, gerando 49 kN (11.025 lbf) de potência. Seu desempenho não foi muito melhor do que o Étendard IV ofereceu, mas seus sensores foram significativamente melhorados.

A principal arma do Super Étendard é o míssil antinavio francês, o Aérospatiale AM 39 Exocet. É equipado por um radar Thomson-CSF Agave que, entre outras funções, era essencial para lançar o míssil Exocet. Um dos principais avanços técnicos do Super Étendard foi seu computador central UAT-40; isso gerenciou a maioria dos sistemas críticos de missão, integrando dados e funções de navegação, informações e exibição de radar, direcionamento e controle de armas.


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Dassault Super Étendard armado com um míssil AM39 Exocet decolando do porta-aviões francês Foch ao largo da costa do Líbano, em 1983 (Wikimedia/US Defense Imagery)


Na década de 1990, modificações significativas e atualizações foram feitas para o tipo, incluindo um computador atualizado UAT-90 e um novo radar, o Thomson-CSF Anemone, que forneceu quase o dobro do alcance do radar anterior Agave. Outras atualizações neste momento incluíram um cockpit extensivamente redesenhado com controles HOTAS, e trabalho de extensão de vida de fuselagem foi realizado; um total de 48 aeronaves recebeu esses upgrades, a uma taxa de 15 por ano, sendo redesignadas como Super Étendard Modernisé (SEM). Durante a década de 2000, outras melhorias incluíram uma capacidade de contramedidas eletrônicas (ECM) de autodefesa significativamente melhorada para melhor evitar detecção e ataques inimigos, compatibilidade de cockpit com óculos de visão noturna (NVG, Night Vision Googles), um novo sistema de dados inercial integrando GPS e compatibilidade com o pod de designação laser Damocles.

O Super Étendard também desde o início pôde lançar armas nucleares táticas; inicialmente bombas gravitacionais não guiadas, no entanto, durante os anos 90 o Super Étendard foi extensivamente atualizado, permitindo a implantação da capacidade de lançar o míssil ramjet nuclear Air-Sol Moyenne Portée (ASMP). A aeronave também foi equipada com a capacidade de operar uma série de bombas guiadas a laser e, para permitir que o tipo substituísse o aposentado Étendard IV na missão de reconhecimento, o Super Étendard também foi equipado com um casulo de reconhecimento especializado. No entanto, a aeronave é incapaz de realizar pousos navais sem descartar munições não usadas.


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O Super Etendard nº 64 da Marinha Francesa chegando ao Musée de l’Air et de l’Espace em 2 de junho de 2010 para integrar sua coleção (Foto: Musée de l’Air et de l’Espace)


USO OPERACIONAL

Argentina

O Comando da Aviação Naval Argentina (CANA) decidiu comprar 14 Super-Étendards em 1979, depois que os Estados Unidos impuseram um embargo de armas – devido à Guerra Suja – e se recusaram a fornecer peças de reposição para seu Douglas A-4Q Skyhawks. Entre agosto e novembro de 1981, cinco aeronaves e cinco mísseis antinavio Exocet foram enviados para a Argentina. Os Super Étendards, armados com os Exocet, teriam um papel fundamental na Guerra das Malvinas entre a Argentina e o Reino Unido em 1982. O 2º Esquadrão Naval estava situado na base de Río Grande, a cerca de 800 km das ilhas. Durante o conflito, a ameaça imposta às forças navais britânicas levou ao planejamento da Operação Mikado e outras missões de infiltração propostas para invadir a base aérea, com o objetivo de destruir os Super Étendards e impedir seu uso contra os ingleses. Um total de quatro Super-Étendards estavam operacionais durante o conflito (um foi canibalizado para manter as outras unidades voando).


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Dois Super Étendard do Segundo Esquadrão Naval de Caça e Ataque da Armada Argentina, condecorado por Honra ao Valor em Combate nas Malvinas em 1982 (Foto: Armada Argentina)


Uma primeira tentativa de atacar a frota britânica foi feita no dia 2 de maio de 1982, mas esta foi abandonada devido a problemas no reabastecimento em voo. Em 4 de maio, dois Super Étendards, guiados por um Lockheed SP-2H Neptune, lançaram um Exocet no destróier britânico HMS Sheffield (que fazia piquete-radar protegendo a Força-Tarefa Britânica), incapacitando-o (posteriormente, em 10 de maio, o Sheffield afundou). No dia 25 de maio (data magna da Argentina), outro ataque de dois Super Étendards resultou em dois mísseis atingindo o navio mercante Atlantic Conveyor, que transportava helicópteros e vários outros suprimentos para a linha de frente. Os mísseis Exocet que atingiram o mercante tinham sido inadvertidamente redirecionados pelas medidas defensivas lançadas pelos navios ingleses. Após o ataque o Atlantic Conveyor pegou fogo e acabou indo a pique.


Video 20 do CANAL ARTE DA GUERRA: O Ataque Argentino ao HMS Sheffield


Dois anos após o fim do conflito, em 1984 a Argentina conseguiu completar a entrega dos 14 Super Étendards encomendados, bem como dos Exocets. Os Super-Étendards operaram no porta-aviões ARA Vientecinco de Mayo até a aposentadoria final do navio, nos anos 90. Desde 1993, pilotos argentinos praticam a bordo do porta-aviões da Marinha do Brasil, inicialmente o Minas Gerais e posteriormente o São Paulo. Os exercícios de pouso “touch-and-go” também eram comuns em porta-aviões da Marinha dos EUA durante manobras “Gringo-Gaúchas” e exercícios conjuntos.

Em 2009, um acordo foi assinado entre a Argentina e a França para atualizar a frota de Super Étendards da Argentina. Uma proposta anterior para adquirir antigas aeronaves da França foi rejeitada devido aos altos níveis de horas de voo acumuladas; em vez disso, o equipamento e o hardware seriam removidos das células francesas e instaladas em aeronaves argentinas, atualizando-as efetivamente para o padrão Super Étendard Modernisé (SEM). Esse acordo acabou sendo adiado, devido a questões políticas e econômicas. Devido a esse atraso e a crise da Argentina, a frota de Super Étendard acabou sendo paralisada no início da década de 2010.


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Dassault Super Étandard Modernisé embarcados no navio de transporte Lily Auerbach seguem rumo à Argentina em abril de 2019 (Foto: Martin Otero/podernavalargentino.blogspot.com)


Em 2017, cinco Super Étendard Modernisé, recém-desativados, foram comprados da França para reforçar a frota a um custo de 12,5 milhões de euros, juntamente com um simulador, oito motores sobressalentes e um grande lote de peças de reposição e ferramentas. No entanto, não está claro se a Argentina vai colocar em operação as cinco aeronaves recém-compradas usadas ou usar como reserva de peças sobressalentes para células antigas.

França

As entregas do Super Étendard para a Marinha Francesa começaram em 1978, com o primeiro esquadrão, Flottille 11F, a tornar-se operacional em fevereiro de 1979. Como não ofereciam capacidade de combate aéreo, a França teve de prolongar a vida útil dos seus veteranos caças Vought F-8 Crusader, pois não foi encontrada nenhuma opção de substituição que satisfizesse a Marinha Francesa. Os EUA ofereceram um lote do então novo caça naval McDonnell Douglas F/A-18 Hornet, mas os franceses recusaram.


Vídeo 62 do CANAL ARTE DA GUERRA: Roberto Lopes: os afundamentos do Belgrano e Sheffield


No total, três esquadrões operacionais e uma unidade de treinamento foram equipados com o Super Étendard. Os Super-Étendards operariam a partir de ambos os porta-aviões da França naquela época, Clemenceau e Foch; uma ala aérea de combate embarcada normalmente compreendia 16 Super-Étendards, 10 F-8 Crusaders, 3 Étendard IVPs, 7 aeronaves antissubmarinas Breguet Alizé, além de numerosos helicópteros.

As primeiras missões operacionais de combate ocorreram no Líbano durante a “Operação Olifant”. Em 22 de setembro de 1983, Super Étendards operando a partir do porta-aviões Foch bombardearam e destruiram as posições das forças sírias depois que algumas salvas de artilharia foram disparadas contra as forças de paz francesas. Em 10 de novembro, um Super Étendard escapou de ser atingido por um míssil sírio lançado de ombro SA-7 perto de Bourj el-Barajneh. Em 17 de novembro de 1983, os mesmos aviões atacaram e destruíram um campo de treinamento islâmico, como retaliação ao ataque terrorista aos paraquedistas franceses em Beirute.


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Super Étendard Modernisé Nº 49 da Flotille 11F pronto para ser catapultado do porta-aviões Charles de Gaulle em junho de 2007 (Foto: Guillaume Rueda/Wikimedia)


A partir de 1991, a aeronave de ataque Étendard IVM foi retirada do serviço francês, embora a versão de reconhecimento do Étendard IV, o IVP, permanecesse em serviço até julho de 2000. Em resposta, os Super Étendards passaram por uma série de atualizações nos anos 90 para adicionar novos recursos e atualizar os sistemas existentes para uso no moderno campo de batalha. O agora Super Étendard Modernisé (SEM) teve as primeiras missões de combate ocorridas durante as operações da Força Aliada da OTAN sobre a Sérvia em 1999; foi relatado que mais de 400 missões de combate foram realizadas com 73% dos objetivos atribuídos destruídos.

O SEM também voou missões de ataque na Operação Enduring Freedom. A Missão Héraclès, a partir de 21 de novembro de 2001, viu o desdobramento do porta-aviões Charles de Gaulle e seus Super-Étendards no Afeganistão. A Operação Anaconda, a partir de 2 de março de 2002, fez uso extensivo do Super Étendard em apoio às tropas terrestres francesas e aliadas. Os Super Étendards retornaram às operações no Afeganistão em 2004, 2006, 2007, 2008 e 2010–2011. Um de seus principais papéis era levar pods de designação a laser para iluminar os alvos do Dassault Rafale M.

Em março de 2011, os SEM foram destacados como parte da Força-Tarefa 473, durante a “Opération Harmattan” da França, em apoio à resolução 1973 da ONU durante o conflito na Líbia. Eles foram pareados novamente com o Dassault Rafale em missões de interdição. Os últimos SEM da aviação naval francesa estavam reunidos em um “flottille” (esquadrão) chamado flottille 17F. Todos os Super Étendards foram aposentados do serviço francês em 12 de julho de 2016 para serem substituídos pelo Dassault Rafale M, 42 anos depois que o jato de ataque subsônico realizou seu primeiro voo. O último destacamento operacional do Super Étendard do Charles de Gaulle foi em apoio à “Opération Chammal” contra militantes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, que começaram no final de 2015. Em 16 de março de 2016, a aeronave realizou seu lançamento final do Charles de Gaulle antes de sua retirada final do serviço em julho.

Iraque

Um total de cinco Super Étendards foram emprestados ao Iraque em 1983, enquanto o país aguardava as entregas do Dassault Mirage F1, equipados com o radar Agave (capazes de lançar mísseis Exocet) encomendados; a primeira dessas aeronaves chegou ao Iraque em 8 de outubro de 1983. A cessão dos Super Étendards para o Iraque foi politicamente controversa, os Estados Unidos e o rival Irã manifestaram sua oposição, enquanto a Arábia Saudita apoiou o empréstimo; a aeronave era vista como um fator de influência na guerra Irã-Iraque entre 1980 e 1988, pois eles poderiam lançar ataques com Exocet contra os navios mercantes iranianos que atravessavam o Golfo Pérsico. Os Super Étendards iniciaram operações marítimas no Golfo Pérsico em março de 1984; um total de 34 ataques foram realizados em navios iranianos durante o resto de 1984. Navios-tanque de qualquer nacionalidade que transportassem petróleo bruto iraniano também estavam sujeitos a ataques iraquianos.


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Um dos Super Étendard iraquianos posteriormente devolvidos à França (Foto: F-16.net)


O Iraque tipicamente operava os Super Étendards em pares, escoltados por caças Mirage F1 de bases no sul do Iraque; uma vez dentro da zona de missão, os Super Étendards procurariam por alvos usando seu radar a bordo e atacariam navios-tanques suspeitos a longa distância sem identificação visual. Enquanto os petroleiros normalmente seriam atingidos por um Exocet lançado, eles geralmente eram levemente danificados. Em abril de 1984, um McDonnell Douglas F-4 Phantom II iraniano relatou ter abatido um Super Étendard iraquiano na ilha de Kharg. Separadamente, em 26 de julho e 7 de agosto de 1984, alegações de perdas de Super Étendards para os Grumman F-14 Tomcats iranianos foram divulgadas. O Irã afirmou que um total de três Super Étendards foram abatidos por seus interceptadores, mas os franceses afirmaram que quatro dos cinco aviões arrendados foram devolvidos à França em 1985.

OPERADORES

Argentina

A Marinha Argentina recebeu originalmente 14 aeronaves, das quais nenhuma está atualmente em operação. Mais cinco aeronaves da Marinha Francesa foram adquiridas para treinamento e/ou peças sobressalentes em 2017.

França

A Marinha Francesa recebeu 71 aeronaves. Foram retiradas do serviço ativo em 12 de julho de 2016.

Iraque

A Força Aérea Iraquiana recebeu cinco aeronaves emprestadas entre 1983 e 1985; uma foi perdida durante a guerra Irã-Iraque, o restante retornou à França em 1985.

PRINCIPAIS ACIDENTES E INCIDENTES

Argentina

  • 1 de agosto de 1989, 0760 3-A-210, piloto morreu.
  • 11 de dezembro de 1989, 0762 3-A-212, o motor parou, mas o piloto ejetou com segurança.
  • 29 de maio de 1993, 0754 3-A-203, piloto morreu.

França

  • Em 27 de maio de 1982, um Super Étendard caiu na costa de Toulon; o piloto morreu.
  • Em setembro de 1986, um Super Étendard caiu no Mar Mediterrâneo; o piloto ejetou.
  • Durante a noite de 2 de abril de 1987, um Super Étendard desapareceu durante um voo de treinamento ao norte do farol de Île Vierge, na costa noroeste da Bretanha. Nem a aeronave nem o piloto foram encontrados.
  • Em julho de 1987, um Super Étendard caiu numa floresta em Ille-et-Vilaine; o piloto ejetou.
  • Durante a noite de 17 de julho de 1988, um Super Étendard caiu durante um pouso no porta-aviões francês Clemenceau; o piloto morreu.
  • Em 31 de maio de 1990, um piloto do Super Étendard ejetou 110 km da costa de Hyères. Ele foi resgatado por um helicóptero Dauphin do esquadrão 23S.
  • Em 27 de março de 1994, o Super Étendard 5 da flotilha 11F da Marinha Francesa caiu no Mar Adriático; o piloto foi resgatado da água por um helicóptero do esquadrão 23S.
  • Em 26 de janeiro de 1996, um Super Étendard caiu na costa de La Ciotat; o piloto ejetou.
  • Em 14 de abril de 2004, o Super Étendard Modernisé 35, da flotilha 17F da Marinha Francesa, durante o pouso no porta-aviões francês Charles de Gaulle caiu na pista; o piloto ficou ileso.
  • Em 7 de dezembro de 2005, o Super Étendard Modernisé 45, da frota 11F da Marinha Francesa, foi perdido no mar no Golfo de Ajaccio depois que seu motor ingeriu um pássaro. O piloto ejetou e foi apenas levemente ferido.
  • Em 21 de março de 2006, um pássaro danificou o Super Étendard Modernisé 3, da flotilha 11F da Marinha Francesa, sobre Pontorson. O piloto fez um pouso forçado num campo em Dinard.
  • Em 24 de agosto de 2006, por volta das 1830 (horário local), o Super Étendard Modernisé 43, da flotilha 11F da Marinha Francesa, bateu forte na pista da BAN Landivisiau e foi danificado; não houve feridos.
  • Em 21 de março de 2008, um Super Étendard Modernisé da flotilha 17F da Marinha Francesa foi perdido no mar ao sul de Cavalaire-sur-Mer durante um voo de treinamento. O piloto ejetou com segurança.
  • Em 1 de outubro de 2008, às 17h10 (horário local), dois Super Étendards Modernisés (números 38 e 49) da flotilha 11F da marinha francesa colidiram sobre a baía de Lannion, cerca de 27 km ao norte de Morlaix. Eles estavam conduzindo um voo de treinamento originário da BAN Landivisiau. Ambos os pilotos foram ejetados, mas apenas um foi resgatado vivo. O caça-minas Lyre (M648) não conseguiu localizar os destroços em mais de 60m de água, e as tentativas de resgate do segundo piloto abatido foram canceladas no dia seguinte ao meio dia. Em 17 de outubro, os destroços e o corpo do piloto desaparecido foram encontrados a 20 km ao norte da Île de Batz com a ajuda de robôs submersíveis.

ESPECIFICAÇÕES

Características Gerais

  • Tripulação: 1 piloto
  • Comprimento: 14,31m
  • Envergadura: 9,60m
  • Altura: 3,86m
  • Área das asas: 28,4m²
  • Peso vazio: 6.500kg
  • Max. peso de decolagem: 12.000kg
  • Powerplant: 1 × Snecma Atar 8K-50 turbojato, 49,0 kN (11,025 lbf)

Desempenho

  • Velocidade máxima: 1205km/h (651 nós, 749 mph)
  • Alcance máximo: 1.820km (983nmi, 1.130mi)
  • Raio de combate: 850km (460nmi, 530mi) com um míssil AM 39 Exocet num pilone numa asa e um tanque alijável num pilone na outra asa, perfil hi-lo-hi (alto-baixo-alto).
  • Teto de serviço: 13.700m (44.900 pés)
  • Taxa de subida: 100m/s (19.700 pés/min)
  • Carregamento de asa: 423kg/m²
  • Relação empuxo/peso: 0,42

Armamento

  • Armas: 2 × 30 mm (1.18 in) DEFA 552 canhões com 125 cartuchos por arma
  • Pilones: 4 × sob as asas e 2 × sob a fuselagem com uma capacidade máxima de 2.100kg
  • Foguetes: 4 × foguetes Matra com foguetes 18 × SNEB 68 mm cada
  • Mísseis:
    • 1 × AM 39 Exocet Míssil antinavio, ou
    • 1 × míssil ramjet nuclear Air-Sol Moyenne Portée (ASMP), ou
    • 2 × AS-30L, ou
    • 2 × Matra Magic 2 ar-ar
  • Bombas: bombas convencionais não guiadas ou guiadas por laser, capacidade de uso de bomba nuclear de queda livre 1 × AN-52, capacidade de reabastecimento de ar através do sistema “buddy-buddy”.

*Foto de capa: um Dassault Super Étendard aeronaval da Flottille 17F durante o exercício “French Quarter ’88”


RECOMENDADOS PELO VELHO GENERAL

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The Dassault Adventure: A First Century of Aviation

  • Luc Berger (Autor)
  • Em inglês
  • Capa dura

 

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  12 comments for “O Dassault Super Étendard: o terror do conflito no Atlântico Sul (e de outras guerras)

  1. robinsonfarinazzo
    07/05/2019 às 07:38

    Parabéns Luiz ! Forte abraço !

    Curtido por 3 pessoas

  2. givanildosousagonalves
    07/05/2019 às 20:14

    Excelente artigo Luiz, seu trabalho é ótimo, com Riqueza de detalhes e não cansativos!!

    Curtido por 2 pessoas

  3. givanildosousagonalves
    07/05/2019 às 20:24

    Ótimo artigo Luiz, muito rico em detalhes, é não é cansativo!!! Parabéns!!

    Curtido por 2 pessoas

  4. 08/05/2019 às 19:22

    Fazendo jus ao nome (“bandeira de batalha”), este belo e admirável estandarte francês mostrou (e quem sabe ainda há de mostrar na Armada Argentina) seu valor em diferentes situações de combate. Artigo para ler e reler com entusiasmo!

    Curtido por 1 pessoa

  5. dbatta
    09/05/2019 às 09:18

    Excelente artigo!
    Aparentemente tem uma taxa alta de perdas.

    Curtido por 2 pessoas

    • Luiz Reis
      09/05/2019 às 10:00

      Como toda aeronave bem usada operacionalmente. Obrigado pelo comentário!

      Curtido por 2 pessoas

  6. Lucas
    14/05/2019 às 18:40

    Otimo artigo.
    A Guerra das Falklands só não foi um desastre completo graças a esse brinquedo e aos 5 Exocets.
    Antes do fim da batalha os Franceses já haviam vendido os códigos do Exocet para os ingleses o que o tornou inócuo mesmo se a entrega dos mísseis comprados tivesse sido efetivada no prazo.

    Curtido por 1 pessoa

    • Luiz Reis
      14/05/2019 às 19:09

      Na verdade foram quatro Exocet operacionais. Um teve que ser desmontado para que os engenheiros argentinos pudessem aprender “na marra” sobre o míssil. Quanto aos códigos, mesmo eles tendo sido fornecidos, ainda conseguiram fazer um bom estrago, e levou muito medo aos britânicos (leia meu artigo sobre a Operação Mikado, aqui no Velho General). Muito obrigado pelo comentário.

      Curtido por 2 pessoas

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