O Alenia/Aermacchi (Leonardo) M-346 Master

Reis Por Luiz Reis

Logo após a recente edição da LAAD, entre os dias 2 e 5 de abril de 2019, o editor-chefe do GBN News, nosso parceiro Angelo Nicolaci (veja a matéria aqui), noticiou que a Leonardo, fabricante de aeronaves e sistemas de Defesa europeu, ofereceu à FAB (Força Aérea Brasileira) um lote de aeronaves M-346 Master para substituir a frota de aeronaves AMX A-1B (a versão de dois lugares). A oferta seria um aparelho utilizado, entre outras funções, como aeronave de treinamento para conversão operacional dos novos aviadores que saem dos Embraer A-29 Super Tucano e futuramente irão voar o SAAB F-39E/F Gripen, assumindo o papel de uma aeronave LIFT (Lead-in Fighter Training).

Cabe ressaltar que trata-se de uma oferta da Leonardo e que não há notícia oficial de que a FAB tenha qualquer programa neste sentido. Neste artigo, tratamos de definir o que é uma aeronave LIFT e em seguida traçamos um perfil do M-346 Master, a aeronave da Leonardo em questão.

O QUE SERIA UMA AERONAVE LIFT?

O Treinamento Avançado e Conversão à Primeira Linha de Pilotos de Caça (LIFT) é uma forma de treinamento que utiliza aeronaves de treinamento a jato avançadas com aviônicos e capacidade de gerenciamento que simulam aviões de combate operacionais, fornecendo treinamento eficiente em vários cenários e situações de combate com custos de treinamento bastante reduzidos quando comparados com a conversão operacional utilizando aeronaves da primeira linha. Os sistemas de bordo podem estar ligados a sistemas baseados em terra e, juntos, eles podem simular situações como ataque de mísseis guiados por radar ou infravermelho, interceptadores, mísseis ar-ar e terra-ar, baterias antiaéreas, radares, contramedidas, bloqueios de radar e avisos de colisão, entre outros, em ambientes de guerra eletrônica baixos ou densos. As aeronaves LIFT também podem simular situações reais de combate.

O LEONARDO M-346 MASTER

O Leonardo M-346 Master é uma aeronave de treinamento transônico bimotor militar. Originalmente co-desenvolvido com a empresa aeronáutica russa Yakovlev como o Yak/AEM-130, a parceria foi dissolvida em 2000 e a Alenia Aermacchi passou a desenvolver separadamente o M-346 Master, enquanto a Yakovlev continuou a trabalhar no Yakovlev Yak-130. O primeiro voo do M-346 foi realizado em 2004. O tipo é atualmente operado pelas forças aéreas da Itália, Israel, Singapura e Polônia. Desde 2016, o fabricante da aeronave tornou-se a Leonardo-Finmeccanica quando a Alenia Aermacchi foi incorporada à nova Finmeccanica, finalmente renomeada como Leonardo em 2017.


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M-346 italiano em vôo no 55º aniversário da Frecce Tricolori (Foto: Gian Marco Anzellotti/Wikipedia)


Origens e Desenvolvimento

Em 1992, a Aermacchi assinou um acordo de cooperação com a Yakovlev para fornecer apoio financeiro e técnico ao novo treinador que a empresa vinha desenvolvendo desde 1991 para a Força Aérea Russa em competição com o Mikoyan MiG-AT. A Aermacchi também ganhou o direito de modificar e comercializar as aeronaves para o mercado ocidental. A aeronave resultante voou pela primeira vez em 1996 e foi trazida para a Itália no ano seguinte para substituir o antigo treinador Aermacchi MB-339. Nessa época, a aeronave estava sendo comercializada como Yak/AEM-130. Em fevereiro de 1996, a Rússia forneceu o financiamento inicial para o Yak/AEM-130 e prometeu comprar até 200 aeronaves para a Força Aérea Russa.

Em outubro de 1998, foi relatado que o empreendimento se tornava cada vez mais um esforço liderado pelos italianos devido à falta de apoio financeiro por parte da Rússia, que vivia uma grave crise financeira. Em julho de 2000, a Aermacchi detinha uma participação de 50% no programa de desenvolvimento e a Yakovlev e a Sokol tinham uma quota de 25% cada. Em meados de 2000, foi anunciado que as mudanças de prioridades entre as duas empresas e a falta de apoio financeiro por parte dos participantes russos do programa haviam acabado com a parceria e que cada empresa buscaria o desenvolvimento da aeronave de forma independente; a Yakovlev recebeu da Aermacchi US$ 77 milhões pelos documentos técnicos da aeronave. A Yakovlev poderia vender o Yak-130 para países como a Rússia, Índia, Eslováquia e Argélia, enquanto Aermacchi venderia o M-346 para os países da OTAN, entre outros.

O M-346 é uma versão altamente modificada em relação à aeronave que estava sendo desenvolvida em parceria com a Yakovlev. Ele usa exclusivamente equipamentos de fabricantes ocidentais, como o sistema de controle de vôo digital que foi desenvolvido em colaboração entre a Teleavio, a Marconi Italiana e a BAE Systems. Em julho de 2000, a Aermacchi selecionou a moderna turbina Honeywell F124 para equipar o modelo no lugar do motor originalmente proposto Povazske Strojarne DV-2S. O primeiro protótipo do M-346 foi exibido pela primeira vez no dia 7 de junho de 2003 e realizou seu vôo inaugural em 15 de julho de 2004. Ainda em 2004, um contrato para o desenvolvimento de um simulador de missão completa para o M-346 foi concedido ao CAE (empresa canadense fabricante de simuladores de vôo). Outros contratos de produção para o simulador de missão completa do CAE já foram emitidos.


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M-346 nº série CSX 55152 da Força Aérea Italiana no Farnborough International Airshow 2016, Farnborough, Inglaterra (Foto: MilborneOne/Wikipedia)


Em janeiro de 2005, o Ministério da Defesa grego assinou um Memorando de Entendimento (MOU) para se tornar parceiro no programa, seguido por um acordo de cooperação industrial entre a Aermacchi e a Hellenic Aerospace Industry em 2006. Em março de 2008, a ENAER chilena assinou um Memorando de Entendimento (MOU) com a Alenia Aermacchi no show aéreo da FIDAE daquele ano. Em 10 de abril de 2008, um outro protótipo, produzido na configuração final (novo trem de pouso e freios, além de mais peças em material composto), fez o seu primeiro voo. No dia 18 de dezembro de 2008, a Aermacchi anunciou que o M-346 tinha atingido uma velocidade máxima de Mach 1,15 (1.255km/h, 678 nós, 780mph), reivindicando a ocasião como a primeira vez em 50 anos que um avião 100% construído na Itália tinha quebrado a barreira do som.

Em 20 de junho de 2011, a Certificação Militar de Aeronavegabilidade foi concedida à Alenia Aermacchi pelo M-346 Master pela Direção Geral de Armamentos Aeronáuticos do Ministério da Defesa italiano em Roma. Durante o processo de certificação, a aeronave de desenvolvimento M-346 realizou mais de 200 vôos de teste.

No papel do jato de treinamento, o M-346 voa desarmado; no entanto, em novembro de 2015, foi relatado que a Alenia Aermacchi resolveu desenvolver uma variante com capacidade de caça e ataque leve. No final de 2014, uma série de testes armados envolvendo os mísseis ar-ar de curta distância IRIS-T ocorreu. Em 2015, uma variante armada, designada como M-346 LCA (Light Combat Aircraft), foi oferecida à Polônia; isso supostamente incluía a capacidade de operar o míssil ar-terra Brimstone.

Em fevereiro de 2016, a então recém-criada empresa Leonardo-Finmeccanica resolveu elevar o M-346 a mais duas novas funções: treinamento de tripulações (companion trainer) e treinamento dissimilar de combate aéreo. A fim de simular o desempenho de vôo e o comportamento de várias aeronaves inimigas, tanto a força g quanto o ângulo de ataque podem ser selecionados independentemente no sistema de controle de vôo. Pela sua agilidade e manobrabilidade, principalmente em baixa altura, o fabricante ressaltou que o aparelho seria ideal para se tornar uma aeronave “aggressor”.

Características e Design

O M-346 foi projetado para o papel principal de treinador de combate LIFT, em que é usado para fornecer treinamento de pilotos para a última geração de aviões de combate. Alimentado por um par de motores turbofan low bypass Honeywell F124, é capaz de vôo transônico e supersônico sem uso de pós-combustor (supercruise). Durante o processo de elaboração do design, os conceitos de design-to-cost e design-to-maintain (que leva em consideração a economia operacional) foram cumpridos, reduzindo os custos de aquisição e operação; os custos por hora de vôo do M-346 equivalem a um décimo dos do Eurofighter Typhoon. Além da função de treinamento, o M-346 foi projetado desde o início para acomodar recursos operacionais adicionais, incluindo missões de combate, como apoio aéreo aproximado e patrulha aérea de combate.

O M-346 incorpora um sistema de controle de voo fly-by-wire digital de quatro canais que, em combinação com a configuração aerodinâmica otimizada da aeronave, proporciona total manobrabilidade e controlabilidade em um ângulo de ataque muito alto (acima de 30 graus). O sistema de controle de vôo, incorporando uma filosofia de projeto HOTAS, está equipado com limitações de ângulo de ataque e força g ajustáveis; quando combinado com seu amplo envelope de desempenho, isso permite que o M-346 imite efetivamente o desempenho de vôo de várias aeronaves de caça operadas por pilotos em treinamento ou aumente progressivamente os níveis de dificuldade, aumentando assim a eficácia do treinamento. Um sistema de recuperação ativado pelo piloto (conhecido por panic button) está presente, o qual, quando pressionado, conduz uma recuperação automática, retornando a aeronave a uma trajetória de vôo estável e nivelada.


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Um Aermacchi M-346 em vôo (Foto: Duch.seb/Wikipedia)


Um sistema de aviônicos digitais, modelado em suas contrapartes a bordo da última geração de aeronaves militares, como o SAAB JAS-39 Gripen, o Lockheed-Martin F-22 Raptor e o Eurofighter Typhoon, foi incorporado, tornando-o adequado para todas as etapas do treinamento de vôo avançado e, assim, reduzir o uso de aeronaves de combate para fins de treinamento. Uma arquitetura aviônica modular é empregada, permitindo que novos equipamentos e sistemas sejam incorporados e aumentando o potencial de crescimento do tipo. O cockpit de vidro do M-346 é representativo do cockpit de última geração (Glass Cockpit) e é compatível com óculos de visão noturna (NVG); possui três displays multifuncionais LCD coloridos, um Head-Up Display (HUD) e um display opcional montado no capacete. Um sistema de comando de voz também está presente, integrado com funções como o sistema de navegação. Os sistemas de comunicação incluem transceptores VHF/UHF, transponder IFF e sistema de prevenção de colisão de tráfego (TCAS).

Uma característica fundamental do M-346 é o sistema de treinamento tático incorporado (ETTS). O ETTS é capaz de emular vários equipamentos, como radar, pods de alvos, armas e sistemas de guerra eletrônica; além disso, o ETTS pode interagir com várias munições e outros equipamentos transportados a bordo. O sistema pode atuar em modo autônomo, no qual dados simulados e informações de cenário são carregados antes da decolagem, ou em rede, na qual dados são recebidos e acionados em tempo real de estações de monitoramento terrestre através do link de dados da aeronave. Para fins de avaliação e análise pós-missão, os dados acumulados, como os de vídeo do monitor opcional montado no capacete, podem ser extraídos e revisados. A Alenia Aermacchi também oferece um Sistema Integrado de Treinamento (ITS), combinando o M-346 com um sistema de treinamento em terra como parte de um programa mais amplo de qualificação de pilotos.


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Variante multirole M-346FA fotografado em 2017 (Foto: Anna Zvereva/Leonardo)


O M-346 é equipado com um total de nove pontos duros (hard points), capazes de transportar cargas externas de até 3.000 kg, mantendo uma alta relação empuxo-peso; os dados de gerenciamento podem ser apresentados em qualquer uma das exibições multifuncionais no cockpit. A detecção por radar (RCS) do M-346 numa configuração padrão é supostamente de 20 metros quadrados; isto pode ser reduzido a um único metro quadrado instalando um kit de baixa observabilidade que foi desenvolvido para o tipo. Outros sistemas de autoproteção que podem ser instalados incluem um receptor de alerta de radar, distribuidores de chaff e flares, e sistemas de guerra eletrônica ativos. De acordo com a Alenia Aermacchi, o kit fornece “excelentes níveis de sobrevivência e eficácia ao operar em ambiente hostil”. Outros equipamentos opcionais instalados no M-346 incluem pods de direcionamento, um link de dados tático e um radar de controle de fogo multimodo.

Missões de combate também podem ser realizadas pelo M-346, tendo sido projetadas para serem rapidamente reconfiguradas em campo tornando-o um avião de combate capaz de realizar missões de ataque ao solo, anti-navio e de combate aéreo, com capacidade de “defesa de ponto”. Várias armas e munições podem ser transportadas, incluindo um pod de metralhadora .50 (12,7 mm), mísseis ar-ar IRIS-T ou AIM-9 Sidewinder, vários mísseis ar-terra, mísseis antinavio, bombas de queda livre e guiadas por laser e foguetes, pods de reconhecimento e pods de guerra eletrônica; a mira das armas pode ser realizada através do visor montado no capacete e dos displays multifuncionais. Todos os sistemas principais são duplicados, e o sistema de vôo é reconfigurável, aumentando a capacidade de sobrevivência e a funcionalidade no caso de danos em combate. A aeronave tem um alcance máximo de 1.470 milhas náuticas (2.722km) quando equipada com um máximo de três tanques de combustível externos, o que pode ser estendido por meio de reabastecimento em vôo (REVO) por meio de uma sonda de reabastecimento removível.

Em uso operacional

A Força Aérea Italiana (AMI) planejou adquirir inicialmente um primeiro lote de 15 aviões M-346. Em 18 de junho de 2009, a Alenia Aermacchi anunciou que recebeu um pedido para os seis primeiros com uma opção para mais nove. Em setembro de 2015, a Força Aérea Italiana iniciou seu primeiro curso de treinamento usando os recém recebidos treinadores M-346.

O M-346 foi nomeado o vencedor de uma competição pelos Emirados Árabes Unidos no show de defesa IDEX 2009 em Abu Dhabi em 25 de fevereiro de 2009. A concorrência envolveu a entrega de 48 aeronaves a serem usadas para treinamento de pilotos e tarefas de ataque leve. Um pedido final de propostas em 2010 estabeleceu o requisito de 20 treinadores, 20 aeronaves para tarefas de combate e o restante destinado à criação de uma equipe de demonstração de vôo. No entanto, em janeiro de 2010, as negociações para assinatura do contrato estariam atrasadas e depois foram canceladas.


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Vista frontal de um M-346, 2015 (Foto: Gian Marco Anzellotti/Wikipedia)


Em julho de 2010, o M-346 foi selecionado pela Força Aérea da República de Singapura (RSAF) para substituir o ST Aerospace A-4SU Super Skyhawk no treinamento Advanced Jet Training (AJT), com base na BA120 Cazaux Air Base na França. Em um comunicado de imprensa do Ministério da Defesa de Singapura, em 28 de setembro de 2010, a ST Aerospace recebeu o contrato para adquirir doze M-346 e um sistema de treinamento em terra em nome da RSAF. Conforme estipulado no contrato, a ST Aerospace atua como contratada principal na manutenção da aeronave após o fornecimento pela Alenia Aermacchi, enquanto a Boeing fornece o sistema de treinamento. A RSAF detém a distinção de ser o primeiro cliente de exportação para o tipo.

O programa Avançado de Treinamento de Piloto Europeu (AEPTJ) – também chamado extra oficialmente Eurotraining – consórcio de 12 países europeus para ministrar treinamento avançado com um curso básico de conteúdo unificado e treinamento oferecido por uma mesma aeronave – entrou em contato com a Alenia Aermacchi através da Comunidade Europeia. Em 18 de novembro de 2011, o protótipo, que estava em exposição no Dubai Air Show, caiu após a partida de Dubai no retorno à Itália.

Em 16 de fevereiro de 2012, o M-346 foi selecionado pela Força Aérea Israelense (IAF) em um acordo de troca, no qual Israel construirá sistemas AWACS e um satélite de reconhecimento para a Itália em troca dos aviões. Ele funcionaria como o principal jato de treinamento da IAF para substituir o McDonnell Douglas A-4H/N Skyhawk, que serviu à IAF por mais de 40 anos. Em 19 de julho de 2012, foi assinado um contrato entre a Alenia Aermacchi e o Ministério da Defesa de Israel para fornecer 30 jatos de treinamento avançado M-346, com a primeira entrega prevista para meados de 2014. A Força Aérea Israelense anunciou em 2 de julho de 2013 que no serviço israelense o M-346 seria chamado de Lavi, reutilizando o nome dado ao cancelado caça IAI Lavi. O primeiro M-346 da IAF foi lançado em cerimônia na fábrica da Alenia Aermacchi em 20 de março de 2014.


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O M-346 em exposição no Museu da Força Aérea de Israel (Foto: Oyoyoy/Wikipedia)


Em 11 de maio de 2013, um M-346 operado pela Alenia caiu perto da vila de Piana Crixia, em Val Bormida, entre as províncias de Cuneo e Savona, na Itália, durante um vôo de teste. O piloto foi capaz de ejetar com sucesso e sobreviveu ao acidente, mas teve ferimentos graves depois de pular da árvore onde seu paraquedas estava enroscado. A aeronave ficou no solo por mais de três meses enquanto as causas do acidente eram investigadas.

Em outubro de 2016, a Força Aérea Argentina (FAA) também avaliou o M-346 como um possível caça de combate para substituir as aeronaves Dassault Mirage III e Mirage 5 que haviam sido aposentados em 2015, bem como as aeronaves Douglas A-4R que permanecem em operação limitada. Especulava-se que a Argentina estivesse interessada em 10 a 12 aeronaves, mas o pedido não foi adiante.

Em fevereiro de 2018, a Força Aérea Italiana recebeu seu 18º e último M-346, concluindo o programa de aquisição da força.

Em 23 de dezembro de 2013, foi anunciado que a Polônia havia selecionado o M-346 atendendo a seus requisitos para um treinador avançado a jato. Um contrato para oito aeronaves foi assinado em 27 de fevereiro de 2014. Os dois primeiros M-346 chegaram a Deblin em novembro de 2016. Inicialmente, as aeronaves não foram oficialmente aceitas devido ao não cumprimento das especificações do contrato. O prazo de entrega era originalmente de novembro de 2016. No entanto, em 22 de dezembro de 2017, todas as oito aeronaves foram aceitas.

Em dezembro de 2017, o Ministério da Defesa Nacional da Polônia anunciou que estava buscando impor penalidades financeiras à Leonardo de até 100 milhões de zloty (US$ 28 milhões) por atrasos nas entregas. A entrega de oito aeronaves estava inicialmente prevista para ser concluída em novembro de 2016, mas foi concluída em dezembro de 2017. Além disso, o ministério reclamou que as aeronaves não eram totalmente capazes de simular certos sistemas de armas para fins de treinamento.

Em 19 de novembro de 2018, a Divisão de Aeronaves de Leonardo, juntamente com a Elbit Systems, concluiu a entrega dos Simuladores de Missão Completa M-346 (FMS) e Dispositivos de Treinamento de Vôo (FTD) à Força Aérea Polonesa (PLAF). Isso foi inicialmente programado para ser concluído em novembro de 2016. Em dezembro de 2018, a Polônia havia assinado mais 4 aeronaves, além de atualizações para a frota existente de 12 aeronaves. As entregas e o trabalho de atualização para o total de 16 aeronaves devem se estender a 2022.

O Programa T-X da USAF

Nos Estados Unidos, a Alenia Aermacchi enviou o M-346 para o programa T-X da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) para substituir o velho Northrop T-38 Talon, renomeando a aeronave como o Sistema de Treinamento Integrado Leonardo DRS T-100. Originalmente, a Alenia pretendia ser a contratada principal, antecipando a mudança do local de montagem final da Itália para os Estados Unidos, caso a oferta fosse bem-sucedida. Esperava-se que cerca de 350 aeronaves fossem encomendadas, e outras aquisições poderiam levar a uma aquisição de mais de 1.000 aeronaves no total.


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Leonardo T-100 em exposição no Farnborough Airshow 2018 (Foto: Behavingnose/Wikipedia)


Em janeiro de 2013, a Alenia Aermacchi assinou uma carta de intenções com a General Dynamics C4 Systems, que pretendia atuar como contratada principal para a licitação da T-X; no entanto, a General Dynamics anunciou sua retirada em março de 2015. Em 1º de janeiro de 2016, a Alenia Aermacchi foi absorvida numa nova corporação consolidada chamada Leonardo-Finmeccanica. Em fevereiro de 2016, foi anunciado que a Raytheon, que deveria atuar como principal contratada, se associou à Leonardo-Finmeccanica para oferecer uma variante avançada do M-346 para o programa T-X chamada T-100.

Em 25 de janeiro de 2017, a Raytheon anunciou que havia se retirado como contratada principal e parceira americana na competição T-X. Em 8 de fevereiro de 2017, a Leonardo confirmou que ficaria apenas na competição T-X, com a Leonardo DRS, sua subsidiária nos EUA, como contratada principal. No dia 27 de setembro de 2018, a Força Aérea dos EUA selecionou a aeronave Boeing/SAAB T-X como sua próxima aeronave de treinamento.

MODELOS

    • M-346 – Designação para o tipo básico da aeronave.
    • T-346A – Designação militar italiana adotada em 2012 para o M-346.
    • M-346LCA (Light Combat Aircraft) – Variante armada oferecida à Polônia como substituta do Su-22.
    • M-346FT (Fighter Trainer) – Variante multirole capaz de alternar entre treinos e operações de combate. Os novos recursos incluem um novo sistema tático de datalink e capacidade de armamento diferente, mas não incluem mudanças físicas no hardware.
    • M-346FA (Fighter Attack) – Variante multirole capaz de combate ar-ar e ar-superfície com uma carga útil de duas toneladas sobre sete hardpoints, radar Grifo-346 avançado, contramedidas e novos recursos, incluindo revestimentos de absorção de radar e asa ampliada. Está sendo comercializado como um avião de ataque leve, também adequado para fins de treinamento como aeronave aggressor. A aeronave foi exibida em 18 de junho de 2017 em exibição estática no Paris Air Show daquele ano. A aeronave está sendo posta à venda para exportação para países da América do Sul e do Leste Asiático, e é anunciada como sendo capaz de realizar missões operacionais a custos muito mais baixos do que os dos caças da linha de frente.
  • T-100 – Designação usada para o programa T-X da Força Aérea dos Estados Unidos.

OPERADORES

    • Israel
      • Força Aérea Israelense (IAF) – 30 em operação, recebeu em um acordo de troca de sistemas AWACS e satélites de reconhecimento sendo construídos pela Israel Aerospace Industries para a Itália. designado M-346 “Lavi”.
    • Itália
      • Força Aérea Italiana – 18 designados T-346A, entregas concluídas em fevereiro de 2018.
      • Escola Internacional de Treinamento de Vôo (Executado pela Força Aérea Italiana e Leonardo) – 1 entregue em fevereiro de 2019.
    • Polônia
      • Força Aérea Polonesa – 8 aeronaves em serviço, designada M-346 “Bielik”, mais 8 encomendados, servindo na 41ª Base Aérea de Treinamento em Dęblin.
    • Singapura
      • Força Aérea da República de Singapura (RSAF) – 12 em serviço.

ESPECIFICAÇÕES (M-346)


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Silhueta do Alenia Aermacchi M-346 Master (Greg Goebel/Vectorsite)


Características gerais

    • Tripulação: dois, aluno e instrutor (treinamento) um (caça e ataque)
    • Comprimento: 11,49m
    • Envergadura: 9,72m
    • Altura: 4,76m
    • Área das asas: 23,52m²
    • Peso vazio: 4.610kg
    • Peso carregado: 6.700kg
    • Max. peso de decolagem: 9.500kg
  • Powerplant: 2 × Honeywell F124-GA-200, 28kN cada

Desempenho

    • Nunca exceder a velocidade de Mach 1.2 (1.470km/h, 793 nós)
    • Velocidade máxima: 1.059km/h (572 nós)
    • Velocidade de estol: 176km/h (95 nós)
    • Alcance: 1.981km (1.070 milhas náuticas)
    • Translado: 2.722km (1.470 nmi) com 3 tanques externos
    • Autonomia: 2,75 horas (4 horas com tanques externos)
    • Teto de serviço: 13.716m (45.000 pés)
    • Taxa de subida: 6.705m/min (22.000 pés/min)
    • Carregamento de asa: 285 g/m² (58.3 lb/ft²)
  • Relação empuxo/peso: 0,84

Armamento

Pontos duros: Provisões para um total de 9 estações (2 × ponta das asas, 1 × sob a fuselagem mais 6 × sob as asas), capazes de carregar até 3.000kg (6.600 lb) de carga útil externa e até 3 × tanques externos de 630 litros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os principais concorrentes do M-346 no mercado são o norte-americano e sueco Boeing/SAAB T-X, o europeu EADS Meko/HEAT, o chinês Hongdu L-15 e o sul coreano KAI T-50 Golden Eagle. São aeronaves modernas e sofisticadas e todas elas têm grande capacidade de realizar, além das funções de treinamento, missões de caça e ataque de forma transônica e até supersônica.

Vale ressaltar que a empresa Leonardo fez uma proposta, o que não significa que a FAB irá adquirir a aeronave. Não há nenhuma notícia oficial de que a FAB esteja desenvolvendo qualquer programa ou estudo neste sentido. Na hipótese de que isto venha a ocorrer, a FAB deverá fazer uma concorrência, na qual possivelmente se enfrentariam a maioria das aeronaves listadas acima. Independentemente disso, depois de analisar as características do M-346, podemos constatar que o Master poderia ser um forte concorrente numa licitação deste tipo.

Foto de capa: RSAF (Republic of Singapore Air Force)


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  8 comments for “O Alenia/Aermacchi (Leonardo) M-346 Master

  1. Leonardo de Araujo
    17/04/2019 às 11:46

    Que vantagem traria a FAB operar o M-346 frente aos atuais AMX? Face aos gastos se aquisição e operacionais que este novo vetor traria. Não seria mais vantajoso finalizar a modernização de toda a frota dos AMX?

    Curtido por 3 pessoas

    • Luiz Reis
      17/04/2019 às 12:30

      Bom, o M-346 é uma aeronave realmente projetada para ser um treinador LIFT com capacidade de ataque. Ele carrega a mesma quantidade de peso que o AMX leva, e o AMX tem sérios problemas de potência e não é uma aeronave tão fácil de pilotar.

      Curtido por 1 pessoa

    • dbatta
      17/04/2019 às 18:34

      Sob um olhar mais critico pode ser uma boa opção, os amx não são mais novos e não sei se o custo de atualização compensa, alem disso a diferença no treinamento e adaptação a aeronave não seriam impactantes como no caso do gripen.
      Na pratica é muito cedo para opinar.

      Curtido por 1 pessoa

  2. Daniel Battaglia
    17/04/2019 às 11:56

    Fazendo uma comparação do tipo “super trunfo” com as demais aeronaves o M-346 está na media. Dois fatos me chamaram a atenção:
    1) é o fraco desempenho de vendas/interesse;
    2) A vitoria do Boeing/SAAB T-X na concorrência da USAF.

    Obrigado pela matéria.

    Curtido por 2 pessoas

    • Luiz Reis
      17/04/2019 às 12:32

      Por enquanto é fraco sim, mas nós próximos anos vamos ver se as vendas aquecem. O T-X, apesar de ter sido selecionado pela USAF, ainda é uma incógnita, pois não sabemos ainda se o seu custo operacional será elevado demais para nós.

      Curtido por 1 pessoa

  3. 07/05/2019 às 07:53

    Oferecer o produto a um potencial comprador é algo completamente normal no mundo de vendas. Se o comprador vai estar interessado ou não, é outra conversa. Com o que pudemos ler, não há interesse aberto por parte da FAB para aquisição de aeronaves de treinamento leve, o que não desqualifica como produto o M-346. Acerca do T-X, haver sido selecionado pela USAF significa que cumpre com os requisitos da mesma, não necessariamente de outras forças aéreas pelo mundo.

    Curtido por 3 pessoas

    • 07/05/2019 às 07:55

      É por aí, uma coisa é alguém querer vender, outra coisa é alguém querer comprar. Grato pelo comentário!

      Curtido por 2 pessoas

      • Luiz Reis
        07/05/2019 às 08:34

        Muito obrigado pela observação.

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